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sábado, 31 de março de 2018

IX ENCONTRO NACIONAL - DIVINÓPOLIS / MG - (PARTE 2 DE 3)

O IX Encontro Nacional de motonetas clássicas aconteceu em Divinópolis (MG) na liderança do Vespa Clube Divinópolis, e foi um êxito em diversos sentidos: na amistosidade, na participação, na viagem, no cardápio, nos roteiros e atividades paralelas. Um evento marcante para nós, que fomos até lá em 11 clássicas, superando a marca dos 1300 kms de rodagem em cinco dias. Conforme lembrança deixarei um breve registro abaixo.


Às 16h chegou o Pastorelli e o Assef em duas Super's setentistas, depois de dois dias de viagem em ritmo turístico. Kelly Miranda chegou com a Lambretta LI rebocada por Cid e esposa mais cedo. E a maior parte do nosso grupo, como narrado no post anterior, chegava na concentração do evento no final de tarde, com as capas de chuva ainda umedecidas. E aqui mora o platô dos encontros nacionais: o encontro em si. De imediato já via o pessoal dos Lambreteiros Tapejara (RS) e do Vale dos Sinos Scooter Club (RS), que foram rodando em Lambrettas dos anos 50 e 60 de casa à Minas: Rafael Dalagasperina, Danilo Lauxen, Barcelos Jobb e Clair Melo. Com eles os gaúchos dos Herdeiros do Passado: Stello e Cleberto, vestidos no uniforme italiano do clube de Santa Maria, que foram de avião e descolaram uma motoneta por lá. Também alguns amigos dos Motonetas Clássicas Campinas, como o Leo Freitas e o Tatu Albertini, do Vespa Club Sorocaba foi o Vander Durante, do São Roque Vespa Clube foi o Ed Purga com esposa, o Jorge e patroa do Confraria Vespa Motor Clube (RS), e outros tantos scooteristas independentes do Brasil, como a Mary Kelly, o Lucas David e mais um pessoal de São José do Rio Preto e do Circuito das Águas, a turma do Vesparaná com o Ito, Keiji, Coca, Luis, etc, o paraguaio Jorge Colman e sua esposa Débora representando em Sprint Veloce o lado paraguaio sobrevivente dos Scooteristas Marginales, o argentino Pedro Fernandez que veio rodando numa Siambretta Li 1963 diretamente de Santos Lugares, próximo da capital argentina, etc. E claro, os primeiros sendo os últimos pois merecem uma linha em caráter de assinatura: os cicerones do VC Divinópolis são Wesley Xavier e Junaia (presidente e primeira-dama), Leonardo, Lúcia, Mauro, José Alves, Pedro, Machado e Salsicha, Charles, Libério, Ronaldo, Toin Galinha e Marcos. Me foge da memória tantos nomes e motos, e foram pelo menos de 70 unidades delas.


No domingo, dia principal do encontro, nos reunimos na praça do Coreto às 10h para comprimentos gerais e briefing, e partimos para o grande passeio, começando pelo Teatro Municipal Usina Gravatá, construído em 1932 para ser (e foi) a primeira Usina de Álcool Motor de Mandioca da América Latina, da capa dessa postagem. De lá tocamos para o Museu de Automóveis de Carmo da Mata, sessenta kms distante. Ficamos por uma hora e meia na praça da cidadela, tempo de visitação do museu, conversas e caminhadas. As construções dali eram como que centenárias, um cenário de filme de época, preservando aspectos da arquitetura, do convívio e da cultura local. Por lá a PX do Koré deu um bom trabalho para funcionar. Era a vela, como detectou Reginaldo Silva. Trocamos a tocamos à parte com o Zé Alves como guia, o lambreteiro que tem fama de melhor mecânico do mundo na região, e que nos levou até o Pesque e Pague Estação, na pequenina Marilândia. Em clima de festa o almoço à mineira estava maravilhoso, as crews e clubes em suas mesas falavam alto e comiam bem. (Eu e mais alguns já tínhamos dado aquela ideia no pé do ouvido do Stello no café da manhã, e então...) Dada hora Pedro Fernandez e Tatu Albertini puxaram o coro pela eleição da nova cidade-sede do Encontro Nacional de 2019. Haviam duas possibilidades fortes, mas venceu aquela que há muito tempo sonhamos: Santa Maria (RS), pelas mãos dos Herdeiros do Passado. Aí foi aquela festa com o Stello e Cleberto. Que momento!



Pelas 16h partimos para Divinópolis em pelo menos 30 motonetas. No caminho rolou duas pane secas, uma pane elétrica e um pistão dilatado, além de prováveis multas de velocidades - a do Paulo De Vito já chegou. Em questão de uma hora já estávamos na praça da concentração para a prometida reportagem da TV Globo, que no fim não rolou, dispersando a população. À noite retornamos à praça, e o clima por lá era maravilhoso. Fazia calor, estávamos entre muitos amigos, e tudo conspirava à favor. No rock o som da banda Frenesi, e do DJ Voodoo Fraga e sua Kombi do Vinil. A festa foi até umas 23h30, então de repente já não via a Scooteria. Estávamos em maioria no bar da Claudete, um pico de pegada underground que funciona na casa da dona, com público alternativo, cachaças locais e sistema de som à nossa disposição. Ficamos por lá também na presença do Tatu, Leonardo Melco, Ito 8 e Lucas David. Noite que até hoje rende risadarias intermináveis lá em casa. Findamos uma caminhada pelas ruas de baixo, onde encontramos um empório de cervejas especiais e afins, para meu delírio. Comprei alguma coisa e fomos para o hotel descansar para a próxima etapa.



