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terça-feira, 31 de dezembro de 2013

RETROSPECTIVA 2013

Considero esse ano como o mais tenso e intenso em termos de relacionamento no universo old scooter sul-americano. No Brasil especialmente foi nos paradoxos da vida virtual que muito aconteceu. Foi também um ano de grandes encontros, rupturas, viagens incríveis, patrocinadores de peso, aprendizado e superação. Mas como aqui o nosso negócio são com os fatos, é baseado neles que faremos a nossa retrospectiva dos eventos coletivos que "de fato" fizeram renascer das cinzas a Scooteria Paulista.

V São Anivespaulo

JANEIRO - "2013 começou treze". Escrevi isso no primeiro dia do ano quando levei minha Vespa "no braço" com pistão furado de Guarulhos até Jacareí. Duas semanas depois cai a bomba: um acidente em Vespa levou o nosso amigo-veterano sr.Luiz de Castro aos 81 anos. A quinta edição do SÃO ANIVESPAULO (Um giro pelas alturas da cidade) foi marcada pela homenagem em pano, e apesar das 70 motonetas reunidas, faltou uma. Na sequência levaríamos ao ar a quinta edição do "Ata no Ar", um programa da Rádio Motoneta, com presença do Mestrinelli e Reginaldo.


FEVEREIRO - O mês abriria com o IV Encontro Nacional na cidade, evento esse que reuniu ao todo quase 200 motonetas durante três dias, foi o SP EM VESPA E LAMBRETTA 2013, recorde histórico, que só seria superado um ano depois, pelo VI São Anivespaulo, também na capital. A Rádio Motoneta daria seus últimos suspiros nesse mês, com os programas "SP-2013" (ao vivo durante a abertura do Encontro Nacional), e "Especial Vespa Club Paraguay" (quando contamos com a presença de três membros).

MARÇO - A I Etapa do Desafio de Motonetas do ano aconteceria em Araraquara, seguido do II Passeio de Vespa e Lambretta em São Roque. O mês foi marcado também pela presença do colombiano Brandon Quintero entre nós em meio a sua viagem em Vespa pela América do Sul. Se daria a partir de março uma radical mudança de comportamento na base do grupo.


ABRIL - Na noite em que comemoraríamos 3 anos de Scooteria Paulista (21 de abril), eu Marcio Fidelis, reuni no bairro do Brás os que considerei meus conselheiros e propus a extinção da velha ideologia de "Rede do Scooterista Clássico do Estado de São Paulo", e a re-fundação da mesma como "Sociedade 2 Tempista". (A outra opção seria a livre-gestão do grupo sem a minha liderança, ambas negadas pelo Conselho). Foi uma decisão difícil e chocou a muitos, sobretudo aos menos próximos e mais fuinhas. Passaríamos por um longo processo de auto-análise e re-adaptação social.

MAIO - Entre pequenas reuniões e visitas a encontros de autos antigos, lançamos, ao final deste, o número #0 do Almanaque Motorino (La Muerte de La Scooteria Paulista). O fanzine foi uma novidade para a classe, feito ao estilo velha escola, nele começaríamos uma simbólica "campanha": sem ideologia o scooterista não existia. O lançamento foi na Barra Funda, na capital, numa festa especial do coletivo Soul, Suor e Sacanagem. Dias depois nos encontraríamos no XVIII Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia, aonde tudo começou a ficar diferente: viagem noturna, acampamento, literatura a venda...



JUNHO - Faríamos outra viagem totalmente diferente dos costumes que nós mesmos tínhamos estabelecido a anos atrás. Dessa vez o objetivo era conhecer mais de Minas, sobretudo Ouro Fino. Três de nós fizemos uma nova rota enquanto outros dois chegariam direto de carango em Poços de Caldas. O destino era ela, a pré-inauguração da Taberna Old Time, num encontro de motos clássicas. 



JULHO - Consideramos esse o nosso primeiro giro aberto da SP desde o Encontro Nacional: I Girata D'Inverno. Optando por pisar em ovos, decidimos sentir o clima primeiramente entre nós, então realizamos o evento em dois tempos: o primeiro fechado entre os membros pela cidade de São Paulo, e o segundo aberto, rumo à Paranapiacaba. A ideia foi um sucesso, recobrando o velho clima dos passeios de outrora, e contou com três dúzias de motonetas de várias cidades. Ainda nesse mês aconteceria o II Desafio de Motonetas, no Kartódromo de Paulínia. Ao final desse produtivo mês veio o Almanaque Motorino #1 (A Way of Life), no Bar do Peppe, no Tatuapé, com shows do Oskarface e Brazilian Cajuns. Aliás musicalmente podemos dizer que ambas fizeram a trilha sonora da SP nesse ano, com diversas festas, companheirismo e muitos brindes. 




AGOSTO - No mês do cachorro louco invadimos a Áustria. Daniel Turiani e Gisele estiveram por dois dias com o Vespa Club Pinzgau e seu presidente Franz. Eles participaram de uma reunião administrativa do clube e fizeram dois giros nos arredores da cidade. Na sequência participaríamos oficialmente das comemorações dos 457 anos do bairro da Mooca - motivo maior: a SP nasceu aqui e a nossa Sede continua, numa legítima e saudosa maloca. Ao final do mês puxaríamos, junto com a Free Willy, um grande enxame de quase 40 motonetas rumo ao X Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí. Enquanto isso Luiz Lavos e Clausen viajavam pelo sul da Alemanha e visitaram a SIP Scootershop, participando do evento promocional da loja "SIP Shop Opening".


SETEMBRO - Nada de novo no Front. Nosso foco estaria nos preparativos da II Expedição Tropeira Brasil-Paraguay, do Raid de Marrocos e do MUNDIAL DE MOTONETAS 2014 (em São Paulo, durante a Copa do Mundo).


