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sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

RETROSPECTIVA 2014

Definitivamente 2014 foi um ano intenso, produtivo, internacionalista; porém nunca fomos tão caseiros quanto nesse. Concordamos em arrumar a casa primeiro, para as visitas inclusive. Focamos na capital, nas obras da Sede, na Mostra no Museu, na recepção aos turistas e aventureiros do ano da Copa, nos encontros que organizamos já a algum tempo. Sem pressa reintegramos velhos camaradas e nos dedicamos um pouco mais ao campo da música, até porque esse clube tem a sua essência nela. Os eventos estavam lotados, as motonetas por toda parte. Destacamos aqui alguns dos principais acontecimentos


VERÃO

DIDIER WORLDTOUR (FRANÇA)- A bordo de uma Star 4 da LML o francês de Saint-Émilion chegava em nossa Sede para viver seus mais loucos dias na América do Sul. Foram 10 dias conosco, em São Paulo, em Santos, Guarujá e Cotia. Conheceu a zona leste, saiu em jornal impresso, viu black-blocks quebrando a Roosevelt, as primas da Augusta, entrou na Sede da Mancha, pulou carnaval, e caiu na real que a sua motoneta não estava era com nada. (Vale lembrar que o apoio da Free Willy foi fundamental para a sua viagem rumo ao sul). Passou dez loucos dias conosco. Depois rodou mais dois mil kms e a moto morreu de vez. Durante o ano realizou outras pela Ásia, e hoje vive na Tailândia. Recentemente escreveu essas linhas: "Hi Guys when you meet the Scooteria Paulista fun team, you never forget the good time you spend together, fantastique ambiance and warm and friendly atmosphere. Happy Christmas and New Year to all of you. Big Hugs, Grosses Bises". 

VI SÃO ANIVESPAULO - 50 Anos do Golpe de 64 - Um grande encontro, as ruas de São Paulo tomadas. Da zona sul à norte, com motonetas de um monte de cidades de longe, a começar por Saint-Émilion, do sul da França (Didier e sua St4r). O evento por fim foi sediado na Piazza Zini, um cantinho italiano do bairro do Limão, e ali passamos uma tarde completa, do sol à chuva, encerrando as atividades com um show dos lendários Gasolines (surf music instrumental). Foi bárbaro!! 

FRANCISCO SEPÚLVEDA & IVANA em TRAVESÍA VESPA (EQUADOR) - A bordo de uma Vespa PX150 e na companhia da nova namorada argentina o médico equatoriano Francisco Sepúlveda, passou duas semanas conosco em casa. Conheceu bem a capital, São Roque, São Sebastião e outras tantas pelo Estado. Participou do encontro do Vespa Club São Roque, e do Acampamento de Verão que puxamos pro litoral norte. Sem esquecer do imenso apoio da Free Willy, e do Animal Taylor (Motonetas Clássicas Campinas). O casal já completou sua viagem e hoje está de férias na Espanha. Um filme sobre paixão, Vespas e América do Sul.

ACAMPAMENTO DE VERÃO - Da viagem na chuva ao sol de Cambury, em São Sebastião, a saga foi incrível. Dois dias de estradas, festividades, praia e histórias inéditas em rodovia, com a ilustre presença dos aventureiros Francisco Sepúlveda (Equador) e Ivana (Argentina). Quando uma dúzia faz um weekend inesquecível. 

FALECIMENTO DO "CIENTISTA" ADRIANO LEMOS - A grande dor do ano, o nosso amigo scooterboy partiu dessa para uma outra. Foi as águas de março. Nos últimos tempos não estava bem. Havia deixado a oficina, se afastado dos passeios, tendo aparecido no VI São Anivespaulo chateado com a engenhoca que botou fogo no motor da M4 a caminho do evento. Adriano era também artista plástico, de senso estético aguçado. Seus cinco anos de trabalhos em lataria nos ensinaram que personalidade é preciso, (e viver não foi preciso). Foi sepultado na Vila Formosa, era tarde de garoa e frio, do mais triste cortejo dois-tempista que vivemos.

OUTONO
LANÇAMENTO ALMANAQUE MOTORINO #3 - Com feijoada, chorinho e o contry do conjunto Brazilian Cajuns no Bar do Jorge, esse pareceu ter sido até agora o mais divertido programa literário da "editora", trazendo amigos de longínquas cidades do Estado até o bairro da Mooca.

V ENCONTRO NACIONAL - POÇOS DE CALDAS, MG - Abrimos as atividades de maio na estrada, a caminho do sul mineiro pela quarta vez, agora por rotas diferentes. Um encontro de alta qualidade organizado pelo Poços Scooter Club; vivemos um momento incrível de comunhão inter-clubes, com estrutura de exposição, música, feira, gastronomia, passeios, zona rural, kartódromo, cristaleria. Era imperdível, fomos em doze, chegando por todas as estradas, com o Oskarface em seu melhor show, e quase todos visitantes em comunhão com a cena nacional.

ROY ELLIS EM SÃO PAULO - Para quem gosta de música jamaicana e scooterismo inglês esse foi um dia histórico. Entramos no apoio ao evento, capitaneado pela Move on Sounds, que levou nossas motonetas até o Mr.Symarip. Bença Boss.

HERNÁN E O VESPA CLUB CÓRDOBA (ARGENTINA) - De férias lá partiu ele para mais um encontro internacional da categoria., dessa vez em país-natal. Chegou de carro e foi recebido pelo Vespa Club Córdoba, que o levou para um passeio incrível em Vespas, para o Malta Bar e o encontro com o amigo Nano Aliaga.

MOSTRA: VESPA, UM ÍCONE ITALIANO - Foi uma exposição de dois meses que aconteceu no Museu da Casa Brasileira, um dos mais importantes da cidade. Na ponta o Istitutto Italiano di Cultura e suas atividades com foco na Copa. Por trás a Fondazione Piaggio, e a Scooteria Paulista de consiglieri, cedendo motonetas da frota e materiais de consulta e exposição ao IED, e abrindo o evento com dezenas de pilotos da vida real. Foram dois meses de exposição, 18500 visitantes, milhares de catálogos distribuídos. A Vespa é Pop. Presença dos colombianos do Tuk Tuk.

DE CABO A RABO (COLÔMBIA) - Sebastian, Esteban (Milena) e a cadelinha argentina Maracanã decidiram parar em São Paulo depois de um ano pelas estradas da América do Sul num Tuk Tuk Bajaj, tendo vindo da Patagônia para ver a pátria jogar nos telões das Fun Fests. Foram três semanas em casa, apertados em meio as obras. Hoje o Tuk Tuk está estacionado na Bahia, aonde um dos dois decidiu morar. Os outros voltaram para a Colombia. Probabilidades da tour prosseguir com novos membros a partir de janeiro.

VESPAROLLIANDO EL SUR (COLÔMBIA) - Elizabeth Benítez é a primeira aventureira internacional desse calibre a que se tem notícia em toda a América. A bordo de uma Star 4 LML ela saiu de Medellín e deu uma volta na América do Sul, parando por aqui, e indo e vindo, em meio às obras, à Copa, aos problemas com sua motoneta, com suporte e apoio da Free Willy, da SP, e Motonetas Clássicas Campinas. Viajou pra Paulínia, depois pra Jundiaí, esteve na re-inauguraçao da nossa Sede depois da Copa. Seu espírito livre e espontâneo é o de uma típica paisa de Medellín. Aliás, a pouco ela chegou em casa.

A BRAZIL EN VESPA (ARGENTINA/URUGUAY) - O argentino Ariel Molfino, dos Scooteristas Marginales, a bordo de sua Vespa VB1 1957 subiu num par de aro 8 de Punta Del Diablo (Uruguay) até a SP, deixando saudades em todas as partes: São Paulo, Santos, Jacareí. Com assistência da Free Willy em São Paulo e do Empório Motoneta em Santos.

GIRO AO PICO DO JARAGUÁ - Meio que espontaneamente no Grupo virtual foi nascendo essa idéia de um giro seguido da visitação à Mostra Vespa Um Ícone Italiano. Puxada pelo Motonetas Clássicas Campinas o encontro deu muito certo e reuniu como que quarenta dois-tempistas.

