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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

II Expedição Tropeira Brasil Paraguay (Parte 02 de 05)

01 de Novembro, Foz do Iguaçú - Encarnación
TROVÕES NA FRONTEIRA


Chegava o grande dia, o da recompensa à moda galopeira. De pé as 7h30, metade acordava de ressaca, metade no ponto da bala. Meu lábios estavam rachados da insolação das outras tardes, o sangue pingava e o pulso ainda pulsa. "Ok não viaja"!! Depois do café reforçado juntamos a coisa toda (que não era pouca), e partimos, já pelas 10h, em meio ao trânsito confuso. Disse o Hernán: "essa coisas tão simples demoram, no mínimo, 40 minutos". Jorge Colman nos aguardava do lado de lá com um pneu usado pra mim. Lentamente, quase que levando nossos veículos a pé, atravessamos a Ponte da Amizade. Ela é o que é, estreita, cercada por grades, muito movimentada e vigiada pela Polícia Federal do nosso lado e pelo Exército do outro. E embaixo dela passa o Rio Paraná. Sem demora tiramos a documentação aduaneira enquanto o Diego fazia o câmbio da moeda (Real x Guarani). Veio um soldado e me disse que tinha passado um pessoal numas Vespas a um pouco mais de uma hora. Era o Farid e o Coca, do Vesparaná Club. Nesse corredor de 500 metros dezenas de pessoas pulavam em cima da gente oferecendo serviços de câmbio, guia, despachos, e sabe-se lá o que mais. Quando finalmente estávamos prontos para a partida, em Ciudad del Este, notei dois rapazes sem capacetes numa moto de baixa cilindrada convencendo o João (que guiava o carro de apoio) a puxar a tropa e segui-los por um tal caminho alternativo, porque supostamente no quilômetro seguinte estava acontecendo uma passeata dos professores públicos. Cheguei do lado deles, comecei a rir e disse "você fala isso para todos né". Eram tremendos caras de pau levando um trocado desinformando turistas. Ok, ameaçamos segui-los, mas na primeira esquina o Vespão tomou a frente e acelerou pra Ruta 7. De fato adiante não havia protesto algum. Havia sim o Jorge Colman, esperando a gente num posto de combustível com sua Vespa Sprint Veloce e o meu pneu na mão. Obrigado Mr.Colman!! Ali nos demoramos por quase uma hora. Rafael Assef, que acordava um pouco tarde em Campo Mourão (PR), estava perto de Foz do Iguaçú, e torcíamos para que ele nos alcançasse. Digitei no celular as instruções do Vespaparazzi e partimos na ventania que levantava a poeira das fazendas, dobramos à esquerda no início da Ruta 6, na pequena Minga Guazú. A estrada nos levaria, pelas próximas 6 horas, até a cidade de Encarnación, extremo sul do Paraguay.


Já nos primeiros quilômetros o Jorge Colman firmou uma velocidade própria e ficou nela: 65km/h. Seu receio era que o pistão travasse ou que grudasse o platinado. Respeitamos o seu ritmo e assim desfrutamos mais do visual pela frente. Inacreditável foi passar por uma imensa plantação de girassóis. Mais lúdico ainda foi o túnel de arvoredo próximo à cidade de Santa Rita. Nessa cidade paramos pro almoço, e nos sentimos no Brasil, muito por causa da culinária mesmo. Fui entender depois. O dono do restaurante era catarinense, e a cidade é reconhecida também pela quantidade de imigrantes brasileiros que compraram casas por lá. Estávamos no Departamento do Alto Paraná. A família do Colman, que nos acompanhava numa pick-up de apoio, fizeram toda a questão de nos pagar o almoço. Era uma gentileza multiplicada por meia dúzia de barrigudos. Os Colman são gente do melhor tipo. É uma honra ser tão bem recebido em outro país. É um bom sinal também. Agradecidos e bem alimentados seguimos satisfeitos, na tocada máxima dos 70km/h, administrando por mímica e setas o domínio da pista diante dos carros e caminhões. Quanto as motos, com elas não era preciso, o pessoal enrolava o cabo pelo acostamento mesmo, acelerando contra o vento, sem capacete (ou documento). Doctor Juan León Mallorquin é o nome da Ruta 6.