OUTUBRO - Koré e Cris fizeram uma rápida visita com Alvisi (Poços SC) à Autoclasica 2013, uma grande expo de veículos antigos em geral, em San Izidro, na Argentina. Na sequência lançaríamos novamente no Tatuapé o Almanaque Motorino #2 (Mi Corazón Late en 2T). Enquanto isso a equipe Barra Forte (Brazilian Team Vespa) realizaria uma incansável bateria de treinamentos para o Vespa Raid Maroc, que começaria no fim do mês. O fim do mês chegou e lá em Marrocos descobriram que as Vespas alugadas eram uma grande cilada, e todo o esforço deles findou num desapontamento sem tamanho. Uma das piores notas da SP para clube/grupo/entidade em 2013 infelizmente fica com a espanhola Desert Adventure, a organizadora do evento. Enquanto isso partíamos também para a II Expedição Tropeira Brasil-Paraguay, dessa vez patrocinados pela JWT, a quem "vendemos" o projeto como The Business Road Trip. Os personagens: Fidelis, Vespaparazzi, Hernán e Assef, com equipe de apoio. A rota compreendeu o Paraguay, Argentina e Brasil. Um encontro marcante, tanto quanto a nossa presença por lá.



NOVEMBRO - Continuidade do anterior, até quase a metade desse mês o assunto aqui seria internacional: Marrocos, Paraguay e Argentina.


DEZEMBRO - O mês começou com um IV RADUNO DA PRIMAVERA incrível em termos de comboio: 44 motonetas de diversas cidades numa manhã chuvosa rumo ao litoral. Só os bravos!! O evento foi diferente de todos os outros, ainda que faria paralelo com o primeiro lá no Guarujá, a marca deste em termos de comboio seria trágica: o primeiro acidente entre condutores. Nossos velhos planos de fazer valer uma formação de grupo voltaram à tona, e marcará o próximo ano. Na sequência participamos em peso da Confraternização da Free Willy, na cidade de Mairiporã. E findamos por vez este ano (que se fosse comum não seria 13) com a II NOITE DA MOTONETA, um giro pelas luzes paulistanas de Natal. Giro simples e que preparou os participantes para o futuro das formações urbanas de deslocamento.



SCOOTERIA PAULISTA
Sociedade 2 Tempista

"Juntos vocês são invencíveis"
(Antonio Carlos Mattioli - Ribeirão Preto/SP).


2013 foi um ano tenso e cheio de "atravessos". O que lemos, escrevemos e vivemos ficou muito mais intenso, como se fosse a primeira vez que todos se reconheceriam como Classe. Alguns se separaram outros se aproximaram, e o deslocamento das placas tectônicas realmente aconteceu - (eu falei Assef... heheheh). O relacionamento virtual e a descoberta do que é possível (e do como), colocou todo mundo na estrada, nas ruas e na internet com mais frequência per-cáspita. A três anos atrás puxar um giro da capital para Jaguariúna era um parto, uma campanha que começava dois meses antes. Agora até os desenganados entraram pra moda e estão se divertindo com estilo. Todo mundo está botando a mão na massa por seus clubes ou egotrips. Mas estão fazendo, existe iniciativa. E para cada um existem muitas finalidades diferentes.

Da nossa parte 2013 se tornou um ano de resistência. Nos voltamos aos cuidados de nós mesmos, da história da Scooteria Paulista e os seus homens e mulheres. Vivemos um relativo isolamento, e claro que a boca brazuca manteve a tônica das indiretas e críticas voltadas à nós e à minha conduta a frente dela. (Mesmo quando estamos quietos). Queremos ser nós mesmos, queremos ser deixados em paz. Foi esse  o motivo que nos tornou encouraçados nesse ano. Seguiremos no mesmo ritmo, o nosso. Saiba que estamos de olho vivo e da linha vermelha em diante a chapa esquenta. A pedana de uma motoneta não vai ser pra sempre um escudo da sua real personalidade, e não é pelo motor que você vai expressar pra sempre o que realmente é. Se todos querem ter uma longa vida, e fortalecer uma cena pela qualidade dos valores pessoais, apresente os seus, sem esse papo de união forçada ou "diga não à tarifa de busão". Que 2014 possa trazer de volta o purismo que tínhamos há pouco mais de um ano atrás, e que Grândola Vila Morena e We're Comming Back voltem a fazer sentido para a cena como um todo. Ou, não sendo assim, que seja para a nossa realidade aqui.

A cada um que fez valer o meu e o nosso voto no scooterista clássico, o nosso muito obrigado, vocês foram a frente dessa escola 2 Tempista.

-------------- Feliz 2014 --------------


Há um quê "lha de Lost" no ar. A cena está imersa na fumaça, uns não conseguem respirar e a cada palavra tosse e engasga, e outros não enxergam o que está a sua frente. Os motores estão quentes e quanto mais alta a aceleração mais os homens gritam para se fazer entender. Um pouco dessa fumaça o vento vai levar, e trazendo a brisa do mar, as águas vão rolar. Então desejamos a todos sabedoria e proteção. Que 2014 traga fraternidade e discernimento, paz e compreensão.

Marcio Fidelis
Presidente-Fundador

terça-feira, 24 de dezembro de 2013

II NOITE DA MOTONETA

Na noite de 18 de Dezembro tomamos de assalto o Natal paulistano com um belo enxame. As 32 motonetas presentes: Vespas Originale 150, PX200, M3 e LX150, também a Star4. Foi numa quarta-feira, e a bancada chegava de nove cidades paulistas.


A maioria vinha direto do trabalho, tanto que 40 minutos antes do horário combinado já estávamos na baixa luz da Cinemateca Brasileira, o antigo matadouro da Vila Mariana. De Jacareí chegava o Vespaparazzi trazendo Edgar e Antonio Guerra, que os acompanhou de Mogi das Cruzes em diante. De Itapevi os três parceiros eram novamente puxado pelo Érico. Do ABC o Marcelo Santana e Aurélio com Erica chegavam. Com a placa de Osasco chegava Favero na sua "PXresley. E da capital a trupe da casa com Emerson Mestrinelli, Afonso Antunes, Stofaleti, Reginaldo e Rose, Hernan, Luiz Lavos, Fabio Much, Daniel Turiani, Diego Pontes com Cintia e Gustavo Delacorte subindo no gás de Santos. Aliás ele apareceu direto na Av.Paulista, aonde nos encontrou a tempo. Estavam presente também os amigos Beto, Davilym, Anderson Cabral, Vitor Hugo, Ane e Bruno, Roberto, Diogo, Sergio, Edu Parez e Helena, Chico, Flavio e esposa e tantos outros que vou citando aqui conforme lembrança. O princípio dessa noite se daria (simbolicamente) do ponto em que "acabou" o Raduno da Primavera: próximo do casal Mário e Rosa, que ainda não podem pilotar suas Vespas por questões médicas. Eles vieram de carro e conversaram com todos, que queriam saber do estado de saúde do Super Mário.