SCOOTER FOR GOALPOSTS (INGLATERRA) - Chris Hallett, de Londres, a bordo de uma Vespa GT350 com sidecar partiu para o mundo atrás do sonho do taça. Entre um jogo e outro Chris comparteceu para um fim de semana divertido conosco, entre São Paulo e Paulínia, tendo acompanhado um legítimo Desafio de Motonetas brasileiro, e me honrado (a mim, Fidelis) com a carona no seu sidecar até lá. Hoje está em casa, organizando os registros dos vinte e tantos países pelo qual passou. Pediu nosso endereço, vamos ver o que vem por aqui.

INVERNO
DESAFIO DE MOTONETAS - Acontecimento especial de dois anos das corridas amadoras de Vespas e Lambrettas organizado pelo Motonetas Clássicas Campinas e amigos no Kartódromo de Paulínia. Presença do britânico Chris Hallet em sua Vespa GTS e da colombiana Elizabeth Benítez na St4r.

II GIRATA D'INVERNO - (A original) Nesse 9 de Julho levamos a Girata para Embú das Artes, numa frota de quarenta e tantas motonetas pela Regis Bittencourt. Um marco nas formações de comboio rodoviário. Que pintura! Presença do argentino Ariel Molfino em sua VB1 e da colombiana Mayra Garcia.

XI ENCONTRO DE LAMBRETTAS E VESPAS DE JUNDIAÍ - O mais tradicional encontro da classe no Brasil recebeu mais de setenta motonetas, além de motos e outros veículos. Organizado pelo Clube da Lambretta de Jundiaí, nessa edição esteve presente a colombiana Elizabeth Benítez com sua St4r.

MODS vs ROCKERS (COLÔMBIA) - O primeiro evento oficial dessa categoria com foco principal nos veículos em toda a América Latina aconteceu longe de casa. E para lá nós fomos: Fabio Much e Marcio Fidelis, de avião, com casa e Vespa reservada pelo Vespa Club Bogotá. Um grande encontro organizado pela Triumph, com viagem em comboio, música, exposição, stands, corrida de motonetas, provas de arrancada e clubes de Bogotá e Medellín.

BOGOTÁ SCOOTERFEST (COLÔMBIA) - O primeiro evento "50% motoneta 50% música" do país foi um legado da Scooteria Paulista para os bogotanos - como descreveram eles-, quando a campanha, sob os cuidados do Mi Corazón Late en 2 Tiempos, reuniu 50 motonetas dos grupos Vespa Club Bogotá, Moonstomp Riders, Mottoretos D.C. e Vespañééé Club, numa tarde histórica com DJ's, stands, sorteios e giro noturno.

PRIMAVERA
DESAFIO DE MOTONETAS -Um fim de semana divertido no Kartódromo de Araraquara aonde se reuniu calouros e veteranos na pista de corrida, numa dobradinha entre o Motonetas Clássicas Campinas e Os Intocáveis, da cidade. 

V RADUNO DA PRIMAVERA - Considerado pelos experientes estradeiros como o "melhor Raduno de todos", foram dois dias de estrada, amigos, mar, música, bar, e cerca de 50 motonetas no evento. Mais uma vez entre Santos e Guarujá, agora com show especial da cantora canadense Jenny Woo. Destaque para a formação de comboio. Outra pintura!

VESPARICANA (ALEMANHA / TRÊS AMÉRICAS) - Em novembro recebemos o alemão Alexander Eisheid e sua Vespa PX125. Foram dez dias conosco, entre São Paulo, ABC, Santos e Mairiporã. Alex marcou história no clube deixando um legado carpinteiro em nossa Sede. Nesse momento está em Punta del Diablo no Hostel do Ariel Molfino.

FIM DE ANO DA FREE WILLY - Passeio dos clientes e amigos da loja até a cidade de Mairiporã. Reuniu-se mais de trinta Vespas rumo a um tradicional restaurante e centro cultural à moda antiga. Presença do alemão Alexander Eisheid e sua PX125.

DIA DEL SCOOTER CLÁSICO VI (ARGENTINA) - É a terceira vez que visitamos esse encontro, e foi a primeira que aconteceu fora da capital. Organizado pela Red de Vespistas Argentinos, o DSC dessa vez migrou para Arrecifes. Fabio Much e Gabriel Vesparock tomaram o vôo até lá, e tiveram do clube organizador duas Vespas para a viagem e giros locais. Foi um encontro emocionante, com direito à homenagem em forma de camiseta. E "Two Tone" tem 2T's.

PARQUE DA MOOCA - Em todo o terceiro domingo do mês acontece um tradicional encontro de autos antigos promovido pela A.P.V.A.E.S.P. Em quase todos comparecemos.


Findamos o ano cansados, até mesmo no vermelho. E valeu cada momento, cada dia, debate e suor. Temos muito carinho pelo que fazemos, é tudo coração. Trabalhamos todos os dias na SP, nos detalhes, na informação, e perdidamente resistimos, expandindo quando dá; e sempre, sempre da maneira mais independente possível, como quando nascemos em 2010. Podemos parecer qualquer coisa de bom ou ruim para quem está de fora, mas você pode ter certeza de que somos bem reais, brutos, tradicionais, mas somos aqueles por quem procurávamos. Estacionamos em 1998 (e até que fomos bem longe na Era do CDI). Agora é botar os pés pro alto e meditar um pouco. E porque não gostamos de rotina, pra variar 2015 vai ser bem diferente.

E outra vez o nosso muito obrigado a todos os leitores desse blog, scooteristas que rodaram conosco e participaram das chamadas, marcas e empreendedores que investiram e apoiaram os projetos, clubes parceiros e amigos que nos apoiaram, nos enchendo de moral até quando não merecíamos nada.

*A foto acima foi feita em um evento nosso; nem todos são membros, mas todos são amigos. Para saber quem somos.
*Não contamos como Calendário as reuniões semanais em nossa Sede, as recepções de gringos com objetivo unicamente turístico, os giros espontâneos, os shows de rock'n'roll, os bares, encontros casuais, e eventos com fundamento diplomático duvidoso.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

VESPARICANA E A SP (Alemanha / 3 Américas)

A bordo de uma P125, a mais baixa cilindrada já vista rodando as Américas a que se tem notícia, o alemão Alexander Eischeid viaja o continente de ponta a ponta. Seu projeto, batizado de Vesparicana, consiste em percorrer por solo do Alasca à Patagônica. Até o momento já foram 56 mil kms em um ano e meio de estradas. Falta pouco: mais três países e pronto. Só que não será tão fácil assim, tem mais 18 mil kms de chão até o dia 13 de março, quando embarcará de Buenos Aires para Körl, cidade-natal. Nesses quase cinco anos de Scooteria recebemos dezenas de viajantes da América e da Europa, e todos eles carregam algum estilo na moto, e Alex não foge à regra, e seu avatar era dos mais curiosos: uma legítima motoneta dos "Correos" da Espanha. Contaremos aqui um pouco sobre a passagem desse mensageiro da Alemanha.
(Parte 01, São Paulo e ABC, por Marcio Fidelis)


Terça-feira de 25 de novembro e eis que chega em nossa Sede o nobre aventureiro. Esperávamos por ele, e ele por nós. Aden Lamounier lembrará dessa por muito tempo, a surpresa de ouvir isso no primeiro brinde com Alexander: "no México os vespistas falavam que se viesse ao Brasil procurasse a Scooteria, na Colômbia, no Equador, no Perú... então decidi vir conhecer vocês", contou pra gente entre umas cervejas e outras das suas primeiras horas de Mooca. Tão logo provou da caipirinha no "bar da Ju-Juvem" na Rua Javari. Ébrios cambaleamos na chuva até a Sede, cantando alto qualquer Frank Sinatra pisando nas poças do caminho, rolando na correnteza beirando a descida da Madre de Deus. Praticamente dormiu molhado. (Ouvi algo a respeito das suas capacidades etílicas lá em Medellín, por isso então o colocaremos à teste daqui em diante).

Quarta-feira, 26 de novembro. Alex dormiu muito, acordou, comeu, dormiu de novo. Estava fadigado. Durante a tarde o levei à Scooterboys, oficina de customização do Marcelo China, na Mooca. Tarde de cerveja e Yalisoba, comandado pela chef Leika Morishita. Alex ficou embasbacado com a personalidade que transpira nas paredes daquele espaço, um lado obscuro do scooterismo clássico, extensão dos anos 80 britânico, que revivalizava a sua essência, a explosão juvenil e o modernismo dos anos 60.

