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domingo, 30 de dezembro de 2012

Expedição Tropeira Brasil-Paraguay (Parte 2 de 2)

A Expedição Tropeira Brasil-Paraguay, depois de algumas intempéries chegou ao seu destino: Assunção, a capital do Paraguay. Eder Luiz e Walter Vespaparazzi agora darão início à volta pra casa:


Por Walter Vespaparazzi

Hotel Cassino
22 de Dezembro de 2012. Naquele hotel em Assunção acordamos às 8h e saímos rapidamente na companhia do Jorge Colman (vespista da Ciudad del Este), que nos levou para encontrar com o resto do grupo dele. Era quase 9h30 quando saímos, o Eder, eu, e quatro integrantes do Vespa Club Paraguay que nos acompanharia até a cidade de Emboscada. Até lá porque comenta-se entre os motociclistas brasileiros que nessa cidade a fiscalização policial é famosa pelo estranho rigor, a exemplo desse vídeo no Youtube. Na saída de Assunção a Vespa do Jorge Colman apresentou problemas e parou lá atrás. Seguimos então, o Eder e eu junto do Diego Lopez. Foram 50 kms de viagem. Passamos pela cidade de Emboscada e percebemos a simplicidade do povoado cortado no meio pela estrada. Alguns quilômetros depois a gente parou para nos despedir do Diego Lopez. 
Diego Lopez e Eder Luiz
Muito obrigado a ele e a toda hospitalidade do seu clube!! Então o Eder e eu seguimos para um dia de ritmo forte. Passava das 10h da manhã e tínhamos pela frente uns 500 quilômetros a serem rodados. O nosso objetivo era dormir em Pedro Juan Caballero (PY), aonde éramos aguardados por dois moto-clubes. A viagem foi tranquila, correu tudo normal, com abastecidas a cada 100 kms. Não almoçamos para ganharmos tempo. O único momento para o descanso do motor eram as paradas para abastecimento: 10 minutos no máximo. Nessa rota fomos abordados por um casal paraguaio que pediu para que parássemos para uma foto. Na sequência encontramos um posto e abastecemos. Nesse mesmo lugar encontramos uma moto que chamava mais a atenção do que a minha Vespa: uma Honda Bizz com cabine. Claro que o Vespão não podia sair sem fazer uma fotinha. Era mais ou menos 17h. Seguíamos na mesma média dos 80km/h. Quando começou a escurecer, o nosso receio de rodar de noite eram com os animais na pista. A gente viu muitos animais mortos por atropelamento durante essa rota, e por isso tínhamos medo de sermos surpreendidos por um a noite. Aí finalmente às 21h encostamos no primeiro posto de gasolina de Pedro Juan Caballero (PY). Lá fomos surpreendidos por um dos integrantes do Moto-Clube Caballeros del Asfalto, que veio nos saudar e nos oferecer ajuda. Ele se chama Quico, e quando falei que estava a procura de Sabino e Ângela o motociclista então disse que era seu amigo. Foi aí que eles souberam que eu era o Vespaparazzi, já esperado por Sabino e seu moto-clube. No mês de novembro os nossos amigos jacareiense Bicudo e Claudir estiveram em Pedro Juan e comunicaram aos motociclistas dali que estaríamos chegando em Vespa no mês de dezembro. Eles ali do pedaço então já sabiam da gente. Eu disse para o Quico que estávamos com hospedagem gratuita oferecida a nós por um motociclista paulista no Hotel Cassino Amambay. Os motociclistas então deixaram seus endereços e telefones para que no dia seguinte procurássemos por eles. O Eder e eu então seguimos pro Hotel Cassino Amambay. Ao chegarmos no hall de entrada me deparei com carros e choferes, com gente gran fina de alto nível e muito luxo, aonde não me senti muito bem por estar sujo, suado, barbudo e cansado. Entramos, nos apresentamos, e o nosso quarto já estava reservado de fato. Tomamos o nosso banho, fizemos a barba e colocamos a nossa melhor roupa limpa enquanto conversávamos. O Eder disse: “Ô Vespão, o teu amigo que nos ofereceu essa hospedagem é show de bola, estamos no melhor que há na cidade”. Descemos pro salão de jogos para termos a oportunidade de desfrutarmos pela primeira vez de um Cassino, só que a diferença é que a nossa verba para apostas era só de 30 reais pra cada um. Jogamos, ganhamos e perdemos. Quando deu 23h30 fomos dormir. O dia foi o mais longo de toda a Expedição: 560 kms de giro.
   