A saída se deu em formato de grid. Expliquei pra cada um o método que tentaremos aplicar em 2014 para formação de comboio em deslocamentos de médio e alto risco (nível 3, 4 ou 5). No caso da Noite, a intenção seria para reduzir riscos de contato e incidentes dentro do próprio grupo, uma vez que as ruas estavam tomadas pelo trânsito natalino. E dessa maneira saímos, com ares de desfile da classe. E a sensação de estar num grande comboio noturno é outra mesmo, sobretudo sendo num dia útil. Pessoas estão com pressa, os carros estão nas ruas.

Passamos pelo Parque do Ibirapuera às 21h30. Subimos a Brigadeiro Luis Antônio até a Av.Paulista, o grande palco. Todos estavam lá: pedestres, papais noeis, ônibus, carros com vidro fechado, ciclistas, motociclistas, e a lua cheia atrás das nuvens também. A partir das 22h invadimos a faixa de ônibus e o giro fluiu, ainda que na lentidão dos 20km/h. No final dela Reginaldo incentivou a gente para que voltássemos nela para uma foto oficial no portal do Natal. Ok, a noite estava aí pra isso mesmo. Todavia foi só sairmos  um pouco do planejado, do roteiro, que apareceram as primeiras confusões. Na primeira foi embaixo do portal. Ninguém se entendia e todos querendo ajudar a fechar o trânsito para a foto, se confundiam ainda mais. Ao final conseguimos fechar a grande avenida por um minuto. Ali na saída o Beto tomou um tombo, assim: ele acelerou demais a Vespa engatada, e quando soltou a embreagem a moto voou pra cima e ele tombou. Cuidado com isso amigos, em qualquer tipo de veículo!! Foi tudo bem, ele levantou e seguimos com o passeio. Tomamos o retorno pela Alameda Santos e pela própria Paulista seguimos pra Av.Consolação. Ali os semáforos seguravam a gente, e naquela altura já estávamos com fome, sede e cansaço. Alguns seguiram direto pra suas casas, como o Favero, que para participar e ajudar na organização do comboio nessa noite deixou sua mulher em casa, na data em que comemoravam 5 anos juntos. Como já era tarde, decidi abortar o passeio pelo Centro velho. Então ancoramos nas luzes Praça Roosevelt para uma despedida geral e para tentarmos contato com alguns amigos que se perderam da gente. E assim se sucedeu. E como disse o Emerson Mestrinelli: "a noite paulistana nunca mais será a mesma". Trilha: Merry Christmas - Ramones

Um Feliz Natal a todos!!


Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Chico Oliveira e Aurélio Martimbianco

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Scooteria Paulista na MOTO ADVENTURE


A Expedição Tropeira Brasil-Paraguay, ou a The Business Road Trip, está na revista Moto Adventure desse mês numa bela matéria de oito páginas. Antes de comprá-la, consulte o conteúdo pela página 132 e arredores. A matéria fala da viagem, do evento internacional, do patrocinador e da Scooteria Paulista.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

SJC Antigamente #3


Essa é mais uma chegando de São José dos Campos. O grupo virtual SJC Antigamente é um dos mais ativos no Facebook. O tempo não pára no "museu de grandes novidades", e essa vem do Paulo Roberto Gonsalles, uma foto sessentista da extinta Oficina do Espanhol, da Rua Antonio Ruis Vilanova. Casotti destaca: "Da esquerda pra direita: Aero Willys, LAMBRETTA LD, Pedal Car, dois Jeep's e uma Kombi. Essa é o nosso último post sobre a cidade que nos recebeu de braços abertos no SP em 2T 2012. Deixamos aqui um saudoso abraço aos amigos de lá, que espero rever no começo no novo ano. Boas festas SJC. Essa é a trilha do Guerreiro pra vocês: Castle in the Air - Don McLean

domingo, 15 de dezembro de 2013

IV Raduno da Primavera (Parte 02 de 02)

Domingo de Raduno, era a quarta edição do evento mais tenso de todo o calendário da Scooteria Paulista. Estava anunciado que o giro aconteceria independente das condições climáticas. Leo Russo preparou a arte e a Sociedade aqui fez a parte dela. Ao todo reunimos 44 motonetas, entre Vespas, Lambrettas, Bajaj e Star 4, das cidades de São Paulo, Santos, Guarujá, Taboão da Serra, Osasco, Itapevi, Campinas, São Roque e São Sebastião. Mesmo debaixo de muita água realizamos a prova, e mesmo com tantas precauções na viagem, o pior fato narrável de nossa história veio à tona. Foi assim...



Às 9h em ponto enfileiramos as motonetas na Rodovia dos Imigrantes e antes da partida instruímos o grupo quanto aos perigos da rodovia, a velocidade de cruzeiro e a formação do comboio. Antes mesmo de passar São Bernardo do Campo a chuva já descia fria castigando. Após o pedágio o trânsito travou, acontecia ali a "operação comboio", a descida dos veículos controlada pela Polícia Rodoviária. A princípio acompanhamos a operação, na velocidade média dos 10km/h. Como a chuva apertava e o horizonte de carros não tinha mais fim, conversamos rapidamente, o João Macruz, Mestrinelli, sr.Artur, Koré e eu topamos levar o grupo em fila indiana pelo corredor. Vivemos aí o primeiro ponto de tensão. Enquanto Mestrinelli nos guiava, Favero seguia no ferrolho com seu colete e eu me acotovelava com os carros no corredor paralelo para me certificar de que não tínhamos deixado ninguém pra trás. No começo dos túneis o comboio já tinha se dividido. Emerson não parou mais e levou com ele um grande bloco pista abaixo. Eu me preocupava com as M4's na neblina pois era impossível notar a lanterna ou o farol delas no meio daquelas nuvens. Então no segundo túnel pedi para que alguns encostassem até termos certeza de que todos estavam bem. Foram cinco minutos ali até represarmos os mais cautelosos. Nesse meio tempo haviam fechado a Imigrantes novamente, e dali em diante era tudo nosso. Talvez more aí o dado divertido mais marcante desse IV Raduno: uma rodovia toda só pra gente e mais ninguém. Descemos aos risos com o fato, promovendo um buzinaço na acústica dos túneis. João Medeiros e Fabio Much com o Diogo na garupa desceram por último. Douglas com sua M4 também sumiria na lentidão enquanto a gente descia nos 65km/h de olho no horizonte em busca de um sinal de fumaça do comboio maior, puxado pelo Mestrinelli. Esse lá estava, já na entrada de Santos, aguardando-nos no acostamento sob uma garoa insistente.




