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sábado, 29 de novembro de 2014

O MAD MAX DE SP (1965)

O blog Transamazônica é bastante curioso, fala da história da rodovia, de bichos, povoados e memórias da família do autor, como essa, de uma viagem incrível em Lambretta LD, de São Paulo até Laguna (SC).


"Desde de garoto me lembro de termos um veículo motorizado de duas rodas em casa. Era ainda muito criança e lembro da lambreta do meu pai estacionada na garagem ou num pequeno rancho que ficava atrás de casa. Meu pai conta que quando eu tinha três anos ainda morando na Vila Maria em São Paulo ele pegava eu e minha irmã quatro anos mais velha colocava-nos na lambreta e saia pela cidade. E assim foi toda minha infância com o pai sempre saindo e chegando na velha lambreta. Algumas épocas ficávamos sem carro, mas raras vezes ficamos sem a lambreta. Mas tarde eu já aos 12 anos o pai comprou a primeira moto, uma CG 125 1982 vermelha carburador com sistema ecco revolucionário, bengalas modernas em relação ao modelo anterior. Fantástica pra um guri de 12 anos. Moto na qual comecei a dar os primeiros passeios pelo bairro.

Somado a isso lembro me ainda de uma história que meu pai conta. Ele saiu em 1961 aos 18 anos do interior do interior de Laguna para ser garçom em São Paulo. Na localidade de Madre onde morava não havia nem água encanada (algo normal pra época, usava-se a água de poço), nem luz elétrica. Em 1965 já estabelecido na cidade ele comprou sua primeira lambreta e resolve fazer uma viagem São Paulo a Laguna (Aproximadamente 850 km). Contava sempre essa história sobre os quatro dias de estrada pela atual BR 116 e BR 101, hoje totalmente asfaltada e duplicadas mas que na época eram quase na sua maioria estradas de chão e que dependiam das condições climáticas para seguir viagem. A cada parada era preciso se informar sobre as condições da estrada pra frente para poder seguir viagem. Falava sobre grandes trechos em que havia duas cavas feitas pelas rodas de caminhões e que era preciso colocar a lambreta dentro, tirar os pés das pedaleiras e ir ajudando para transpor os atoleiros.

Narrava-nos que a chegada de lambreta na Madre (de onde havia saído para ir trabalhar em São Paulo) foi algo triunfal e inacreditável por muitos. Na localidade a maior parte do transporte era feito por rios. Todos tinham um bote ou uma bateira que era usado também para pesca. Nessa época as estradas serviam apenas para transportar o gado de uma pastagem a outra, para as carroças e ainda para os raros veículos motorizados de caixeiros-viajantes que raramente passavam pela região. Foi algo como uma espaçonave descer na terra. Se já não bastasse uma lambreta ser totalmente desconhecida e inusitada a Lambretta de meu pai possuía umas labaredas de fogo desenhadas nas tampas laterais e muitas pecas cromadas (acho que meu pai na época era meio Mad Max). Quando chegou na minha avó, seus irmãos, na época todos pequenos, rodeavam a lambreta, subiam nela, queriam andar e ficavam extasiados com tal veículo".


"A empolgação foi tamanha que logo pegaram a lambreta colocaram num bote e a levaram por rio numa pequena venda (Armazém) onde era o “centro” da pequena vila. Meu pai conta que aquilo foi feito não como promoção mas como forma de compartilhar com todos algo que era eletrizante e fantástico para a região.Todos perguntavam sobre a viagem e sobre tudo, alem é claro de querer dar uma volta. Era a magia do interior que não existe mais. A TV e a Internet mataram esta magia. Dizem que a carga genética algumas vezes pula uma geração, mas acho que no meu caso ela poderá pular a próxima mas, me desculpem, não na minha vez".

