Últimas Imagens

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

LOCÔMBIA: DUAS SEMANAS DE COLÔMBIA (Parte 01 de 03)

Foram 14 dias entre Bogotá, Medellín, El Carmen de Viboral, Bello e outros povoados. 1200 kms rodados com La Pelada, a Vespa PX150 cedida por uma das pessoas mais ativas e contagiantes da cena old scooter da América do Sul: Maryzabel Cárdenas (Vespa Club Bogotá / Mi Corazón Late en 2T). Situando a Scooteria no assunto, desde a fundação (abril de 2010) até hoje já recebemos sete colombianos viajantes. Tanta sugestão uma hora nos levaria para lá. E esse dia chegaria para Fabio Much e para mim. Contei aqui do "Mods vs Rockers" (Enmca1) e do "Bogotá Scooterfest", ambos com conceitos bastante enraizados nas subculturas juvenis da segunda metade do século XX. Agora, a quem possa interessar, contarei um pouco dessa experiência como visitante. Faça um mate, feche a porta, desça o cursor.

Fabio Much e Marcio Fidelis - Scooteria Paulista
Quarta-feira, 03 de Setembro. O avião pousava em chão molhado. Mayra Garcia foi de carro ao Aeroporto Eldorado (mesmo odiando dirigir quatro rodas), e me levou até Chapineiros, o bairro aonde Maryzabel Cárdenas tratou de me hospedar, no apartamento do seu irmão Alejandro. Mayra, para quem não se lembra, esteve em São Paulo e no Rio durante a Copa do Mundo, e participou da II Girata D'Inverno, em Taboão da Serra/SP, e de uma reunião de batismo da SP. Na Calle 63 me esperavam Maryzabel e Oscar Matiz, sujeito bem-humorado - chistoso - de posse de uma Vespa T5. Me aguardava também, e em especial, o amigo paisa Juan Montoya, na cidade a duas semanas. Desde que o escrevi anunciando minha chegada, ele que é de Medellin - a 450 kms de Bogotá -, tratou de arrumar um trabalho qualquer na grande cidade para viver conosco a maior parte dessa história que vem abaixo. Ali já me sentia na melhor fase de Jack Kerouak. E falando nele, pessoalmente conheci Maryzabel no Paraguay, no acampamento de um Encontro de Vespas. Quer mais beatnik do que isso? Começava a maratona...


De pronto seguimos para o praça Quinta Camacho, no bairro Carulla, aonde semanalmente os Escuteristas Bogotá se reúnem. Fui apresentado a Gerardo Rodriguez, Anderson, Jaime, Elmer, Daniel, Luis, Alfonso, Bob, e mais gente. Não sei se ouvi direito, mas ao me cumprimentar Gerardo, presidente do clube, disse algo como "que puedas mejorar el clima de las cosas acá". Sujeito calmo, quase sempre escutando atentamente os seus enquanto traga devagar um cigarro, sua deixa me fez pensar noite adentro no que catzo aquilo significava. De Kerouak a embaixador de qualquer coisa, eu chegava na garupa de Juan Montoya, a que considero um Dean Moriarty sem benzedrina, a cruzar a América, só que de norte a sul. Uma versão vespista de "On the Road".

Nessa noite fui apresentado ao modelo Plus 150 da Bajaj, bastante similares às 150 Super da Piaggio. Também à Vespa GS160 espanhola, um misto de três ou quatro modelos dos anos 60, incluindo a própria GS italiana. Vale lembrar que em toda a Colômbia é obrigatório o uso de coletes ou fitas refletivas nas jaquetas durante a noite. Além dos cromos, os humanos refletem luz.

Maryzabel Cárdenas













Juan Montoya me levava na garupa, a exatos quatro anos depois de quando nos conhecemos. Em setembro de 2010 o recebemos naquela Vespa PX150 preta da Raf Mod, no Curitiba em Vespa, na Scooterboys, na capital; e entre festas e giros aprendemos com ele que distância pouca é bobagem. Como viajante creio que ele tenha alimentado um lado internacionalista no nosso imaginário, anunciando um novo Zeitgeist - espirito do tempo - que nascia no sul da América. Seu projeto se chamava Sur Sueño Vespa. (China, Much, Isbú, Andreas, Koré, Emerson, e eu, te saudamos aqui de casa, parceiro).

Céu nublado, pista molhada, borracha no asfalto. A 50 quilômetros por hora tudo parecia calmo pela Carrera 68, só que não. Em uma fração de segundo nossas vidas podem mudar de rota para sempre. Sem precisão, "viver não é preciso". Foi de súbito que, bem na nossa frente, uma Plus Bajaj derrapou e levou Anderson ao chão. Escapamos por pouco, estávamos logo atrás. Paramos o trânsito para recolher os cacos, o colega sangrava no rosto, no queixo, estava atordoado. Ele caiu rolando todo torto, usava capacete aberto, quase foi um estrago. Seu clube tratou de trocar o farol e alinhar a roda dianteira. Oscar, que é médico, daria um diagnóstico imediato. A judiaria foi que Anderson havia pintado a moto a poucos dias num verde metalizado; ela era a mais admirada da noite. A derrapada tinha a ver com o freio dianteiro, que a princípio parecia estar só muito apertado. E não é que sobrou pra mim? Conduzi a sua Plus Bajaj até mais tarde, quando fizemos a foto abaixo, aonde provei o Ajiaco Santafereño, prato típico, um caldo cremoso de frango acompanhado de uma enorme coxa cozida. Lugares aonde vendem esse tipo de comida durante a madrugada se chamam "Caldo Parado".