Quinta-feira, 27 de novembro. Estava tudo combinado para uma concentração de boas-vindas na nossa Sede às 18h. Abrimos a primeira das muitas latas da noite, e recebemos os primeiros visitantes. Veio a Rosa Freitag, trazendo o Nuno e companhia. Veio o André Lopes, o Gabriel, o Favero, Assef, Muchiba, Leo Russo, Diego Pontes e Cintia, Daniel Turiani, eu e Debbie, Aden e mais amigos que agora me foge da memória. Delacorte subiu de Santos especialmente para trazer os cumprimentos ao errante. Alex distribuiu adesivos a todos, e me presenteou com um kit de ganchos para adaptar pneus comuns às estradas de terra (off-roads). Mais tarde me daria também seu par de rodas. Ele vinha preparado para tudo, era o viajante com mais peso e bagagem de todos os que já passaram por aqui. Racional e louco, numa só cabeça.

Sexta-feira, 28 de novembro. Mais um dia de ressaca, seguida de outra e de outra. Tão logo o alemão compreenderia que de caneco éramos tão capazes quanto os seus. Alex precisava trocar a tela do notebook, e dar um rolê na cidade, claro; então lá fomos, em duas Vespas ao centro velho. Em uma hora seu computador estaria em ordem, o que o deixou embasbacado, pois na Alemanha esse tipo de serviço em eletrônica levaria dias e custaria muito mais. Passeamos pelo centro, a pé e em Dois Tempos, também pela Estação da Luz e seu Parque defronte; jantamos no Mercado Municipal (sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau), e encaramos a "hora do rush" paulistana de sexta-feira. Nessa noite o nosso amigo recobraria seus escritos de viagem, atrasados desde que seu computador quebrara, no Chile.

Sábado, 29 de novembro. A convite do Deni Roque partimos para São Caetano do Sul assistir à palestra do Finho, vocal/guitarra da lendária banda 365 ("sem São Paulo o meu dono é a solidão"), na tradicionalíssima Rick and Roll Discos (since 1987). Aden foi conosco. Lá estava o Much, Favero, Diego e Deni (com família) em suas PX. Dia esse que renderia histórias e lorotas pra vovó. Antes de escurecer tocamos todos para Santo André tomar umas e outras ao som de Jimmy Cliff na Juke Box do Bar do Ceará. (Horas depois Diego e Cintia guiaram o visitante cansado para a Sede).


Domingo, 30 de novembro. Alexander Eischeid havia me contado que era carpinteiro e trabalhava com grandes estruturas. Coincidências da vida, pedi para que ele me ajudasse no projeto da cobertura extra no quintal da nossa Sede, desenhando a estrutura e o que fosse preciso para um leigo feito eu. Com as ferramentas na mala e o conhecimento na mente, ele não só explanou sobre o projeto como começou a trabalhar ali mesmo. Aos goles no tereré paraguaio preparamos as madeiras, o corte, as medidas, e depois que o Diego e o Everton trouxeram a furadeira, botamos tudo de pé. Mais ele do que qualquer um de nós fizemos ou faríamos. Passamos seis horas de trabalho intenso. Depois de findado o primeiro passo, saímos para um rango, nas entranhas da zona leste: a Fogazza do Sr.Zé, no bairro da Água Rasa. O lugar é parecido com aqueles quiosques argentinos: uma porta estreita e dentro a família preparando as massas e servindo os petiscos nas mesas distribuídas pela calçada. Nos sentamos do outro lado, beirando a movimentada avenida Salim Farah Maluf, encostado em nossas Vespas, brindando diante de uma inimitável porção de berinjela apimentada. Alex achava tudo ali muito lúdico, inédito. Ele gostava disso, da simplicidade das coisas, da vida pelo lado popular e espontâneo. Contaria do seu sonho literário, da carpintaria, do noivado, das viagens em Vespa pela Europa, da sua família, das estradas da América. Que dia!!

Segunda-feira, 01 de dezembro. Comprei as telhas, parafusos e itens mais, e a tarde trabalhamos duro na montagem do telhado: Aden, Alexander e eu. O gringo por duas vezes chegou a cair do alto e quebrar as telhas, mas como um ninja nato se salvou se pendurando como um pêndulo entre os sarrafos já fixados, o Bruce Lee alemão. E a poucos minutos antes de cair a tempestade o nobre carpinteiro findou o projeto. Nesse meio tempo eu pintava o madeirado. Estávamos orgulhosos, e se tivéssemos mais dias e dinheiro, faríamos uma casa inteira de madeira. Passada a chuva caiu a noite, e vieram alguns amigos: Koré, China, Oliver e Andrea. Noite de seresta, pizza e breja.

Terça-feira, 02 de dezembro. Depois de uma semana conosco o nosso amigo nos deixaria para conhecer o Cristo Redentor. Bem cedo o acompanhei até a Rodovia Presidente Dutra, aonde nos despedimos com emoção contida. Todas as vezes que recebemos um aventureiro com sua motoneta me sinto gratificado. Quase sempre eles - e nós, pois também somos aventureiros sem fronteiras - chegam fadigados, sem grana, necessitando de coisas mil; e fazemos o máximo para ajudá-los. Mas esse cara nos surpreendeu, veio como um mensageiro do "faça você mesmo"; deixando-nos o legado de uma obra incrível, expandindo nossos horizontes e enchendo a nossa bola. Determinado, engatou a primeira e sumiu para o Rio, com a promessa de visitar os nossos em Santos...

(Parte 2, Santos e Mairiporã, por Delacorte)

Sábado, 06 de dezembro. Pontualidade é uma características dos viajantes. O Alex não é diferente. No dia anterior ele avisou que se conseguisse chegar no sábado seria por volta das 18h, e chegou mesmo. Logo nos cumprimentamos e seguimos para o hostel onde ele ficou hospedado. Celebramos a chegada com cerveja e depois bebemos mais algumas em um posto de gasolina, onde encontramos o vespeiro Sam, antes dele voltar ao hostel para descansar.



Domingo, 07 de dezembro. Acordamos um pouco tarde, por volta das 9h00. Na noite anterior combinamos de ir até o restaurante Velhão, em Mairiporã, onde aconteceria o almoço de confraternização de fim de ano da loja Free Willy. Alex queria rever os amigos que fez em seus dias pela Mooca e se despedir da turma. Saímos de Santos as 11h30 com o tempo meio nublado. Na subida da Imigrantes pegamos a comum neblina. Na chegada ao planalto o céu se abriu para a nossa felicidade. Alex vibrou com a maneira como o tempo virou para um dia lindo de céu azul. Aproveitamos bem o Velhão com sua incrível variedade de ambientes, comidas e bebidas juntos da turma, e por volta das 17h decidimos voltar com medo que a ameça de chuva das nuvens no céu se tornasse realidade e complicasse a nossa volta para o litoral. Felizmente a chuva não veio e chegamos em Santos antes do sol se por. Depois, nosso amigo viajante descansou até o dia seguinte.


Segunda-feira, 08 de dezembro. Dia de trabalho. Alex foi guiado por seu GPS até o Empório Motoneta, onde demos uma geral  e um banho na PX viajante. Mais tarde nos encontramos novamente, para uma volta pela cidade e depois umas cervejas. Fizemos um giro pelo centro velho, porto e orla da praia, onde paramos para comer o famoso sanduíche do Zelito, tomar algumas cervejas e prosear (observações de Alex sobre o Brasil até aquele momento). Do pior, ele ficou de bobeira com a péssima qualidade da nossa gasolina, de termos que pagar mais caro por uma gasolina um pouco melhor, que ainda assim é pior que todas vendidas pela Europa, e o quanto a gasolina brasileira faz mal para nossas vespas. Do melhor, a hospitalidade brasileira e a imensidão do nosso país ganharam o coração germânico. Entre Europa e América, Alex foi direto: "a América, com certeza, por toda a simplicidade e pelo calor humano que os países exalam". Depois dos sanduíches e da prosa fomos para a saideira no posto de gasolina e encerramos a noite.


