Últimas Imagens

sábado, 30 de novembro de 2013

II Expedição Tropeira Brasil Paraguay (Parte 04 de 05)

Depois de sete dias longe de casa, de quase quatro dias de Paraguay, chegou a hora da volta, correria que narraremos em duas etapas finais em nosso registro virtual. Pois bem, Rafael Assef havia chegado no sábado, a tempo de curtir a reta final do evento, ao lado do Vespaparazzi, Hernán Rebalderia, Fabio Much e eu, Marcio Fidelis. Da equipe patrocinadora - JWT -, havia um carro de apoio, com Diego Koba e João Unzer. E foi assim...



Segunda-feira, 04 de Novembro - Encarnación (PAR) - El Dorado (ARG)
OS PISTOLEIROS DA FRONTEIRA

A turma acordou no pique, já com as motonetas lavadas, menos eu. Vespaparazzi havia trocado o óleo de câmbio de todas elas, prevenções de um rodoviário ativo. Diego Lopes, sim o paraguaio, mais dois de seus amigos estavam conosco até os últimos momentos, e acamparam no Parque Quiteria também. Nano Aliaga, sim, o nosso amigo argentino, idem. Sua Vespa estava num reboque, que seguiria para não sei aonde, e por isso ele rodaria por umas horas com uma LML de motor clássico. Por precaução decidi abandonar o pneu usado que havia ganho do Jorge Colman em Ciudad del Este, pois detectei nele umas rachaduras cabulosas. Vespaparazzi me emprestou o step e segui assim, sem mesmo trocar o aro. Aconteceu então que na saída ouvimos um barulho diferente na mesma roda. Era o bico da câmera que tocava no garfo a cada volta. Encostamos num posto de combustível então para um reforçado café da manhã e reparos dos pneumáticos. Durante o ajuste duas câmeras de ar furaram. Não tínhamos mais reservas, eram elas. Nano me emprestou a LML e saí a procura de um borracheiro rodando naquela dois-tempista novidade do passado indiano. Paguei ao borracheiro 15 mil guaranis para que consertasse as duas câmeras. Nas volta flagrei o Vespão fazendo umas fotos com uma escopeta de verdade na mão, a do segurança do posto. Como é que alguém convence um guarda a emprestar a sua arma assim? "Já já te devolvo" (??) kkkkkkkk. Tudo certo com os pneus e com o desjejum dos mamíferos, então "simbora"!!


Era quase 11h quando chegamos na fronteira do Paraguay com a Argentina. Cruzamos a Ponte Internacional e paramos em frente à bandeira da Argentina para fazer uma foto. Um fardado do exército nos negou permissão. (Dizem que é por uma questão de segurança pois a base do exército fica atrás do mastro). Hernán, o nosso argentino, ficou bravo no ato e impulsivamente deixou escapulir a frase "argentinos chatos de mierda". Aí apareceu um militar nas costas dele e perguntou algo como "que dijiste? Ojo"! Hernán teve que se explicar, e fez bem, e "hablando" a mesma língua disse: "yo soy argentino, puedo decir lo que quiera de mi pais". Ah se fosse eu, estaria por lá até hoje kkkk. Na Duana queimamos quase uma hora, entre filas, documentos e câmbio da moeda, até que entramos em Possadas. Pra mim estar lá tinha um ar nostálgico, pois tinha conhecido a cidade em 2003 numa viagem beatnik mucho loca - (mochileira/cultural) de carona em carona entre Londrina e Buenos Aires. 