Três horas que pareciam seis, e essa quarta-feira inaugural fecharia com umas aromáticas e uns tragos em qualquer esquina do caminho. Se eu descuidasse do pensamento minha mente voltava para São Paulo, como se aquelas esquinas me fossem costumeiras. Nunca antes viajei de avião para tratar de motonetas. E de repente, como num pulo lá estava eu. A distância e o tempo na estrada te prepara, e talvez por isso a gente já chega no espírito, e com a pele queimada e os lábios rachados do sol da estrada. Talvez seja isso.
Quarta-feira: Reunião oficial dos Escuteristas Bogotá + Mary + Juan
Quinta-feira, 04 de Setembro. Juan me levaria para fazer o câmbio. 600,00 Reais virou 420.000,00 Pesos Colombianos, que era compensado pelo baixo custo de vida no país. Vendo tudo sob a luz do constante céu nublado bogotano me surpreendia nas ruas a quantidade de pessoas metidas em botas inglesas, sobretudo nas tradicionais Doctor Martens. Tão logo descobri uma filial da marca na Carrera 7. Como levar criança a uma loja de doces, só me faltou chorar na porta. Tocamos para a Avenida 127, aonde a Andes Motos, a representante da Piaggio na Colômbia, promovia um esquenta para o "Mods vs Rockers". Reuniu-se ali algumas dezenas de scooteristas clássicos. Conheci Jonatan Alape, Alejandra "Omaira" Vargas, German, Crystian Ruiz, Camilo Bernal, Andres Archila, Julian, Kisis/Mara, Vivi Neva e outros tantos. Alguns eram dos Mottoretos, outros do Vespa Club Bogotá e do Vespané. Surpresa para mim, além dessa boa gente toda que me era apresentada, foi conhecer de perto a nova Vespa Primavera, e a 946. Lindas ordinárias.

Estávamos em 18 motonetas pela noite. Por lá os comboios correm, represam nos semáforos, esticam, aglomeram em algum posto, e tocam adiante, cada qual alertando o companheiro dos buracos no chão, que não eram poucos. Me recorria lembranças dos nossos giros de uns anos atrás, aqueles sem instruções, de pouca experiência, totalmente espontâneos. Só que eles são rodados, fazem da Vespa um modo de vida, os vespistas de lá são o reflexo do cotidiano. E tudo acabaria na Monapizza, um lugar rústico, de três andares apertados, num bairro boêmio e gastronômico chamado La Macarena. Aliás, devo dizer que a pizza lá é tão saborosa e recheada quanto a nossa, talvez até mais leve. Dormi digerindo.

Vespa 946

Sexta-feira, 05 de Setembro. Fabio Much chegaria com o sol. As 4h da manhã fui pra rua, e me perderia por mais de meia hora até encontrar a rota para o Aeroporto Eldorado. (Fui parar em Monserrate, o lado contrário da cidade). Tive de enganar a Juan, Mary, e Mayra, que apesar das obrigações diurnas, faziam planos para madrugarem. Eu não queria incomodá-los, então inventei que o nosso amigo tomaria um táxi, e que racharíamos as despesas mais tarde. Mentirinha. Na ponta dos dedos, no tranco esquina afora, pelas ruas vazias me sentia muito bem, e sentia muito frio. As luzes amarelas vistas através da neblina me lembrou alguma coisa de São Paulo nos anos 80. Estava cá e lá. As 6h resgatei o soldado Much na base aérea.
Juan, Fidelis, Camilo, Hernan, Mayra e Much
Antes de abrir o comércio abrimos nossas primeiras cervejas: Poker, Costeña e Club Colômbia, seguidas de um pão prensado feito a base de milho, parecido com arepas, essas que são como que acompanhamentos de todas as refeições do menu colombiano. Durante a tarde Juan nos levaria até a casa de câmbio mais próxima. Pensando em economia, comemos algo barato na rua, algo que não caiu muito bem no Much, salvo pelas goladas na Colombiana - uma espécie de tubaína - e dois cigarros seguidos. Na Plaza Lourdes o movimento de sexta-feira era voraz, pessoas nas calçadas se atropelavam em fim de expediente enquanto táxis e ônibus paravam o trânsito por toda a parte. Pombos, comediantes, índios mendigos, alguém fumando um baseado às pressas, duas belas garotas apressadas, ventania arrastando cartazes, vendedores de relógios falsificados, o barulho das portas dos comércio fechando, essas coisas me remetiam ao centro velho de São Paulo, de Porto Alegre, do Rio de Janeiro. Funcionários dos bares quase nos puxavam pela camisa. Aliás isso é um outro dado: vendedores vão te chamar para conhecer seus produtos, vão te agradar para isso, vão insistir. Entramos em alguns, todos escuros, com canais de esportes ligados no silencioso enquanto a cumbia era tocada no volume máximo. Decidimos pelo mais discreto da praça, ou melhor dizendo, pelo mais obscuro: um bar de rock'n'roll setentista, de três andares, com cervejas a bons preços e barbudos desconfiados vestindo jaquetas jeans surradas. Não, também havia um pessoal naquele pique de happy our, e metade das cadeiras estavam ainda vazias. Avisamos aos amigos que por lá ficaríamos. Começava o amistoso "Brasil x Colômbia" - vitória canarinho que passaria como que desapercebida. Abrimos a rodada portanto com Fabio, Juan Montoya, Mayra Garcia e eu, seguidos da Maryzabel, do Alape, do Oscar, Juan Pablo, os irmãos Camilo London e Hernán. Foi uma noite especial, com direito a um Vallenato na saída...