Hotel Cassino Amambay

Caballeros del Asfalto
Domingo, 23 de Dezembro de 2012. Ao amanhecer fomos tomar o nosso café, um verdadeiro banquete oferecido aos hóspedes. Não sabíamos por onde começar de tanta coisa que nos foi oferecida. Depois fomos ligar as nossas Vespas. Foi quando notei que alguém havia sentado nela durante a noite e nessas brincadeiras, quebrou o cabo do acelerador (novamente). Após a substituição do cabo fomos ao encontro do Quico, do Moto Clube Caballeros del Asfalto. Chegamos na oficina do moto-clube às 10h da manhã, aonde foi feito um novo ajuste no acelerador, câmbio, embreagem, e aonde os amigos nos ofereceram todo o apoio, ferramentas e peças que precisássemos, e sem um custo. Após os ajustes eles nos levaram para uma churrascaria, aonde também fizeram questão de pagar a nossa conta toda. Logo em seguida nos levaram para um passeio no Shopping China. Lá eu comprei uma câmera Go-Pro, pneus novos pra Vespa e algumas quinquilharias. O Eder comprou um rádio para a sua Vespa. Na praça de alimentação chupamos muito sorvete paraguaio, tomamos refrigerantes e na hora da conta novamente a turma do moto-clube não nos deixou pagar um Guarani. Saindo de lá fomos para uma oficina de um outro integrante do moto-clube, que em sua atividade profissional é instrutor de vôo, e que tem a oficina para mexer em suas próprias motos, um hobby. Ali batemos um longo papo regado a muitas cervezas. Sabino nos convidou para que terminássemos a noite com um churrasco em sua residência. Lá fomos recebido por ele e sua esposa, Ângela. Durante o churrasco muitos motociclistas chegavam para nos desejar sorte, Feliz Natal, Feliz Ano Novo... e muitos nos convidaram para ficarmos com eles na cidade por mais tempo. Ficamos nesse churrasco até 1h da manhã, quando nos despedimos da turma e voltamos para o Hotel Cassino Amambay.

