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terça-feira, 16 de julho de 2013

GIRATA D'INVERNO (Parte #2 - 14 Julho)

Domingo, 14 de Julho. Segundo tempo da Girata D'Inverno. E as previsões passam longe de qualquer precisão. Estamos no meio de um inverno, e no domingo fez calor; acreditávamos num comboio pequeno de quinze ou vinte chegados, e chegamos em 34 Vespas e Lambrettas. Também não sabíamos se seria possível levá-las até a vila de Paranapiacaba. E para quem reparou um pouco mais na espectativa da casa: como seria o primeiro encontro social da SP desde o IV Encontro Nacional? Sim, desde então só visitamos os eventos dos camaradas. Então vamos lá, We're Coming Back!!


A concentração estava marcada para as 9h da manhã. Não no cartaz, aqui no blog. No cartaz, apenas (e discretamente) a data. Saímos às 10h, do Largo do Arouche, República. Éramos em trinta motonetas. Vespas PX200, Originale 150, Super 150, Lambrettas LI e Xispa, além também de uma Star4 da LML - aquela do chassis da PX. Amigos e colegas de todos os cantos de São Paulo, de Taboão da Serra, Osasco e Itatiba. Eu vinha da Mooca, e trazia a antiguinha para passear pela primeira vez fora da capital. Me arrancaram da cama em suaves prestações: o Diego Pontes com sua estreante PX-Trojan-200, e Koré na estradeira PX-LowRider-200. Na praça nos aguardava o Favero, Leo Russo/Claudia, o sr.Artur Biscaia, o Mestrinelli em Vespa e sua esposa Alessandra no carro. Também o Itatiba - que veio rodando de sua cidade, a mesma, no dia anterior -, o Gabriel, Marcelo, o Roberto, Vanderlei, Lucas, Hernán com namorada nova, Afonso, a Ane de PX, também a Rosa no mesmo modelo, os lambrettistas Ambrósio, João e Amorim; também o Rodrigo Cabredo na LI com o camarada Luiz Lavos trazendo a esposa na PX; o Paulo De Vitto, Davilym, Edelcio, o Poló de "Xispa", João "Johnny Star" e tantos outros que agora me foge da memória ou que infelizmente não pude conhecer pessoalmente em tempo diante da obrigação e da tensão da tropeirada.


Lentamente, em ritmo de aquecimento, passamos pela Sé e descemos para o Glicério. Segui na ponta, determinando o ritmo da tropa. Atento com o(s) ferrolho(s) da Sociedade, já nesse momento dei falta de alguns vespistas. Por quase cinco minutos ficamos parados no pé da Tabatinguera com os motores ligados na pista direita. Enfim desceu o Mestrinelli e o Favero acenando "ok". Fazia um tempo que não sentíamos esse aroma de comboio, dos motores clássicos. Meio a ele veio o cheirinho do Rio Tamanduateí, por 30 quilômetros de asfalto, do Brás a Mauá. Ali o limite é de 60 km/h, a gente andava a 40km/h. Fabio Much nos esperava em um posto e ouviu de longe o comboio chegando. Era a primeira vez que a Scooteria Paulista tomaria o rumo para o ABC Paulista. Tem gente que não gosta de muvuca, de buracos, de esgoto, de trânsito e cidades industriais. A gente não liga, a gente quer rodar e quer as ruas tomadas pela classe. Até porque essas motonetas foram criadas num (e para reerguer um) país destruído. 


E sempre à margem do rio podreira passamos por São Caetano do Sul, cuidando da locomotiva de 300 metros, falando de nós. De dentro dos carros populares o pessoal tirava fotos. Nas calçadas apontavam com o dedo, e as crianças adoravam aquela surpresa. Sem pressa, curtindo estar juntos, o agrupamento seguia barulhento. Revezávamos as posições. Uns esticavam, outros paravam para foto, e a Sociedade rodiziava os postos. Fernando na sua PX nos aguardava pelo caminho. Passando por Santo André paramos então no Posto Cabeça Branca. Lá o Marcelo Santana nos esperava com a Valery. Lá também a gente encontraria o Ito, parceiro paulista do Vesparaná Club. Lembra que falamos do IV Encontro Nacional? Lembre que o Ito é o japonês que nos deu uma força na condução daquele comboio histórico das 140 motonetas. Grande cara da música do Robertão!! A parada ali foi de 20 minutos. Marcelo Santana então explicava o caminho que haviam feito na semana passada em Vespa até Paranapiacaba, para definir o mapa da rota da Girata. Acho que foram 25, quando então voltamos pra Avenida dos Estados. Pelo caminho o rio parecia ganhar a cada metro (ou litro) um pouquinho mais de vida, pelo menos o mato e o carente arvoredo se destacava mais na beira da pista. No sol das 11 horas passamos pela Estação de Mauá pelo asfalto precário. Realmente tão precário, mas tão precário, que num dado trecho de um enorme buraco saía uma árvore- praticamente isso: claro, colocaram lá para sinalizar os condutores. Entramos na Av.João Ramalho e cruzamos Mauá até a saída. A cidade tem suas estreitezas e graus de dificuldades. Semáforos fechavam e cortavam o comboio ao meio. Na Humberto de Campos um carro ou outro forçaria ultrapassagem. Marcelo Santana ou Favero, ou ainda o Fabio Much, puxavam o ritmo da fila. Eu tentava controlar um pouco a ansiedade dos tropeiros.