Terça-feira, 09 de dezembro. Fui até o hostel deixar algumas de suas bagagens que ficaram em minha casa por questão de espaço e nos despedimos enquanto Alex carregava a sua vespa viajante para seguir em diante. Dei as coordenadas a ele para que seguisse rumo a Curitiba. De todos os viajantes que conheci, foi a vespa mais carregada que vi.

Alexander Eisheidt é um europeu incomum. Motivado por questões subjetivas se revelou uma espécie de beatnik dois-tempista, apesar de toda uma boa criação e prosperidade profissional. Foram dez dias conosco, o que nos encheu de satisfação, pelo visto, recíproca, traduzida no seu relato sobre nós: http://vesparicana.jimdo.com/deutsch/süd-amerika/52-mods-und-skins/

Thanx bro'. See ya, you know where.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

DIA DEL SCOOTER CLÁSICO #6

Nesse final de semana acontece a sexta edição de um dos mais emblemáticos encontros de old scooters da América Latina, o Dia Del Scooter Clásico. O evento dessa vez migra para Arrecifes, cidade a 200 kms a oeste da Província de B.A.


Estivemos nas edições de 2011 e 2012, representados pelas figuras de Fabio Much, Marcelo China e Marcio Fidelis, ambas acontecidas em Buenos Aires e arredores. Agora o evento parte para Arrecifes, cidade a 200 kms da capital. Mas não é só isso, vai rolar um comboio rodoviário e atividades para noite e dia, as que serão narradas nos próximos dias aqui pelos nossos representantes da vez: Gabriel Vesparock e Fabio Much. Nossos expedicionários partem de avião nessa quinta-feira, e terão por lá uma Vespa preparada para a SP. Desejamos sucesso e sorte aos amigos organizadores da Red de Vespistas Argentinos, e aos nossos membros internacionalistas.

sábado, 29 de novembro de 2014

O MAD MAX DE SP (1965)

O blog Transamazônica é bastante curioso, fala da história da rodovia, de bichos, povoados e memórias da família do autor, como essa, de uma viagem incrível em Lambretta LD, de São Paulo até Laguna (SC).


"Desde de garoto me lembro de termos um veículo motorizado de duas rodas em casa. Era ainda muito criança e lembro da lambreta do meu pai estacionada na garagem ou num pequeno rancho que ficava atrás de casa. Meu pai conta que quando eu tinha três anos ainda morando na Vila Maria em São Paulo ele pegava eu e minha irmã quatro anos mais velha colocava-nos na lambreta e saia pela cidade. E assim foi toda minha infância com o pai sempre saindo e chegando na velha lambreta. Algumas épocas ficávamos sem carro, mas raras vezes ficamos sem a lambreta. Mas tarde eu já aos 12 anos o pai comprou a primeira moto, uma CG 125 1982 vermelha carburador com sistema ecco revolucionário, bengalas modernas em relação ao modelo anterior. Fantástica pra um guri de 12 anos. Moto na qual comecei a dar os primeiros passeios pelo bairro.

Somado a isso lembro me ainda de uma história que meu pai conta. Ele saiu em 1961 aos 18 anos do interior do interior de Laguna para ser garçom em São Paulo. Na localidade de Madre onde morava não havia nem água encanada (algo normal pra época, usava-se a água de poço), nem luz elétrica. Em 1965 já estabelecido na cidade ele comprou sua primeira lambreta e resolve fazer uma viagem São Paulo a Laguna (Aproximadamente 850 km). Contava sempre essa história sobre os quatro dias de estrada pela atual BR 116 e BR 101, hoje totalmente asfaltada e duplicadas mas que na época eram quase na sua maioria estradas de chão e que dependiam das condições climáticas para seguir viagem. A cada parada era preciso se informar sobre as condições da estrada pra frente para poder seguir viagem. Falava sobre grandes trechos em que havia duas cavas feitas pelas rodas de caminhões e que era preciso colocar a lambreta dentro, tirar os pés das pedaleiras e ir ajudando para transpor os atoleiros.

Narrava-nos que a chegada de lambreta na Madre (de onde havia saído para ir trabalhar em São Paulo) foi algo triunfal e inacreditável por muitos. Na localidade a maior parte do transporte era feito por rios. Todos tinham um bote ou uma bateira que era usado também para pesca. Nessa época as estradas serviam apenas para transportar o gado de uma pastagem a outra, para as carroças e ainda para os raros veículos motorizados de caixeiros-viajantes que raramente passavam pela região. Foi algo como uma espaçonave descer na terra. Se já não bastasse uma lambreta ser totalmente desconhecida e inusitada a Lambretta de meu pai possuía umas labaredas de fogo desenhadas nas tampas laterais e muitas pecas cromadas (acho que meu pai na época era meio Mad Max). Quando chegou na minha avó, seus irmãos, na época todos pequenos, rodeavam a lambreta, subiam nela, queriam andar e ficavam extasiados com tal veículo".


"A empolgação foi tamanha que logo pegaram a lambreta colocaram num bote e a levaram por rio numa pequena venda (Armazém) onde era o “centro” da pequena vila. Meu pai conta que aquilo foi feito não como promoção mas como forma de compartilhar com todos algo que era eletrizante e fantástico para a região.Todos perguntavam sobre a viagem e sobre tudo, alem é claro de querer dar uma volta. Era a magia do interior que não existe mais. A TV e a Internet mataram esta magia. Dizem que a carga genética algumas vezes pula uma geração, mas acho que no meu caso ela poderá pular a próxima mas, me desculpem, não na minha vez".

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA - PARTE 2 DE 2

Nesse final de semana vivemos aquele que talvez tenha sido o mais divertido Raduno da Primavera. Foi a quinta edição, a primeira de dois dias. Ao todo reuniram-se 50 motonetas e seus destemidos condutores, das cidades de Santos, São Paulo, São Bernardo do Campo, Itapevi, São Roque, Itatiba, Campinas, Osasco, Guarulhos e Araraquara. A invasão na "Brighton brasileira" aconteceu nesse final de semana. Contaremos aqui a segunda parte disso.


Domingo de sol e céu aberto. Um dia perfeito para a parada na praia. Pelas 11h abastecíamos a frota resistente de vinte motonetas que tocaria até o Guarujá. Macruz, Edelcio e um velho amigo dos nossos subiriam a Imigrantes naquele instante, estavam em duas Lambrettas LI's e uma Vespa. Os Intocáveis estavam a caminho de Araraquara. Buzolli e sua amiga tinham subido bem cedo, também o Volpato. Da capital chegava o Paulo "De Vito" e o Senna. No agrupamento estava também o Delacorte, Luca Perucchi e sua cachorrinha, Diogo, Vitor "Ernest", Piera "Itatiba", Everton, Favero, Reginaldo/Rose, Much, André/Alessandra, Aden, Edu Parez/Silvia, Maturino e seu pai, eu etc. (Peço desculpas aqueles que não cito, é por esquecimento, e assim que me lembrar ou for lembrado, adiciono a esse post).


Um dos momentos mais emblemáticos do Raduno é a travessia Santos-Guarujá pela balsa. São quatro eternos minutos, talvez cinco. Debaixo de um sol pra lá de forte, daquele céu azul de primavera paulista, tocamos até a Praia do Tombo, a de costume. Por lá nos estenderíamos por três horas ou um pouco mais, para almoço, prosa, banho de mar.


As 16h em ponto dobrávamos a esquina rumo à Piaçaguera-Guarujá, acesso à Rodovia dos Imigrantes. Delacorte foi na frente, e guiou alguns para um caminho em obras que dividiria o grupo para a volta, levando Diego/Cintia, Everton e Senna a se perderem da gente. A subida foi tranquila, em quinze motonetas. Nos mantínhamos à direita, sempre sinalizando a cada ultrapassagem ou mudança de faixa. Apesar do tráfego da volta do feriado, nos sentíamos tão seguros quanto na ida. Creio que a única dificuldade de fato se deu na entrada da cidade grande, quando o trânsito parou por conta de um acidente qualquer.