Hernán foi pra ponta, orgulhosamente conduzindo sua PX200 brasileira no seu hermoso país natal. De cara tomou o caminho errado: ao invés de nos tirar de Possadas ele nos levava mais para dentro ao não entender a lógica de uma rotatória imaginária em construção. A poeira se erguia e a gente driblava tanto os carros como as pedras das obras. Depois de um tempo a gente percebeu o erro e retornamos pela mesma rota, era a Av. Brigadero Rosas, o início da Ruta 12, o início da viagem de fato. O sol das 12h30 começava a cozinhar nossos cascos. Mas não passaria muito disso. A primavera na província de Missiones era das mais generosas de toda a viagem. Na média dos 80km/h seguíamos com a doce sensação de cruzar um novo país, conhecendo em Vespas uma outra cultura e geografia. Depois de uma hora e meia paramos num posto de combustível a beira do município Jardín América, e por ali Hernán se mostrava bastante desapontado com o tratamento que recebíamos pelo caminho. Fato é que tínhamos feito o câmbio de poucos Pesos, contando que a Argentina seria uma rota de passagem, e além disso o Hernán levava seus cartões de crédito e débito. Só que os mesmos não eram aceitos naquele pedaço. Ele tentou um caixa eletrônico, mas não conseguia sacar. Preciso dizer que havia uma família indígena vendendo artesanatos com suas crianças pedindo dinheiro aos passantes, e um velho hippie numa bicicleta sem freios dando voltas e mais voltas pelo pátio do posto, e eu sei que era hippie pela estampa da camiseta e da mini-bolsa de tricô que levava pendurada. Devia ter ali uma poção ou elixir dos tempos do finado Albert Hofmann. Fui me certificar!! Não, não fui. No retorno pra Ruta 12 os parceiros do carro sumiram lá atrás, e começava a nos preocupar. Naquele momento era eu que esbravejaria calado. Hernán se ligou e alertou os caras para que não tirassem o olho da gente. Assef era o quarto elemento da viagem e dizia "calma", e naquele momento espontaneamente fomos encontramos uma nova dinâmica. Assef tomou pra si a câmera Go-Pro e amarrou no peito. Havia ainda uma situação desconfortável, que era o fato do novo elemento não estar nos planos da patrocinadora, e tão logo, fora das filmagens. Eu insisti para o "foda-se, ele é dos nossos, deve rodar ao nosso lado e estar nos vídeos pois se isso o que está acontecendo é a mágica imprevisível da Scooteria Paulista". E naturalmente as coisas foram acontecendo nesse sentido, e novamente o inconsciente daquela meia-dúzia trabalhava concentrado em prol da II Expedição Tropeira Brasil-Paraguay. Voltando, então o Assef tomaria a câmera e fazia takes dinâmicos de pé no assoalho da Vespa a 80km/h com o corpo e as mãos apoiados no guidão. Hora avançava, hora recuava. Vespaparazzi revezava posições, e nas subidas tomava sempre a direita pois fatalmente ficaria por último pois perdia potência. Hernán seguiu na ponta durante a maior parte do caminho. E devo confessar que raras voltas são tão excitantes quanto idas. Geralmente a viagem de casa ao destino é o que nos faz gastar neurônios, é quando funciona o super-foco. A volta é aquela pesarosa tarefa de levar as crianças pra casa, e muitas vezes é feita com mais pressa e menos deslumbre. Seria isso, se não fosse  tão fantástica a rota, se não houvesse tanta beleza naqueles lagos e riachos, ou se não fosse a inspiração do verde imponente da primavera misionera sob o azul celeste ao tom da bandeira. Era uma estrada de mão dupla - uma ia e outra voltava - e de pouco tráfego. Pista livre!!


