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segunda-feira, 23 de abril de 2018

RELESPÚBLICA + OS ARTEFACTOS NA SP

Na noite de sábado de 14 de abril a Scooteria Paulista recebeu os lendários curitibanos da Relespública, uma respeitada banda Mod surgida em 1989 e que embalou o coração de muitos jovens de identificação com a coisa inglesa. Foi um projeto um pouco ousado, visto os custos da operação, mas deu tudo super certo, e findamos com o sorriso de orelha a orelha. Fica abaixo um breve registro. 


Esse evento em especial foi um desafio. Tudo começou com Rodrigo Sonnesso e sua banda Marzela em Santa Catarina, quando em fevereiro se apresentaram no Mercado Pirata, e por lá conheceu pessoalmente alguns músicos, dentre eles o pessoal da Mary Lee Family Band e da Relespública. Então alinhamos de trazê-los, e não por menos: duas baita bandas. Como narramos há alguns posts atrás, o show da Mary Lee na SP foi maravilhoso, e deu tudo certo. Então chegava a vez da Reles, power-trio de quarentões em plena forma - tirando o Fabio Elias que está um pouquinho acima do peso hehehe. A banda alugaria um carro, gastaria com a viagem e as horas fora de casa, e talvez ainda com hotel. Alinhamos com eles como procederíamos, e nos responsabilizamos pelos custos todos, salvo a parte da hospedagem. Para tal, organizamos o escritório do clube (adaptado como camarim em dias de shows), e ali seria a "estalagem" do conjunto. Toparam, como poucos, como ocasionalmente faziam em tempos de juventude. E foram rock'n'roll do começo ao fim! Vieram na raça, apostaram com a gente, deram o melhor. Chegaram, passaram o som, alinharam as ideias, abriram suas brejas e tiraram um lazer até a hora da apresentação. Para a abertura e função de cicerone convidamos os promissores Mods paulistanos Os Artefactos, que recentemente lançaram um EP produzido por Sandro Garcia no Estúdio Quadrophenia. Chegaram, passaram o som às 17h, e aguardaram ansiosamente pelo momento deles. 

Na discotecagem Jun Santos e Corazzin (o nosso tesoureiro) se revezaram, tocando temas sessentistas, soul, funk e Mod revival, do jeito que o tema manda. Às 19h entra em cena Os Artefactos, surpreendendo a casa com sua evolução e abertura musical. A banda traz claras influências do garage brasileiro e turco dos anos 60 para o seu som inglês à la freakbeat. Foram ímpares. Abaixo o tema autoral Ventos:


Às 20h30 então a Relespública entra em cena para um impecável show de 45 minutos, em sua formação original, com temas que marcaram as gerações, como Garoa e Solidão, Camburão, Nunca Mais, Boatos de Bar, A Fumaça é Melhor que o Ar (composta pelo Ira! no início dos anos 80 porém gravadas somente pela Reles), e a icônica Ninguém Entende Um Mod, dos paulistanos do Ira! E que show. Por duas vezes Fabio Elias nos honrou com elogios e comentários no mircrofone: "em 29 anos de Relespública nunca havíamos tocado em uma casa essencialmente Mod, e isso para nós é a realização de um sonho"; e mais uma vez: "é uma honra para nós tocar na Scooteria Paulista, a meca do movimento Mod brasileiro". É muito legal ouvir isso. Não que sejamos Mods, ou que buscamos ser algo em específico. A gente gosta, respeita e se identifica com a música das subculturas dos anos 50 aos 90 do século passado, mas não fechamos o assunto em A ou B, simplesmente seguimos fazendo a nossa. Mas é como um prêmio ouvir isso de um monstro como Fabio Elias. 


Findado o set, a banda fez uma pausa de 20 minutos, intervalo preciso para a seleção musical de Jun Santos na pick-up até o segundo tempo da apresentação, agora com a alcunha de Wholes, basicamente a Reles tocando The Who com o vocalista Renato Ximú arrebentando nossos tímpanos com seus alcances ao nível de simplesmente Roger Daltrey. Tocaram as duas fases da banda. Foi matador, de arrancar urros, quase lágrimas, sorrisos do nível de um final de campeonato. Que festa, que músicos, que performance!


Foi uma noite linda, a princípio bastante tensa pois o público demorou a chegar, e a conta dessa festa não era das baratas, mas deu tudo certo. E dar certo para nós é pagar as contas em dia, nos divertirmos enquanto trabalhamos, proporcionar essa experiência aos presentes, ouvir boa música, valorizar o músico compositor, as bandas autorais, a criatividade, o som das ruas, gente correta uns com os outros, e que mantém a chama da era moderna - século XX - acesa, nos brindando com mais um capítulo glorioso para a nossa história. Muito obrigado a todos os presentes, à Relespública e Wholes, aos Artefactos, DJ's Jun e Corazzin, e equipe SP, a melhor do mundo.


Arte por Leonardo Russo
Vídeos, foto e relato por Fidelis

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