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sábado, 20 de outubro de 2012

Desafio de Motonetas #3 (A Corrida)

Ready, steady, Go!! A largada foi dada, e já na primeira volta a emoção corria lado a lado com o perigo. Os competidores seguiriam embolados até a terceira ou quarta curva. Uma combinação de traçado, motor e piloto definiria a colocação de cada um ao final da primeira volta.


Eu (Fidelis) particularmente fiz uma péssima largada. Devido à minha Originale 150 estar atualmente com uma taxa de compressão baixa, tentei puxá-la na embreagem ao máximo para sair arrancando, todavia enquanto isso acontecia eu caía para a décima segunda posição. Recuperaria uma ou duas ainda na primeira volta, e dali em diante brigaria com o Erley #43 até a oitava volta. E o pega foi emocionante. Nas longas retas e nas subidas o Erley esticava um segundo a mais de distância, todavia eram nas curvas que eu tirava o atraso e emparelhava na disputa. A diferença entre nós: eu corria com um motor de 150cc e ele com um de 200cc; era a sua primeira semana com uma Vespa, era o meu terceiro Desafio de Motonetas. À nossa frente eu notava a Luciana Silva com sua cinza PX200 #130. Ela tirava mais de dois segundos de distância da gente por volta. E brigaria muito na primeira volta, carregando uma das Vespas mais pesadas da pista. Para trás ia ficando o Leo Russo #150 e a Carol Louzinha #78. O primeiro resistiria até o fim da corrida com uma Super 150 original, a mais antiga Vespa a receber a bandeira quadriculada até o momento. Já a Carol conduziria sua PX200 com cautela, e seu objetivo estava mais na contemplação e na experiência do que na competição. Ambos respeitaram do início ao fim o código da bandeira azul, e no meu ponto de vista, abrilhantaram o cenário vespertino.


Barbie seguia com sua Racer #88 na defensiva, tendo durante as suas dezesseis voltas realizado uma ultrapassagem na Luciana Silva e herdado outras quatro posições. Aliás, um tombo nas voltas de reconhecimento o deixaria receoso, assim como ao Tatu Albertini #12, que confessou ter mantido uma regularidade sem ousadias depois de ter tomado dois caldos de asfalto e terra antes da corrida. Faz sentido! O susto estava fresco. Ainda assim Tatu forçaria em diversos outros aspectos, como na largada. Uma das grandes vantagens tiradas por alguém na pista foi a dele, que feito um puma, saltou de nono para quinto lugar, tendo findado a prova em quarto, depois de tomar duas ultrapassagens (do Gustavo Delacorte #10 e Aurélio #7), e herdar outras três que abandonaram a corrida por força maior. Lembro-me bem da disputa duvidosa que ele e Aurélio travariam nas últimas voltas. Tatu fecharia a porta para Aurélio, evitando assim que o competidor da "laranja mecânica" o fizesse retardatário duplo - uma vez que todos já eram retardatários do Serginho Pasqualini #57. E dentro do código há nesse discurso um real sentido advogado, uma vez que os fiscais de prova não haviam erguido a bandeira azul, que indica que o piloto deve facilitar a ultrapassagem dos (três primeiros) líderes da prova. E quem diria, o próprio Aurélio nem cogitava correr, ele foi para assistir e prestigiar o evento, e depois de ter experimentado o sabor da pista durante as voltas de reconhecimento do traçado, pegou gosto e resolveu se inscrever.


Falamos do nosso camarada Delacorte, mas é preciso dar destaque ao santista em dois aspectos: com motor amaciando, depois de ter rodado quase 200 kms pela manhã para correr no Desafio, Gustavo fez receoso suas voltas classificatórias, reflexo disso foi a parca décima primeira posição no grid. Mesmo dividido entre o medo e a adrenalina, Gustavo teve uma das melhores performances dentre os 16 competidores. Em alguns momentos derrapou para entrar nas curvas, mas manteve-se no controle e foi ultrapassando um a um, tendo no final, com ajuda da herança dos quatro que quebraram à sua frente, terminado a corrida em terceiro lugar. Sua estratégia foi essa: "nem acelerei total, não deitei muito, o motor estava recém feito; andei o mais rápido que pude dentro dos limites da brincadeira".