Essa foi a quinta edição do Raduno da Primavera, um evento que é especial porque acompanha a história da SP e porque talvez tenha sido o primeiro 100% scooterista clássico rodoviário contemporâneo... (affff que palavrório). Bom, ficamos assim então, ano que vem repetiremos os dois dias, melhorando as questões de hospedagem e turismo. Muito obrigado a todos os participantes, de Santos, São Paulo, São Bernardo, Itatiba, Osasco, Guarulhos, São Roque, Itapevi, Campinas e Araraquara.

Agradecemos imensamente o apoio do Empório Motoneta (Santos), da The Firm Records (Santo André), da Free Willy Moto Peças (São Paulo), Trackers (São Paulo), Santos Hostel e Jenny Woo Oi! Project (Canadá).

Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Karla Jales e Fidelis.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA - PARTE 1 DE 2

Nesse final de semana vivemos aquele que talvez tenha sido o mais divertido Raduno da Primavera. Foi a quinta edição, a primeira de dois dias. Ao todo reuniram-se 50 motonetas e seus destemidos condutores, das cidades de Santos, São Paulo, São Bernardo do Campo, Itapevi, São Roque, Itatiba, Campinas, Osasco, Guarulhos e Araraquara. A invasão na "Brighton brasileira" aconteceu nesse final de semana. Contaremos aqui em dois tempos.



Sábado de sol com chuva. Amanheceu no Posto Frango Assado a boa-nova do céu azul; quilômetros abaixo não seria tão assim. Não queremos chuva na estrada, e São Pedro Lambreteiro costuma aliviar pra geral, mas o Raduno ele não perdoa, ele cisma. Às 10h45 saímos do Frango Assado. (Tive contra-tempos com uma roda que parecia soltar, mexi nela em casa, troquei ela na concentração. Não mudou, fui assim mesmo. O atraso foi minha culpa, sorry). Descemos a Serra em 32 motonetas, outros desceriam horas depois, outros no dia seguinte. Era admirável ver aquela "formação de comboio" tão insistida e discutida em outros Radunos. No km 25 eu olhava para trás e via todos em suas posições, deixando o centro do comboio livre. Uma pintura! Deixei a ponta do grupo voltei para o meio, para auxiliar na comunicação e no que fosse preciso. Passamos o pedágio e inclinamos as rodas na descida da Serra. Vieram os túneis, suas luzes, e toda aquela acústica lúdica: o som do Raduno. E lá no fim deles, a chuva, e com ela, o trânsito. Encostamos embaixo da Ponte da Imigrantes sentido capital. Era preciso represar o grupo, botar capas e repensar o comboio naquele trecho final. Teríamos mais vinte minutos de água até Santos. Nossas roupas secariam lá na mesa do almoço.


Santos estava ótima, até que calma, visto que era sábado de feriado (Proclamação da República). Delacorte conseguiu uma vaga a 200 metros da orla, na Conselheiro Nébias, e por lá ficamos. Era um bar que servia almoço, ou vice-versa. Coubemos ali e ficamos assim, combinado para as 15h a saída para um giro. Nisso foi chegando gente, de Santos, o Eric, Maturino e pai, Breno, Ilídio; de Araraquara, Os Intocáveis; e mais de São Paulo, Alex e a Free Willy. Devido a atrasos por problemas mecânicos numa PX, estendemos a saída em uma hora.


Tocamos para o Valongo/Museu Pelé, e região portuária, acompanhando assim parte da frota que subiria a Imigrantes: Koré, Guilherme Rocha, Poló, Dario, Roberto, Fiilizola, Álvaro, Daniel, Robson, Alex, e alguns que vou lembrando. Dos clubes, estavam ali o Motonetas Clássicas Campinas, os Vespeiros e o São Roque Vespa Clube. Aliás, desse último, um ficou, o Ed Purga; sua PX teve os prisioneiros da roda traseira comprometidos durante o passeio, e quase rolou um chão por causa disso. A pick-up do Empório Motoneta foi ao seu socorro, já nós, para a hospedagem. Depois do check-in a turma foi para o banho ou para o bar. Vitor Hugo "Ernest", Rafael Piera "Itatiba" e eu improvisamos um palco até que decente, com os amplificadores da casa - um deles do Much -, com os pedestais do Itatiba, a logística e apoio primal da The Firm Records. Tocamos os trabalhos por uma hora e meia de tentativas até acertarmos o palco, e repararmos as condições elétricas do espaço. Improviso e estilo.


JENNY WOO (Canadá)

Jenny Woo (Canadá)
21h e vinha um cheiro de chuva no ar. Jenny Woo, a skinhead girl canadense pegou o seu violão e deu início a um concerto que valeu por uma banda toda. Voz e violão, e uma performance que muita gente ali nunca viu, nem no rock. Jenny Woo consegue, ela atrai o público, qualquer público. Tocou as suas, novas e antigas, tocou Cock Sparrer, Last Resort, Perkele. A crucificada transformou água em vinho, chamou o público para o côro e tirou bis e mais bis dos dois-tempitas. E tinha bem umas 50 pessoas ali. Começou a chuva, e ela não parava, e suava. Metade ficou à frente, outra metade atrás da chuva, dois metros depois. Na rua as Vespas, dos dois lados, sob a luz do poste, espelhando na água do chão. Foi mesmo divertido, Deni e Evlyn tinham chegado da Praia Grande, o Diego e a Cintia curtiam inclusive a amizade que rolou. Combinações inusitadas, como a Lambretta do Macruz fazendo o fundo do palco de um projeto Oi!, ou o Buzolli num cumprimento inusitado com Jenny, ou mesmo a própria tocando Drinking and Driving, do Business, em pleno Raduno. No fim do show ela presenteou a turma com um CD para cada participante, agradecendo a todos muito, até ficávamos sem jeito. Jenny me pediu uma dedicatória no cartaz do Raduno - me chamava de "the presidente" -, e me pediu um passeio de Vespa. Yeah!!! Do jeito que a gente gosta!!! Reunimos o grupo e saímos então, em vinte motonetas pela cidade até a orla, até a Praça das Bandeiras, aonde faríamos uma foto tremida, e a sua despedida. E Jenny e a Firm se foram, subiriam de carro até o ABC, pois no dia seguinte faria um show no Rio de Janeiro. Foi incrível a sua passagem por aqui, inclusive na sexta-feira em São Caetano do Sul, quando tocamos com ela, nossas bandas: W.A.C.K., Beber's Operário e Oskarface. Nas últimas cervejas da noite parecíamos ter visto um cometa passar no Raduno. Foi um dia difícil, para a organização sobretudo, compensado pelo sucesso que na madrugada dormia na consciência da gente. E ainda tem o domingo...




Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Delacorte, Tuca, Eric Augusto e Cintia.

domingo, 16 de novembro de 2014

XV DE NOVEMBRO DE 196?


Esse desfile da Proclamação da República aconteceu há cinquenta e alguns anos. E as Lambrettas estavam lá, inclusive o modelo Lambro, todos pela Rua XV de Novembro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MOTOBALL COM LAMBRETTAS #2 (SANTOS)


Durante os anos 70 uma geração de lambrettistas superaqueciam o calendário paulista e nacional com diversas atividades. Lá em Santos um dos agitadores, tanto para o lazer como para o esporte, era o Chicão Velasco. Ele puxava corridas, passeios, as customizações da baixada; e além de todo um estilo de vida, o mito caiçara também começou por lá (e algumas cidades de SP) o Motoball, um futebol de areia jogado sobre rodas. (Fonte: Blog Lambretta Brasil.)


Para te lembrar do V Raduno da Primavera, que acontece no próximo final de semana. Siga as instruções do link e se guarde a data.

*Somente motonetas clássicas: Vespa, Lambretta, Bajaj, Star, Cezeta...
Em caso de dúvida entre em contato com a gente: scooteriapaulista@gmail.com

sábado, 8 de novembro de 2014

A LAMBRETTA E O BONDE DE SANTOS


Aos dois minutos uma Lambretta ultrapassa o bonde.

Para te lembrar do V Raduno da Primavera, que acontece no próximo final de semana. Siga as instruções do link e se guarde a data.

*Somente motonetas clássicas: Vespa, Lambretta, Bajaj, Star, Cezeta...
Em caso de dúvida entre em contato com a gente: scooteriapaulista@gmail.com

terça-feira, 4 de novembro de 2014

CALENDÁRIO SCOOTERIA PAULISTA 2015


Estamos preparando essa coisa fina e inédita no Brasil, e o tema da vez, puxado pelo fotógrafo Sergio Andrade, é "Scooters & Girs", apresentando as meninas do clube. Os calendários serão distribuidos por toda a galáxia a baixo custo. 

