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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

ENCONTRO NACIONAL "CURITIBA 2016" - GRANDE ELENCO

O sétimo encontro nacional da categoria mais uma vez marca nossas vidas, nossa história. Ainda não sabemos quantas motonetas participaram ao todo, talvez 120, ou até mais, dado que expressa o vertiginoso crescimento da cena dois-tempista brasileira, o que irá requerer mais atenção, zelo e compromisso da parte dos organizadores de encontros, giros e agrupações. Chegamos em casa esgotados de cansaço, porém extasiados por tudo o que vivemos, e que nos exigiu resistência, perseverança, união e compromisso. A Scooteria Paulista agradece ao Vesparaná por toda a atenção e amizade, e ao Motonetas Clássicas Campinas pela atitude e companheirismo, que culminou na indicação aos caipiras para sediar o Encontro Nacional 2017. Tentarei abaixo, com o tempo espremido, um resumo pessoal e parcial sobre o encontro...



Sábado 06 fevereiro
Chegamos na Chácara Sapolândia (ponto de concentração e camping) a noite, as 22h30, em vinte dois-tempistas fadigados, conduzidos pelo Ito e Fernando, que nos acharam na via expressa. O Vesparaná estava a postos, trabalhando, suando em cada detalhe, o Coca, o Amud, o Jack Cavalari e demais. Em uma hora a SP já estaria erguendo acampamento. Esse momento da chegada nos encontros nacionais e internacionais são únicos e muitas vezes inenarráveis. Você não sabe quem vai encontrar, até faz ideia, mas não pensa muito nisso e se permite surpreender: se vai se lembrar do figura, se ele vai lembrar de você, se estão todos cansados ou se haverá alguém afim de umas brejas entre velhos companheiros até umas horas. A respeito disso, falo dos paraguaios e argentinos que encontrei por lá, pessoas tão queridas que desde o Encontro Nacional de SP nutrimos amizade e identificação. Começando por fora, Diego Lopez, Jorge Colman e Juan Lopez, eram os paraguaios da frente além fronteiras Scooteristas Marginales. Com eles o Victor Turre, do Vespa Club Córdoba, argentino que conhecemos no Encontro Internacional de Encarnación (PAR), junto da mesma PX estradeira. E do legado da Copa lá estava o argentino Pedro Fernandez e sua Siambretta 1961, que o trouxe rodando, e que o levaria dias depois para a nossa casa, em São Paulo. E da seleção canarinho destaque total para os Lambreteiros Tapejara, que agora viaja com dois ônibus, levando família, coleção e o nome da cidade "capital nacional das Lambrettas". Também por lá o Clube da Lambretta de Santa Catarina, com um "ônibus-balada" enorme, que por esses dias seria a casa dos caras. Animal Taylor chegava a noite com a Larissa, na Mimosa 200, trazendo a Mary, vespista que encontrou no caminho, depois de nos separarmos dela em São Miguel do Arcanjo. Era uma noite tranquila, a recepção com ares de festejo já havia acabado quando chegamos, e a prosa noite-adentro à base de Fernet-Cola seria a nossa recompensa. 




