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sexta-feira, 20 de abril de 2018

IX ENCONTRO NACIONAL - DIVINÓPOLIS / MG - (PARTE 3 DE 3)

O Encontro Nacional de Divinópolis foi o segundo realizado no Estado de Minas Gerais, dessa vez pelo Vespa Clube Divinópolis, e foi um êxito. Tentamos registrar aqui o máximo de informações porém a maioria delas é privilégio da memória de quem foi. A gente da SP foi em 11 motonetas clássicas, quase todas rodando ida e volta. Segue abaixo um breve relato da nossa viagem de volta, uma das mais redondas viagens já vividas entre nós. 


Terça-feira 5h30 da manhã, ainda era céu de noite e nos reuníamos em um posto de gasolina há um quarteirão do hotel. Estávamos em 10 Vespas rodantes: Pastorelli em sua Super 150, Assef na Super 200, Rolando de Originale 150, eu (Fidelis) na Super 200, e o restante nas guerreiras PX200: Reginaldo Silva, Koré, Caio Cesar, Vitor Hugo, Diogo Vinícius e Paulo "De Vito". Na saída da cidade a luz do dia se apresentava, clareando a neblina. Em questão de dez minutos chegávamos ao trevo da saída da cidade, e que dividia as pistas, e ali Koré e Pastorelli, que estavam na ponta, tomaram o caminho errado, o mais longo, no chute, confundindo o grupo. Corri à dianteira e fiz sinal para que retornassem, e ainda assim não entenderam nada, e ficaram plantados à beira-pista por quase dez minutos esperando algum comando. Enquanto isso o grupo em peso nos aguardava no acostamento. Pistola da vida, botamos os pingos nos "is", sem polimento, lembrando aos envolvidos que puxar comboio não é só estar lá na frente. Na dúvida, pare, não faça nada! Então tocamos adiante, alinhados, quebrando a neblina e o silêncio da matina. Passamos então por Carmo da Mata e Oliveira, na mão inversa que nos levara até o Encontro.

Então entramos na BR-381, a estrada que nos levou praticamente em linha reta até São Paulo. O combinado era pararmos no primeiro posto de combustível para recarga do combustível e café da manhã, mas chegando no destino o Pastorelli pastorelou, e apoiado pelo Reginaldo, nos convenceu a rodar mais um pouco para fazer render a viagem. E aqui aprendemos a segunda das três lições que esse retorno nos ensinou: nunca quebre um combinado, principalmente em troca de uma opinião (achismo). Tocamos adiante, para o grande azar da geral com os combustíveis nas últimas. Koré foi o primeiro a encostar. No arco da rodovia lhe abateu a pane-seca. Entrou aí a salvadora Rose Moreira com seu utilitário quatro rodas, que guincharia o meliante até o próximo posto, um quilômetro adiante. Ali foi uma parada para "cincão de gasolina". Era um posto muito simples, bandeira branca, sem um serviço legal de alimentação. Mais uns trinta quilômetros de pista e chegamos num posto com aspecto mais confiável, na altura de Santo Antônio do Amparo. Ali pudemos constatar que Koré abastece deixando uma folga de um litro no tanque, daí que foi ele o primeiro a parar por falta. (Lógico que tomamos a liberdade de completar seu tanque como tem que ser). Alimentados e abastecidos, seguimos adiante. Eram 10 Vespas e um carro no objetivo de chegarmos em casa antes do pôr-do-sol, visto o trânsito que se formaria na volta do carnaval à Grande São Paulo. No ritmo dos 90km/h passamos por Perdões e Carmo da Cachoeira, aqui com mais uma ligeira parada para abastecimento. Era 13h quando passamos por Três Corações, onde fizemos, à beira-pista, a foto em destaque no topo desta postagem, diante do monumento ao Rei Pelé. E quanto mais avançávamos mais nublado o céu nos recebia. Mais ou menos em Extrema ou Camanducaia, por volta das 14h15, os primeiros pingos da chuva começaram a cair. E aqui vem o segundo tempo da viagem...

Já estávamos em tempo de mais uma parada para abastecimento, então encostamos no primeiro grande posto que encontramos. Observando o céu notei que as nuvens da chuva eram empurradas pelo vento para a mesma direção que seguiríamos. Então a estratégia foi darmos um tempo no restaurante do posto mesmo, nos alimentarmos decentemente, descansarmos as pernas e as costas, esfriarmos os motores, e descontrairmos o grupo, que já resistia por quase oito horas sobre o aro 10. Enquanto isso a chuva ia na frente. Foi uma das mais precisas estratégias de viagens, e dali em diante pegaríamos o asfalto molhado por cerca de 150kms. É sempre tenso viajar assim, principalmente porque o chão passa a ser mais um problema a se considerar. Chuvas rápidas deixam o asfalto "gorduroso", escorregadio, ou seja, bastante inseguro para se andar em comboio. Claro que não foi a primeira e nem será a última vez que viajamos nessas condições, então nem é preciso detalhar que o grupo abriu uma distância um pouco maior do que em pista seca, e a concentração dobrou ali. Qualquer erro poderia nos custar bem caro. 


E assim entrávamos no Estado de São Paulo, em perfeita sintonia e formação, por Bragança Paulista e em seguida Atibaia, quando fizemos a última parada para abastecimento, mais ou menos há cem quilômetros da capital. Ali nos despedimos com muito orgulho dessa equipe corajosa e unida, que tocaria juntos ou separados, conforme as condições do trânsito e o destino das suas casas. Liberamos o carro da Rose, que durante toda a viagem levou nossas bagagens, aliviando o peso e a aerodinâmica das motos. Ela mesmo ficaria para trás pois em questão de meia hora o trânsito da volta do feriado afunilaria como sempre. Reginaldo reduzira para acompanhar a esposa no carango, alguém mais ficou atrás, e naquelas de salve-se-quem-puder tocamos pelos corredores, driblando retrovisores, na média dos 50km/h pela Fernão Dias, por Mairiporã, até a capital. Meu farol começava a apagar de vez, a lanterna já havia queimado há algum tempo, então a preocupação final era chegar logo no bairro. E não deu outra, foi suave, braço e foco, km a km, até que entramos na metrópole que nos abraçaria com seu inconfundível cinza de boas-vindas.

E assim findamos uma das mais bem-sucedidas experiências rodoviárias da SP. Essa foi daquelas viagens de se lavar a alma, de se erguer o nível das coisas, e de se unir em prol de coisas reais, ainda que inventadas para nos fazer divertir e distrair enquanto a vida dura nos consome. Parabéns a todos os envolvidos nessa viagem homérica de 1350 kms cravados no conta-giro. Que venha Santa Maria (RS) em 2018.

Foto, vídeo e relato por Fidelis

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