Últimas Imagens

segunda-feira, 24 de junho de 2013

SP-MG: Old Time-New Route

Da primeira vez que viajamos para Poços de Caldas (MG, em meados de 2011), Koré foi quem puxou a tropa das treze listras. E muita coisa começou daí! Agora novamente! Contrariando aos contrários, a cada mês um passo é dado, lento e bem pisado. Um a um, os bons filhos à casa tornam. Um breve anúncio na última semana aqui no blog e lá estávamos nós, às 8h da manhã na zona leste de São Paulo, à caminho de uma rota diferente: Koré, Rafael Assef e eu, Fidelis. Nossas Vespas: PX200, Super "200" e Originale "200". A quem possa interessar, segue o relato de uma viagem inesquecível.



Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino
De longe eu avistava a figura de um menino
Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo:
- Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo

Na "porteira" da Rodovia Fernão Dias, Koré anotava no seu caderninho de bolso os primeiros Reais gastos e o histórico atraso do Assef. Saímos às 8h40 pra estrada. Aí foi aquilo de sempre: muitos caminhões, vento e motoristas apressados. Passado o pedágio a pista abriu. Uma hora depois fazíamos a primeira parada para o café, na divisa de Atibaia com Bragança Paulista. Em vinte minutos retomamos a rota, a mesma que realizamos há semanas atrás, de noite, rumo ao Encontro de Autos Antigos de Águas de Lindóia. Passamos por dentro de Bragança e tão logo por Socorro. A beleza dos vales só não estava completa "por completa" porque o céu nublado fazia parecer chuvoso. Às 11h30 entrávamos na graciosa Águas de Lindóia. Paramos no primeiro posto de combustível e o Koré falou de algo estranho na sua embreagem. De fato ele baixou o ritmo nos últimos 40 kms. Ao dar a partida, o pedal passou direto, mole feito a Maria: eram os discos condenados!! Não havia o que fizesse mais a Vespa funcionar, aliás, naquele momento, nem no tranco. Koré ligou pra Free Willy, e sabendo que o Reginaldo, a Rose e o Diogo - equipe da loja - iriam de carro mais tarde para o mesmo destino, pediu pro pessoal levar o kit para uma provável troca. Assef regulou o cabo enquanto esperávamos o motor esfriar por completo. Então, depois de algumas tentativas, a Vespa pegou no tranco. Subimos nas motos e partimos para Monte Sião, ainda com um certo receio. Cada quilômetro rodado rumo à nova rota deixava o Koré mais tenso. Seu semblante petrificava e ele ainda perguntava: "vocês querem mesmo ir pra Ouro Fino? Não seria melhor a gente seguir direto pra Poços e esperar a peça chegar?". NÃO!!! Um pouco de fé e teimosia não faria tão mal assim. Estaríamos com ele do início ao fim, "então vamos, porque esperamos a semana toda por essa rota amigão"!! Seguimos, e pouco depois cortávamos a pequena Monte Sião. Não paramos, o objetivo primeiro era a famosa Ouro Fino. Entre as duas cidades mineiras havia 40 kms de uma das paisagens mais encantadoras do Brasil. Era a Estrada de Ouro Fino, que era na real apenas uma das estradas de Ouro Fino. (Foi dito num Globo Rural de 1991 que todas as trilhas de terra e barro por onde passava o gado que seria embarcado na estação de trem da cidade levavam esse codinome, portanto todas essas trilhas podem ser associadas ao tema da canção caipira). E no portal da cidadela, lá estava ele, o Menino da Porteira, eternizado num monumento de 10 metros de altura no meio da MG-290, e atualizado por um garotinho moreno, descalço, de olhar doce e muito gentil, abordando os turistas que param por lá. Sim, um garoto de um metro e trinta.
- Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando
Pra aquele sertão à fora meu berrante ia tocando