Domingo 07 fevereiro
Pela manhã estava programado um passeio, com parada no Jardim Botânico de Curitiba. A maioria de nós, da SP, não foi. Queríamos dormir um pouco mais, prosear um pouco a mais, deixar tudo no jeito. Quando a turma voltou do passeio, lá estávamos com a nossa banca de fanzines, camisetas e souvenires improvisada sobre minha Super e a Rally 200 do Leo Russo. E mais camaradas ou não, se encontravam depois de anos. Foi um enorme prazer rever o Keiji Mitsunari e a Laura, amigos do Broncos Rockabilly. Também os veteranos dos Herdeiros do Passado na camiseta tricolor, os guerreiros do Vale dos Sinos Scooter Club na peita preta, o Motonetas Amigos Vesbretta, o Confraria Vespa Motor Club. Encontro por lá o Mestrinelli e seus amigos, encontro o Uitamar, vivendo um outro ciclo dois-tempista. (Falando nisso, o Sr.Artur tirava o dia para descansar, no alto dos seus 81 anos de idade, e ainda reforçando o nosso pelotão rodoviário, fiel e somando aos mesmos ideais da SP). Encontro pessoas e pessoas, algumas até desconsideráveis, gente coxa, de grana e sem respeito. E é nisso que dorme um bom encontro, é preciso digerir, aceitar e tocar marcha com alguma dose de abstração. Valia a pena estar lá e valorizar o trabalho de quem proporcionava aquele "woodstock" incrível que foi a Chácara Sapolândia. Passado o almoço, e diga-se de passagem, num grande refeitório que pôde reunir grande parte dos participantes, ligamos as motonetas e partimos, num comboio gigantesco, que passava das cem espécies em lata e óleo. A nossa equipe de filmagem, da Abacateiro Produções, tentava captar algo de dentro do carro, com Lucas dependurado na janela, enquanto alguns de nós tocávamos com as câmeras particulares no meio do grande carnaval das bielas. Rolou uma parada mais demorada no Museu do Olho, obra do gênio da arquitetura Oscar Niemeyer, e ali reencontrei os camaradas de gosto musical, e músicos de responsa, o Juninho Smith com a Patricia, e o Caleb com a Jacqueline. A chuva ameaçava chegar, e não muito longe ela caía forte porque dali se via. Com algum esforço nas embreagens na última subida, chegamos no Parque Tanguá, onde rolaria a foto oficial do encontro. Foi uma passagem rápida, e inesquecível. Lembro da Scooteria toda vestida nas polos grená e preta, da dedicação de todos com todos, do companheirismo de quatro dias expressado nessa foto abaixo. Foi um grande momento, e dali em diante decidíamos fazer o nosso rolê pro rock, então saímos do pelotão, com o Tatu, o Alessandro, Keiji, Laura, e parte da SP, para prestigiarmos o Curitiba Rock Carnival, onde rolaria os paulistas do conjunto de surf music Dead Rocks. Aliás, foi de uma fortuna encontrar o Gabriel Forte e a Carol rodando o centro da cidade sozinhos. A gangue chegava no braço vespertino do Psycho-Carnival.




A noite na Chácara Sapolândia rolava um clima de despedida, já anunciado a tarde por alguns membros de clubes de longe. Nisso chegava Stergios Gogos, o vespista grego que viaja o mundo numa PX200. (Estávamos em contato há alguns meses, e quando o fiz o convite a visitar o Encontro e a Scooteria, ele topou no ato, pedindo uma ajuda pra gente com a guarda de sua Vespa por bons meses, ou anos, quem sabe... voltaremos nessa história). Conversando com o Coca e com o Ito, eis que a indagação não se fazia calar, e dada hora perguntei da "Assembléia Geral" que acontece em todos os anos, do qual os participantes conversam, opinam, e consentem sobre a continuidade do encontro e da convivência das pessoas em Vespas e Lambrettas. Estávamos em dúvida, não sabíamos se ia rolar ou não, e deixar isso para ser feito na plataforma da internet seria pedir para revivermos velhas desgostosas experiências. E entre homens não há nada como olho na bola do olho e papo reto para se selar um pacto, seja qual for. Pedi a permissão dos organizadores para convocar os representantes dos clubes ainda presentes na Chácara para uma Assembléia improvisada no refeitório, como dava para fazer, as 23h da lua nova. Em vinte minutos dávamos início à uma Assembléia. De imediato, sem manifestação oficial de clube algum, e aliás, com a negação dos Herdeiros do Passado para um primeiro nacional em Santa Maria/RS devido aos assombros ainda sentidos na cidade desde a tragédia na boate Kiss. Da nossa parte, sugeria ao Tatu que abraçasse o encontro para 2017. Aí veio a frase do campineiro, que soltou algo mais ou menos assim: "olha, eu sei que incomodo muita gente por aí, eu sou punk, sou comunista, e maconheiro"... Dito isso, começamos os pareceres. E resumindo mais, lembro do Assef falando da "comida de rabo" que rolou no Encontro Nacional 2015 em Tapejara/RS, no qual foi cobrado publicamente uma postura mais digna de certos agentes da cena scooterista nacional, que estava até o pescoço atolado em mentiras, conchavos, e casos de falsidade ideológica no Facebook. Que decadência humana. O mesmo Assef encerrava suas observações com o lema da união, seja como vier, que seja. Me recordo também de alguns devaneios bem românticos ditos, que até me irritava na hora, mas que hoje me soa saudável, afinal, tudo era improviso e o objetivo era o consenso. Nenhum clube havia se manifestado oficialmente sobre o futuro do Encontro, então era dado como quase certo o carnaval de 2017 em Campinas, faltando o parecer de um clube que não estava presente no ato. E deixamos claro que estamos juntos nessa, no apoio e no que for preciso e impreciso. E a noite fechava com a dúvida a ser martelada no dia seguinte, com conversas paralelas esticando o chiclete do debate para a micro-esfera do "conviver em motonetas". Campinas/SP ou Rio Grande do Sul recebe novamente o evento? Sim, havia uma dúvida a respeito do pessoal de Dois Irmãos/RS a ser resolvida nos próximos dias. E para onde fosse seria ótimo, e será, pois no que valorizamos em nossa cena, nada como pôr as nossas Vespas e nossos clubes e crews nas rodovias para o encontro de estradas mais multi-cultural do calendário. Há uma soma de coisas que podem ser interessantes ou não, dependendo da disposição, espírito e boa-vontade dos envolvidos em se compartilhar e aprender um pouco mais sobre motonetas, histórias e lendas regionais, música, culinária, cerveja e cultura etílica, por exemplo. Inclusive, a respeito disso, nunca tomei tanto Fernet-Cola quanto nos dias que me encontro com Pedro Fernandez, assim como com o Tereré, que hoje em dia só bebo quando encontro o Tatu, ou os paraguaios. E bem, voltando à Chácara Sapolândia, a noite estava maravilhosa, e merecia ser compartilhada. Fiquei com os gringos, o Reginaldo, a Rose, o Diogo e a Marli. (Dada hora Miguel precisou tomar uns pitos meus para baixar o infindável falatório de merdas. É muito louco como, se você não é o louco, as pessoas pagam de louco, e fica tudo por isso mesmo: a defesa infinita de teses sem sentido, preconceitos uma dose letal de narcisismo). E a noite apagava. 