Entramos na cidade organizados, todos numa faixa só, controlados à mão de ferro. A 100 metros do portal da cidade represamos a turma num bolsão vazio de ônibus. Era ali ou nunca! E batata! Na recontagem foi que demos falta de três Vespas, um deles era o Douglas com sua M4. Seu amigo ligaria pra ele enquanto o Paulo De Vito detectava uma pane elétrica na sua PX200. Sempre prestativo, Reginaldo ali mesmo sacou a vela fora e no ato passou o diagnóstico: faísca fria, ou trocando em miúdos, fraca. O problema estava no CDI. Por precaução o próprio havia trazido um de reserva e foi o que salvou tanto o Paulo quanto o comboio de atrasos maiores. Ainda assim aguardamos ali, sob a garoa fina, por vinte minutos ou algo mais. Partimos então rumo à Portuguesa Santista, aonde o Delacorte nos aguardava com os amigos da baixada: Luca, Eric, Maturino, Breno e Ilídio. Legal mesmo foi ver a cara de felicidade dos caras quando viu aquele enxame se acotovelando em duas faixas. Pelo Canal 1 seguimos para a orla, de onde lentamente fomos guiados pelo Delacorte até a balsa. Nesses 6 kms turísticos fomos flechados por mais de 30 pessoas pelo que vi. É divertido lembrar! Na balsa aguardamos a nossa vez até nos acotovelarmos no corredor das duas rodas. São apenas 3 minutos de travessia, mas a brisa é diferente. Veio aí a dica do Ambrósio: "acho melhor subir metade na balsa, e na próxima viagem a outra metade, porque se isso afundar toda a Scooteria vai pro saco"... kkkkkk. Ao aportarmos no Guarujá a PX do Diogo, guiada pelo Much, acusou um problema na embreagem. Como Delacorte seguia com o comboio no rastro, saí em disparada para pedir que o grupo esperasse uma resolução do caso. Enquanto isso o Marcio e o Túlio, ambos de São Sebastião, nos aguardava no primeiro posto de combustível do caminho. Foi lá então que concentramos todo mundo outra vez. Para ganhar tempo então pedimos para que todos abastecessem e realizassem seus reparos. Mestrinelli aproveitou para recolocar o cavalete da Bajaj, que tinha caído no portal de Santos. Depois de uns minutos chega a Vespa quebrada rebocada pelo Filizola com uma cinta amarrada em seu bagageiro. De PX pra PX, que briza! Leo Russo já estava conosco ali, e fazia a proteção da frota de carro a algum tempo. Depois de tudo pronto seguimos até a Praia do Tombo, aonde mais uma vez encontramos o nosso espacinho cativo vazio. Estava tudo bem até ali, não fosse a furada master que o quiosque, reservado a semanas, deu. Havíamos combinado tudo com eles, pessoalmente, para o Raduno. Só que como choveu, seus funcionários decidiram dormir até mais tarde e não abriram, ou melhor, abriram, mas quando já tínhamos nos instalado no vizinho. Manjare!!! Ali passaríamos duas horas de boa prosa, rango etc.


Estava tudo combinado para sairmos às 15h30. Às 15h um colega um pouco inconveniente começou acelerar o pessoal para a volta. (Fica a dica: quando combinado um horário para a volta, seguimos ele, e se você quer voltar antes, não seja mala, volte sozinho discretamente). A turma do Douglas resolveu passar a tarde por la e rebocar suas motonetas até São Paulo pois tinham bebido umas a mais. A dupla de Campinas voltou mais cedo pois a viagem era maior e o céu não trazia notícias melhores. A gente então partiu, dessa vez por um novo caminho, de volta pra Santos. Tomamos a balsa mais uma vez e seguimos em comboio pela zona portuária. Dali em diante a bruxa estaria solta. Um acidente de pequenas proporções aconteceu. Francisco e Angelina seguiam com o grupo no ritmo dos 20km/h quando, ao tentar passar pelos trilhos do trem que corta a rua, "perderam a frente" e caíram. O pneu deslizou no aço molhado e escorregou, levando-os ao chão. O susto foi geral, e Angelina ficou ali no chão por cinco minutos. Enquanto uns organizavam o trânsito ali, outros retiravam o excesso de motonetas da rua. Breno, que é médico, foi verificar as condições de Angelina. Entrou em cena a importância do carro de apoio, com Leo Russo e Cláudia. Às vezes um utilitário ajuda menos, nesse dia não seria preciso. Angelina tinha machucado a perna esquerna, e seguiria com o casal no carro até seu hospital em São Paulo. Francisco estava bem, ou parecia estar, e acompanharia o comboio na temível tarefa de levar as crianças de volta pra casa. O susto desencadeou uma nova brisa na maresia. A tensão estava no ar. Delacorte e os amigos da baixada nos guiaram até um posto, aonde fizemos a última parada de abastecimento, café e despedida. Era 16h15. Em blocos conversei com quase todos, orientando novamente sobre a formação de comboio e a atenção com a pista molhada pois a subida da Serra é mais perigosa por causa da volta dos turistas mamados pro conforto dos seus lares. Sr.Artur se mostrava preocupado com Francisco e até se sentia culpado pelo acidente com o amigo. (Na verdade ele caiu sozinho, sem influência de ninguém mais). Enquanto eu conversava com o pessoal sobre a formação de comboio e cuidados, o coroa inconveniente veio novamente me acelerar pra puxar o grupo para ir embora logo. Essa foi a última vez que ele apita alguma coisa aonde a gente estiver!!! Antes mesmo de concluir o assunto uma parte já tinha ido pra pista. Ainda fiquei por lá aguardando o restante que ligava as motonetas, deixando meu afetuoso abraço aos amigos da baixada, e os parabéns pelo trabalho mais bem-feito que Delacorte, Luca, e seus camaradas, tiveram conosco até hoje. Simplicidade e lógica foram a chave dessa organização.