Hernán sobretudo estava bastante apreensivo com a falta do vil metal, a escassez do Peso pesava na sua consciência. Por isso resolveu parar na primeira cidadela a frente, em Capioví. O "vilarejo" me lembrou aqueles que muito frequentei no oeste paulista, como Cândido Mota, por exemplo. Uma família nos guiou até o banco na praça central, e lá finalmente o hermano pôde sacar 1000 pesos - o limite diário. Não era muita coisa não, mas sanaria nossas preocupações. Dava 15h e a fome apertava. Meu mau humor era notável e não conseguia disfarçar. Era uma irritação qualquer, mais provocadoa pela fome do que pelas idéias. Os restaurantes da cidade estavam fechados. Prezávamos por um prato local, mas ali não degustaríamos muito da gastronomia típica. Com o estômago nas costas puxei os amigos pela contra-mão até uma marginal rodoviária que havia e paramos numa lanchonete bastante simplória. Como não estava servindo refeições naquele momento - a não ser meia dúzia de empanadas -, o proprietário deixou-nos utilizar as mesas enquanto nos alimentávamos com os lanches da "rotiseria" do mercado ao lado. Ali foi um embaço dos grandes. Primeiro porque a cozinheira ainda não tinha chegado, depois porque o padeiro estava atrasado. Resumindo, perdemos uma hora e mais um pouco naquele lugar. Mas nos alimentamos. Os lanches eram grandes, e bons também. Vespaparazzi fez um amigo boêmio por lá, e nesse meio tempo já tinha caído a ficha de que os nossos planos de entrar no Brasil até o fim de tarde era uma doce ilusão, e insistir nisso tornaria as coisas um amargo delírio. Conversamos sobre as possibilidades, e elas eram: (1) acampar no quintal de alguma casa de família, (2) acampar aonde der, (3) tentar uma pousada baratíssima, (4) avançar no escuro. Deixamos no ar a meta de chegarmos pelo menos na cidade de Eldorado. E assim prosseguimos, com tanques e buchos cheios. A viagem era maravilhosa, e o clima já era outro, sem pressa, num ritmo de entrega às paisagens do caminho. Passamos por gigantescos Pinhais e imensas plantações de mate. E mantínhamos a boa comunicação com os veículos durante as ultrapassagens, enquanto Assef dividia a câmera com o Vespão e com o Hernán. João se descabelava com as imagens do quarteto em pista. Eu ficava atento às possibilidades de registrar da maneira mais fiel o espírito do momento. Meus registros todos eram feitos pela câmera do meu celular, como essa abaixo na ponte sobre o Rio Paranay, postada no Instagram In_Vespa_Fidelis durante a Expedição.


Então finalmente, depois de parcos 300 kms rodados, as 19h invadimos a elegante cidade de El Dorado. Já na primeira avenida, a Ruta 17, paramos em praticamente todos os (dez) semáforos até que Hernán viu o cartel do A.C.A., o Automóbil Club Argentino. Seu pai é sócio dessa grande entidade nacional, e a sua influência seria decisiva nessa noite. Acostumados com os acampamentos e hotéis extremamente baratos, nos surpreendemos com a imponência do A.C.A.: belas paisagens, escadaria, recepção, cervejaria, cardápio rebuscado e pessoas de muita elegância falando baixo somente o necessário. Por algum motivo um amigo do pai do Hernán falou com o gerente do hotel pelo telefone, e o mesmo se dispôs de fato a colaborar conosco, compreendendo a nossa necessidade. Queríamos um quarto para seis. Primeiro ele nos ofereceu um pelo mesmo preço cobrado dos sócios do clube. Apesar de justo, corríamos o risco de precisar dessa grana no dia seguinte. Então nos deu a opção de acamparmos no gramado dos fundos. Até que então, num momento de graça ele nos ofertou o valor exclusivo cedido às agências de turismo. Foi muita gentileza, não podíamos recusar. Nos apertamos no quartinho entre as camas e colchões infláveis, e depois do banho jantamos como príncipes, compartilhando algumas cervejas de litro. Diego se mostrava bastante cansado e  irritado com o fardo da responsabilidade de produtor. Dirigir o carro por um dia todo era o mais simples. Sua função como produtor, via JWT, era auxiliar em tudo o que fosse preciso, tudo! E sobretudo, cuidar da contabilidade da viagem, das notas fiscais e anotações, e era aí que sua cabeça fritava, na conversão das três moedas: Real, Guarani e Peso Argentino. João nos mostrava os takes que o Assef tinha feito de pé na Vespa. Talvez tenha sido esse o uso mais perfeito da Go-Pro durante toda a Expedição. Vespaparazzi já morria de saudades da esposa e não escondia. Imagine você deixando a sua mulher em casa para viajar por dias e dias com cinco machos a sua volta... kkkkkk.
Hernán estava especialmente mais contente naqueles momentos de Argentina, talvez também porque sabia se comunicar muito bem com os seus, fazendo-se compreender, e tanto fez que estávamos lá naquele "palácio" sendo tratados da mesma forma como os empresários das mesas a nossa volta. A meia-noite todos foram dormir. Eu pedi a saideira e passei mais um bom tempo tomando um vento com breja enquanto refletia apaixonadamente sobre as experiências da viagem. Durante a noite conheci o Luis, um jovem funcionário do hotel, um sujeito muito atencioso e divertido. Dentre tantas coisas ele me dizia que em El Dorado havia muito mais mulheres do que homens, muito mais, e que qualquer pessoa de onde viesse seria capaz de conseguir emprego nas indústrias locais. Parece convidativo pra você rapaz? Aos risos Luis me contava histórias pitorescas dos últimos anos da cidade. Não fosse o cansaço eu passaria a noite ouvindo e fazendo perguntas. Mas caí no sono. Boa noite gente!