Sábado, 06 de Setembro. Metade da motivação dessa viagem estava depositada nesse dia, aconteceria nas próximas horas o primeiro "Mods vs Rockers" oficial da América Latina. Como poucos sabem, toquei em duas bandas que foram consideradas por aí como Garage / Mod Revival: Os Migalhas e Sprint 77. Minha escola em motonetas, a zona leste de São Paulo, Os Tralhas Scooter Club, a Scooterboys, as bandas da cena, é a quem devo algum crédito nisso que vivo. Fabio Much, no caso, é testemunha ocular, tendo crescido na quebrada e antecipado o surgimento da cena Mod/Sixties da Z/L em seis ou sete anos. Numa entrevista para o Almanaque Motorino #1 (capa vermelha) ele contou: já são vinte anos em 2 Tempos. Noto que a maioria dos vespistas e lambrettistas que conheço não sabem de fato do que estou falando, e nem precisam. Acho que a motoneta por si já é um legado que temos preservado muito bem, e que assim seja. Sinto tédio com vergonha alheia quando rola um desaforo gratuito sobre a identidade, e a cidade alheia. Lembro de um completo imbecil debochar no Orkut do termo "scooterboy". Isso faz uns anos. Tento imaginar hoje aonde é que anda esse fedelho cheio de auto-estima. Me desce imagens de um cara que a anos não vê o seu próprio pênis sem esforço ou espelho, daquele tipo classe média que um dia comprou uma Vespa e entrou para um clube, e ponto. Bem, ninguém vai se esforçar para ser o que não é, ou para saber do que não quer. Tudo bem ter uma PX e não viver com ela. Mas como disse o filósofo: "a asneira é sempre faladora". O melhor que fazemos é fazer-nos melhores. E voltando às raízes da nossa escola, não era Brighton (UK), mas como se fosse, Bogotá falava de 1964: MODS vs ROCKERS.

Much e as Cherry Pin-Ups
Nessa noite rodamos em quinze, no comboio mais tenso desses dias. Foram quase duas horas desde o Encontro até o coração da cidade. Passando por pontos históricos e turísticos, Mayra tentava me contar às pressas do que se tratava o caminho. Nas alturas de La Candelaria ver a cidade, os limites pelos postes amarelos, a civilização num sábado a noite, foi fantástico, como descer pra Santos pela primeira vez na vida. Ancoramos na Plaza Chorro Quevedo, aonde Camilo London insistia em nos levar para uma festa de Ska Music. Abraçamos sua idéia e quase nos demos mal. Ao chegarmos notamos o clima um tanto hostil. Um sujeito suado, zoado, usando uma camiseta amarrotada do DRI nos olhava com ares de deboche. Na sequência Camilo tomaria dois chutes na bunda, e era posto a correr. Em um minuto todas as motonetas já estavam na esquina outra vez. Sobramos nós, Fabio Much e eu, ali no beco com a Vespa afogada. Os mesmos estúpidos que bateram em Camilo vieram pra cima da gente. Pensávamos no pior. Dois caras - um deles com uma cicatriz no canto do rosto, falante, acelerado, "louco" - vieram nos intimar. Na segunda frase eles entenderam que éramos brasileiros, desinformados do que cobravam, que estávamos pela música e pelas motos. Os dois maloqueiros nos saudaram e até se desculparam pelo escândalo, explicando o desafeto antigo. Não vou dizer que não ficamos assustados com o possível desastre: imagine você sair de um Mods vs Rockers contente e limpo - um evento com histórico mundial de confusão -, cruzar a cidade com seus novos amigos em suas Vespas adornadas, e sem saber o porque, tomar uma surra num beco escuro cheirando urina, e pasmem: na porta de uma festa de ska... ah, tenha dó. Mas La Candelaria estava linda aquela noite, com seus transeuntes, bares abertos e música em toda a parte. Daniel contava pra gente a história da praça central, a Chorro Quevedo, o berço de Bogotá.

Fechamos a noite com uns sanduíches e mais tarde algumas cervejas com Mary, Jonatan, Andres Felipe, Viviana e Mayra, naquele "bar de sempre". Que dia!
Much, Fidelis, Topo, Andy, Laura e Albert
Domingo, 07 de Setembro. Frio, ressaca, domingo preguiçoso. Seria assim se fosse no Brasil, mas lá o entusiasmo não acaba. Na metade da tarde Maryzabel passaria para recolher o que sobrou da gente. Estava com Jonatan Alape, Carlotica, Andy Shot, Laura Pérez, Andres e Viviana. Fomos à Plaza Usaquén, aonde experimentaria os melhores pães até então. (Mayra falou tão bem desses pães, no quarto dia eu entendia). Quando a noite caía, as 18h45, tomamos outro café na Quinta Camacho, na companhia de Alejandra "Omaira", Mayra, Rafael Rubio e Carlos Vigoya. Aliás, rodar entre cafés e postos de serviços é bem comum também.
Moonstomp Riders
Alejandra "Omaira"














Tocamos para o miolo da cidade, dessa vez para a Plaza Bolívar, o coração da história. Ali conheci um boêmio que cheirava uma mistura de aguardente com azedo de sovaco, e metido num sobretudo preto meio sujo, me olhava de canto, medindo meu ar de turista deslumbrado. Passou por mim e disse baixo: "lo que usted estás mirando es una Puerta Secreta". "O que"? - disse em português. Daí em diante tivemos uma verdadeira aula de Colômbia. Guilherme era o nome desse distinto boêmio à moda antiga. Sem gaguejar, contaria, por meia hora a fio, a história de cada prédio e as personalidades que andaram por eles, com precisão de datas e detalhes. Quando falava das guerras civis e das conquistas populares, seus olhos tremiam e enchiam d'água, seguido de uma fungada mais forte. Não sei o que ele fazia lá, apareceu como um fantasma do século XVIII, e naquela calmaria ele sumiu na neblina. Foi mágico, surreal, não sei. E o domingo que amanheceu para o nada, terminou com tudo...