ANUNCIE sua marca/serviço/projeto pela bagatela de 100 Reais. Escreva pra gente para mais informações. Em breve nas borracharias e banheiros de estrada.

domingo, 2 de novembro de 2014

CONTRATO DE TRABALHO NA LAMBRETTA DO BRASIL


Por um pouco mais de um ano a nossa colaboradora Eloisa Nogueira trabalhou na Lambretta do Brasil S/A, na fábrica da Vila Anastácio, zona oeste de São Paulo. Isso se deu entre 1963 e 1964, quando a produção do modelo LI estava a toda. Entrevistamos Eloisa no Almanaque Motorino #2 (capa preta), e lá ela contou da sua experiência. O fanzine esgotou ainda no final do ano passado, mas devo dizer que no futuro faremos algo a respeito. Eloisa vive hoje em Novo Horizonte, aonde guarda com orgulho memórias dos tempos em que foi eleita Miss Lambretta. Tinha dessas...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

MESBLETA, A MOTONETA DA MESBLA


"A Mesbla foi uma cadeia de lojas de departamentos brasileira" que marcou o século XX, e o Wikipédia pode contar para a nova geração o resumo dos seus altos e baixos. Em São Paulo ela se instalou por exemplo na 24 de Maio, na Av.dos Estados, na Rua Butantã etc. Isso dito para contar pra vocês que no início dos anos 60 a rede batizou um charmoso brinquedo de Mesbleta, e esse cartão promocional hoje figura na parede da nossa Sede.

sábado, 25 de outubro de 2014

PAGANDO PROMESSAS


Semanas atrás Sergio Andrade fotografou essa imagem da oficina do Sr.Galvão, em Taubaté. Lá tem mais. Foi num desses pagamentos de promessas que muito se fazia (e se faz) para Aparecida do Norte em duas rodas. No caso temos duas Vespas. O Sr.Galvão era policial e árbitro de futebol também. E falando em promessas, que tenham todos um bom domingo de eleição presidencial.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

FIDELIS S.P. NA "VESPA RIDE TV" (COLÔMBIA)


Durante minha estadia na Colômbia, em setembro, dei uma entrevista em "portunhol" para a Vespa Ride TV (web), contando um pouco da minha vida em Vespa. Isso foi em Medellín, com a La Pelada, um regalo de Maryzabel (Vespa Club Bogotá/Mi Corazón Late en 2T) para mim durante 14 dias em território colombiano. Como estraño todo eso...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA


A Scooteria Paulista convida:

V RADUNO DA PRIMAVERA

DIAS 15 E 16 DE NOVEMBRO

PROGRAMAÇÃO PREVISTA:
**SÁBADO (15/11) 
Concentração - 9h30 - Posto do Frango Assado (KM 3 Rod. dos Imigrantes)
Almoço - 13h30 em Santos
Giro pela cidade - 15h30
Pocket Show "Jenny Woo" (Canadá) com local a ser definido - 19h
**DOMINGO (16/11)
Concentração - 10h - Santos Hostel
Travessia da balsa Santos-Guarujá - 11h
Almoço - 12h - Praia do Tombo/Guarujá
15h30 volta para casa

Opção de hospedagem:
SANTOS HOSTEL
Quarto misto - R$ 36,00
Quarto feminino/masculino - R$ 40,00

PARA FAZER A RESERVA: 
Entrar em contato através do e-mail contato@santoshostel.com.br. telefone (13) 2202-4566 ou pelo Facebook: https://www.facebook.com/santos.hostel
*É necessário efetuar o depósito de metade do valor da diária escolhida para que a reserva seja confirmada. O hostel fornece roupa de cama. Toalhas, alugam por R$ 4,00. 


Arte por Leonardo Russo

domingo, 19 de outubro de 2014

CHÁCARA DAS CARPAS


Luiz Piscioneri Netto na sua Lambretta LD no início dos anos 60.
Parece que a foto foi no tradicional restaurante Chácara das Carpas, em Jundiaí.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

DESAFIO DE MOTONETAS - ARARAQUARA

*Relato por Gustavo Delacorte

O post é atrasado, mas não poderíamos deixar passar em branco aqui no blog a última edição do Desafio de Motonetas, que aconteceu no Kartódromo Adalberto Cattani, em Araraquara, no dia 21 de setembro. No dia anterior, houveram treinos, mas não pode participar.


Como já é tradicional, amigos de várias cidades estavam presentes, tanto para participar quanto para prestigiar. No dia da corrida, cheguei a tempo de pegar os primeiros treinos livres. A pista ainda estava molhada da chuva que caiu algumas horas antes, mas a vontade de acelerar e testar a adaptação na frente da nossa corredeira era maior que o medo, então procurei não deixar de aproveitar, mas com cautela.

Ainda assim, não pude evitar de escorregar em uma curva e ir ao chão. Felizmente, o tombo foi leve e voltei aos boxes para verificar se havia acontecido algo com a vespa.

Na tomada de tempo, a pista estava mais seca e logo fui acelerar. Procurei aproveitar ao máximo para tentar pegar as manhas da pista e não ficar tão longe do pelotão dos mais rápidos: Murari com sua super lambretta preparada, Privato com sua vespa turbinada, Serginho com sua PX quase original e sua pilotagem de maestro e Edu com sua Malossi invocada.


A cada volta tentava abusar um pouco mais, mas como a pilotagem estava bem diferente, devido a distância entre-eixo ter ficado mais curta, acabei não conseguindo nos treinos me adaptar como queria para poder acelerar ainda mais. Um novo tombo, agora no segundo treino, era o aviso de que não seria naquela etapa que eu me acostumaria com o novo jeito da "criança".

Na classificação para a corrida, acabei fazendo o quarto melhor tempo. Certamente seria o quinto se a lambretta do Murari não tivesse aberto o bico no treino anterior. Com isso, o terreno ficou livre para o Privato ficar com a pole, e com folga dos demais. Logo em seguida, Serginho, Edu. Através de mim vinham Texugo, Gilmar Seguro, Edivan Ribeiro, Leonardo Freitas e o Tatu.


Na largada fui muito mal, vacilei, fui ultrapassado pelo Texugo e já ia sendo ultrapassado por Gilmar na primeira curva, mas emparelhei e recuperei o embalo. No fim da reta oposta consegui ultrapassar o Texugo e me preparei para ir a caça do Serginho e do Edu.

A cada volta percebi que conseguia tirar um pouco da distância e projetei que talvez nas últimas voltas brigaria com os dois, mas logo na terceira volta dei bobeira no "S", depois da primeira curva, comi grama e passei por um enorme buraco (!) escondido atrás da zebra. Determinado a acelerar, acabei não levantando a bunda do banco e, com a pancada da roda traseira no buraco, levei um coice da vespa bem no cóccix (aquele osso da bunda que dói pra cacete quando levamos um tombo). Vale ressaltar que, depois da corrida, o Boca (responsável pela pista), prontamente informou que providenciou o reparo necessário no local do ocorrido.

A dor foi tanta que a visão ficou turva por alguns segundos e cheguei a pensar em parar, mas como havia viajado muitas horas para estar ali fiquei na pista. Devido ao desconforto, não dava mais pra acelerar nas curvas, então passei a administrar minha posição em relação ao Gilmar Seguro, que vinha se aproximando a cada volta. A minha sorte é que a corrida já estava acabando, então consegui manter o ritmo e terminei a corrida na mesma posição que larguei, no quarto lugar. Privato ficou em primeiro, disparado, seguido por Serginho, Edu, eu, Edivan Ribeiro, Texugo, Murari (que correu com a vespa do Tatu), Gilmar Seguro e Tatu.