Passamos por uma cidadela chamada Naranjal, ela me lembrou um pouco do oeste paulista antigamente, com seus muros baixos, quarteirões planos e jovens de mobilete ensurdecendo a vizinhança. Acho que foi em San Rafael del Paraná que fizemos uma parada para combustível. Era o início do Departamento de Itapúa, conhecido como o "el granero del país", aonde a agricultura da soja, do milho e do arroz predomina. O campo estava bonito de se ver.
Achei interessante que em algumas propriedades os trabalhadores ergueram suas casas às margens da cerca, o que por ventura propiciava às famílias montarem pequenos comércios, como borracharias, sucos naturais, salames em promoção, sacos de laranja, utensílios de cozinha etc. Era 15h30 e o sol não dava tréguas. E foi nessas que o motor da Sprint do Colman travou, a 70km/h. Rapidamente ele puxou a embreagem e parou no acostamento. Enquanto a gente esperava o seu motor esfriar, do norte vinha mais um vespista, o Jose Rotela, que na verdade vinha da capital, trazendo a sua Sprint Veloce rebocada no carango. Bela ragazza!! Pronto, já era o segundo vespista paraguaio e a segunda Sprint Veloce com a gente. É um bom sinal também. Voltei pro motor do Colman, e pelo buraco da vela injetei WD no cilindro, e passo a passo destravei seu motor. Dali em diante isso não se repetiria.


A viagem estava gostosa, no ritmo rodoviário dos Radunos da Primavera. E enquanto revezávamos a formação do grupo, Diego tomava diversas partes da pista para que o João se redobrasse nos takes pela janela. Os caminhões pesavam, até porque, em alguns momentos, sem muitas opções de ultrapassagem, cresciam em nossas costas. Ficávamos no centro de um eclipse. A gente se comunicava o tempo todo com eles com setas e sinais, e buscávamos o acostamento sempre que possível, abrindo passagem para a fila represada atrás de nós. Hernán e Colman revezavam-se nas filmagens com a Go-Pro no peito. Vespaparazzi despertava a curiosidade e a simpatia de todos por onde passava. E no clima da viagem, revezávamos rapidamente a formação, dançávamos pelo asfalto todo e fazíamos os takes mais arriscados quando a pista abria. A gente parou para abastecer numa cidade chamada Edelira e um frentista lá me contou um pouco sobre a expressiva imigração alemã para a região durante as grandes guerras. "Vene Quá", chamou o "soldado" Vespaparazzi para um beijo na boca do frentista. Os caras se mijavam de rir. Às 17h30 fazíamos a última parada geral, na cidade de Bella Vista. Estávamos a 50kms de Encarnación. Vespão roubava a cena no Paraguay, e dessa vez um grupo de uma dúzia de adolescentes veio pedir uma foto com a gente. "dia divertido, tivemos uma especie de cheerleaders (que isso novinha!) da expedição!",  escreveu o Hernán. Então prosseguimos vendo o sol cair como areia na ampulheta. Depois de Trinindad a ansiedade aumentava, e às 19h finalmente estávamos em Encarnación. Abastecemos as Vespas, arrumamos as coisas e partimos, mascarados na noite paraguaia, na ordem da foto abaixo: Huracan Ramirez, Psicoprata, Caveira A Lenda do Trevo e Pistoleiro Paraguayo com o Esqueleto Brasileiro na garupa. E numa noite de calor e boa onda, a cidade de Encarnación parou para ver acontecer o I Encuentro Internacional de Vespas en Paraguay (evento associado ao XV Encuentro Internacional de Vespa Clubs). Tema do dia: Mi Oracion Azul - Herminio Gimenez.



Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Fidelis e João Unzer

Um comentário:

Anônimo disse...

HAHAHAHHAHA QUE FIGURASSAS. PIREI NOS NOMES MEXICANOS.

PJ LAMMY