Entramos então em Ribeirão Pires e sem dificuldades saímos dela. Nessa hora o Marcelo sugeriu aumentarmos o ritmo do comboio, visto que tomaríamos a rodovia (Dep.Antônio Adib Chamas). Represamos o pessoal diante de uma barraca de água de côco e repassei a instrução. Dali em diante a excursão viraria viagem, e das boas, apesar de pequena: apenas 12 kms até o destino. Encontramos o Gustavo Delacorte vindo na mão oposta com sua PX200 branca, ele vinha de Santos. Tirando fotos, bronzeando os braços, tomando um vento, os bravos e guerreiras da tropa chegava ao meio-dia no limite da rodagem. O limite era o bloqueio que anualmente é feito durante o Festival de Inverno de Paranapiacaba. Sem chances de seguir adiante rodando. Respondida aquela segunda pergunta. Na estrada a média deve ter subido para os 60km/h. Continuamos pela pista que divide a pequena Rio Grande da Serra e na sequência já vivíamos um outro "mood", no sol a pampa dando mais verde à várzea e mais brilho aos lagos. E ao meio-dia chegávamos no bloqueio. O único (e estratégico) estacionamento cobrava, de todo e qualquer veículo, o mesmo valor: 20. Sergio Andrade e eu, numa prosa, conseguimos a metade do preço por motoneta... "Aeeeeeee". Cinco ou seis vespistas tinham outros compromissos e destinos pela tarde, e decidiram se despedir ali mesmo da gente. O Ito seguiria de moto para Campinas. A gente foi pra dentro, em 28 motonetas. Emparelhamos todas elas, guardamos alguns capacetes no carro do Sergio, outros no carro da Alessandra, e então invadimos o busão, o coletivo que nos levaria para a vila de Paranapiacaba, pelo percurso de 4 ou 5 kms. A baderna foi geral, e os baderneiros exigiam "passe-livre sem violênciaaaaa!!!!". É hora dos políticos fazeram alguma coisa boa pela preservação, livre-circulação e taxa zero para importação de peças e acessórios para  veículos clássicos hihihihi... (Mas bem que podia ser sério!). Ao descermos do ônibus combinamos o retorno às 16h daquele mesmo ponto, com tolerância máxima de 15 minutos de espera, deixando todos livres para desfrutarem do Festival de Inverno de Paranapiacaba como bem entenderem. Até andamos um trecho agrupado, mas lá dentro, em meio as turistas do evento, nos confundíamos com a multidão e nos dividimos.



