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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

SP-2013 - Parte 2: MOTONETA OU MORTE

Domingo de sol e muita expectativa para o grande dia. Foi a história, no Monumento à Independência do Brasil. Esse dia seria marcado por um giro de 50 kms pela cidade de São Paulo, com 140 motonetas nas ruas. Pouco a pouco a Praça Charles Miller, o grande pátio do Estádio do Pacaembú, seria tomada por uma festa popular chamada SP em Vespa e Lambretta.


Às 8h da manhã chegavam os primeiros lambrettistas. O Clube da Lambretta de Santa Catarina, que pernoitava por lá, já estava com as suas clássicas no solo. Num dos canteiros armei a "banca" com as faixas de pedana e outros souvenires. A correria era das grandes. A turma de Piracicaba estava lá, e trazia aquela Cezata Jawa além de históricas Lambrettas. Os Intocáveis, de Araraquara, também haviam rebocado suas Lambrettas. Leo Russo, Barbie, Marco e Tatu traziam o Confraria Vespa Motor Club, Vesbretta, Herdeiros do Passado e Vesparaná, com o nosso parceiro "paulistaranaense" Ito.
Alvisi (Poços Scooter Club - MG)
A dupla do Poços Scooter Club chegava também, depois de uma noite pela city com a equipe SP: Koré e a Cris. Os Lambreteiros Tapejara vinham da Sede da Scooteria Paulista, trazidos pelo Fabio Much, junto dos três paraguaios e o colombiano. O argentino Nano chegava direto, esse aprendeu a se virar na cidade-monstro - no sentido cartográfico. Leo Dueñas chegava com sua guerreira rodoviária PX, em sua primeira aventura inter-estadual, e em carreira solo. Mattioli por lá estava com amigos de Ribeirão Preto, e trazia de lá uma bela Super 150 vendida ali para o paranaense Coca 69. Marmirolli chegava de LI, pronto para o maior encontro da sua vida, e das nossas. Favero vinha da Penha para o seu segundo dia de obras, esse também trampou muito! O argentino da SP, Hernán, trouxe-me um rádio-comunicador, que dispensei por crer que isso me complicaria. Raphael Favero já guiaria o tempo todo com o Nextel/celular aberto no capacete, e faria a vigilância do comboio em movimento. Amigos de todos os cantos da cidade, do Estado, do Brasil, da América do Sul, todos reunidos e na expectativa das grandes. Por três vezes a Polícia Militar veio falar comigo para liberarmos a passagem da rua. Afinal, apesar de ser chamado de Praça, tudo ali é rua e estacionamento (Zona Azul).

Concentração Geral no Pacaembu - CLIQUE NA FOTO
Pelas 9h anunciei ao bando que o Koré e o Fabio Much guiaria quem fosse preciso para um Posto de combustível mais próximo. Gasolina, xixi e café, era agora ou tarde demais! Partiu então uma tropa de 25 ou mais. Raphael Pasqualin, repórter, fazia uma matéria para a Revista Bikers e para o programa Momento Moto, da Band.

Era 10h da manhã, e todos prontos! Uma a uma, como numa sinfonia, cada instrumento entrava em seu tempo, no seu tom, no seu canto, na grande arena urbana chamada São Paulo.


Partimos, juntos, todos, em um comboio jamais visto no  Brasil

João Braz (Vesparaná - PR) e tropa
Motivo de orgulho e vislumbre para cada piloto ali no meio. A maior tropa dois tempista já reunida seguia para a Av.Amaral Gurgel no ritmo de 30km/h. Tomávamos dois quarteirões inteiros em extensão. Seguimos para o Largo do Arouche, Av. São Luis e Viaduto Maria Paula, chegando ao coração da cidade. Me mantive na ponta, em todo o tempo procurando cronometrar os semáforos, para evitar que o comboio se dividisse ou extrapolasse o sinal fechado. Ito (Vesparaná) compreendendo a dinâmica, trazia as informações de trás pra frente, repassando pra mim as mudanças de ritmo conforme a geografia. Além disso, ele e Elcana, junto do Raphael Favero garantiram que ninguém se perdesse do agrupamento, sinalizando nas esquinas e desvios a rota do passeio. Leo Russo no princípio teve um cabo estourado na sua Vespa Super 150, e lá estava o sr.Laercio Rodrigues para o acudir com a carreta rebocadora no carro. O Sr.Albertini também socorreu uma bela LI, e seu filho, o parceiro Tatu Albertini, além de trazer a sua Racer JPS pro Animal Taylor rodar, deu uma força das mais necessárias para o evento como um todo. Notei, posteriormente pelas fotos, que os clubes procuraram se manter juntos, agrupados. Com exceção do Erley (Poços Scooter Club), que perdeu o seu parceiro de vista, ficando comigo na ponta até o final. Éramos um quilômetro de motonetas pela cidade, metade paulistas, metade visitantes de MG, RJ, PR, SC, RS, Paraguay, Argentina e Colômbia, todos com seus próprios motorinos.