Enfim. A garoa não dava tréguas, e por isso a nossa velocidade não passava mesmo dos 60km/h. A atenção da equipe se voltava para alertar os condutores sobre o uso dos faróis e setas, e a regra do comboio. Alguns verdadeiros vacilões não conseguiam se estabelecer no plano Z e realizavam ultrapassagens desnecessárias durante a viagem. Ainda assim o comboio estava firme no chão ocupando apenas uma pista, compenetrados no caminho. Só que as fatalidades podem acontecer quando menos se espera, e se deu, pela primeira vez em quase quatro anos de Scooteria Paulista, e em quase seis anos de concentrações e giros que organizo. Na subida da Imigrantes após a Rod.Cônego Domênico o motor da 150 Super da Rosa travou. Mário Baraçal, seu marido, que vinha atrás numa PX200, ao frear derrapou no asfalto molhado e veio a colidir bruscamente na lateral da setentinha. Na queda Mário foi atingido na costela pelo pneu da Vespa PX do Índio que vinha na sequência, vindo ao chão com seu filho na garupa. Eu vi a cena, uma fotografia triste e eterna que nunca fugirá da minha e de tantas outras lembranças que testemunharam o fato. Paramos no acostamento rapidamente, e enquanto uns sinalizavam para os carros, Favero trouxe a Super que estava lá na segunda faixa da rodovia. O comboio se desintegrou ali, pois os pontas não notaram o acidente e seguiram adiante, levando alguns na rabeta. Índio machucara a mão e reclamava, e seu filho sentia dores na perna. Em ambos os casos não havia nada de mais além dos machucados. Com a Rosa idem, apenas umas dores no joelho. Todavia o estrago mesmo ficou com nosso amigo Mário, deitado no chão molhado com fortes dores, já esbranquiçava, assustando ainda mais a todos nós a cada desmaio subito. Enquanto o resgate vinha, outra parte do comboio seguiu viagem para não arriscarmos o grupo. Edu Parez e Silvia, que haviam chegado a pouco de carro na traseira do comboio seguiram junto oferecendo proteção na retaguarda do agrupamento. Falei com Hernán e Ambrósio pelo telefone, e de nada adiantaria eles nos aguardarem no meio da estrada, então decidiram tocar até São Paulo. Favero, Reginaldo, Faverinho e eu ficamos com os acidentados enquanto Much levaria rodando a PX do Mário pra São Paulo. O resgate chegou rápido e com todos os cuidados levou Mário para o Pronto Socorro de Cubatão. A tristeza e o desolamento era expressivo na face de cada um ali do lado da ambulância. Força Super Mário!! Restava-nos levar a Rosa pra casa com sua Super sem farol. Reginaldo injetou mais óleo e destravou o motor. E rapidamente deixamos o acostamento, formando um campo de proteção para a amiga. Pelo nebuloso fim de tarde de forte chuva subimos a Serra, que àquela altura já tinha perdido toda a graça. Sem gracejos passamos por São Bernardo, Santo André e Diadema até a zona sul de São Paulo. Segui com a Rosa até sua casa, para ter certeza de que chegaria de fato bem, e talvez já conseguir alguma notícia do Mário. No caminho passamos batido pela turma da frente que nos aguardava em peso num posto de combustível da Av.Ricardo Jaffet. Mas era tarde para parar, e desnecessario, diante da pressa médica. A noite na Free Willy tentavamos entender o que exatamente aconteceu, e o que mudar dali em diante.

Mario ja esta em sua casa, fraturou cinco costelas e precisa de uns meses para se recuperar. Indio e Gustavo estao bem, e caberao aos acidentados entrarem num senso comum quanto aos prejuizos. Rosa esta ok, com sua Super necessitando de um bom martelinho de ouro. Francisco teve tres costelas fraturadas e assim como Mario, esta de molho. Angelina teve so escoriacoes na perna, nada de mais diante dos outros. Mais uma vez o Raduno divide aguas para o ano seguinte, novamente ele trouxe a tona as necessidades do proximo ano. Crescemos muito a cada Raduno, sobretudo corrigindo os erros, e separando naturalmente o joio do trigo. Por mais que tenhamos tentado de tudo para manter o comboio protegido e organizado, nem sempre acertamos. Enquanto refletimos sobre os fatos e organizamos a planilha de uma nova etica pra 2014, esperamos que esses relatos  e essa experiencia sirva de referencia e exemplo para os futuros comboios do mundo das duas rodas. Em fracoes de segundos um sonho pode virar pesadelo, e a amizade pode virar rusga. Agradecemos a todos pela compreensao e pela ajuda nos momentos necessarios. Esperamos que todos assumam agora uma postura mais preventiva durante as viagens em comboio. Faremos por onde para que isso seja parte da cultura dos errantes. Fica aqui diretamente do interior paulista o Dead Rocks, com o tema Boogie Splash Crash.

Fotos por Mestrinelli e Fidelis
Relato por Fidelis 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

IV Raduno da Primavera (Parte 01 de 02)

Bravo! Relembrando o primeiro ano de SP e, particularmente, meu primeiro contato com a SP, o Raduno deste ano voltou a Praia do Tombo, em Guarujá. Na véspera, a chamada pela internet foi direta e reta: iríamos de qualquer maneira, até mesmo se os polos da Terra se invertessem e congelassem a água do mar. Dito e feito, 44 malucos não ligaram para a garoa chata que ia e voltava, nem pro tempo nublado, e foram comer um peixinho a beira mar.


Nesse ano seis vespistas de Santos se reuniram para esperar o povo que descia a Serra para juntos irem até o Guarujá: eu, Luca, Eric, Breno, Ilídio e Maturino (ou Motorino, hehe) . Se o tempo estivesse aberto, com certeza teríamos pelo menos mais uns quatro. Perderam, fica pra próxima! Nos encontramos em um posto de gasolina, e pude notar que todos estavam realmente contentes por estarem ali, todos juntos com suas motonetas, ansiosos para se reunirem com a penca que vinha pela Imigrantes debaixo de chuva e neblina.


Depois de um pequeno atraso por conta da neblina, o povo chegou! De longe pude ver o pessoal saindo do túnel e os vespistas da baixada se organizando para se unirem ao grupo e tocarmos até o Guarujá. É sempre bom rever os amigos, principalmente rodando. Além de mais amigos da região, também me surpreendi com outros dois caras de São Sebastião, o Marco Túlio e o Márcio, que vieram rodando para o passeio. Olha o litoral paulista aí esboçando um povoamento de fazedores de fumaça para os próximos anos!
Chegamos ao Tombo, estacionamos nossas motonetas e depois de descobrirmos que o quiosque que havíamos combinado de almoçar deu o cano na gente e não abriu, fomos para um que tinha do lado que nos atendeu perfeitamente. Almoçamos, demos muitas risadas e contemplamos o mar (sem sol, fazer o que). A atmosfera do passeio estava realmente muito boa. É como li em um comentário na internet, no álbum de fotos do Raduno: "essa galera é muito unida, juntos somos invencíveis!"