E o grande destaque naturalmente é o vencedor, e com todos os méritos Serginho Pasqualini voou na frente, e faria a corrida de ponta a ponta, isoladamente, se mostrando um piloto de alto nível técnico, ou no mínimo, de futuro próspero na categoria. Seus truques no motor foram revelados por ele mesmo, sem receio nenhum. Sergio tinha ali dois páreos que certamente disputaria sua vaga com muita eficiência: o Leo Carradori com a Lambretta Racer #56 e o Edu Parez com a PX200 racer equipada com Kit Malossi, usando o número #45. Eram os três primeiros colocados no grid. Apesar de não querer, o kamikaze tio Dario #15 largou dos boxes pois havia sofrido um tombo na última volta classificatória. Não fosse isso talvez ele disputaria as primeiras posições nesse "bloco de elite". Nesse momento os competidores já estavam atentos e amedrontados com a agressividade do sujeito na pista. Certamente ele é dos bons e seu espírito caberá em outras categorias de velocidade. Na nossa, fica a critério dos diretores Tatu Albertini e Ronaldo Topete decidirem se haverá coerção, suspensão ou alguma advertência ao competidor da última hora.

ABANDONOS

Acidente com Leo Carradori 
Dos 16 pilotos inscritos, somente 10 concluíram a prova. E o que se passou com esses seis? O primeiro a abandonar a prova foi o Rafael Assef #3. Numa Super com motor de 200cc ele foi calmamente entrando no espírito da competição. Todavia na quarta volta estourou o cabo da embreagem e Assef deu adeus ao seu primeiro Desafio. Outro que teve problemas com a embreagem fui eu (Fidelis #55). Já na volta classificatória sentia perder a passagem das marchas, me restando a quarta, e quando muito, a terceira. A torre da embreagem havia estourado. Passei a conduzir a moto no intuito de pelo menos terminar a corrida. Mas aí começou uma série de travamentos no motor, foram 3, então abandonei a prova depois de oito voltas. Outra Vespa a abandonar a prova foi a do Edu Parez #45. Preparada com o afamado Kit Malossi, ela voava baixo no asfalto entre a segunda e a terceira posição. Mais tarde Edu justificou que os méritos da sua performance no grid/corrida foram todos do motor e não dele, pois ainda experimentava a novidade com muito receio. O que ele e nem ninguém esperava era que depois de tudo preparado, das importações, dos dias de trabalho em cima do motorino, da mobilização toda para transportá-la, uma câmara de ar usada comprometeria de vez sua performance, pondo fim ao seu segundo posto na metade da corrida: a nona volta. E as Lambrettas? Sim, as velhinhas estavam lá, representando o passado em alto estilo, mas não chegariam até o final. Leo Carradori viera equipado: macacão de competição, motoneta Racer de época restaurada, e junto dela o ex-proprietário/competidor Peixinho, que nos anos sessenta levava nela o número #56, mantido agora pelo Leo. E ela estava bem, no "bloco de elite", virando 1min.06seg. quando podia. Todavia problemas com o carburador comprometeria sua corrida, e o levaria para os boxes quatro vezes. Quando o problema parecia estar resolvido, Leo voltou pra pista em último colocado e investia tudo numa corrida de recuperação. E foi numa dessas que ao deitar demais a Lambretta na curva do fim dos boxes o pedal de partida raspou o chão e o desequilibrou. Esse foi um capote de verdade, e resultou num prejuízo de verdade: o braço do guidão se partiu em dois e o bloco do motor fora perfurado, além de outros problemas menores. Pessoalmente só teve escoriações nas mãos. O paulista/paranaense Ito 8 exigiu o máximo da sua Lambretta LI ratoeira, e na décima segunda volta seu motor travou, obrigando-o a abandonar a competição. E por fim o Dario tomaria seu terceiro tombo na oitava volta e para o alívio da classe, Augusto Dkw recolheria a Vespa das mãos do kamikaze.