Terça-feira, 05 de Novembro - El Dorado (ARG) - Laranjeiras do Sul (BRA)
A ÚLTIMA FRONTEIRA

Depois de um generoso café-da-manhã no Automóbil Club Argentino, partimos pra Ruta 12. Não sem antes completarmos os tanques (num Shell local). Era quase 10h. Aliás, bem ali um jovem veio contar pra gente que tinha uma Siambretta Standard em casa e que não sabia aonde encontrar peças. Passamos nossos contatos pra ele, pois temos nossos amigos da classe lá do meio do país pra baixo. A Ruta 12 ficava, a cada quilômetro, mais bonita. Fazia sol e um calor tão intenso quanto o da manhã anterior. Depois de Puerto Esperanza e Wanda paramos para abastecer em Puerto Libertad. Compramos um monte de pães de queijo argentino, um lance diferente mas muito bom, temperado com erva doce. Concluímos ali que de fato o tratamento que tivemos na maioria dos lugares da Província de Misiones era naturalmente frio. A bola da vez eram os frentistas malas. Não é nada pessoal, cabrón!! Talvez a região, por ser exposta a duas grandes fronteiras, fazia do nativo um tipo pouco convidativo. Também era notável o senso de limpeza e organização de tudo, e aquele zelo só pode ser mantido por pessoas de um apaixonado espírito de amor à própria terra.


Quilômetros adiante paramos sobre a ponte da Represa Urugua-í "Norberto Velozo", a hidrelétrica que abastece toda a província. Foram 20 minutos de fotos e vídeos. Dali esticamos numa tocada mais agressiva, tínhamos mais 100 kms de viagem pela frente até a fronteira. Uma das cenas mais lúdicas dessa estrada foi um trecho de dez ou vinte quilômetros abonados de borboletas amarelas voando pela pista. Elas dançavam no ar em bando, contrastando com os cinquenta tons de verde da vegetação. Em mais uma hora de viagem chegávamos então em Puerto Iguazú, a pequenina cidade que margeava o Brasil. Era meio-dia de sol. Hernán sugeriu queimarmos nossos últimos Pesos ali mesmo, em combustível e alimento, para não perdermos tempo ou juros com o câmbio monetário. Num primeiro YPF havia uma imensa fila para combustível, o que nos levou a tentar ganhar tempo em outro. Só que nesse outro não tinha gasolina. Então tomamos um café rápido e partimos para a fronteira. Passamos rapidamente para o lado brasileiro. Voltavam as preocupações do Hernán com seus documentos de condutor quase regulares, ou "quase quase isso". Bom Argentina, ficamos por aqui, muchas gracias hermosa. Hasta la vista.


BRA$IL
Às 13h30 estávamos em Foz do Iguaçú abastecendo com o sorriso na orelha e uma pontinha de saudades dos países que deixamos. Vespaparazzi saiu para fazer uma comprinha, e vinte minutos depois voltou dizendo que vira três vespistas seguindo na direção oposta a que viemos. No mesmo instante liguei minha Vespa e saí em disparada a procura desse "mistery trio". Driblando retrovisores e furando semáforos encontrei-os em poucos minutos. Eram os Charlie Satans Scooter Club, que depois do Encuentro Internacional en Paraguay resolveram dar uma esticada até as Cataratas do Iguaçú e naquele dia tomariam o rumo pra casa, para Mar del Plata. Trocamos algumas palavras em movimento, e na despedida ouvi essa frase do Cristian em alto e bom tom: "Marcio, hasta Sao Paulo, a la Copa del Mundo". Excelente!! Até lá camaradas!! No posto nos alimentamos rapidamente e seguimos para a BR277. Foram 150 kms nela, a mesma que passamos na ida, dias atrás. Resumindo: de uma viagem de 3500 kms, repetimos o prato por 150 deles apenas, com três diferenças em termos de novidades: a primeira foi que passamos por uma intensa blitz do Exército Brasileiro, o que quase nos segurou por muito tempo pois estávamos com o carro carregado (de equipamentos de áudio e produtos da JWT, claro!); e a segunda porque o Vespaparazzi fez todos se arquearem de rir com as garotas de um posto de combustível de Céu Azul, e a terceira era que estávamos os quatro juntos. Ah, durante a rota tentei parar o comboio para fazer uma foto no km 666, mas o Assef estava muito à frente e não ouvira meu buzinaço.