E foi justamente esse companheirismo e amizade que fizeram com que, mesmo com dois acidentes no retorno, um leve e outro grave, que o IV Raduno da Primavera não ficou com aquele sentimento de que faltou algo. No acidente mais leve, um casal de vespistas se desequilibrou no trilho do trem, enquanto passávamos pela Avenida Portuária, e foram ao chão. Felizmente não passou de um susto. Já o outro acidente envolveu três vespas na subida da Imigrantes. Uma das vespas apresentou um problema, o que desencadeou o choque entre as motonetas, e quem levou a pior foi o grande Mário, que fraturou uma costela e teve que ficar alguns dias de molho internado. Ficamos todos muito preocupados, mas felizmente o susto maior passou e o Mário logo menos estará pronto pra fumaçar por aí de novo! (Detalhes sobre isso tudo no próximo post aqui no blog).

Deixo aqui meu agradecimento a todos os bravos que compareceram. Rodar por aí em Vespa e Lambretta realmente tá no sangue de vocês! O Raduno da Primavera, embora tenha todo um ar de “VAMOS A LA PLAYA, OH, OH, OH, OH!”, não é um evento mamão com açúcar de se fazer pra quem tem a missão de guiar a galera. Assim como aprendemos com as edições anteriores, vamos fazer a lição de casa sobre a desse ano e nos preparar para o do ano que vem. E se preparem para mais aventuras no litoral, pois em breve teremos outra farofada pra fazer. Let’s party hard in the beach, bitch! 


E fica a dica da baixada: As Curvas da Estrada de Santos - Roberto Carlos.
Texto: Gustavo Delacorte - Fotos: Delacorte e Mestrinelli.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

II NOITE DA MOTONETA


Vem aí a II Noite da Motoneta, e nessa segunda edição o evento vai pras ruas. O giro consiste num giro de uma hora pelas luzes de Natal da cidade de São Paulo, e a partida será da Vila Mariana, em homenagem ao amigo e membro da SP Mário Baraçal, que está se recuperando de um acidente. Portanto estaremos lá às 20h30 para um abraço no parceiro e um giro sob a última lua cheia de 2013.

Saída: Cinemateca Brasileira - Vila Mariana
Data: Quarta-feira, 18 Dezembro, às 20h30.
Destino final a confirmar.
Arte por Luiz Lavos
Tema de hoje: Here Comes the Night - Them

domingo, 8 de dezembro de 2013

SJC Antigamente #2


Antes do aguardado post sobre o desfecho do IV Raduno da Primavera segue aqui uma do túnel do tempo, lá dos anos 60, postada por José Zanini no grupo São José dos Campos Antigamente, no Facebook. E a deixa de hoje vem de skate: Stay Away - Nirvana.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

II Expedição Tropeira Brasil Paraguay (Parte 05 de 05)

E deixo aqui meu último relato da nossa Road Trip internacional. Lembrando que somos quatro dois-tempistas: Vespaparazzi (Vespa M3), Hernán (PX200), Assef (Vespa Super) e eu Fidelis (Originale). Além do carro de apoio da patrocinadora JWT com o João e Koba. Estamos na reta final, é Brasil minha gente...



Quarta-feira, 06 de novembro: Laranjeiras do Sul - Curitiba
PIRATAS DA ESTRADA

A agradável manhã em Laranjeiras do Sul começava com um típico café da manhã caseiro - de casa, não de condomínio. (Café, queijo, bolo...). Tínhamos 400 kms a fazer naquele dia. E a tocada prosseguia em meio aos grandes caminhões da região. Madeira em quase todos eles. Imagine o que não passaria na sua cabeça rodar espremido com os seus entre duas carretas pilhadas de tronco? Rodamos uma hora, sentindo o Vespaparazzi perder fôlego na subida. A princípio Vespão cria que fosse o peso das bagagens e dos acessórios da M3. E aí a média do grupo caía para 70 km/h. Passávamos muito tempo travados no meio de frotas e mais frotas de caminhões, isso foi até Curitiba. Depois de 70 arrastados quilômetros Vespão parou no acostamento e pediu um tempo. Sacou suas ferramentas, tirou o parafuso do óleo do câmbio e verificou o nível: vazio. Era preciso abrir o motor para resolver esse vazamento, ou completar o nível a cada dia. Depois de cheio ele já recobraria, na primeira subida, a velha força da Esmeralda. Conforme Hernán narrou no blog da "Etiqueta": "a decisão foi ele ir na liderança e eu no segundo posto. Por que? Porque Vespão não tem velocímetro, então eu ia marcar quando ele estava indo muito devagar, ou muito rápido. E deu certo. Também ajudou um esquema para as subidas: eu ultrapassava o Vespão e ele ficava no vácuo da minha Vespa. Isso ajudou bastante e a gente conseguiu avançar num ritmo muito bom, fazendo percursos de até 100 km de uma só vez". Em Guarapuava abastecemos rapidamente e tocamos, puxando nova formação comigo de ferrolho comunicando com os veículos e com o nosso ponta ao mesmo tempo. Hernán tinha o motor mais forte, e La Negrita puxava forte nas ultrapassagens de longa distância. Era 12h30 quando paramos para abastecer em Guarapuava. O pessoal estava com fome e decidira ali mesmo almoçar. O aspecto da viagem mudava por completo, tínhamos uma combinação de belas paisagens com a bruteza do caminho estreito e congestionado. Um caminhoneiro sugeriu, por segurança, que tomássemos um rumo diferente do usual: pela 373 até Ponta Grossa. Rodaríamos 30 kms a mais. E o conselho pareceu ter sido bom, até porque foi o que ouvimos quando chegamos em Ponta Grossa, depois de 170kms de giro alto. A dinâmica da viagem já era outra, mais ligeira, esperta, era o Carrossel Holandês de 74, com Assef e Hernán revezando posições na vertical, Vespão puxando o ataque em velocidade e comigo fazendo a linha de impedimento. Motonetas e condutores em plena forma tiravam da Laranja Mecânica o sumo e o bagaço.