Na manhã de segunda-feira já se notava a ressaca e o cansaço na expressão de alguns. Metade dos viajantes se preparavam para o longo trajeto de volta, outros já tinham tomado a estrada. Partiram nessa manhã o Vesparaná rumo à Curitiba, e os Vale dos Sinos com os Lambreteiros Tapejara para diferentes partes do Rio Grande do Sul. Na concentração na praça Wesley passou todas as instruções sobre o novo desafio do evento: uma estrada de terra que nos levaria a um restaurante rancheiro, onde estava sendo preparado um espetáculo de almoço. Deixamos o perímetro urbano em 30 motonetas aproximadamente, passando antes pela famosa Maria Fumaça, a locomotiva 340, construída na década de 40 durante a Segunda Guerra Mundial. Uma hora depois pisávamos em terra firme, no sentido literal. Wesley e Junaia e equipe VCD nos guiava com maestria pela cidade, acompanhando o tempo dos semáforos e veículos, e considerando o caminho quase deserto que tomaríamos, trataram de orientar a todos sobre a necessidade do tanque cheio. Passamos então pelo distrito de Ermida, onde uma grande usina siderúrgica operava com as caldeiras em chamas. Um baita calor fazia naquela hora, e todo mundo disputava cada centímetro de sombra enquanto esperava pelo restante do comboio que chegava. Dali tocamos por mais vinte minutos na terra até o restaurante Quiosque Cascavéu, ou o famoso restaurante do Mauro. Vale registrar que neste caminho o escapamento da Super 150 do Pastorelli soltou (depois de romper uma solda) e por muito pouco isso não o levou ao chão. Alguém guardou o escape no porta-malas de um carro - acho que foi o Leo Freitas - e então Pastor seguiu conosco com barulhento até o fim da jornada, para mais tarde, de volta à cidade, soldar a peça com a ajuda de alguém de cidade (que ainda não identificamos o nome). No restaurante o clima era dos melhores: comida da boa, cachaça, brejas baratas e bem geladas. Passamos umas três horas por lá proseando e prestando breves homenagens ao som de muita risadaria, pássaros e talheres batendo. Por volta das 15h30 encerrávamos as atividades e voltaríamos para o asfalto. Chegando na Praça do Coreto ainda rolou aquela cerejinha do bolo: a gincana da "Corrida Lenta" encerraria com maestria a programação do IX Encontro Nacional. Os desafiantes se inscreviam espontaneamente e o objetivo era percorrer 100 metros em linha reta na menor velocidade possível sem pisar no chão, visando chegar lá depois do seu oponente. Aqui o que menos importava era ganhar alguma coisa, todo mundo estava nessa sorrindo até as últimas pelo sequência de acontecimentos deliciosos. Participaram da gincana o pessoal do Divinópolis Vespa Clube, Scooteria Paulista, Motoneta Clássicas Campinas e São Roque Vespa Clube. Ao final o primeiro lugar ficou com a lambreteira paulistana Kelly Miranda, trazendo o caneco pra SP, e contagiando a praça com sua alegria. E eis que a coisa toda chega ao fim. Às 21h ligamos as motos e partimos em grupo, a SP toda, de volta ao hotel, com a estratégia da volta alinhada em roda pública sem delongas. A partida se deu em grande estilo, com nove motonetas emparelhadas no pique da Corrida Lenta.





E assim encerrava para nós o IX Encontro Nacional, dessa vez em Divinópolis, cidade onde tudo é bom: a comida, as pessoas e as motos. A gente agradece a esse povo maravilhoso por toda a força de vontade e carinho. Não é fácil organizar um encontro, muito menos um Nacional. Muito porque a gente lida com expectativas diversas, culturas, hábitos e senso de cena muito distintos, que encontros regionais não apresentam. A responsabilidade é outra.  Em 2019 o Nacional será em Santa Maria (RS). Estejam preparados para viver dias intensos e bastante quentes nas terras geladas do Rio Grande do Sul. A Scooteria Paulista parabeniza ao Wesley, Junaia e todo o Vespa Clube Divinópolis por suas capacidades e empenho. A gente amou estar aí, e vocês não sabem o quanto.




Relato e algumas fotos por Fidelis

sexta-feira, 2 de março de 2018

IX ENCONTRO NACIONAL - DIVINÓPOLIS / MG - (PARTE 1 DE 3)

O IX Encontro Nacional em Vespas e Lambrettas foi um êxito nos mais diversos sentidos. Organizado pelo Vespa Clube Divinópolis em sua cidade e região, no interior do Estado de Minas Gerais durante esse carnaval, o evento contou com cerca de 70 motonetas clássicas do Brasil, da Argentina e do Paraguai. Nós, a Scooteria Paulista, estivemos em dez motores rodantes e um rebocado sem placa, e valeu cada minuto desses quatro ou cinco dias fora de casa. Tentarei em registro abaixo destacar os melhores momentos. 


