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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA - PARTE 1 DE 2

Nesse final de semana vivemos aquele que talvez tenha sido o mais divertido Raduno da Primavera. Foi a quinta edição, a primeira de dois dias. Ao todo reuniram-se 50 motonetas e seus destemidos condutores, das cidades de Santos, São Paulo, São Bernardo do Campo, Itapevi, São Roque, Itatiba, Campinas, Osasco, Guarulhos e Araraquara. A invasão na "Brighton brasileira" aconteceu nesse final de semana. Contaremos aqui em dois tempos.



Sábado de sol com chuva. Amanheceu no Posto Frango Assado a boa-nova do céu azul; quilômetros abaixo não seria tão assim. Não queremos chuva na estrada, e São Pedro Lambreteiro costuma aliviar pra geral, mas o Raduno ele não perdoa, ele cisma. Às 10h45 saímos do Frango Assado. (Tive contra-tempos com uma roda que parecia soltar, mexi nela em casa, troquei ela na concentração. Não mudou, fui assim mesmo. O atraso foi minha culpa, sorry). Descemos a Serra em 32 motonetas, outros desceriam horas depois, outros no dia seguinte. Era admirável ver aquela "formação de comboio" tão insistida e discutida em outros Radunos. No km 25 eu olhava para trás e via todos em suas posições, deixando o centro do comboio livre. Uma pintura! Deixei a ponta do grupo voltei para o meio, para auxiliar na comunicação e no que fosse preciso. Passamos o pedágio e inclinamos as rodas na descida da Serra. Vieram os túneis, suas luzes, e toda aquela acústica lúdica: o som do Raduno. E lá no fim deles, a chuva, e com ela, o trânsito. Encostamos embaixo da Ponte da Imigrantes sentido capital. Era preciso represar o grupo, botar capas e repensar o comboio naquele trecho final. Teríamos mais vinte minutos de água até Santos. Nossas roupas secariam lá na mesa do almoço.


Santos estava ótima, até que calma, visto que era sábado de feriado (Proclamação da República). Delacorte conseguiu uma vaga a 200 metros da orla, na Conselheiro Nébias, e por lá ficamos. Era um bar que servia almoço, ou vice-versa. Coubemos ali e ficamos assim, combinado para as 15h a saída para um giro. Nisso foi chegando gente, de Santos, o Eric, Maturino e pai, Breno, Ilídio; de Araraquara, Os Intocáveis; e mais de São Paulo, Alex e a Free Willy. Devido a atrasos por problemas mecânicos numa PX, estendemos a saída em uma hora.


Tocamos para o Valongo/Museu Pelé, e região portuária, acompanhando assim parte da frota que subiria a Imigrantes: Koré, Guilherme Rocha, Poló, Dario, Roberto, Fiilizola, Álvaro, Daniel, Robson, Alex, e alguns que vou lembrando. Dos clubes, estavam ali o Motonetas Clássicas Campinas, os Vespeiros e o São Roque Vespa Clube. Aliás, desse último, um ficou, o Ed Purga; sua PX teve os prisioneiros da roda traseira comprometidos durante o passeio, e quase rolou um chão por causa disso. A pick-up do Empório Motoneta foi ao seu socorro, já nós, para a hospedagem. Depois do check-in a turma foi para o banho ou para o bar. Vitor Hugo "Ernest", Rafael Piera "Itatiba" e eu improvisamos um palco até que decente, com os amplificadores da casa - um deles do Much -, com os pedestais do Itatiba, a logística e apoio primal da The Firm Records. Tocamos os trabalhos por uma hora e meia de tentativas até acertarmos o palco, e repararmos as condições elétricas do espaço. Improviso e estilo.


JENNY WOO (Canadá)

Jenny Woo (Canadá)
21h e vinha um cheiro de chuva no ar. Jenny Woo, a skinhead girl canadense pegou o seu violão e deu início a um concerto que valeu por uma banda toda. Voz e violão, e uma performance que muita gente ali nunca viu, nem no rock. Jenny Woo consegue, ela atrai o público, qualquer público. Tocou as suas, novas e antigas, tocou Cock Sparrer, Last Resort, Perkele. A crucificada transformou água em vinho, chamou o público para o côro e tirou bis e mais bis dos dois-tempitas. E tinha bem umas 50 pessoas ali. Começou a chuva, e ela não parava, e suava. Metade ficou à frente, outra metade atrás da chuva, dois metros depois. Na rua as Vespas, dos dois lados, sob a luz do poste, espelhando na água do chão. Foi mesmo divertido, Deni e Evlyn tinham chegado da Praia Grande, o Diego e a Cintia curtiam inclusive a amizade que rolou. Combinações inusitadas, como a Lambretta do Macruz fazendo o fundo do palco de um projeto Oi!, ou o Buzolli num cumprimento inusitado com Jenny, ou mesmo a própria tocando Drinking and Driving, do Business, em pleno Raduno. No fim do show ela presenteou a turma com um CD para cada participante, agradecendo a todos muito, até ficávamos sem jeito. Jenny me pediu uma dedicatória no cartaz do Raduno - me chamava de "the presidente" -, e me pediu um passeio de Vespa. Yeah!!! Do jeito que a gente gosta!!! Reunimos o grupo e saímos então, em vinte motonetas pela cidade até a orla, até a Praça das Bandeiras, aonde faríamos uma foto tremida, e a sua despedida. E Jenny e a Firm se foram, subiriam de carro até o ABC, pois no dia seguinte faria um show no Rio de Janeiro. Foi incrível a sua passagem por aqui, inclusive na sexta-feira em São Caetano do Sul, quando tocamos com ela, nossas bandas: W.A.C.K., Beber's Operário e Oskarface. Nas últimas cervejas da noite parecíamos ter visto um cometa passar no Raduno. Foi um dia difícil, para a organização sobretudo, compensado pelo sucesso que na madrugada dormia na consciência da gente. E ainda tem o domingo...




Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Delacorte, Tuca, Eric Augusto e Cintia.

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