Pula o Festival todo, afinal, aqui era o momento dos amigos e camaradas botarem a prosa e a gelada em dia. Três horas depois encontramos o China e a Leika, que haviam se atrasado para sair de casa, e então vieram bem depois. E conforme o combinado, e pasmem (!!!), com pontualidade britânica, às 16h nos reunimos no ponto de ônibus e quinze minutos depois tomaríamos o coletivo - já sem o Roberto, o Vanderlei, e mais alguém que agora não lembro, pois voltaram antes do comboio. Em mais quinze minutos estaríamos ao lado das nossas maquininhas de fazer sorrisos. Demos a partida e partimos! O comboio começou frio, novamente um pouco disperso. Alguns avançavam, outros reduziam. Veio a chuva, fraca, mas ela caía de um céu todo cinza e branco. O tempo mudava. Devia ter baixado dois graus em questão de meia hora. Alguns seguiram em disparada, outros pararam no acostamento para vestirem capas. Estiquei e pedi ao Marcelo que freasse o grupo. Lá atrás o Poló e eu até brincamos que o João e o Ambrósio estavam vestindo a capa para andar dois quilômetros, porque adiante não haveria chuva. Outra "imprevisão" do tempo! Achamos que era brincadeira também, mas era verdade. Dois kms rodados e mais nenhuma gota caiu. Tocamos no solo molhado por algumas centenas de metros até agruparmos a turma e os carros. Vale lembrar que Sergio Andrade seguia conosco com sua Montana rebocadora fazendo diversas fotos, e a Alessandra Feola agora voltaria na companhia da Cláudia no carro. Ainda em Rio Grande da Serra fizemos uma parada geral num Shell. O Amorim precisava verificar o óleo do câmbio, os prevenidos tinham que guardar as capas, e as motonetas estavam com um pouco de sede. Foram vinte minutos ali, com os clientes do posto fazendo mil perguntas pra gente. Adoravam ver tantas velhas scooters juntas em sua cidade. Então tocamos até Mauá, alternando as paradas do semáforo e a lentidão do trânsito, forçando-nos a adiantar o passo pelo corredor. (Em fato não queríamos e não queremos rodar em comboio numeroso a noite). Os carros de apoio ficaram no engarrafamento, e o Mestrinelli com Leo Russo acompanharam as garotas lá atrás. Passamos pela estação de Mauá, e pouco depois, após dezenas de pardais e radares (que funcionam a toda prova) entrávamos na Av.dos Estados. Escurecia, e havia um certo movimento de carros levemente tenso, visto a buraqueira e a pouca profundidade dos faróis das nossas motonetas. Marcelo Santana ditava o ritmo, hora ou outra exigia um pouquinho mais da frota. Era preciso sinalizar e recobrar a atenção de alguns pilotos quanto à ocupação das pistas. Fica a dica: é prudente um comboio ocupar menos faixas possíveis em qualquer que seja a via, é ideal que ocupe somente uma delas. E pouco a pouco para trás ficava Santo André, e por lá o Marcelo e a Valery. Buzinaço pro casal!! Um outro olhar e tudo era perfeito: o barulhinho das Lambrettas, o fim de luz no céu do oeste, o desenho da zona industrial ornando a foto. Estávamos felizes, e deixamos o ABC com o sorriso estampado nas faces.


Na altura e na divisa dos bairros "Mooca x Cambucí" paramos num posto de combustível para uma despedida geral. O contentamento contagiava na batida dos motorinos que se ouvia ligados na calçada. E por ali, a dois quilômetros de onde começamos o dia, a nove horas do início de tudo, encerramos a programação da Girata D'Inverno 2013, uma semana do jeito que era antigamente. Foi um grande prazer nos reunirmos do jeito que foi. Deixo aqui um abraço a todos os que estiveram conosco, aos fotógrafos citados abaixo que disponibilizaram suas artes em tempo para essa postagem, o Celsinho pelas lindas fotos, e ao João Macruz, Luiz Lavos/ Clausen, Rodrigo, Ambrósio e João Medeiros pelos comentários bem legais que ouvi de vocês. E em nome da Sociedade SP um abraço especial aos sócios China, com a Leika, pelo empenho nos preparativos da primeira parte da Girata, e ao Marcelo Santana, e à Valery, pelo mapeamento da rota feita dias antes, para a segurança da segunda parte. De tudo isso, agora fica a dica: aos colegas e amigos que querem (de verdade!!) fazer parte da Scooteria Paulista, é preciso conservar andando uma motoneta de motorização 2 Tempos, é preciso ter espírito esportivo, ser adimplente e participar de pelo menos algum evento coletivo até ser convidado ao batismo. Aí é só deixar claro #queroserdascooteria (rsrsrsrsrs a tag não existe, não precisa usá-la). Um abraço a todos os participantes da Girata D'Inverno 2013 (parte #1 e #2). Que venha agora o lançamento do Almanaque Motorino...
(*Texto sujeito a alterações e correções durante essa semana)


Texto: Marcio Fidelis + Fotos: 01 Valery / 02 Luiz Lavos / 05 Sergio Andrade / 04 Davilym Dourado / 06 Hernán Rebaldería / 07 Leika Morishita

A Scooteria Paulista toca:
Woody Guthrie: Blues Train

4 comentários:

Marco Antônio disse...

O telefone da scuderia cai na caixa postal. Quero me cadastrar no clube e Insistirei a noite.

Leandro Chico disse...

Sensacional como sempre, agora só me resta ficar aqui puto pela gripe ter me segurado na cama o final de semana todo.

Scooteria Paulista disse...

Fala belô, como é q tá agora Chico? fim de semana devo ficar em São Paulo, vou no Parque da Mooca, com os camaradas. se pans fazemos um churras ,q tal?

Marco Antõnio, escreva um email pra gente: scooteriapaulista@gmail.com

valeu's!!!

Fidelis

Leandro Chico disse...

To melhor agora sim Fidelis...opa vou passar la entao...ateh abs