Chegada ao marco-zero da cidade: Igreja da Sé

São José dos Campos e Dracena (SP)
Já no velho centro da cidade, na Rua Roberto Simonsen, o Uitamar tomou a frente do comboio enquanto eu esticava a mil sozinho até a frente do Pátio do Colégio. Eles dobravam o Solar da Marquesa e da frente da guarda da PM eu ouvia a locomotiva; o chão tremia. Estiquei sozinho para avisar o sr.Daré, o Aurélio e outros vespistas que ali aguardavam para integrarem a frota.

Aquela era a Rua Boa Vista, e foi ali que São Paulo foi oficialmente fundada pelos jesuitas, em 25 de Janeiro de 1554. Passamos pelo clássico Mosteiro do São Bento e à esquerda dobramos para uma das ruas mais bonitas da cidade, a Libero Badaró. Diante do Edifício Martinelli, nas proximidades do antigo Correio, e claro, do velho Banespão (tema do cartaz), a cena era "a fuder" - como diziam alguns gáuchos. Da esquina do Viaduto do Chá até a curva do Mosteiro de São Bento, só se via motonetas. Uma cena abismal, que se antes encantava aos pedestres e motoristas surpresos, agora chocava e violentava os seus sentidos. Era uma locomotiva barulhenta e expressiva, formada por scooters de ferro e lata, por pilotos de fibra e gênio forte, apaixonados pelas mesmas máquinas, como bem disse o Paulo Heinz em seu discurso na churrascaria, na noite anterior.


Atravessamos o Vale do Anhangabaú por cima do Viaduto do Chá. A ponte que tanto orgulha os paulistanos tremeria sua estrutura de concreto e ferro naqueles minutos. Na esquina o lendário Teatro Municipal. Mais duas três curvas e entrávamos na Avenida São João, passando pelo Largo do Paysandú, memórias da área da diversão que melhor são contadas pelos vecchios lambrettistas de SP que estavam no comboio. No primeiro semáforo represamos novamente: "Alguma coisa acontece no meu coração, quando cruzo a Ipiranga com a Avenida São João"; essa esquina, eternizada na letra do Caetano Veloso. À esquerda seguimos diante da Praça da República até a Av.São Luis. Barbie e o Marco Polo procuraram bloquear o trânsito para assegurar a nossa mudança de avenida. Aos pés do Terraço Itália.



De última hora, por sugestão da turma do front, mudamos de rota e decidimos subir a Rua Augusta, a 20 por hora. O rimo do passeio estava maravilhoso, e naquela altura já relaxávamos, nós a organização. Nisso veio a notícia de que a CET estava atrás do comboio. Tocamos sem alarde o comboio dos 140 marmanjos, e todos ou quase todos apresentaram um caráter de alta categoria em termos de giro coletivo. Na Avenida Paulista a troca de mão pelo retorno estava fantástico. As motonetas ocuparam todo o espaço nas duas mãos do mesmo penúltimo quarteirão da famosa, e de um lado o que se via do outro era espelho. O comboio se ordenava para o principal desfile do evento. Uma cena inesquecível, conforme lembrou o sr.Daré: "você estava de um lado com uma multidão de motonetas atrás, e do outro lado da Paulista tinha mais um monte delas". O que nos incomodava um pouco era a presença da Rocam atrás do comboio. Haviam duas viaturas, e motos oficiais. O pessoal vinha à ponta avisar-nos. A todos eu pedia calma, e que retirassem de trás do comboio qualquer scooterista suspeito. Favero, Ito e cia procuravam manter o comboio lineado em duas faixas, fornecendo passagem na direita para os ônibus e bicicletas, e na esquerda, para os carros e motos. E funcionou muito bem. Duas motos da Polícia Militar passaram por todo o comboio e dobraram na primeira esquina. Nós tocamos adiante. Nas calçadas os queixos despencavam. Todos gritavam, queriam pular na garupa dos Tapejara. As mulheres jogavam seus sutiãs nas viseiras dos confrades. Brincadeiras a parte, o espírito do dia foi registrado pelo J.Duran do PORTAL UOL