Moto 1 Piezas y Accesorios

Almoço com o Moto Clube Caballeros del Asfalto

Churrasco no Sabino & Angela Moto Club

De volta ao Brasil
Segunda-feira, 24 de Dezembro. Acordamos às 7h, tomamos o rico café de príncipe vespeiro e partimos com destino ao Brasil. Antes passamos na Aduana Paraguaya para a entrega das permissos já abastecemos as Vespas para garantir. Então entramos de volta no território brasileiro, pelo Estado do Mato Grosso do Sul, pela cidade de Ponta Porã. Após rodarmos cinco quilômetros fomos parados em uma barreira controlada pelo Exército Brasileiro, e lá deveríamos ser revistados. Porém nada disso aconteceu! Fizemos a nossa farra com os soldados, tiramos fotos com eles, e no fim das contas, não fomos nem sequer interrogados. Tocamos adiante por mais 70 kms até a próxima abastecida. Ao sairmos desse posto de combustível, notamos uma paisagem muito bonita, aonde resolvemos parar para uma foto. Após a foto, o Eder, que vinha na retaguarda, notou que o meu pneu traseiro começou a dar indícios de que estava se soltando. Paramos no acostamento e constatamos que o aro tinha rachado, e a câmera de ar estava saindo ainda cheia pela rachadura.
Aro quebrado
Certamente se rodássemos mais um pouco essa câmera iria furar e possivelmente eu teria caído com a Vespa no asfalto. Após a substituição pelo step seguimos viagem por mais 60 kms, aonde fizemos nova abastecida em Dourados e seguimos por Itaporã rumo à Nova Alvorada do Sul, aonde soubemos de um acesso para a ponte do Estado de São Paulo. A estrada era boa, sem muito movimento. Nesse meio tempo pegamos uma tempestade com rajadas de vento muito forte. Paramos num posto para nos abrigarmos e pós 10 minutos a tempestade passou. Então seguimos viagem até Nova Alvorada do Sul. Lá passamos pelo trevo de acesso, que não tinha combustível, e seguimos em diante pela BR 267 cada vez mais rumo ao leste. E com a nossa gasolina se esgotando começamos a ficar preocupados. Quando chegamos no posto seguinte a notícia era triste: não havia energia elétrica, e portanto não tínhamos como abastecer. O próximo posto estaria a 30 kms, mas nada garantiria que lá haveria energia elétrica e gasolina. E com a sorte que Deus nos deu, fazia 5 minutos que a luz tinha se restabelecido, e nisso já era 18h. Com os tanques cheios partimos satisfeitos. Mas uma nova preocupação assolava a nossa viagem. Rodamos por mais uma hora e meia até que a noite caiu de vez. Notamos que no trajeto percorrido pelo Estado de MS havia muitos animais mortos na rodovia, e eram dos grandes: porcos, vacas, capivaras, cachorros do mato, minhas primas etc. Aí estava a nossa preocupação com o anoitecer. Então com as informações que tiramos no último Posto, havia uma Pousada na beira da estrada, a 180 kms da ponte de Bataguassu.  O objetivo era chegar lá. Apesar do medo dos animais na pista, foi tudo tranquilo. Rodamos numa média de 60km/h a 70km/h até chegarmos na Pousada, às 22h. Saímos para um lanche no trailer ao lado, ligamos pra casa e fomos descansar. Essa foi a nossa noite de Natal: dormindo para tirar o cansaço pois ainda tínhamos mais dois dias de viagem. Nesse dia rodamos 350 quilômetros sob um forte sol.

Exército Brasileiro na Fronteira do MS

Eder contemplando a natureza na BR-267

Vespaparazzi no trevo para SP

De volta pra minha terra
25 de Dezembro de 2012. Saímos por volta das 7h da manhã com destino à Bataguassú a última cidade mato-grossense. Foram 180 kms de viagem tranquila, mas já com a estrada mais agitada e com mais caminhões. Abastecemos rapidamente e tocamos ligeiro. Em torno das 10h30 da manhã já estávamos na ponte da divisa entre os Estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo. Abastecemos em Bataguassu e cruzamos a ponte. São 3600 metros de travessia sobre o Rio Paraná. No fim da ponte já havia uma cidade: Presidente Epitácio. Ali mesmo pegamos a Rodovia Raposo Tavares sob muito sol. Tínhamos que fazer uma parada a cada vinte minutos porque o companheiro Eder estava sentindo muito sono em cima de sua Vespa. Abastecemos em Presidente Prudente, mas não entramos em nenhuma das cidades pelo caminho pois a Raposo Tavares corta elas por fora. Paramos novamente em Regente Feijó para mais uma abastecida por garantia, e outra sessão de fotos. 
Noite de Natal
Eder continuava sentindo muito sono e chegou a deitar no gramado, às margens da rodovia, e mesmo com o capacete tirou uma soneca rápida. Às 16h seguimos viagem, passando por Maracaí, Assis e Ourinhos, e lá pegamos a Rodovia do Açúcar para acessarmos a Castelo Branco. Só que as 18h30 paramos em Santa Cruz do Rio Pardo para um lanche, e por lá ficamos. Localizamos o Hotel Central, aonde passamos a noite por um precinho camarada de 35 Reais (com cocheira e café da manhã). Eder foi dormir cedo. Eu resolvi descer e na porta do hotel conheci um hóspede com o carro quebrado em plena noite do dia 25 de Natal. Conversamos até tarde. Nesse dia a gente rodou 450 quilômetros debaixo de muito sol.

