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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

IX SÃO ANIVESPAULO - NA PISTA DA AVIAÇÃO

Salve salvem-se dois-tempistas. Nesses 463 anos de São Paulo, comemorados no dia 25 de Janeiro, puxaremos a nona edição do SÃO ANIVESPAULO, o giro pela memória da cidade. E dessa vez o tema é a aviação, cuja São Paulo se fez berço do assunto em toda a América Latina. Preparem suas motonetas clássicas, e somente elas. Compareça nesse dia histórico!


São Paulo é o berço da aviação na América Latina, tendo sediado, em 1910, com Dimitri Sensaud de Lavaud, o primeiro vôo a que se tem registro. E a Vespa, a motoneta mais conhecida do mundo e que co-batiza o evento, tem a sua história inteiramente ligada à aviação...

O passeio consistirá em um trajeto que se inicia nos arredores do Aeroporto de Congonhas (possivelmente do Memorial da TAM, na paralela da Av.Washington Luis) até o Campo de Marte, com almoço e confraternização no Bar Brahma, que ocupa um dos hangares desse histórico espaço da cidade. 

CONCENTRA: 11h na praça do Memorial da TAM - paralela da Av.Washigton Luis.
DESTINO: Bar Brahma - Campo de Marte. (almoço)

SHOWS:

Marzela  -  (Ska às 13h).
Ted Boys Marinos  -  (Surf Music às 14h)

Fim as 18h.
Venda de cartões postais, e passaremos o chapéu para as bandas. 

IMPORTANTE: Somente motonetas clássicas de motor 2 Tempos e câmbio manual (Vespa, Lambretta, Bajaj, Cezeta, Bella). Fora elas, não insista!

#ForçaChape
Arte por Leonardo Russo




Abaixo o Stofaleti vai mais além e explica os motivos da CONCENTRAÇÃO do evento acontecer na Praça Memorial 17 de Julho ("Memorial da Tam"), a 100 metros do Aeroporto de Congonhas.

Quando a Scooteria Paulista começa a organizar o São Anivespaulo, evento anual que presta homenagem à cidade de São Paulo no dia do seu aniversário, 25 de janeiro, a primeira questão a ser discutida por seus membros é o tema do passeio.
Nesse ano o tema escolhido foi a aviação!
Como o trajeto do passeio esteve sempre diretamente ligado ao tema em todas as edições passadas, no IX São Anivespaulo não poderia ser diferente.
Mas será muito especial por conta do ponto de partida escolhido.
Mike Bravo Kilo
A aviação brasileira, com perdão do trocadilho, sempre viveu altos e baixos. Em 2007 a situação era conflitante, com a economia estável só aumentava o número de passageiros nos aeroportos, e as empresas aéreas cresciam a olhos nus. Mas os aeroportos não. Sem infraestrutura para comportar esse crescimento chegamos a um “apagão aéreo”. Filas em zigue-zague nos saguões e salas de embarque, voos super lotados, tripulantes estressados, o caos que se desenhava traria consequências, as piores possíveis.
A TAM era então a maior companhia aérea do Brasil. Ao lado da Gol dominava a maior parte dos voos. Ambas compravam aviões novos a todo tempo, enquanto a concorrente comprava Boeings a TAM preferia os Airbus. A principal diferença entre esses dois fabricantes fica por conta de quem toma as decisões durante o voo, nos Boeings quem decide é o piloto, nos Airbus quem decide é o avião, cabendo aos tripulantes, na maior parte do tempo, “assistir” a essas ações. Essa diferença se mostrou crucial durante a aterrissagem de um jato da TAM em Congonhas, um Airbus A-320 prefixo PR-MBK (Mike Bravo Kilo).
Sem controle
O voo JJ3054 partiu do Salgado Filho em Porto Alegre as 17h19 daquela terça-feira 17 de julho, nele estavam 163 passageiros, 6 tripulantes, e ainda 18 funcionários da TAM que pegavam carona. Eram 187 pessoas, uma a mais do que a configuração das poltronas permitia. Como havia duas crianças de colo todos estavam acomodados. Mas a superlotação não se dava apenas nas cabines, o tanque do Airbus trazia 2,4 toneladas a mais do que o combustível necessário para o trecho, isso porque o ICMS sobre combustível era menor (17% contra 25%) no Rio Grande do Sul do que em São Paulo.
O aeroporto de destino, Congonhas, na época o mais movimentado do país, havia passado a menos de um mês por um recapeamento das pistas. E o novo asfalto precisava esperar por 4 semanas até receber a aplicação do grooving (ranhuras antiderrapantes). E ainda sofria naquele dia com a chuva, seus controladores reportavam constantemente as condições da pista: molhada e escorregadia!
Por consequência de um vazamento hidráulico o Mike Bravo Kilo voava desde o dia 13 de julho com um dos reversos (responsável pela desaceleração depois da aterrissagem), o da direita, desativado. Ou pinado. Um pino travava a peça para evitar que ela abrisse durante o voo. Mas os manuais da Airbus permitiam essa situação por até 10 dias. Sem uma explicação lógica para tal permissão.
Avião pesado, pista escorregadia, reverso pinado, e os comandos parcialmente fora do controle dos pilotos.
Segundos antes de tocar o solo o A-320 deveria ter seus manetes, da esquerda e direita, colocados na posição idle (marcha lenta), e em seguida, após o toque dos pneus com a pista, na posição reverso. Mesmo que um dos reversos, nesse caso o da direita, estivesse pinado.
Esse procedimento exigia mais 55 metros de pista para uma aterrissagem segura, também de acordo com os manuais da Airbus.
O comandante do voo, Kleyber Lima, provavelmente pensando em economizar pista, não colocou o manete da direita na posição reverso. Por sua vez o computador de bordo do Airbus entendeu que o avião estava arremetendo. Nessa condição os spoilers e autobrakes, responsáveis por frear a aeronave, também não foram acionados pelo computador. E assim o Mike Bravo Kilo atravessou toda a pista de Congonhas com o motor da direita acelerado enquanto os pilotos tentavam, sem sucesso, para-lo antes que ele escapasse para a esquerda, saltasse sobre o muro lateral do aeroporto e atingisse em cheio o prédio da TAM Express, do lado oposto da Avenida Washington Luiz. Além das 187 pessoas a bordo, em solo 11 funcionários da TAM Express e 1 taxista que abastecia no posto de gasolina ao lado do prédio, foram as vítimas fatais do maior acidente aéreo da aviação brasileira.
Memorial
Cinco anos após a tragédia, também numa terça-feira 17 de julho, graças ao esforço da Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas do Voo 3054 (Afavitam), foi inaugurada a Praça Memorial 17 de Julho, que homenageia as 199 vítimas, no mesmo terreno do prédio da TAM Express.
Uma amoreira que fazia parte do jardim do prédio resistiu às chamas e virou um símbolo de sobrevivência e hoje é uma das atrações da praça, que conta ainda com iluminação diferenciada e os nomes das 199 vítimas gravados na mureta do espelho d’água que circunda a árvore. 
Com todo o respeito e consideração que esse espaço merece a Scooteria Paulista o escolheu como ponto de partida para mais um São Anivespaulo, que ficará na memória de todos os participantes, do mesmo jeito que ficarão na memória as vítimas que ali estão homenageadas, para sempre!
Adriano Stofaleti
Fotógrafo e fã de aviação
Fontes:
“Perda Total”, Ivan Sant’Anna (Objetiva, 2011)
Prefeitura de São Paulo
http://www.prefeitura.sp.gov.br/

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