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA - PARTE 2 DE 2

Nesse final de semana vivemos aquele que talvez tenha sido o mais divertido Raduno da Primavera. Foi a quinta edição, a primeira de dois dias. Ao todo reuniram-se 50 motonetas e seus destemidos condutores, das cidades de Santos, São Paulo, São Bernardo do Campo, Itapevi, São Roque, Itatiba, Campinas, Osasco, Guarulhos e Araraquara. A invasão na "Brighton brasileira" aconteceu nesse final de semana. Contaremos aqui a segunda parte disso.


Domingo de sol e céu aberto. Um dia perfeito para a parada na praia. Pelas 11h abastecíamos a frota resistente de vinte motonetas que tocaria até o Guarujá. Macruz, Edelcio e um velho amigo dos nossos subiriam a Imigrantes naquele instante, estavam em duas Lambrettas LI's e uma Vespa. Os Intocáveis estavam a caminho de Araraquara. Buzolli e sua amiga tinham subido bem cedo, também o Volpato. Da capital chegava o Paulo "De Vito" e o Senna. No agrupamento estava também o Delacorte, Luca Perucchi e sua cachorrinha, Diogo, Vitor "Ernest", Piera "Itatiba", Everton, Favero, Reginaldo/Rose, Much, André/Alessandra, Aden, Edu Parez/Silvia, Maturino e seu pai, eu etc. (Peço desculpas aqueles que não cito, é por esquecimento, e assim que me lembrar ou for lembrado, adiciono a esse post).


Um dos momentos mais emblemáticos do Raduno é a travessia Santos-Guarujá pela balsa. São quatro eternos minutos, talvez cinco. Debaixo de um sol pra lá de forte, daquele céu azul de primavera paulista, tocamos até a Praia do Tombo, a de costume. Por lá nos estenderíamos por três horas ou um pouco mais, para almoço, prosa, banho de mar.


As 16h em ponto dobrávamos a esquina rumo à Piaçaguera-Guarujá, acesso à Rodovia dos Imigrantes. Delacorte foi na frente, e guiou alguns para um caminho em obras que dividiria o grupo para a volta, levando Diego/Cintia, Everton e Senna a se perderem da gente. A subida foi tranquila, em quinze motonetas. Nos mantínhamos à direita, sempre sinalizando a cada ultrapassagem ou mudança de faixa. Apesar do tráfego da volta do feriado, nos sentíamos tão seguros quanto na ida. Creio que a única dificuldade de fato se deu na entrada da cidade grande, quando o trânsito parou por conta de um acidente qualquer.


Essa foi a quinta edição do Raduno da Primavera, um evento que é especial porque acompanha a história da SP e porque talvez tenha sido o primeiro 100% scooterista clássico rodoviário contemporâneo... (affff que palavrório). Bom, ficamos assim então, ano que vem repetiremos os dois dias, melhorando as questões de hospedagem e turismo. Muito obrigado a todos os participantes, de Santos, São Paulo, São Bernardo, Itatiba, Osasco, Guarulhos, São Roque, Itapevi, Campinas e Araraquara.

Agradecemos imensamente o apoio do Empório Motoneta (Santos), da The Firm Records (Santo André), da Free Willy Moto Peças (São Paulo), Trackers (São Paulo), Santos Hostel e Jenny Woo Oi! Project (Canadá).

Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Karla Jales e Fidelis.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA - PARTE 1 DE 2

Nesse final de semana vivemos aquele que talvez tenha sido o mais divertido Raduno da Primavera. Foi a quinta edição, a primeira de dois dias. Ao todo reuniram-se 50 motonetas e seus destemidos condutores, das cidades de Santos, São Paulo, São Bernardo do Campo, Itapevi, São Roque, Itatiba, Campinas, Osasco, Guarulhos e Araraquara. A invasão na "Brighton brasileira" aconteceu nesse final de semana. Contaremos aqui em dois tempos.