Em Ponta Grossa abastecemos e descansamos as motos. Creio que era 17h quando pedimos uns lanches leves na chapa com café. Um sujeito boa praça que passava no contou um pouco da sua história, de quando viveu na Itália e tivera algumas Vespas. Era um apaixonado pela marca, falou da PX, da Sprint, e da LX. Até a próxima parada de combustível a viagem ficava mais emocionante, o campo abria e o vento batia forte baixando a temperatura a cada minuto. Em Campo Largo completamos os tanques pela última vez, e foi quando me comuniquei diretamente com o Farid (que tinha chegado do Paraguay dois dias antes). Dali em diante a nossa atenção se concentraria mais na mudança de pistas do que nas ultrapassagens a que éramos ingratamente submetidos hehehe. Mantínhamos os 80km/h sob um céu da cor de chumbo e um ar cheirando o diesel queimado ao óleo: um tempero forte para apimentar as napas! E pela BR376 entrávamos em Curitiba, dessa vez por uma porta inédita: a porta do oeste. Entre placas e informações eis que passeávamos no trânsito tranquilo da metrópole paranaense até o bairro Barigui, aonde abastecemos e checamos o caminho até a JWT curitibana - um compromisso profissional. Thaís Picelli nos recebeu na empresa com simpatia, nas linhas do Hernán: "Sujos, com 400 km de estrada e onze horas de viagem em cima, conhecemos o prédio. Muito bonito mesmo, dava vontade de armar as barracas no playground". 

Então seguimos para o apartamento do Farid, o vespista do Vesparaná Club - presença no SP em Vespa e Lambretta 2013 (que veio pra andar de Vespa e andou escorregando para a esbórnia com travecos kkkkk) e no I Encuentro de Vespas en Paraguay. O parceiro nos ofereceu tudo o que queríamos, e o que não podíamos também. Entre um trago e outro no whisky da casa eis que chega o nosso amigo Ito "8" e seu filhão. Foi uma visita rápida para um abraço, mas o bastante para transmitir-nos confiança e calor humano. Depois dos banhos Farid nos levou para o Centro Cívico da cidade. Caminhar pelo centro de Curitiba a noite é uma outra história. As rua limpas e vazias, as luzes amarelas e o sereno do frio curitibano foi a fotografia mental da nossa última noite. No Alemão nos fartamos de verdade, acompanhados de algumas cervejas na caneca e dos "Tirinhos do Farid", uma sequência surreal e extremamente ilária de alucinações humorísticas que deixaria o Marcelo Adnet ou o Porta dos Fundos inteiro no banco de reservas. O cara é um figurassa!! Depois da separação e da visita ao encontro paraguaio decidiu bater o martelo e pôr na cabeça o projeto de morar pro lado de lá da fronteira. Quem sabe aqueceríamos o mercado brasileiro de acessórios e peças raras pela porteira do vizinho... crê ele. A meia-noite voltamos aos tragos nos santos cigarrinhos. A turma capotou pela sala enquanto Hernán foi direto pro quarto solo. Eu passei mais uma hora tomando uns tragos e trocando uma idéia com o Farid. O som da vez então fica do papo com o Ito, que falou do Gabba, vespista Mod da cidade (que hoje vive fora), e esse tema tem na Vespa um dado existencial: Os Carros - Tarja Preta.

Quinta-feira, 07 de novembro - Curitiba - São Paulo
O ÚLTIMO DUELO

Acordamos com o café na mesa. Farid cuidava de tudo, e vale lembrar que era a segunda vez que o Vesparaná Club nos hospedava com tamanho carinho. Depois dos banhos, reunimos nossas coisas e partimos pra estrada, na companhia do curitibano mais rápido que um linguista poderia conhecer. Depois da foto de despedida num posto da zona urbana da Regis Bittencourt, nosso cicerone nos acompanhou pelos kms finais, tomando o retorno num buzinaço de agradecimento ao parceiro.


Era 11h e a chuva apertava na saída de Curitiba. Passamos beirando o portal da Estrada da Graciosa, e assim como foi no Curitiba em Vespa 2010, ali a bendita água caía sem tréguas do céu. Seguíamos firme na chuva, tomando um rastro de 200 metros na pista, uma questão de segurança para a ocasião. Depois de Campina Grande do Sul fizemos uma forçosa parada para combustível e manutenção: Vespão precisou improvisar uma tampa para o carburador no local da falta (necessária) da mangueira de ar. E foi uma santa parada. Precisávamos de mais um café, daquele biscoito de polvilho que o Diego e o João trouxeram, do par de luvas que o Assef comprou. Um sujeito veio contar-nos da Vespa que seu pai teve, e estava admirado com nossa aventura. Bom, dali tocamos mais ligeiramente. Hernán estava preocupado com o fato daquela estrada ter ganho, no passado, o apelidinho de "rodovia da morte". E a gente estava nela, numa "singela tarde de chuva e ventania", dividindo pista com imensos caminhões carregados a 120 km/h. E a gente a 80. Por causa de uma reforma, passamos pela ponte da mão oposta da Represa do Capivari, uma das mais belas paisagens que existe nesse caminho todo. Quando a chuva deu uma trégua resolvi dar uma voltinha e acelerei um pouco a mais. Sumi na frente por uns minutos, afim de curtir um pouco mais meu motor naquelas curvas da serra. Antes da divisa diminuí para que passássemos juntos por ela. A alegria era geral: "Bem-vindos ao Estado de São Paulo". Nos sentíamos em casa! E dali em diante uma ansiedade "quebra-regras" acelerou as nossas Vespas. Vespão na frente puxava pra 95km/h a tocada. Assef acompanhava atento a retaguarda enquanto Hernán e o carro sumia 500 metros pra trás. Era divertido, ali de fato era. Mas a brincadeira durou no máximo 25 kms. No segundo pedágio da viagem Hernán encostou em mim e indignado disse "Marcio, a xente fiaxou 3000 quilômetros a 80 km/h e acora em plena rotofia da muerte, com chufa e caminhões focês querem correr?". Eu ria, e mandei ele lá pro Vespão. "Reclame com ele"!! kkkkkk De longe Assef rachava o bico vendo o Hernán gesticular com o pescoço arqueado falando o mesmo pro Vespaparazzi. Revezávamos os pagamentos do pedágio afim de economizar tempo. Então Hernán tomou a frente no comboio, determinando que voltássemos pro velho ritmo, os combinados oitenta. Era quase 15h quando paramos para o almoço em Cajati. O clima de despedida já pairava no ar. Já falávamos de outros projetos e expedições, de armarmos um churrasco nosso para ver os vídeos, e "zas e zas e zas". Comemos um verdadeiro PF, algo mais próximo do marmitex a que o Vespão tanto se referia durante toda a viagem. "Marmitex é o que há!"