RESULTADO

1. Serginho Pasqualini – Vespa PX200 Preparada #57 (Jundiaí)
2. Aurélio Martimbianco – Vespa PX200 “Orange” #7 (São Bernardo do Campo)
3. Gustavo Delacorte – Vespa PX200 #10 (Santos)
4. Tatu Albertini – Vespa PX200 Racer “John Player Special” #12 (Campinas)
5. Flavio Barbie – Vespa PX200 Racer “Barbi” #88 (Campinas)
6. Luciana Silva – Vespa PX200 Cinza #130 (São Paulo)
7. Erley Jr – Vespa PX200 “PXoços200” #43 (Poços de Caldas/MG)
8. Dário Gonzales – Vespa PX200 Racer Preta/Cinza #13 (Campinas)
9. Leonardo Russo – Vespa Super 150 #150 (São Paulo)
10. Carol Louzinha – Vespa PX200 Vermelha #78 (São Paulo)

NÃO COMPLETARAM A PROVA:

11. Marcio Fidelis – Vespa Originale 150 “Internazionale” #55 (São Paulo)
12. Ito – Lambretta LI150 “Ratoeira” #8 (Curitiba/PR)
13. Edu Parez – Vespa PX200 “Speed Malossi” #45 (São Paulo)
14. Dario – Vespa PX200 “Vespertina” #15 (Campinas)
15. Leo Carradori – Lambretta LI175 Racer “Peixinho” #56 (Atibaia)
16. Rafael Assef – Vespa Super 200cc “Hot” #3 (São Paulo)


*A corrida foi um sucesso, e apesar dos pequenos acidentes, tivemos um legítimo dia de diversões. Essa é uma brincadeira que vem ganhando corpo. É uma idealização campineira que vem agregando adeptos, apoios e patrocínios, e que, pelo entendimento da maioria, visa recuperar a tradição nacional em corrida de Lambrettas e Vespas. Tal brincadeira oferece riscos? Sim. Provoca prejuízos? Às vezes. Tem custo? Tem. Mas ela está aí, para quem quer viver em alto grau um desafio de motonetas. É um evento diferente e merece respeito e apoio. Agradecemos a todos os que ajudaram cada piloto a colocarem suas máquinas na pista, e a todos os amigos visitantes do Desafio de Motonetas #3. O evento foi organizado pelo Motonetas Clássicas Campinas, e que contou com o apoio das marcas: Free Willy Moto Peças, Mattioli Lambrevespa, Scooteria Paulista, Villela Moto Design, Super Bacana Loja e Ateliê, Jair Recuperação de Rodas, Escuderia Chic, Exibidão Funilaria e Pintura e Alberti Ar Condicionado para Autos. Que venha o próximo Desafio, em 16 de Dezembro de 2012.

*Esse texto foi escrito por Marcio Fidelis, e está encharcado da visão pessoal de um competidor (#55).

3 comentários:

Leo_Dueñas disse...

Grande Fidelis,

Eu achando que a proximidade entre uma prova e outra diminuiria o quorum, vi-me redondamente enganado. O Desafio é um total sucesso! E acompanhando o êxito era uma questão de tempo para acontecerem os tombos, eventuais fechadas e outros trancos. Afinal isso é uma prova branca, mas possui um primeiro lugar no pódio e isso alguns levam mais a sério do que outros.

Só me resta aplaudir mais uma vez de pé a linda iniciativa de organizadores, participantes e patrocinadores. Vocês não estão revivendo a história, mas tornando-a novamente viva, adicionando novos capítulos a algo que faz palpitar forte alguns corações muito especiais.

Saudações scooteristas do amigo carioca,
Leo Dueñas

Scooteria Paulista disse...

FOTOS:

1,8,9 - Pai do Augusto Dkw,
2 - Senna
3,4 - Carlos Cunha
5 - Studio Vision
6,7 - Kartódromo San Marino
10 - Marcelo Santana

Scooteria Paulista disse...

Leo, sabia que vc comentaria cedo ou tarde esse post, e foi cedo, afinal é passo adiante na cena scooter. De fato a questão da competição ter sido acirrada em alguns momentos, ou na cabeça de alguns pilotos, não comprometeu ninguém mais além da própria moto. Todavia haverá essa preocupação nata em cada Desafio, e cabe a cada piloto entender que fora da pista todos somos scooteristas e somos amigos, portanto o sujeito precisa entender o ponto limitador. Acho que somente um piloto foi de fato mesmo imprudente, e ele não é scooterista, apareceu do nada e correu com a Vespa de um colega que a cedeu para o sujeito (capotá-la). A direção de prova já está atenta à questão, e é bom que isso seja compreendido nesse momento em que a competição vem tomando forma, porque o processo de educação começa "em casa". Estamos planejando abrir um Desafio de Motonetas no Encontro nacional no Carnaval. O que achas?

Fidelis