A próxima edição do Desafio de Motonetas acontece no dia 20 de outubro, em Barra Bonita (SP). A corrida estará na programação do evento "Corrida Pé na Tábua", que envolve diversos veículos antigos e nessa edição especial terá somente motos, vide cartaz abaixo.


sábado, 11 de outubro de 2014

BOGOTÁ SCOOTERFEST 2014 (VÍDEO)


Esse foi o Bogotá Scooterfest 2014, um evento diferente no qual grandes clubes se uniram para um despedida de peso para euzinho, Marcio Fidelis: Mi Corazón Late en 2T, Vespa Club Bogotá, Mottoretos Bogotá D.C., Moonstomp Riders, Vespañée Club, Vespa Club Medellin e SCOOTERIA PAULISTA. Ano que vem tem mais!?!?!?!? Obrigado Alejandro Galeano pelo vídeo fantástico.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

LOCÔMBIA: DUAS SEMANAS DE COLÔMBIA (Parte 03 de 03)

Foram 14 dias entre Bogotá, Medellín, El Carmen de Viboral, Bello, Rionegro e outros povoados. 1200 kms rodados com La Pelada, a Vespa PX150 cedida por uma das pessoas mais ativas e contagiantes da cena old scooter da América do Sul: Maryzabel Cárdenas (Vespa Club Bogotá / Mi Corazón Late en 2T). Contei de Bogotá, contei do departamento de Antioquia. Agora, encerrando o assunto, volto pra capital, quando assino contrato com a seleção dois-tempista da Colômbia.


Domingo, 14 de Setembro. Acordamos as 5h, Juan Montoya e eu, na Cabañas Hotel, uma pousada na mata que circunda o vilarejo de Rio Claro, pertencente ao município de San Luis, Departamento de Antioquia. Sem delongas ligamos as Vespas e partimos; teríamos 320 kms pela frente ainda, sete horas. Seguimos concentrados apesar do sono. Não sei se acontece com todos, mas comigo é chapante, eu sonho acordado, interajo na vida real ouvindo vozes das últimas pessoas que estiveram comigo, dos meus pais, e dos caras do meu clube por exemplo. (É muito louco isso). Em meia hora passávamos pela Hacienda Nápoles, e na sequência pelo largo Rio Magdalena. Valia uma foto, mas com sono e sem tempo, nem cogitamos parar. Cortamos Palonegro e saímos na encruzilhada de acesso à Ruta 45. O povo acordava cedo e abria as janelas. Em Antioquia há muita vida, água, vento, bichos, verde, gente. 

Já na região de La Dorada, no Departamento de Caldas, paramos para um café a beira-pista. Por todo lado se ouvia os caminhões, um motor ligando, algum passando, porta batendo, fotos numa parede. Caminhoneiro acorda com o galo em qualquer lugar, e trabalha de domingo em qualquer país. Foram três rodadas de café com o pão de ontem. Ali rolou uma coisa chata. Ao contrário de tudo o que vivi e descrevi, naquele café me "passaram o chapéu". Por toda a viagem eu confundia a nota de 2.000 Pesos com a de 20.000. Para mim eram parecidas. Ao pagar a conta me pareceu que a atendente do caixa estava sendo censurada pela que me atendeu por me cobrar o triplo. Era como que 3,50. Paguei, peguei o troco, e saímos. Só quando paramos para abastecer, nas redondezas de Honda, que me dei conta do prejuízo. Enganado, eu havia pago com a nota maior, e ela me devolveria o troco errado, se fazendo de desentendida para um desenganado. Ingenuidade a minha. Com a grana que tínhamos não chegaríamos. Recorremos aos cartões-postais. Fomos implacáveis, Juan sabia como abordar as pessoas. Eu aprendia e dava o meu tom. Uma coisa é certa, e isso é sério: é mais fácil vender postais de uma aventura vespista num posto de combustível para estranhos do que num encontro de Vespas. É claro que a situação muda, num encontro você não aborda as pessoas da mesma forma, você joga um pano no chão ou abre uma mesa e espera que elas valorizem aquilo que você fez e para onde você foi. Chegamos à essa conclusão ali no posto, em vinte minutos estávamos com os tanques cheios, 14 litros para duas. O litro vale como que 2.20 Reais. Que viagem! Rolava uma dinâmica. A noite no hotel Juan me perguntava se eu preferia puxar o ritmo ou ser o ferrolho nas viagens. Eu me adapto, não me importo. A ida foi como "12 Horas de Resistência", com direito a acidente na prova. Já a volta estava divertida, tinha um quê de dever cumprido, de soldados voltando pra casa. Ainda assim haviam cachorros, no acostamento, no mato. Juan se mijava de rir, depois daquele primeiro, todos os cachorro pareciam ter combinado de saírem junto para a estrada. A ironia da espécie na "Ruta de los Perros".

Fidelis, Montoya, Cristian e Karolina

Essa última, a Ruta 50 foi a mais desafiante das quatro que percorremos. Engolindo fumaça e ultrapassando caminhões no aperto, é onde os fracos não têm vez. Falei da pista estreita, do meio-acostamento, dos vai-e-vem de motoristas alucinados. Falei dos cachorros, dos buracos, e do meu motor travando (e ele ameaçaria mais um pouco na volta). Surpresa de verdade, e para a noooooossa alegria, aconteceria ali naquela pista, ali no asfalto. Creio que foi na região de Guaduas, ou talvez em La Vega. Na mão contrária passava um casal numa Vespa nova de cor marrom metalizado, era uma Primavera 150. Depois de alguns segundos me caiu a ficha, olhei pra trás e eram eles: Cristian Ocampo e Karolina Quintero. Foi uma festa incrível, e encontrá-los na estrada, ao acaso, tornava essa viagem completa. Como já escrevi aqui, dcumplicidade com que a vida me conectava às certas coisas que beiram o absurdo do improviso, nunca uma viagem é só uma viagem. Eles voltavam de Bogotá para Manizales com a mais nova aquisição da Karol (pegou zero). Era um dia completamente especial para todos nós. Ela é super entusiasmada, sorri, faz festa, dá abraço, demonstra. Cristian é calmo, observador e com ganas de produzir. Que combinação essa a dos dois!?!?!?! Eles são de Manizales, que fica no departamento de Caldas, a 310 kms da capital, cidade em que nasceu e viveu o aventureiro John Silva - hoje no Equador - e que sediou Encuentro Nacional de 2013 pelas mãos do grupo Motonetas Manizales. O casal comprou Motorinos, postais do Montoya, e trocamos regalos. Foi fantástico encontrá-los, fazíamos planos mas não deu certo, e quando não combinamos, acertamos. Nos despedimos debaixo daquele sol pesado e tocamos por mais duas horas no meio dos caminhões, cortando a ventania. Resumindo, chegamos em casa quase as 14h. E inacreditavelmente tudo funcionava.

Mayra Garcia
La Candelária













Foi tempo para um banho e qualquer coisa goela adentro. Da Calle 63 tocamos para a Carrera 13, aonde começava, as 15h, o BOGOTÁ SCOOTERFEST 2014. A equipe dos clubes havia preparado tudo: cartazes, stickers, decoração, stands, pick-ups, brindes, subido motonetas pelas escadas, divulgado o evento em corrente, marcado presença em peso. (Eles tinham parte com o Rei Midas, já falei quase isso). Mais de 50 motonetas passariam pela festa, a maioria associados ou envolvidos com o Vespa Club Bogotá, Moonstomp Riders, MottoretosVespañeee ClubMi Corazón Late en 2T, Vespa Club Medellin, e a SCOOTERIA PAULISTA . Ali se concentrava muita energia, e pessoas com capacidades que talvez até desconheçam.

Moonstomp Riders
Plaza Chorro Quevedo

Segunda-feira, 15 de Setembro. Pulei cedo e Bogotá trabalhava. Carros, ambulâncias e motocicletas se acotovelando, camelôs e transeuntes se atropelando, táxis parando por toda a parte, fumaça. E o Monserrate bem alto para a cidade toda admirar. Os ares eram de despedida. As 13h30 desci a pé ao apartamento de Laura Pérez, aonde Leonardo Castañeda me esperava para tatuar um desenho de sua autoria: um vespista colombiano ao estilo old school. Um presente e tanto, para a vida. Leonardo tem uma Vespa 150 Super na estica inglesa, tem 22 anos, é tatuador profissional a dois, e membro do Moonstomp Riders. Recentemente pegou o primeiro lugar numa das categorias da Primera convención Expo Tattoo Internacional de San Cristobal, Venezuela. A noite Mayra e eu saímos para um giro pelo centro histórico, com parada na Bogotá Beer Company e um giro noturno pelas ruas desertas da Candelária. Havia ali um pedaço do bairro vigiado pelo exército, preservando a história daquelas fachadas e monumentos de séculos. Foi uma noite divertida. Mayra é reservada, vespista do dia-a-dia, cheia de impulso para o mundo, de uma boa prosa, uma pessoa a se confiar. Essa foi a minha última visita ao centrinho. Dormia com tais lembranças, dos tantos amigos que estiveram comigo por lá, da grande invasão do Bogotá Scooterfest na Chorro Quevedo, do ska que quase virou confusão, da boemia, dos artigos, cafés, das motonetas.