Segunda-feira, 08 de Setembro. Religiosamente as manhãs começavam do outro lado da rua, com um copo de aveia com leite e uns pares de buñuelo - uma bola de massa frita feita com farinha de trigo e um queijo tipo qualhada -, seguido de um café. Viciei nos buñuelos, num dia comi oito. Valia como que cinquenta e cinco centavos brasileiros, era delicioso, do tamanho de uma bola de tênis. Para não passar em branco o lado exclusivamente turístico dos turistas que éramos, Fabio Much e eu tomamos umas cervejas e um táxi até o pé de Monserrate. Por algo equivalente a 18 Reais um teleférico te leva até o mirante da cidade. Lá em cima tem a igreja, tem restaurante, lanchonetes e diversas tendas de souvenires, colecionáveis e especiarias. Aliás, é o único lugar da cidade aonde se vende o chá de coca. (Não se enganem, ele me dava muito sono). Fizemos uma hora por lá e voltamos com a chuva. No pé do morro uma llama:
As 17h Juan Montoya chegaria para nos acompanhar na despedida do amigo brasileiro. Na sequência Maryzabel Cárdenas trazia Jhon Gonzales. Faltava ele. Sujeito magro, bem-humorado, daqueles que observam tudo sem virar muito os olhos. Um dos fundadores do Vespa Club Bogotá, deixou a presidência e o grupo recentemente, e ainda ressentido se prepara para integrar a cena mexicana. Uma personalidade, estava conosco por consideração. No caminho do Aeroporto Eldorado, pela tortuosa hora de corredores estreitos e buracos enormes, Jonatan Alape nos esperava na marginal da Calle 26. Jonatan, aliás, estava em todas, o Mottoreto tinha um aspecto calmo e discreto, otimista e ativo. Parceiro para todas as horas! Até que chega a triste despedida, mais uma de Fabio Much, outra da qual ele parte antes, levando aos nossos as boas, deixando para mim o final da história. Foi a quarta viagem internacional do Muchiba, a terceira ligada à Scooteria Paulista em eventos da classe. Clique nos links abaixo e relembre as outras duas:


Dia Del Scooter Clásico #3 (Argentina 2011)


Depois de uma parada num café pelo caminho, tocamos para a Chapineros de novo. Lembrando que era segunda-feira. Escolhemos um bar estreito da Plaza Lourdes, e ali dois funcionários, e um casal tragando algo, acompanhados de uma terceira mulher impaciente segurando vela, era o que tínhamos de mais animado nas redondezas. No rádio, salsas de amor e desamparo. Eu estava cercado de pessoas que são como mestres dos magos: Juan Montoya,  Maryzabel Cárdenas, Jhon Gonzales e Jonatan Alape. No passar dos dias elas me surpreenderiam demonstrando um pouco de suas capacidades em criação e execução, coisa que raramente vi se manifestar em tão curto tempo em prol de um espontâneo encontro de motonetas. Na mitologia grega o Rei Midas era o personagem que transformava em ouro tudo o que tocava. Naquela semana eu entenderia que andei me sentando com uma cúpula de magos, na qual tudo o que era dito era transformado em fatos. Sugeri uma festa, e dito e feito: em seis dias aconteceria o primeiro BOGOTÁ SCOOTERFEST.

Fidelis, Tatiana, Leonardo Castañeda e Jhon Gonzales

Duas da manhã, sentando na ponta do colchão o coração apertava. Juan Montoya e eu, entre uns goles e tragos, devaneamos pelos assuntos da vida, das viagens, da Vespa, do destino dos homens, das garotas, do futuro. Ele se preparava para outra trip beatnik, agora rumo ao México. O que me tocava a pensar na minha condição humana era não somente o fato de estar lá, mas a cumplicidade com que a vida me conectava às certas coisas que beiram o absurdo do improviso. Nunca uma viagem é só uma viagem. Eu andava motivado por causas novas que poderiam existir em algum lugar do coração ou das ideias de alguém. Perdido e acolhido em outra capital, a poucas horas de um tiro longo para Medellin ao lado de quem bem entende do riscado, éramos nós: confusamente confiantes. Eu parecia um tolo sem resposta ao desamparo a que tenho consciência de viver sem querer ou sempre que a grana acaba, e Juan um sonhador com um otimismo contagiante, que todos os dias mantinha limpo e bem visível o projeto da próxima aventura. Alguns vespistas são fora-de-série, tão valentes quantos seus motores, criam um elo com a máquina de modo a fazer com que nenhum outro veículo possa lhe cair tão bem quanto uma Vespa. Desse marco em diante começa um estilo de vida sério e impreciso: a liberdade de escolha pela liberdade escolhida. 

Relato por Marcio Fidelis
continua...

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MODS vs ROCKERS (Colômbia)

Por mais de uma década pensamos numa grande reunião entre Mods e Rockers. Poderia acabar em confusão, certa noite em São Paulo aconteceu. Já o propósito em Bogotá era outro, mais ligado à cultura motociclística do que à rivalidade passada das subculturas juvenis. Muitos lojistas patrocinaram e apoiaram o grande evento, a maioria voltados à demanda vintage, e quem capitaneava o "I Encuentro Nacional de Motos Clásicas y Antiguas" era a Candelaria Motorcycles e a ScooterClassic Art, com o suporte da Triumph e apoios. Ainda assim tratava-se do primeiro Sul-Americano. Por isso comprei minhas passagens, imprimi os Motorinos, dobrei as roupas e tomei o avião. Fabio Much fez o mesmo, rumo à sua terceira aventura internacional. "Ninguém entende um Mod".