Andamos pela cidade até encontrarmos um restaurante e um posto. Comida boa, gente boa, terra boa!!! E um ex-vespista local veio falar conosco e nos deu a letra: "pela terra a viagem é bem mais curta". Assef e eu estalamos os olhos!! A contra-gosto Koré, o "low rider", topou a rota marginal, mesmo com a embreagem comprometida. 2 a 1: perdeu. E então tomamos a via sacra, pela terra, entre as montanhas e as paragens mais pitorescas das quais já passei em Vespa. Grande parte desse percurso é conhecido como "Caminho da Fé", rota de peregrinação católica que liga Águas de Prata (SP) à Aparecida do Norte (SP), e cuja maior parte desses 400 kms passa pelo sul-mineiro. Fizemos 50 kms de estrada de terra, subindo montanhas e beirando penhascos. Raramente cruzamos algum veículo. No mapa esse trecho se chama Estrada Para Crisolia. Erguendo a poeira e cruzando o gado, desbravamos uma das mais emocionantes rotas oficiais da Scooteria Paulista.




Era 16h20 quando chegamos em Santa Rita de Caldas. Na TV do posto passava o jogo Brasil x Itália, válido pela Copa das Confederações 2013. Lavamos as motos, uma necessidade quase fisiológica do Koré: clean and smart. E seguimos adiante pela MG-459, para os últimos 55 kms de viagem. Dali em diante a tocada foi ligeira, feita na média dos 90 km/h. O sol, que passou o dia preguiçoso deitado em cima das nuvens, ia caindo mais cedo. "Parecia Londres", disse o Koré a noite. No trevo tomamos a Rod.Geraldo Martins Costa, e finalmente chegávamos em Poços de Caldas, pelas costas da cidade, direto para a Urca, aonde acontecia a X Exposição de Motocicletas Clássicas, na qual os amigos do Poços Scooter Club inaugurava a planta do projeto Taberna Old Time. "Três Heineken's por favor"!!!

Eduardo Alvisi e Erley na Taberna Old Time / Poços Scooter Club

O estilo taberneiro era aconchegante e divertido de fato. Diferente do que tivemos no mesmo local há dois anos atrás, Eduardo Alvisi e Erley Jr. investiram dinheiro e criatividade num espaço especialmente preparado para a classe. São experientes no ramo dos autos antigos, e começam a aplicar (e a nos ensinar) o conceito. As garotas trabalhavam a mil no bar: Dani Alvisi, Carol, Cris Yummi, Keke, Diego, Mari e mãe, Mari Shultz; também o André. No espaço as motonetas dos caras faziam figuração. Duas máquinas de Fliperama, um projetor de vídeos e uma TV/JukeBox divertia os marmajos, ao som ambiente de Johnny Cash, Madness e afinidades. A criatividade não parou por aí. Sucesso maior da Taberna foram as Vespas PX recortadas na metade para servirem de banco de balcão. Os para-lamas viraram lustres, e os baús, porta-cardápios. Uma bela M3 lá estava, num cenário à moda antiga, para você fazer aquela foto ao estilo Roman's Holiday. Em exposição figuraram as Vespas dos meliantes: Alvisi, Erley, José Frison, Fabio, Carlos, Vanderley, Topete e Flavio. Encontramos por lá o Serginho com esposa e o Rodrigo, todos de Jundiaí, e que vieram rodando bravamente em suas Lambrettas Standard D e LD. (Soubemos também da passagem relâmpago de alguns camaradas campineiros por lá). Também do lado de fora duas ou três PX200. Às 20h chegavam, em 4 rodas, o Reginaldo/Rose, Fabio Much e Diogo, parentes, namoradas e amigos (da loja). Começava a festa!!