Passamos em Cascavel por volta das 15h30. Eu sentia muito sono, e começava a sonhar acordado. Contei pro Vespão mas disse também que não queria diminuir o ritmo da viagem. Avançar e recobrar o tempo perdido era uma necessidade. Mas era preciso parear as urgências. Visto isso, Vespão puxou a tropa pro acostamento ao pé de uma sombra, e ali tiramos meia hora de descanso, e entre umas bolachas com atum (Gomes da Costa) e cigarros, tirei um cochilo de cinco minutos. Foi pouco mas suficiente para reiniciar o computador cerebral. Dali em diante sentíamos a necessidade de proteger o grupo como um todo. Carro e motonetas fecharam um bloco só, impenetrável e imponente na rodovia. Era uma pista simples e estreita mas de intenso tráfego de carros e principalmente de caminhões cargueiros, muitos deles levando madeira e espalhando suas fuligens pelo ar. Coordenamos a viagem como maestros. É preciso ter força na comunicação com os motoristas. É preciso convencê-los de que você está tão certo quanto um policial naquela hora. Alguns, apressados e abusados, realizavam manobras arriscadas pela contra-mão pois não se submetiam à velocidade dos 80km/h até a próxima duplicação da pista. (E haviam muitos trechos duplicados, assim como o acostamento, que frequentemente servia de escape). E foram 140 kms dentro do tom, regendo a orquestra com precisão e pulso. Fora isso, contemplávamos boquiabertos a natureza do caminho. Vespão já tinha nos avisado disso. Ganhávamos um fôlego sobrenatural a cada descida. Aliás, vale dizer que a formação de comboio nesse trajeto se deu nessa ordem: Vespão, Hernán, Assef e Fidelis - e atrás o carro de apoio fechando a pista e trabalhando com as setas. Em Guaraniaçu abastecemos pela última vez e refinamos a estratégia de rodovia pois o sol partia dessa pra melhor. Por isso eu fui pra frente, a minha Vespa tinha o farol mais forte das quatro. Então os últimos 75 kms de viagem foi um tenso percurso feito no breu. Mais tenso ainda foi quando quase atropelamos um filhote de cachorro no meio do asfalto. Ao avistar o vulto do animal ao longe mostrei para o Assef, que seguia do meu lado. Apesar do buzinaço o cachorro titubeou e não saiu do lugar. A freada geral por pouco não provocou um strike em 2 Tempos. Mas não passou de um susto, e tirando isso nada mais fugiu da regra. Aliás, foi o desenho do comboio que nos favoreceu nesse incidente, porque quando cada um sabe da sua posição e do lugar do parceiro, logicamente na hora do improviso se sabe no mínimo para aonde não se deve ir. Passamos na sequência por uma reserva indígena mas não pudemos ver nada além de alguns nativos andando no acostamento. Depois de Nova Laranjeiras a ansiedade e o cansaço se confundiam na mente. Era noite, e a missão estaria cumprida em questão de minutos. Ao entrarmos em Laranjeiras do Sul uma viatura da Polícia Militar nos acompanhou até um hotel sugerido por um morador local. Nos divertíamos com o fato. Enfim tiramos nossas botas e jogamos nossos pés para o alto num quarto espaçoso e suficiente. Depois dos banhos saímos a pé para lanchar num trailler na praça central, seguido de um rolê para o cigarrinho santo. Boa noite amiguinhos. Cansei até de escrever kkkkk. Fica a dica da Argentina pra vocês: De Nuevo en el Camino - Los Gatos.

Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Fidelis e João Unzer

2 comentários:

Anônimo disse...

Bem-vindos ao Brasil bravos estradeiros!!!

PJ LAMMY

Anônimo disse...

Bem-vindos ao Brasil bravos estradeiros!!!

PJ LAMMY