Era 06 de Setembro, fazia o frio de sempre em Bogotá, cerca de 15 graus. Logo cedo nos reunimos no meio do caminho em vinte e tantas motonetas em um posto de combustível na Autonorte, uma via expressa extremamente congestionada para uma manhã de sábado. Eu estava com La Pelada, a Vespa PX150 emprestada por Maryzabel Cárdeñas, e levava na garupa o Fabio Much, como que representando a Scooteria Paulista e o Brasil nisso tudo. Jonatan Alape e Mayra Garcia nos guiaram até o bolo, e o comboio contaria com os membros do Mottoretos, Vespa Club Bogotá, Vespañeee, Moonstomp Riders e amigos. Conosco seguia um carro de apoio e muitas garupas. Bob levava sua Serveta GP 1972, um achado. Maryzabel, Jonatan, Carlotica, Oscar e outros tantos chegaram para a ruta.Um ar de festa se estabelecia na Carrera 5. No caminho duas Vespas apresentaram problemas com embreagem - cabo e braço seletor -, resolvidos ali a beira-pista. Chegávamos numa estilosa frota. Disparados, a maior banca. (We are the Mods, We are the Mods, We are, We are, We are the Mods).

Alejandra "Omaira" Vargas trabalhava em diversos setores do evento, a começar pela recepção e inscrição dos visitantes. Enquanto isso a Bogotá Soul Club tocava alto seleções dos anos 50 e 60 norte-americanas e inglesas. Conheci muita gente por aí, de imediato Camilo Bermúdez, um exímio restaurador de motonetas, baterista da banda street-punk Urban Noise e importador de peças e artigos para vestir. Junto a ele seu sócio na Vespaccessorios, o Alejandro Vallejo, representante da marca em Medellin. A tenda deles mais parecia um expositor de artigos inusitados, a começar pela Lambretta DL roxa carregada em cromos do acervo pessoal do Camilo. Botas, camisas, acessórios, um Fusca 58, e a companhia ilimitada de Topo, Espanhol, Andy, Leonardo, Bryan, Tatiana, Hernán e a cambada de Moonstompers apimentavam o espírito do encontro. O espaço era como que o nosso kartódromo Pinheirinho (de Araraquara), lá chamado de Autódromo XRP de Cajica; era cercado por arquibancadas de terra, e com infra-estrutura completa: alimentação, banheiros limpos, expositores, áreas cobertas e abertas.
Fabio Much - ENMCA 1
Quando chegou Juan Montoya com Andrés e Paola (viajantes de Medellin), armamos o nosso stand também, inaugurando ali o Almanaque MOTORINO #4 (capa branca, Mod Rod). Vendíamos camisetas do W.A.C.K. - minha banda -, também CD's do Marzela, Thee Butchers Orchestra, Transistors, e Brasil Oi. Além disso Juan Montoya ofertava seus cartões postais do projeto Asfalto, visando arrecadar fundos para a segunda parte do seu desbravamento em Vespa pelas Américas: Colômbia-México. Perto da gente estava o stand do Cristian Bernal e Marcela Garzon, do Mottoretos, com patches, camisetas, acessórios, pins, stickers etc. Assinando Corner Design, foi ele o criador de todas as artes do evento. Haviam stands para motocicletas e motonetas, para Mods e para Rockers, para todas as pessoas de bom gosto. Me surpreendeu também o baixo consumo de bebidas alcóolicas nesse encontro. Quase nulo. Com tantos rigores da lei colombiana - multas caríssimas, prisão e perda da carta por anos a fio -, comparado ao comportamento do povo de lá, o brasileiro e o argentino são tipos alcóolatras.
DESAFIOS E GINCANAS

Largada "Le Mans" na corrida das motonetas
A inscrição no evento dava direito ao pin, camiseta, cartaz, uma refeição e ao kartódromo. Eu não havia entendido isso até então, e quando vi já estava na pista. Maryzabel aprovou, Ivan González me emprestou as luvas, e lá fui com La Pelada; eu com a roupa do corpo. 22 motonetas se espremeram no grid para as instruções. Com as bandeiras verdes, amarelas e preta com branco ainda limpas abríamos os jogos. Vespas, Lambrettas e Bajaj Plus de 150 cilindradas saíam para as três voltas classificatórias. O kartódromo Cajica tem um pouco mais de dois quilômetros, instalado entre montanhas, em terreno declinoso, com oito ou dez curvas. Uma ambulância e uma equipe de paramédicos faziam plantão. Cem pessoas assistiam ao inédito "Desafio de Motonetas" colombiano. Um espetáculo nunca antes visto ou vivido pela maioria ali.
Na ordem: Gerardo, Fidelis, Vigoya, Dexter e Oscar
As voltas de classificação abriram o apetite da "criançada". Não havia cronômetro nem qualquer outro equipamento de controle. Na base do "olhômetro", a equipe do evento se confundia, afinal, eram 22 motonetas. No meio da discussão sugeri que optássemos pelo estilo "Le Mans" de largada, proporcionando mais humor à competição. A ideia foi acatada por todos, e lá fomos nós. (Rola um vídeo amador disso na internet; e outro mais profissional está sendo preparado).
Autódromo de Cajica - Bogotá
Foram mais cinco voltas, quinze desafiantes minutos. Ao final da primeira eu estava em quinto colocado, tendo sido ultrapassado por uma Lambretta. Uma chocante disputa se instalou entre Dexter e eu. Sua LI série 3 de 150 cilindradas estava tinindo, e o piloto andava no apetite. "Minha" PX150 puxava bem nas saídas, mas na quarta marcha o ritmo caía (e na terceira explodiria). Buscava fôlego nas embreagens, sempre tomando o vácuo da Lambra. Freio? O motor. E assim eu compensava o tempo perdido nas retas. Mas Dexter tinha braço, fechava a porta e seguia o traçado. Ainda que eu o ultrapassasse, era questão de três curvas para cair nas desgraças do seu vácuo outra vez. E falando em cair, foi Oscar e sua Vespa T5 os contemplados do "Desafio". Ao sair de uma curva o camarada tocou o pé do motor na guia e voou pra o meio da pista, tendo ralado a perna e a moto. (Alguém mais caiu, não lembro da figura). E veio a bandeirada, como um coito interrompido. Estava incrível, nos realizávamos. O colombiano é um tipo corredor, se vê no tráfego, nos comboios, o modo de direção agressiva. Resultado: peguei o quarto lugar, dez centímetros atrás de Dexter. O vencedor foi Alexander Pineda, um apaixonado por competições e exibições motociclísticas. Que corrida!