Taberna Old Time

Era quase 21h30 quando Alvisi chegou em mim e disse: "pelamordedeus salva a minha pele, preciso que vocês participem de um desfile na Sinfonia das Águas". É pra já!!! Ligamos as três estradeiras e partimos, escoltados pela Polícia Militar da cidade. Much veio na minha garupa, relembrando os causos cômicos que vivemos ali em 2011. A Sinfonia das Águas é um mega e tradicional evento da cidade. Reúne milhares de pessoas e músicos, e é transmitido ao vivo para toda a região pela TV Plan. Ao entrarmos esfumaçando pelos bastidores, o organizador me disse, apressado, que era pra gente seguir reto e parar no palco. Ao menos foi isso o que eu entendi. Mas parece que não foi bem o que ele disse. Obedeci ao comando e segui, com o Much na garupa, lentamente em primeira marcha. Conforme chegava mais perto do palco um espantoso silêncio me assustava. Os músicos olhavam fixamente para as partituras, e a platéia fixamente para eles. As luzes batiam na face do banda, que deveria, naquele minuto, iniciar uma sinfonia pelos instrumentos mais graves. Sem entender nada, segui "obediente" acelerando rumo ao palco. Então embiquei na rampa e enrolei o cabo. A rampa era alta e íngreme, e o Much quase caiu pra trás. Seus dois pés subiram na altura da minha cabeça, e foi dessa maneira que aparecemos no palco, diante daquela platéia toda. Cena dos Trapalhões. Não entendi nada, mas percebi que tinha feito a cagada do século. Olhei no retrovisor e vi o Assef e o Koré parados ao lado do Alvisi de pé lá atrás. Olhei para a platéia e a multidão de mil e tantas pessoas estavam congeladas de susto, e a orquestra, na nossa direita, esbugalhava os olhos em cima da gente. E o palco não acabava nunca, e todos olhando espantados pra gente. Na dúvida, resolvi deixar um recado pra platéia num uníssono "e aí rapaziaaaaada", e o Much com o "chegaaaaa!!!" Nos alto-falantes ouvi o orador da festa esbravejar: "o que é isso minha gente? isso não devia ter acontecido". Quando descemos a rampa, o organizador do evento se mijava de rir. O Much e eu, mais ainda, esgueirados e escondidos atrás de um painel do palco a gente chorava em risos. Ele nos disse: "não era pra subir no palco, era pra esperar do lado". A gente tinha cortado o clima da sinfonia. Saímos voando de lá. Depois de alguns minutos chegamos novamente por onde havíamos entrado, e lá o Alvisi, o Koré e o Assef, se contorciam na gargalhada. Então me passaram a instrução: eu deveria pegar a cantora ali embaixo, e levá-la na garupa até o centro do palco, aonde ela ficaria para um pout pourri dos clássicos da Jovem Guarda. Ok, dessa vez acertei, peguei a dona, acelerei, subi a rampa e parei em frente aos holofotes. Aí ela desceu. Durante a apresentação subiram alguns carros históricos, e na seqüência o Assef com sua Vespa Super (levando o Much na garupa) e o Koré com sua PX200. O orador anunciou a presença da Scooteria Paulista, e nisso o Koré ficou por lá, parado no palco sem saber o que fazer, por algumas dezenas de segundos. Então ficou assim: "melhor sairmos daqui antes que sobra pra gente".

Desfile às avessas na tradicional Sinfonia das Águas

Voltamos pra Taberna, e de lá para a "praça de alimentação". Na lanchonete Diogo topou o desafio da casa: se comesse o famoso mega-lanche em 25 minutos não pagaria (e levaria a Coca litro). "Ôxi, desce aí que como mesmo"!!! Torcida organizada e discursos motivacionais não fizeram caber o lanche de 4 quilos no bucho do desafiante, que desaforado prometeu revanche na próxima (hehehe). O Assef dormiu com a cabeça na mesa, um dedo no ouvido e outro dentro do olho (como assim??). Aí veio a pegadinha do Malandro, deixamos ele sozinho na mesa e nos escondemos para o susto que a garçonete lhe deu: "moço, acorda, seus amigos foram embora e eu preciso fechar o trailer" (hehehehe, ele quaaaaase caiu). Acabava a nossa noite, às 1h30 da manhã. Uns pro hotel, outros pro apartamento da Cris Yummi. Assef, Much e eu agradecemos imensamente à Cris e ao Koré pela recepção e hospedagem, pois motivos financeiros quase nos impediram de viajar. 