Mottoretos Bogotá D.C.
Terça-feira, 16 de Setembro. Maryzabel havia marcado um giro para a minha despedida. Antes dele, as 17h fui com Mayra conhecer a Universidad Nacional de Colômbia, no bairro Nicolás de Federman. Um grande centro científico público, com muito verde e estudantes politizados. Pelas paredes as marcas de revoltas e lutas ideológicas fazendo referência às FARC, ao Sionismo, ao Comunismo, à Che. Mayra contava do seu pai e da vida acadêmica, também das vezes que a tensão se instalou naquele lugar quando a polícia fazia a varredura. Estudantes desapareciam. Detalhe: a Colômbia nunca teve uma ditadura reconhecida. E foi lá em Bogotá que pela primeira vez senti saudades do meu tempo de estudante, e pensar que chegaria o dia em que eu diria "no meu tempo".

E passamos mais uma noite nas alturas de Bogotá, dessa vez no Mirador de la Calera: Mayra, Mary, Montoya, Carlótica, Daniel, Jhon, Andy, Laura, Camilo, Hernan, Tavo, Juan, Daniel, Oscar, Andres, Steven, Bovver, Carol, eu. Que vista. Era para coroar a viagem, pois faltava-me conhecer esse lado. Da lanchonete a gente via as motonetas na luz do poste, e a cidade lá embaixo, diante dos meus olhos molhados. As dedicatórias, os presentes, as ruas, os amigos, as motonetas e seus 150cc inquietos, a centro da cidade, Antioquia, os clubes e giros, La Pelada. Cada disso me marcava para a vida. Como se eu já fizesse parte daquilo tudo, preferia não me despedir demais. Descemos na base da diversão, do jeito que o Animal Taylor gosta de fazer em rodovias litorâneas...

Andy, Daniel, Mary, Andres, Hernan, Juan, Tavo, Camilo, Juan, Alape,Mayra, Yo
A meia-noite Montoya e eu deixamos as Vespas na garagem e subimos naquele bar rockeiro da Plaza Lourdes. Chapamos um pouco, e pude ter com ele a conversa que queríamos. Durante a viagem sentia Juan apreensivo com os mil atrasos do projeto Asfalto rumo ao México. Queria ir, não tinha grana. Conversamos disso, eu me colocava na situação dele a toda hora Talvez no bar ele tenha deixado um fardo moral que carregava a um tempo. Juan precisa escrever um livro, e nós podemos ajudá-lo, simples assim. Sua viagem pela América do Sul além de motivadora para quem o conheceu, foi contemplada com acontecimentos incríveis e hoje é contada com a habilidade de um geminiano paisa. Sua Vespa por exemplo, no fim da viagem, chegou em Bogotá transportada por um avião de pescados. Já ele, num outro com mais 80 soldados. Mas só ele consegue contar com vida, ele viveu.

Quarta-feira, 17 de Setembro. E o fim chegaria, e de ressaca, claro. No começo da tarde saí com Mayra para um giro e almoço na La Macarena; paramos num restaurante todo lúdico, como que feito para crianças, havia mais de dois mil brinquedos antigos decorando o espaço, e esse simpático cantinho do bairro se chama La Juguetería. Os garçons se vestiam como figurantes de programa infantil, tinha brinquedos dos anos 40 aos 80, norte-americanos, mexicanos, soviéticos e regionais. Recomendável em todos os aspectos. Comi um churrasco típico com batata assada, e claro, aquela arepa. A gente gostava de conversar, ela é racional e eu um irracional. Nossas vidas eram assunto. Depois passamos na casa de Camilo Bermùdez para levar-lhe os materiais culturais do Brasil e trocar umas ideias. Camilo é caprichoso e suas motonetas funcionam e são para estradas; ele é restaurador, revendedor de vestuário ingleses e acessórios italianos (pela Vespaccessorios Bogotá), além de baterista da banda de street-punk-oi Urban Noise. Ele me presentou com algumas polos da Fred Perry e Ben Shermann, favoritas do meu pequeno guarda-roupas. Que chevere!!


Camilo Bermùdez
Leonardo Castañeda














As 17h Maryzabel e Juan Montoya passaram no apartamento para me conduzirem até o Aerouperto Eldorado. Em três Vespas tocamos pelo trânsito sem fim nem trégua. Mary pilota muito, tem braço, e levou os 81 quilos de Brasil na garupa com facilidade. Difícil despedida, ligeira e sem muito drama pra não parecer eterna. Essas três pessoas foram decisivas para toda essa viagem. Montoya por nossa amizade, viagens, ideias, um cara que eu tenho como irmão de óleo. Assim como a Maryzabel, por reconhecer nela o espírito agregador e apaixonado nas questões (vejam bem) dois-tempistas latino-americanas. E a Mayra, a garota que me deu aquele empurrão para estar lá - isso é muito sagitariano: "vamos? você precisa conhecer lá". Enquanto tomava minhas últimas Pokers no aeroporto compreendia que alguma coisa tinha feito todo o sentido do mundo nessa viagem. Hoje eu sei que ela me tornou um cara melhor, de alguma maneira que vou entender quando acabar esses relatos. As coisas deram certo, tudo se conectou, vivi muito bem, estive com os melhores, deixei alguma mensagem subliminar, e ficamos nisso. E nessas de viver em 2 Tempos pra cá e pra lá, conhecer aqueles que vão ser seus melhores amigos ou não, pode estar aí o grande barato da Vespa para mim. Elevado ao universo, se hoje eu comparasse o perfil da Scooteria Paulista com a cena dois-tempista de algum país da América Latina, eu poderia passar horas tentando te explicar porque hoje somos os mais colombianos dos clubes. Fabio Much talvez diria o mesmo, ele que esteve na Argentina por duas vezes, no Paraguay e agora na Colômbia.

Bem, amiguinhos, essa foi mais uma empreitada minha e do meu irmão de óleo Fabio Much, grande parceiro de clube, de breja, de ruas e viagens. Foi um prazer compartilhar com o leitor um pouco dessas experiências, e sentir o feedback desses relatos pelas redes sociais. Parte da minha parte na viagem foi custeada pelo próprio Almanaque Motorino #4. E pelo apoio, confiança e bom-gosto eu agradeço a essas marcas que anunciaram nessa edição de capa branca, tornando-se parte dessa história narrada aqui: Free Willy Moto Peças (São Paulo), Pastifício Primo (São Paulo/Sorocaba), Mi Corazón Late en 2T (Colômbia), Empório Motoneta (Santos), The Firm Records (ABC), Ordinary Recordings (São Paulo), Sergio Andrade Fotografia (São Paulo), Soul Suor e Sacanagem (São Paulo), Luis das Vespas (Santos), Trece Shop (São Paulo), Crasso Records (São Paulo), Marzela (São Paulo), W.A.C.K. (ABC), Piazza Zini (S.Paulo), Clausen Aromas e Perfumes (S.Paulo), Zini Alimentos, (S.Paulo), Barra Forte Racing Team (São Paulo), projeto Asfalto (Colômbia) e Vespa Club Bogotá (Colômbia). 

Me disseram que havia uma propaganda (??) por lá que dizia que a Colômbia era perigosa. E hoje, mais do que nunca, eu concordo! De fato, a gente corre muito perigo de acabar ficando por lá para sempre. Um dia eu volto, e que esse dia não demore. A todos os colombianos que conheci em dois-tempos, o meu afeto e mais sinceros sentimentos.

"So remember, out there somewhere you've got a friend, and you'll never walk alone again"
 From São Paulo with love.

Relato por Marcio Fidelis