Sábado de sol com chuva. Amanheceu no Posto Frango Assado a boa-nova do céu azul; quilômetros abaixo não seria tão assim. Não queremos chuva na estrada, e São Pedro Lambreteiro costuma aliviar pra geral, mas o Raduno ele não perdoa, ele cisma. Às 10h45 saímos do Frango Assado. (Tive contra-tempos com uma roda que parecia soltar, mexi nela em casa, troquei ela na concentração. Não mudou, fui assim mesmo. O atraso foi minha culpa, sorry). Descemos a Serra em 32 motonetas, outros desceriam horas depois, outros no dia seguinte. Era admirável ver aquela "formação de comboio" tão insistida e discutida em outros Radunos. No km 25 eu olhava para trás e via todos em suas posições, deixando o centro do comboio livre. Uma pintura! Deixei a ponta do grupo voltei para o meio, para auxiliar na comunicação e no que fosse preciso. Passamos o pedágio e inclinamos as rodas na descida da Serra. Vieram os túneis, suas luzes, e toda aquela acústica lúdica: o som do Raduno. E lá no fim deles, a chuva, e com ela, o trânsito. Encostamos embaixo da Ponte da Imigrantes sentido capital. Era preciso represar o grupo, botar capas e repensar o comboio naquele trecho final. Teríamos mais vinte minutos de água até Santos. Nossas roupas secariam lá na mesa do almoço.


Santos estava ótima, até que calma, visto que era sábado de feriado (Proclamação da República). Delacorte conseguiu uma vaga a 200 metros da orla, na Conselheiro Nébias, e por lá ficamos. Era um bar que servia almoço, ou vice-versa. Coubemos ali e ficamos assim, combinado para as 15h a saída para um giro. Nisso foi chegando gente, de Santos, o Eric, Maturino e pai, Breno, Ilídio; de Araraquara, Os Intocáveis; e mais de São Paulo, Alex e a Free Willy. Devido a atrasos por problemas mecânicos numa PX, estendemos a saída em uma hora.


Tocamos para o Valongo/Museu Pelé, e região portuária, acompanhando assim parte da frota que subiria a Imigrantes: Koré, Guilherme Rocha, Poló, Dario, Roberto, Fiilizola, Álvaro, Daniel, Robson, Alex, e alguns que vou lembrando. Dos clubes, estavam ali o Motonetas Clássicas Campinas, os Vespeiros e o São Roque Vespa Clube. Aliás, desse último, um ficou, o Ed Purga; sua PX teve os prisioneiros da roda traseira comprometidos durante o passeio, e quase rolou um chão por causa disso. A pick-up do Empório Motoneta foi ao seu socorro, já nós, para a hospedagem. Depois do check-in a turma foi para o banho ou para o bar. Vitor Hugo "Ernest", Rafael Piera "Itatiba" e eu improvisamos um palco até que decente, com os amplificadores da casa - um deles do Much -, com os pedestais do Itatiba, a logística e apoio primal da The Firm Records. Tocamos os trabalhos por uma hora e meia de tentativas até acertarmos o palco, e repararmos as condições elétricas do espaço. Improviso e estilo.


JENNY WOO (Canadá)

Jenny Woo (Canadá)
21h e vinha um cheiro de chuva no ar. Jenny Woo, a skinhead girl canadense pegou o seu violão e deu início a um concerto que valeu por uma banda toda. Voz e violão, e uma performance que muita gente ali nunca viu, nem no rock. Jenny Woo consegue, ela atrai o público, qualquer público. Tocou as suas, novas e antigas, tocou Cock Sparrer, Last Resort, Perkele. A crucificada transformou água em vinho, chamou o público para o côro e tirou bis e mais bis dos dois-tempitas. E tinha bem umas 50 pessoas ali. Começou a chuva, e ela não parava, e suava. Metade ficou à frente, outra metade atrás da chuva, dois metros depois. Na rua as Vespas, dos dois lados, sob a luz do poste, espelhando na água do chão. Foi mesmo divertido, Deni e Evlyn tinham chegado da Praia Grande, o Diego e a Cintia curtiam inclusive a amizade que rolou. Combinações inusitadas, como a Lambretta do Macruz fazendo o fundo do palco de um projeto Oi!, ou o Buzolli num cumprimento inusitado com Jenny, ou mesmo a própria tocando Drinking and Driving, do Business, em pleno Raduno. No fim do show ela presenteou a turma com um CD para cada participante, agradecendo a todos muito, até ficávamos sem jeito. Jenny me pediu uma dedicatória no cartaz do Raduno - me chamava de "the presidente" -, e me pediu um passeio de Vespa. Yeah!!! Do jeito que a gente gosta!!! Reunimos o grupo e saímos então, em vinte motonetas pela cidade até a orla, até a Praça das Bandeiras, aonde faríamos uma foto tremida, e a sua despedida. E Jenny e a Firm se foram, subiriam de carro até o ABC, pois no dia seguinte faria um show no Rio de Janeiro. Foi incrível a sua passagem por aqui, inclusive na sexta-feira em São Caetano do Sul, quando tocamos com ela, nossas bandas: W.A.C.K., Beber's Operário e Oskarface. Nas últimas cervejas da noite parecíamos ter visto um cometa passar no Raduno. Foi um dia difícil, para a organização sobretudo, compensado pelo sucesso que na madrugada dormia na consciência da gente. E ainda tem o domingo...




Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Delacorte, Tuca, Eric Augusto e Cintia.

domingo, 16 de novembro de 2014

XV DE NOVEMBRO DE 196?


Esse desfile da Proclamação da República aconteceu há cinquenta e alguns anos. E as Lambrettas estavam lá, inclusive o modelo Lambro, todos pela Rua XV de Novembro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MOTOBALL COM LAMBRETTAS #2 (SANTOS)


Durante os anos 70 uma geração de lambrettistas superaqueciam o calendário paulista e nacional com diversas atividades. Lá em Santos um dos agitadores, tanto para o lazer como para o esporte, era o Chicão Velasco. Ele puxava corridas, passeios, as customizações da baixada; e além de todo um estilo de vida, o mito caiçara também começou por lá (e algumas cidades de SP) o Motoball, um futebol de areia jogado sobre rodas. (Fonte: Blog Lambretta Brasil.)


Para te lembrar do V Raduno da Primavera, que acontece no próximo final de semana. Siga as instruções do link e se guarde a data.

*Somente motonetas clássicas: Vespa, Lambretta, Bajaj, Star, Cezeta...
Em caso de dúvida entre em contato com a gente: scooteriapaulista@gmail.com

sábado, 8 de novembro de 2014

A LAMBRETTA E O BONDE DE SANTOS


Aos dois minutos uma Lambretta ultrapassa o bonde.

Para te lembrar do V Raduno da Primavera, que acontece no próximo final de semana. Siga as instruções do link e se guarde a data.

*Somente motonetas clássicas: Vespa, Lambretta, Bajaj, Star, Cezeta...
Em caso de dúvida entre em contato com a gente: scooteriapaulista@gmail.com

terça-feira, 4 de novembro de 2014

CALENDÁRIO SCOOTERIA PAULISTA 2015


Estamos preparando essa coisa fina e inédita no Brasil, e o tema da vez, puxado pelo fotógrafo Sergio Andrade, é "Scooters & Girs", apresentando as meninas do clube. Os calendários serão distribuidos por toda a galáxia a baixo custo. 

ANUNCIE sua marca/serviço/projeto pela bagatela de 100 Reais. Escreva pra gente para mais informações. Em breve nas borracharias e banheiros de estrada.

domingo, 2 de novembro de 2014

CONTRATO DE TRABALHO NA LAMBRETTA DO BRASIL


Por um pouco mais de um ano a nossa colaboradora Eloisa Nogueira trabalhou na Lambretta do Brasil S/A, na fábrica da Vila Anastácio, zona oeste de São Paulo. Isso se deu entre 1963 e 1964, quando a produção do modelo LI estava a toda. Entrevistamos Eloisa no Almanaque Motorino #2 (capa preta), e lá ela contou da sua experiência. O fanzine esgotou ainda no final do ano passado, mas devo dizer que no futuro faremos algo a respeito. Eloisa vive hoje em Novo Horizonte, aonde guarda com orgulho memórias dos tempos em que foi eleita Miss Lambretta. Tinha dessas...