Segunda-feira, 08 fevereiro

Céu nublado em Curitiba, e certa expectativa sobre a descida pela Serra da Graciosa até Morretes, onde seria servido um tradicional prato local chamado Barreado. Apesar da ressaca e do cansaço que não cessava, saímos no horário, e tomamos o caminho do passeio em um belo rastro de motonetas pela atribulada Regis Bittencourt, guiados pelo Amud. Havia um certo silêncio no ar, achei que em tudo havia um silêncio entre os homens, mas harmonia e satisfação acompanhadas. Para mim talvez esse tenha sido o menos conversativo dos encontros de estradas que já participei, talvez porque eu mesmo não quisesse tanto conversar com todo mundo, e a disposição acaba por ser inconscientemente investida na contemplação das coisas do que na interação com elas. Tudo sob controle na estrada, entre os carros, segurando pista, com a colaboração dos participantes, de voluntários e tal. Eis que depois de uma hora e algo a mais de giro, estiquei na ponta para me certificar se estávamos no caminho certo, e Amud, confuso, diz que acabou de perceber que não, que estávamos no caminho contrário. Devíamos retornar e começar de novo. E assim se passou. Sinalizávamos os buracos, andávamos represados quase sempre, um por todos e todos por um. Dada hora o Vesparaná parou a geral num posto para abastecer e oferecer uma segunda opção aos participantes, a de abortar missão. Dada a brecha, topamos, alguns da SP, enquanto outros como Peixinho, Regis e Rose, Diogo, Russo, Vitor, desceram a Serra. Ficamos em poucos, éramos Gabriel Forte e Carol, Caio Cesar, Assef, Pastorelli, Gabriel Vesparock, Tatu Albertini e Laís, Ednar Porte e filho Marco Antônio, e eu, voltando pra cidade grande, agora rumo ao rock outra vez. Já era meio-dia e não queríamos perder o show na faixa do Frantic Flintstones no Curitiba Rock Carnival. Demos um rolê descompromissado pelo centro da cidade a procura de um restaurante e uma cerveja gelada para refrescar. No Largo da Ordem encontramos um ideal, onde por ventura no ato fomos saber que um velho amigo do Tatu era o cozinheiro da casa. Reencontramos uns psychobillys de SP na porta, o Koré e a Cris, o Juninho Smidth e a Patrícia. Passamos bem, com algumas histórias do Ednar Porte e seu filho Marco Antônio, com histórias da cena musical do Paraná e de São Paulo, com os assuntos do Encontro Nacional, um e um bom PF. De lá tocamos pro show, onde as motonetas emparelhadas inconfundivelmente contaria aos presentes do maior evento decente de rock do país (Psycho Carnival / CWB Rock Carnival), que pelo menos uma vez na vida prestigiamos tão tradicional comunhão com nossas motonetas de viagem. Pelo Whatsapp me chegavam as fotos do encontro acontecendo, e notícias, e telefonemas de gente perdida do comboio. Russo e Claudia sairiam mais cedo de Morretes e iriam direto ao nosso encontro também, ainda em tempo. Ao pôr-do-sol chegávamos na Chácara Sapolândia, já bem vazia, com os pesares de fim de evento no ar. O evento minguava em definitivo, e acertávamos as coordenadas para a volta, que se daria no dia seguinte, terça-feira, as 6h da manhã... 