(Nota: relembrarei ao cidadão de bem que os Desafios de Motonetas contemporâneos no Brasil começaram em Junho de 2012 capitaneados pelo Motonetas Clássicas Campinas; naquele período eu viajava com minha Vespa 150cc da capital até Paulínia/SP, corria, e nem sempre voltava pra casa com ela, por problemas mecânicos. Fazíamos 300 kms num só dia, contando a corrida. No ano seguinte deixei as competições. Os Desafios por aqui evoluíram para o nível nacional e diria que chegou ao caráter mais profissional da categoria amadora. Seguimos apoiando e acompanhando de perto e de longe). 






A tarde seguia e então veio a categoria feminina. Meia dúzia de Vespas e duas motocicletas entraram no asfalto debaixo de chuva. Era o momento mais tenso do dia. Com prudência elas seguraram a bronca nas cinco voltas mais difíceis da tarde. À beira da grade assistíamos apreensivos nossas amigas tocarem o barco: Carlotica, Mary e Mayra. Johana com sua Vespa LX150 rosa levou a melhor. Acabou a corrida, acabou a chuva.
Corrida de Motos e Vespas - Categoria Feminina
E fechando os desafios, a categoria especial esquentava o movimento. Uma Vespa GT e outras quatro super-preparadas voaram baixo nas retas de Cajica. O espetáculo tirava gritos e sorrisos dos espectadores. Ainda veríamos as corridas das motocicletas clássicas, um ápice para a outra metade dos participantes.
Categoria Scooter-Pro
A festa acontecia no entorno do kartódromo. A Red Bull distribuía amostras grátis do energético que dá asas, e por terra mais gente chegava a todo minuto. Havia um ar de admiração e respeito mútuo entre as cenas juvenis e motociclísticas. Café racers e motonetas customizadas eram a atração, o motivo pelo qual funcionava tudo aquilo; e seus proprietários na estica de época, nos seus melhores trajes, conviviam harmoniosamente, cada um na sua.

E os jogos não paravam; as divisões eram essas: scooters-stock, scooter-pro, clássicas japonesas, clássicas européias, clássicas modernas, categoria feminina, parada scooter e café racer. Na sequência vinha a prova dos obstáculos, uma verdadeira gincana. Fomos divididos em pares, e duelávamos em "traçados germinados". Os obstáculos eram feitos com cones, fitas, barreiras e marcas no chão. Topo (Jhon Gimenez) era meu adversário, queimou um obstáculo e perdeu a brincadeira. A TV Uno filmava tudo de perto. No dia seguinte estávamos no jornal nacional.
O Desafio dos Obstáculos
E a brincadeira de encerramento no Autódromo Cajica ficou com as provas de arrancada. Também em formato de duelo, uma rocker no clássico traje Pin Up dava a bandeirada e os motores saíam em disparada fritando a embreagem. Perdi todas, sete vezes.
Scooter Parade - Provas de Arrancada
Era tudo muito lúdico e feito no capricho. Havia um quê de beleza e conhecimento do assunto. Os rockers eram rockers de verdade, os Mods e Skins - estilo que evoluiu dos Modern Boys da primeira metade dos '60 - viviam da essência, entendiam do riscado. E se o conceito do evento era esse, lá estivávamos: "Mod Rods".


Ao cair da tarde nos reunimos em doze motonetas ou mais, e em meio a gigantesco e caótico tráfego voltamos até centro de Bogotá, por entre carros, desviando dos buracos, cortando caminho pelo acostamento esburacado e engolindo fumaça dos caminhões. Foram 40 loucos quilômetros nessa noite de lua cheia; ela era uma criança...

















Esse meu relato é pontual, e despretensioso, é muito mais um diário de mais uma experiência internacional. Deixamos aqui um brinde a todos os organizadores desse fantástico e inesquecível I Encuentro Nacional de Motos Clásicas y Antiguas, ou como queremos, Mods vs Rockers. Um aprendizado para a América do Sul. Fabio Much e eu agradecemos a todos em nome da Scooteria Paulista. Essas lembranças para sempre ficarão em nossas mentes e corações.

Marcio Fidelis e Fabio Much
Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Mauricio Vargas, Fidelis, Gina, Alejandra, etc etc

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

BOGOTÁ SCOOTERFEST 2014

Entre uma conversa e outra no meio de uma noite fria na capital colombiana, me cai uma ficha e a lanço para o grupo nos fundos de um bar qualquer: "que tal se a gente fizesse um Scooterfest nesse fim de semana?" Os olhos de Maryzabel brilharam, e John Gonzales sorriu para Jonatan Alape. Em vinte minutos planificamos o projeto que teria apenas 6 dias para acontecer. E aconteceu...