Rio Paraná: Voltando pra SP

Olha a mão-boba

A chegada
26 de Dezembro de 2012. Acordamos às 6h da manhã, amarramos a bagagem nas Vespas e tomamos um café da manhã que foi preparado pra gente um pouco mais cedo pra gente poder sair logo pra estrada. Saímos às 7h pra Rodovia do Açúcar e de lá entramos na Rodovia Castelo Branco. Eder continuava sentido o cansaço da viagem e sentia muito sono. Fizemos algumas paradas com intervalos de 20 minutos então para espantar a sonolência do parceiro. Na primeira descida de serra, na Castelo Branco, deixando a minha Vespa descendo em retrocesso o motor travou. Demos uma parada no acostamento para esfriar. E após cinco minutos ali bati no pedal e novamente ela deu sinal de vida, para a nossa alegria. Diminuí um pouco o ritmo da viagem por precaução, para a média dos 70 km/h. Porém após alguns quilômetros, vendo que tudo estava normal, comecei a acelerar um pouco mais, e chegando próximo a Boituva novamente o motor deu indícios de que iria travar. Como havia um posto de gasolina logo a frente aproveitamos para ver se o Nextel funcionava, e assim entramos em contato com o Fidelis, que se prepararia para nos encontrar em São Paulo. Faltava agora 130 kms para São Paulo, e 200 kms até em casa, e o sono do Eder persistia. Era 14h30 ou um pouco mais. Pensávamos que tomaríamos uma última chuva, mas o vento levou a nuvem preta para bem longe. Aí começamos a esticar de novo para os 80km/h, até que aos poucos o trânsito ficava mais intenso e São Paulo ficava mais perto. Em Barueri, no começo da região metropolitana, tivemos que fazer uma parada às margens da Castelo Branco pois o meu cabo do acelerador havia se soltado. O reparo e um último cigarro levou quase meia-hora. Então chamamos novamente o Fidelis no rádio e marcamos o local aonde nos encontraríamos: no posto Ipiranga logo após o Canindé,  o Estádio da Portuguesa, na Marginal Tietê. Pegamos a Marginal e com as novas normas de trânsito da pista, que proíbe o tráfego de motocicletas pela pista expressa, nos confundimos e entramos na pista de acesso para a Rodovia Anhanguera. Fizemos o retorno na Anhanguera e voltamos para a Marginal. Logo depois a gente se encontrou com o Fidelis, que vinha de Vespa, trazendo as saudações presidenciais. Bebemos um refrigerante e conversamos por quase meia-hora. Fidelis queria saber de tudo o que tínhamos vivido pois a última vez que conversamos foi quando ligamos pra ele de Foz do Iguaçú. Dali partimos às 17h30 para a Rodovia Ayrton Senna, com destino à Jacareí: lar-doce-lar. A ansiedade era grande mas o nosso amigo Eder ainda pediu para fazermos mais uma parada próximo à Mogi das Cruzes, pois estava com sono. De volta à estrada, mais alguns quilômetros à frente avistamos a placa aonde dizia que já estávamos praticamente lá. Paramos para uma foto final e o abraço de missão cumprida entre eu e o meu fiel amigo de estrada: Eder Luiz. Fizemos nesse último dia 430 quilômetros de viagem. Chegando em casa a alegria foi total!!! Um abraço e um beijo na esposa, na filha caçula, no neto, e um beijo na minha querida Vespa.

Eder: sono na viagem

Vespaparazzi, Fidelis e Eder em São Paulo

Chegando em Jacareí: lar-doce-lar

A primeira Expedição da Scooteria Paulista para o Paraguay levou com eles os seguintes patrocínadores:

Mattioli Lambrevespa (Ribeirão Preto/SP)
Omni Financeira (de São José dos Campos/SP)
Amambay Hotel Cassino (Pedro Juan Caballero/Paraguay)

Missão comprida cumprida!!

3 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Todas as fotos pela máquina do Walter Vespaparazzi - www.vespaparazzi.com.br

Anônimo disse...

ANIMAL!! ESSA DUPLA É DEMAIS. PARABÉNS PROS DOIS AVENTUREIROS QUE ENCARARAM ESSE MUNDÃO SEM FIM. AS FOTOS ESTÃO MUITO BOAS E O TESTO TAMBEM.

PJ LAMMY

Hugo Frasa disse...

Ahhhhhhhh Cruzei com eles + ou - em Presidente Prudente na Raposo....estava indo p/ Dourados.....e eles já voltando.....no dia 25 de Dez.
Muito Classe!!!!
Rolê D+!!!!!
Pena que eu estava de Carro.
abs