Reportagem da TV Globo regional sobre o evento, com participação do Peixinho (SP): CLIQUE AQUI

(Fico devendo para vocês um relato sobre a nossa viagem de ida e de volta, muito porque esse é um relato digno de muito suor nos detalhes, e me tomaria um tempo que não tenho no momento. Deixamos esse espaço aberto aos participantes do comboio de estrada para escreverem seus relatos, ou compartilharem outros conteúdos a respeito).





E assim se abre um novo ciclo no cenário nacional, e paulista, e reforçando as palavras do Rafa Assef na Assembléia Geral do evento, que há chegado um tempo de mais união, de mais ajuda mútua, cooperação. Assino embaixo, esse clube assina embaixo. E é preciso dizer mais: quem continua semeando a separação, o racha outrora investido, as divisões, que vá tentar viver a sua vida ao seu modo em outras bandas, e que se encontre, que encontre paz, e um pouco de coerência, porque a gente leva isso aqui bem a sério, todos os dias, na raiz da questão, para o desfrute do máximo de pessoas possível, e não temos mais a paciência de outrora. Sem choradeira, agora vai! Cabeça no lugar e mãos à obra, camaradas!!


Texto por Fidelis
Fotos por Alessandro Poeta, Victor Turre, e outros que agora não lembro. Favor se manifestem.

4 comentários:

Anônimo disse...

Cara, fui no encontro e não vi nada destas brigas, mas pelos seus relatos parece que temos um denominador comum, o grande cu de encrenca fidelis.

Miguel Henrique Schikorski disse...

Boa tarde,

Eu sou o tal Miguel do qual esta comentado neste texto. Como o blog se trata de um clube onde a opinião de muitos devem ser consideradas e não de um so. Eu gostaria de saber se a posição declarada pelo Fidelis e compartilhada pelo restante do clube?. Espero eu que não... Aguardo a resposta!

Miguel

Miguel Henrique Schikorski disse...

Aqui esta a postagem que fiz, acho que aqui e mais facil de chegar ao destinatario:

Sobre encontro em Curitiba...
Quem tiver 5 minutinhos leia...
Esta noite eu ri muito com um fato ocorrido ontem. Numa conversa com o Clube da Lambretta sobre o encontro em Curitiba me falaram que havia uma "homenagem" pra mim no site da scoteria paulista. Pois bem, na hora não pude acessar a internet. Mas quando acessei a internet e li a "homenagem", fiquei de primeiro momento irritado. Mas relembrei do fato, e comecei a rir...
Esta foi a citação de Márcio Fidélis sobre mim na scoteria paulista;
"...(Dada hora Miguel precisou tomar uns pitos meus para baixar o infindável falatório de merdas. É muito louco como, se você não é o louco, as pessoas pagam de louco, e fica tudo por isso mesmo: a defesa infinita de teses sem sentido, preconceitos uma dose letal de narcisismo)."
Fidélis, você precisa de ajuda!!!
Se você não tem mais nada a aprender neste mundo, porque ainda não esta rico???
Naquela hora haviam pessoas trocando ideias e opiniões, e você não estava la, mas não demorou a vir como criança pequena a atrapalhar conversa de adulto. E não eram falatórios de merda, porque eu sim pus a mão na graxa e sabia o que estava falando. E sobre narcisismo.... Quem me conhece de tempos atras ou conheceu no encontro sabe como eu sou. Você deu uma bola fora ein cara...
Queria falar muito mais, mas acho que o Fidélis já mostrou o seu interior, quem sabe um dia ele melhore...
É isso ai, na primeira eu levo na esportiva, na segunda eu levo pra Justiça...

Miguel Henrique Schikorski

Marcio Fidelis disse...

Fala jovem, você por aqui? Pois bem, vou refrescar a sua memória: Você estava falando alto do lado da minha barraca, dizendo coisas como "VESPA NÃO PRESTA", e "NÃO EXISTE MECÂNICO QUE SAIBA FAZER UM MOTOR DE VESPA" (ou quase isso). Espero que você pelo menos tenha ido rodando até Curitiba, até porque vc mora muito perto. No mais, não foi nada pessoal, e sim a defesa de um psicótico extremamente apaixonado pelas Vespas. (Em dez anos de Vespa, foi a primeira vez que um lambreteiro solta essas "opiniões" do meu lado... o que esperaria de uma pessoa como eu?) É isso, na primeiro eu levo na esportiva, na segunda eu levo pra estrada...

Fidelis