BOGOTÁ SCOOTERFEST - A noite nas alturas da cidade

Enquanto eu, Marcio Fidelis, saia em viagem com Juan Montoya rumo ao norte, a equipe tão logo daria vida ao primeiro evento de natureza scooterboy no país - falamos de uma cultura scooterista e musical inglesa que teve seu apogeu nos anos 80. Seis clubes e uma frente ideológica se uniram aí: Vespa Club Bogotá, Vespañeeee Club, Escuteristas Bogotá, Moonstomp Riders, Mottoretos Bogotá DC, Scooteria Paulista, e a corrente Mi Corazón Late en 2T. Fecharam com uma casa de shows ali na Chapineros mesmo, ergueram todo o equipamento para os DJ's, a arte gráfica com Kamilo Bernal, os apoios, os adesivos, os cartazes impressos, enfim tudo, e não era pouco. De longe tratei da divulgação e convocatórias, e também com parte das despesas, pagas em Almanaques Motorino's.


As 15h do domingo começava a festa. Tarde de sol preguiçoso e movimento pacato na Carrera 13. Em duas horas o fervo se estabelecia, e cerca de 50 motonetas já teriam dados as caras. A novidade à brasileira trazia um ar inglês aos (oriundos da cidade de Bogotá) cachacos: motonetas customizadas, sapatos lustrados e música alta. Dos ritmos jamaicanos ao Detroit sessentista, Duvan Henao, Camilo Bermúdez, Abuelo Cristian e Danny Mateus, tocavam raridades e "vulgaridades" no salão. Bermúdez, eu, e Juan Montoya vendíamos materiais, de roupas à cartões postais. Maryzabel em momento oportuno sorteou brindes e introduziu ao microfone o conceito da festa. E que festa!!! Jonatan Alape cuidava da portaria na maior parte do tempo. A todo minuto um selfie aconteciam nas quinas do salão, de onde se via pelas frestas mais uma Bajaj Plus 150 chegando, seguida por alguma PX ou Sprint Veloce. Os Moonstompers, constituídos de Skinheads, Rudes e Mods recobravam o espírito scooterboy e seus scooterfests com passos e danças invocadas do tempo dos bolachinhas de 45'. E a festa já teria valido a pena até aqui... mas teve mais.



Ao cair da noite a coleção de capacetes nos cantos era tão extensa que se poderia gastar dois ou três minutos procurando o seu. Nesse interim alguém puxou a ideia de um passeio noturno, e lá fomos nós. Quase quarenta motonetas desceram a calle 52 e tomaram as ruas do Centro de Bogotá. O comboio hora se dividia nos semáforos, hora se acotovelava. E pela primeira vez na história a Praça Choro Quevedo, marco do nascimento da cidade, foi invadida por um enxame jamais visto pelos nativos e notívagos da região. As casas bicentenárias, as ruas vazias e as luzes amarelas refletindo nos acessórios cromados assopravam poesia ao final do evento. De uma forma espontânea tudo aconteceu.


E foi um encontro e tanto, histórico, especial. Para mim, pela oportunidade de ter co-produzido algo internacional com tamanha aceitação e respeito, interpretado por todos como um "legado" ("y mucho gracias a ti que integraste diferentes parches; hay gente trabajando hombro a hombro que ni conocía", escreveu Maryzabel); e para a cena cachaca, que expressiva em identidade e estética, tem em seus principais agentes um invejável potencial de realizar, do zero, coisas tão grandiosas e simbólicas que em poucos lugares da América já se viu. A sensação que fica é a de que semana que vem teremos outro, e depois outro, e outro. Só que não. Ainda.

Fidelis, Maryzabel e Bovver
Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Dra.Cereza

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

BOGOTÁ SCOOTERFEST 2014


Como já divulgamos, nosso presida Marcio Fidelis está em missão diplomática pela Colômbia. Eis que entre uma garrafa e outra com os amigos colombianos de diversos clubes foi tomada a decisão de ser realizado o primeiro SCOOTERFEST colombiano. Nós da Scooteria Paulista nos sentimos orgulhosos e ao mesmo tempo gratos pelos amigos colombianos de permitirem que essa grande semente cultural seja plantada no meio scooterista de lá! A festa também será a despedida de Fidelis, que retorna para a Mooca no fim da semana.


Para los amigos colombianos: Entre unas polas y otras se tomó la decision de realizar el primer Scooterfest colombiano. La Scooteria Paulista se siente orgulloza por plantar una semilla en esta gran hacienda donde todos son bien recibidos.

BOGOTÁ SCOOTERFEST
DOMINGO - 14 SETIEMBRE
3PM - 9PM
CRA. 13 # 52 - 10 SANTA BOHEMIA
BOGOTÁ

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

MODS vs ROCKERS NA TV UNO (COLÔMBIA)


Nesse sádado rolou aqui na Colômbia - aonde eu, Fidelis, estou - o primeiro Mods vs Rockers da América Latina a que se tem registro. O evento foi em Bogotá, capital do país, e a TV UNO apresentou em pleno horário nobre a reportagem sobre. Até eu dei uma palhinha aí. Depois conto mais...

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

MODS vs ROCKERS (COLÔMBIA)


Nesse sábado de 06 de setembro aconteceu aqui em Bogotá - sim, aqui estamos -, capital da Colômbia, o primeiro Mods vs Rockers da América Latina a que se tem notícia. E a exatos 50 anos depois da homérica batalha de Brighton (Inglaterra), aonde as tribos selaram sua rivalidade em todos os aspectos da cena juvenil, incluindo o estilo de viver em duas rodas. 

Fabio Croce Much e eu, Marcio Fidelis, aqui estamos, para rever amigos e prestigiar esse evento que, para nós, tem um quê da nossa história em Vespas na zona leste de Sao Paulo. Viemos de aviao e fomos muito bem acolhidos por todos os que encontramos, sobretudo o Vespa Club Bogotá, nesse momento capitaneado pela Maryzabel Cardeñas.