A gente costuma dizer aqui que o Encontro Nacional começa quando você fecha o portão da sua garagem e vai. Então para a SP o Nacional começou na sexta-feira com Rafael Assef e Fernando Pastorelli na Rodovia Fernão Dias em duas Vespas Super's dos anos 70. Partiram após o almoço e rodaram por volta de 250 kms, pousando em São Gonçalo do Sapucaí. Trajeto redondo e com princípio de trânsito pré-carnaval. Vale destacar que a Fernão é uma das mais tensas e intensas rodovias do nosso Estado, muito porque é rota de caminhões de carga entre MG e SP, é caminho para o escape turístico do paulistano para várias regiões interioranas, e seu complexo de curvas, subidas, descidas. 


Então na madrugada de sábado foi a vez do grande comboio da SP, com oito Vespas no páreo antes do cantar do galo no km 0 da mesma pista, com Koré, Caio Cesar, Vitor Hugo, Diogo Vinícius, Rolando, Paulo "De Vito" e eu, Fidelis. Às 5h20 da matina partimos em formação de comboio pelo pedaço mais inseguro de toda a viagem, driblando retrovisores, procurando comunicação com os caminhões e atentos com os motoqueiros loucos que sabe-se lá se estão acordando ou indo dormir. Tanto foi que um passou engarupado pela nossa direita numa CG150, e dez minutos depois estavam eles caídos no asfalto acidentados, um deles inconsciente e outro com ferimentos na face e lateral do corpo. Veio o primeiro pedágio e Koré assumiu a função do recolhe das moedas de todos para agilizar a passagem. Era 6h20 e chegávamos no posto de combustível combinado com Reginaldo e Rose, que iriam conosco em uma Vespa rodante e o carro rebocador da Free Willy Moto Peças. Partimos então as 6h50 em oito motorinos e o carro de ferrolho protegendo o grupo dos caminhões e outros imprudentes. Por quase toda a viagem obedecemos o desenho da formação de comboio "em Z", e quando não, a distância entre as motos era suficiente para não representar perigo ao próximo. A segunda parada para abastecimento e café da manhã foi depois de 100 kms, na altura de Bragança Paulista. Alimentados enfim, partimos então para mais 110 kms de ritmo forte, agora com o sol da manhã à nossa direita. Nesse meio tempo a PX do Caio acusou um pré-travamento de motor. A parada à beira-pista foi de quinze minutos, quando decidimos por abastecer no primeiro posto que encontrarmos. Paramos no segundo posto, com bandeira, onde completamos rapidamente e tocamos em ritmo forte para cruzar a divisa dos Estados meia hora depois. No meio do trajeto a tampa do baú da minha Vespa Super abriu devido à uma fenda na lataria tornando impossível o travamento sem a devida solda. Resultado: viajei 100 kms com a tampa balançando ao vento à esquerda atrás de mim, amarrando-a na próxima parada com um arame de pneu rasgado de caminhão. Desapercebidamente entramos em Minas Gerais, e entre Extrema e Camanducaia fizemos uma parada para abastecimento e preparativos para a chuva. O céu se fechava mais ao norte e os primeiros pingos começavam a cair sobre nós. Abastecidos, decidimos almoçar por ali mesmo enquanto a chuva de verão vinha e passava. A partir daí restava um pouco mais que um terço da viagem a completar. Tocamos até a altura de Três Corações para mais uma abastecida e seguimos em ritmo forte até a última parada para gasolina, em Carmo da Mata, já a 50 kms de Divinópolis. E essa última etapa descompensava a alta qualidade da viagem de ida, quando passamos batidos por radares de velocidade limitados a 40km/h. (Em breve a cartinha do Detran chega lá em casa). Então restando 25 kms para chegarmos ao destino eis que uma forte tempestade nos recebe com todo o seu trevor. Paramos o grupo na porteira de uma fazenda e rapidamente vestimos as capas e proteções. Foi no tempo certo, e no local perfeito encontrado pelo Reginaldo, pois tal pista apresenta um estreito acostamento, bastante arriscado para se parar um grupo em meio a um temporal do qual pouco se enxergava para além de 3 metros. O vídeo abaixo mostra o princípio disso, que se agravaria até o portal de Divinópolis. Entrando então na cidade-destino a chuva baixava para uma garoa fria, e em poucos minutos o seu Salsicha chegava em sua Piaggio Beverly para nos receber e nos guiar até a Praça do Santuário, local de concentração de todo o IX Encontro. E lá estavam vários amigos de longa data, monstros das rodovias, incansáveis dois-tempistas de alto grau de atitude, e falaremos deles nas próximas linhas.


E foi mais ou menos assim, na raça e na coragem, como sempre é, dispensando sensores, computadores, regulares e capacitores para chegar lá. Três vivas aos velhos chassis! Be continued...

Relato, fotos e vídeo por Fidelis