Uma noite bem dormida, o desjejum da Cris e um bom banho foram essenciais para o segundo tempo dessa aventura. Descemos então para o evento. Ao chegarmos, as nossas Vespas (que haviam dormido por lá) estavam expostas ao pé de uma árvore. Puxamo-las para a calçada da praça sob o sol, iluminando o barro e as gasturas que o uso diário e a alta quilometragem causa em "relíquias" vivas. Conhecemos por lá alguns proprietários de motonetas, apreciadores do estilo e pessoas diversas que vinham nos perguntar a respeito delas. Não levamos nada da Scooteria, nem adesivos, nem banner, nem merchandising algum. Somente os Almanaques Motorino's, que foi a minha moeda de troca com os produtos da Taberna - obrigado Alvisi. Era meio-dia e alguma coisa quando chegaram o Reginaldo/Rose e cia, trazendo os discos de embreagem para o Koré. Levaram a Vespa então até a Casa Pedro, aonde Reginaldo realizou a troca. Assef e eu ficamos pela Taberna tomando umas geladas, e lá pelas 15h, quando cogitávamos passar mais um dia em Poços, Koré chegou, pronto e acelerado para a volta. Triste despedida!!! O povo mineiro é acolhedor e carismático, sabe receber os visitantes e preparar bons cozinhados. Todos saberão disso no V Encontro Nacional, em Maio do ano que vem.


Bom, a volta foi relâmpago. Com apenas uma parada para refeição e três para combustível, fizemos o percurso de 260 kms em apenas 4 horas. É a terceira vez que pegamos essa mesma rota, e não havia nada de novo no front. O grande barato foi encontrar o Topete no Frango Assado da região de Aguaí. A dinâmica da viagem teve um quê de lógico. Koré assumiu a posição de ferrolho, e quando o sol se pôs, vestiu o colete sinalizador e  passou a se comunicar conosco pelo código das setas. Fazíamos a volta na média dos 100 km/h, e era preciso toda a concentração do mundo em meio aquele trânsito noturno. Às 20h entrávamos na Marginal Tietê, aonde paramos para um abraço de despedida entre irmãos de óleo. E assim encerramos um dos finais de semana mais inusitados que já vivemos em Vespas. E acho que isso é o que faz a união: quando em comum se divide a lealdade, o propósito e o asfalto. "A gente quer inteiro e não pela metade". É o que eu acho. Obrigado Minas Gerais.

Texto: Marcio Fidelis
Fotos:  1,2,3,4,6,7 por Fidelis
Foto 5:  Rafael Krauss
A S2T Scooteria Paulista S2T toca:
TIÃO CARREIRO & PARDINHO: Minas Gerais

9 comentários:

Rosemeri disse...

Estou me matando de rir com o seu relato da cena na sinfonia das águas e eu estava lá para presenciar essa cena kkkkk Valeu demais essa viagem, como as outras foi SHOW!!

Anônimo disse...

ja postou ? tem vez que demoraaaaaaa

Scooteria Paulista disse...

opa, hoje na era da super-informação, melhor eu postar antes que a turma faça uma manifestação na minha rua kkkkkkk

Fidelis

Animal Taylor disse...

Eu soltei uma sonora GARGALHADA com a entrada no palco. Hahaha fiquei imaginando a cena e as reações da galera. Kkkk

LEANDRO CHICO disse...

PQP! Me imaginei la na plateia pela riqueza de detalhes costumeira ja nos relatos de Fidelis. Espero um dia poder estar realmente presente de corpo, alma e oleo2T rodando com a macchina na estrada com voces!

Scooteria Paulista disse...

Com certeza Leandro, vai dar certo seus docs e vc vai rodar a valer com essa cambada de desajustados sociais hehehehehe... abraço

Fidelis

Scooteria Paulista disse...

Animal Taylor, a TV Plan filmou, mas ainda não pôs no youtube. to querendo ver isso aí pra conferir kkkkkkkk te aviso

Fidelis

Anônimo disse...

HAHAHAHAHAHAHAHHAAHHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAH
RI MUITO AQUI COM ESSA HISTÓRIA. FIDELES ESSE FOI O RELATO MAIS LEGAL DE TODOS OS TEMPOS. AQUELES QUANDO VOCÊ FOI PRA ARGENTINA TAMBÉM, MAS ESSE FOI ESPECIAL DEMAIS. HAAHHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA

PJ LAMMY

Leo_Dueñas disse...

Espetacular, ainda mais com 50 km de terra e essa Teberna Old Time pra lá de profissional [parabéns aos mineiros, mostraram a que vieram].

Abraço,
Leo Dueñas