Reta final. Passamos por Miracatu e todo aquele bananal, e na sequência a cidade de Registro. Os velhos buracos naquele trecho foram recapeados, e de fato o chão estava bom. Foi em Juquitiba que fizemos a última parada rodoviária de toda a Expedição. O farol do Assef havia queimado a pouco, então nesse tempo da troca atualizamos a net e tomamos um café. De repente toca meu telefone - meu Tim e Claro voltaram a funcionar -, era o Koré perguntando por nós. Na internet os amigos mandavam saudações e boas-vindas. O coração batia mais forte sabendo que dentro de duas horas estaríamos dentro da grande cidade da qual partimos a 11 dias e algumas horas atrás. Então as 17h tomamos o rumo da serra, um trecho terrível, que já anunciava a qualquer passante o caos a que estava se inserindo. Usei a câmera no peito e prezei pelos takes mais difíceis em meio aos caminhões. A velha formação de comboio já tinha ido para as cucuias. Tínhamos que nos infiltrar nos corredores, driblar buracos, e buscar a marcha certa para cada trecho. Aquele lugarzinho terrível é chamado São Lourenço da Serra, e mais parece um pátio de caminhões do que uma rodovia.


Às 18h passamos por Itapecerica da Serra, e a quantidade de motos populares pela pista já nos ambientava com a metrópole. A cultura motociclística já era outra. Diferente do que rolou em toda a Expedição, os motoqueiros e afins ali passavam rindo com suas CG's de roda rosa... hehehehe, melhor que não entendam mesmo o que a gente faz. E nós já comemorávamos como se fosse São Paulo ali, como ter o placar ao seu favor aos 40 do segundo tempo no segundo jogo da final. Depois do Rodoanel de Embú chegamos em Taboão da Serra encarando um carregado trânsito da hora do rush. Depois de "empurrar" nossas motonetas e o carro por meia hora paramos num posto Shell da Av.Francisco Morato para a triste despedida. Apesar do cansaço e da saudade das coisas todas que tínhamos deixado pra trás, a sensação geral era de completude, e de querer mais. De certa forma parecia inacreditável que o fim havia chegado. Até enrolamos um tempo desnecessário por lá, afim de eternizar aquela viagem em nossas lembranças e corações. Nos abraçamos repetidamente. Alguém gritou "é tetraaaaa é tetraaaaa" enquanto Pelé pulava na cabine. Era 20h quando ligamos nossas Vespas e partimos juntos em comboio, insistindo em manter a união que tão poucos podem desfrutar durante suas confortáveis vidas. Chorei no capacete, disfarçando bem para não ser notado. Vespão foi o primeiro a deixar-nos, tomando a Marginal Pinheiros rumo ao norte. Depois foi o Hernán pros caminhos de Pinheiros. Então o carro com João e Diego e em seguida o Assef. Para mim a Radial Leste parecia triste e solitária. Mas foi mais ou menos assim meus amigos. São minhas palavras e minha percepção da viagem, o que não conta nem um décimo do que foi essa viagem.

Agradeço aos meus amigos de estrada Vespaparazzi, Hernán, Assef, João e Koba. Também ao Much que veio a adentrar a história paraguaia. À JWThompson pelo investimento. Ao Eder Vespa por ter aberto o caminho da Expedição a um ano atrás com o Vespão. À Free Willy pelo empréstimo das peças e todo o apoio moral. Ao Vespa Club Paraguay pela iniciativa de organizar esse tremendo encontro, ao Jorge Colman e ao Farid pelas prestatividades e ao Corradino D'Ascânio por criar essa espécie metade humana de máquina chamada Vespa. Espero que essas mal-traçadas linhas inspire pessoas à vida enquanto há, e a respeitar seus amigos enquanto eles o tem em alta quota. Até a próxima viagem!! E essa foi a que os caras cansaram de me ouvir cantar na volta do Paraguay (sabe-se lá porque): Stand By Me - The Beatles.



CONSIDERAÇÕES FINAIS
Realizar uma viagem dessas, em grupo, em motores clássicos de baixa cilindrada, por duas semanas, pra fora do seu país, é uma coisa fatalmente lúdica na vida de um homem. É capaz de tirar de órbita a sua cabeça para nunca mais voltar ao plano da razão ou do senso-comum. Eu confesso que quando cheguei da trip senti um vazio existencial sem fundo, uma escuridão dentro do peito. Anunciei na internet: "Fidelis vende tudo". Saí de órbita, talvez foram meus amigos que me seguraram um pouco mais aqui em São Paulo. Esse é o tipo de turnê que se der certo, a amizade se eleva ao nível da cumplicidade no crime; mas se der errado, tudo vai pro saco, inclusive o seu clube. Prezamos pela segurança total, e pra começar considerei um critério como ponto de partida dessa II Expedição: o comboio só seria formado por membros da Scooteria Paulista. Todos concordaram, e não havia nisso um pingo de diferença com os colegas e amigos de outros clubes e afins. Foi uma conduta conversada. Tratava-se de um projeto sério, que envolvia uma grana e muitas marcas, com contrato assinado e reconhecido em cartório via JWT. (Vai sair um "vídeo show" disso, e talvez até mesmo o Assef não apareça nele por ter decidido de última hora alcançar-nos no caminho). Fato é que não fosse isso, teríamos realizado a viagem do mesmo jeito, mas com a grana da janta, trocando cartões postais por gasolina, e pedindo uma ajuda para o povo brasileiro. Estamos felizes pelo que vivemos, e da maneira como foi, e não vemos a hora de partir voltar pra estrada novamente. A gente sabe dos nossos limites e de todo o azar do amadorismo, mas o encanto está na máxima: "ser ou não ser". Do pó viemos, ao pó voltaremos, e não, não temos medo, porque quem somos sabemos. glu glu yeyé!

Relato por Marcio Fidelis
Fotos: João Unzer