Da Consolação ao Paraíso, descemos o bairro até a 23 de Maio, com destino ao Parque do Ibirapuera. Daniel Herrera Masiá esticava para fazer fotos. Andamos um pouco a mais para que todos conhecessem o Monumento das Bandeiras, e também uma extensão maior do Parque do Ibirapuera. Controle de semáforo era a nossa principal meta. Os rebocadores estavam todos de parabéns, foram fundamentais, cada um!! À frente tomamos o acesso para a R.Sena Madureira, sendo seguidos por uma viatura da Polícia Militar, e lá na frente vigiados por um pequeno grupo da CET. E foi tranquilo. Henrique Picelli parou para abastecer e convocou quem precisasse de gasolina para encostar também. Grande parte do comboio seguiu adiante pois o objetivo agora era a parada coletiva para a foto oficial. Descemos pela Vila Mariana até a Av.Ricardo Jaffet. Preocupante era ver alguns furando semáforos, e não podermos fazer nada quando os batedores do meio cobriam outro ponto. Um risco desnecessário, driblado por muitos dos pilotos com seus artifícios. O grupo já demonstrava cansaço, e debaixo do sol das 11h30, o passeio já parecia mais do que suficiente para muitos. Na Ricardo Jaffet a equipe manteve o ritmo e os controles enquanto eu estiquei até a Nazareth na corrida pela ponta. Ali parei numa base da Polícia Militar e pedi para eles que nos auxiliasse na parada das motonetas. Gente cordial, que compreendendo a dimensão da frota, abriu-nos espaço suficiente. Quando o comboio chegou, depois de cinco minutos, o espaço estava reservado. Talvez se tivéssemos tentado pelas vias burocráticas, nada teríamos conseguido, mas assim foi. Emparelhamos 140 motonetas, lado a lado, numa extensão de quase um quilômetro de máquinas italianas, brasileiras,  tchecas e indianas.


O trabalho maior ali foi reunir todo mundo para uma foto oficial, esse mar de gente, um a um, no Monumento à Independência do Brasil. Depois de muito tentar, de aguardar o Favero, Tatu, Gustavo e cia com o pessoal que necessitou de reboque, depois de perder a voz e as pilhas do megafone, todos estavam lá, os mais fortes da classe, ou quase todos eles, pois sabemos que muitos de nós pelo Brasil adentro, não pôde vir, ou ter chegado a tempo. E ali, aonde foi declarada simbolicamente a Independência do Brasil, pelo Grito do Ipiranga do Dom Pedro I diante do Riacho do Ipiranga, na escadaria, o lema da vez era MOTONETA OU MORTE!!!


Mesmo o mais dedicado dos relatos e escritos não poderia expressar a dimensão e a complexidade que foi esse evento de três dias. Perdoem-nos aqueles que não cito nesse escrito feito às pressas. Levaremos alguns meses para entendermos o que vivemos e fizemos.

2 comentários:

Scooteria Paulista disse...

perdoem os fotógrafos, mas vou identificar a origem das fotos nos próximos dias, e revelar o segredo de tãos belas cenas...

Leo_Dueñas disse...

Grande Fidelis,

Meus parabéns pela descrição detalhada do passeio. Eu e Rafaela, em meio a massa do comboio, nem sequer nos demos conta de que motos e viaturas nos observaram durante o percurso. Fizeram o trabalho deles e nós a o nosso encontro, fico muito feliz inclusive da boa vontade que tiveram conosco para estacionar no Ipiranga.

Quando conseguir descobrir os autores das imagens, por favor me diga de quem a a 4ª (debaixo para cima), onde apareço na Paulista a esquerda. Quero muito esta foto em alta resolução para ter como recordação.

Abraço,
Leo