O evento foi sensacional, lúdico, perfeito. Além disso, os clubes e crews daqui se mobilizaram com a nossa chegada e preencheram o calendario da nossa estadia com diversos giros e visitas. Mary nos emprestou uma Vespa, a La Pelada, e nos deu carta branca para rodarmos sozinhos pela city. Em outras palavras, estamos nas nuvens.

Assim que puder, postarei os vídeos, reportagens, fotos e relatos. Saludos desde Locômbia.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

XI ENCONTRO DE LAMBRETTAS, VESPAS E MOTOS ANTIGAS DE JUNDIAÍ

No penúltimo domingo de agosto aconteceu o XI Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí, oficialmente o mais tradicional da categoria. O evento reuniu mais de 60 motonetas e 90 motocicletas ao todo - meu "achismo" -, e mais uma vez saiu tudo excelente. Eu, Fidelis, participo desde a edição número 4, e a conclusão que chego é que o São Pedro Lambretteiro (padroeiro do Motonetas Clássicas Campinas e amigos) costuma abençoar o Clube da Lambretta de Jundiaí nesse evento. Nunca choveu. Fica abaixo as linhas de Gustavo Delacorte (Santos) e Rafael Piera (Itatiba), membros da SP, que repartem conosco um pouco das percepções desse domingo legal.


Relato de Gustavo Delacorte

Ainda de ressaca pela "Copa das Copas", chegou a hora do XI (sim, 11º!) Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí, o evento mais tradicional da categoria no país, organizado pelo Clube da Lambretta de Jundiaí.

De Santos, saímos eu (Gustavo), Luca e Francesco (o Perucchinha). Sob forte neblina, deixamos a cidade para encontrar o pessoal que se concentraria no Largo do Arouche, em São Paulo. Faltando cerca de 3 quilômetros para o fim da subida da Serra a vespa do Luca apresentou um problema na embreagem que, infelizmente, não foi possível resolver na estrada. Ligamos para a Ecovias, que fez o socorro, e segui o roteiro em vôo solo, seguindo direto para o segundo ponto de encontro, em Pirituba.

Lá encontrei alguns amigos que já haviam chegado, e em poucos minutos a galera que se concentrou no Largo do Arouche chegou. Cafés tomados, águas do joelho aliviadas e tanques cheios, a turma se preparou para seguir em comboio rumo ao encontro. E que comboio!

Foi bonito ver dezenas de motonetas perfeitamente alinhadas em zigue-zague, eram 30 motorinos, ainda mais escoltadas por uma bela pick-up antiga, vermelha e branca, que na caçamba levava uma linda Lambretta LD. Outro ponto positivo é que nenhuma motoneta ficou "na rua". A turma tá tinindo!


Depois de bons quilômetros na Anhanguera, chegamos ao evento, que já estava lotado com muitos novos e velhos amigos. Na parte externa, dezenas de motonetas, entre elas Lambrettas LD, LI, Cynthia, Standard, TV (se não me engano), Motograziela, Vespas PX, Originale, Super, M3 e M4, muitas delas guerreiras urbanas e outras verdadeiras modelos de desfile. Todas reunidas pelo mesmo propósito, conviver em motonetas! E foi regado a pastéis, churrascos, suco de cevada e óleo 2 tempos que terminamos a agradável tarde em Jundiaí. Deixo aqui os parabéns ao Clube da Lambretta de Jundiaí pelo evento!






Relato de Rafael Piera


Dia 16 foi meu batismo na Scooteria Paulista e dia 24 meu primeiro encontro de motonetas pela associação. Aquela vontade de estar com ela no evento. Só um problema, minha vespa estava toda desmontada, praticamente morta, devido à idade. Assim, seu primeiro sinal de vida foi por volta das 16 horas, no sábado (23/08), mas ainda com muito trabalho para ser feito. Com empenho do Tatu, de Campinas, e do Animal, de Santo André, ficou pronta por volta das 20h30 daquele sábado.

No amanhecer do dia 24/08, às 7h30, já fazendo o teste drive de aprovação, nem acreditando que foi possível, o primeiro susto: o motor travou a 65km/h, num trajeto de 14km até a casa do meu irmão, em Plena Rodovia Dom Pedro, e arrastou uns 15 metros antes de destravar. Parei assustado por tamanho susto, dei uma nova partida e funcionou perfeitamente.

Retornando para ponto de origem para fazer a saída para Jundiaí, a vespa estava muito boa, só tinha um problema no manete de embreagem, onde as marchas estavam enroscando e o curso do manete não estava sendo suficiente, e quando colocava a primeira tinha que sair de imediato se não morria. Na saída de casa, coloquei a primeira e mesma saiu em uma disparada batendo o novo retrovisor na lixeira. Desequilibrado, coloquei o pé esquerdo no chão e não alcancei a guia e a motoneta caiu no chão. Um susto, um ralado no adesivo novo da lateral e no pára-choque do paralama dianteiro.

Me reestabeleci e dei uma nova partida e saí para Jundiaí, na maciota, sem forçar o motor, mas com grande dificuldade nas mudanças de marcha. Depois de 30 km bem sucedidos até a cheguei no evento as 13h00. Chegando lá só foi alegria, enfim uma cervejinha gelada, bastante papo furado, lindas motonetas e motos antigas, lanche de calabresa em outras coisas, Conversei sobre as dificuldades com o Tatu, combinamos fazer mais ajustes na embreagem, mas primeiro tinha que fazer o retorno para casa.


No final da tarde fizemos a despedida da colombiana Elizabete e fizemos a saída da Scooteria Paulista rumo a São Paulo. No caminho, virei à direita ruma a linda Itatiba, mais 30km de estrada, não ultrapassando dos 70km/h, amaciando o motor com mais algumas dificuldades de mudança de marcha, mas valeu a pena cada dificuldade e superação. Essa é verdadeira vontade de andar de Motoneta