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terça-feira, 21 de agosto de 2012

II Desafio de Motonetas (A Corrida)

Na última sexta-feira de 17 de Agosto aconteceu em Paulínia o II Desafio de Motonetas, uma corrida amadora de scooters clássicas que vem ganhando forma no Kartódromo Internacional San Marino, puxada pelo Tatu Albertini e amigos do Motonetas Clássicas Campinas


A concentração começou às 20h, e contou com a presença de 11 competidores, também de scooteristas que levaram suas motonetas para prestigiar, e visitantes que foram lá para assistir e torcer. Na área reservada às motonetas reunia-se um número próximo a 40 pessoas, e eram amigos e amigos de amigos. A expectativa pela evento era das grandes, aquilo era uma competição, uma corrida em pista estreita em fase experimental, durante uma noite de lua nova. (Dali acompanhávamos um pouco da corrida de karts que antecedia a nossa). Além dos competidores, trouxeram suas motonetas o Marmirolli (Lambretta Standard rebocada), o André Luis Hornhardt com sua Vespa PX200, seu amigo Ricardo Jarosevicius com uma Lambretta LI (tendo vindo rodando de Artur Nogueira), o campineiro Ubiratan com uma Lambretta LI, e outro conterrâneo, o Marquinhos com uma PX preta.

Então o mestre de cerimônias do kartódromo, Juliano, instalou os sensores eletrônicos nas corredeiras, e os competidores foram um a um acelerando pista adentro, para os 20 minutos de reconhecimento do traçado. E diferente da primeira edição do Desafio de Motonetas, na qual o desenho da pista pesava nas curvas de estilo "S", esse traçado era mais longo e suas retas de curvas arqueadas priorizavam a velocidade. Detalhe: o traçado fora projetado para a edição brasileira do Red Bull Kart Fight. 

Uma das 11 "corredeiras", uma Originale 150 do Wagner Malfati (#20) não entrou pra pista, apresentava problemas mecânicos já nos boxes - algo dito que poderia ser no carburador. Outra que custou a rodar foi a Racer de número 52 do Ronaldo Topete, que com trambulador quebrado e com apenas a segunda marcha, andou no limite do limite para estar lá. E como se não bastasse a nuvem de azar que pairava sobre o seu topete, o colega ainda teve um cabo arrebentado, o do acelerador. Naquele momento o computador abria a cronometragem geral na pista, e tínhamos ali 10 minutos de voltas classificatórias. Tenho certeza de que a maioria virou seus melhores tempos da noite nesse momento, pois o suor escorria dos capacetes ali, e todos disputavam com o braço o seu metro na largada. Então o painel eletrônico anunciou o grid:

GRID DE LARGADA

1. Raphael Filizola, #76 (Vespa PX200)
2. Gustavo Kavera, #66 (Vespa PX200)
3. Tatu Albertini, #12 (Vespa PX200 Racer)
4. Antônio Silvio, #48 (Vespa PX200)
5. Marcio Fidelis, #55 (Vespa Originale 150)
6. Dário Gonzales, #13 (Vespa PX200 Racer)
7. Wlademir Malfatti, #5 (Vespa PX200)
8. Carlos Murari Jr, #88 (Lambretta LI 175)
9. Ronaldo Topete, #52 (Vespa PX200 Racer)
10. João Roberto "Beto", #24 (Vespa PX200 Racer)

Sem classificação: Wagner Malfatti, #20 (Vespa Originale 150)


Haverá um dia em que a largada será decisiva para o destino da corrida. Não foi essa a vez. A corrida totalizaria 30 minutos, ao todo 24 voltas na pista, e o que pesou dessa vez talvez tenha sido o melhor motor/mecânica de cada. A experiência, e a falta dela, certamente contaram, e foi notável o esforço de cada piloto em cada curva do traçado, procurando pela trilha perfeita no asfalto. Na largada eu, Fidelis (#55), num golpe de distração perdi um segundo e meio, ou um metro, entrando na primeira curva pelo atalho da zebra afim de recuperar minhas duas posições perdidas. Carlos Murari Jr. (#88) e eu brigamos até a metade da primeira volta. Ele, numa Lambretta LI de 175cc largou muito bem, e tem braço, encarando as PX e comendo pista até subir ao quinto lugar. Mas a Lambretta Li originalzinha não era páreo para as oitentonas, a começar por terem pedanas largas, impossibilitando-a de "deitá-la" nas curvas. Se houver uma vantagem talvez seja no motor central. Então, já no fim da primeira volta Murari Jr cairia para o sétimo lugar, aonde brigaria em várias ocasiões com o super-prudente Beto, da Racer #24. Antes da largada Dário Gonzales (#13) correu para os boxes e sacou fora o pé de descanso da Vespa afim de conseguir mais envergadura nas curvas para a esquerda, pois durante as voltas classificatórias ele o tocava ao chão. E a tática teve seu êxito. Dário tirava mais de um segundo por volta, e fechou a competição 33 segundos na minha frente, levando a Vespa no braço, pois vinha reclamando de problemas na embreagem desde a concentração. No braço também tentei levar, uma vez que o meu amortecedor dianteiro já está babando seu óleo, ou seja, venho dependendo da resistência da mola apenas. Porém pulso e força de vontade não puderam manter a Racer #52 do Ronaldo Topete na pista, que correu por apenas uma volta e meia. De fato a segunda marcha não suportaria a corrida toda, os problemas se agravaram e ele encostaria sua #52 nos pneus de proteção. Mas a estréia estava feita, e finalmente a primeira Racer (contemporânea) de todas fazia a sua vontade - já que no primeiro Desafio não pudera vir. E foi como nas cenas clássicas das grandes competições de velocidade que nos acostumamos a assistir: o piloto desolado senta-se à beira pista e acompanha cabisbaixo a passagem dos colegas. Dali em diante 9 pilotos fariam a corrida.


E a corrida prosseguiu num barulhaço infernal na roça paulista. Dessa vez nenhum competidor abandonou a prova por cansaço humano ou mecânico. Todos prosseguiram no limite até o fim. Bravos competidores que em pista enrolaram o cabo da forma menos recomendada pelos proprietários mais conservadores. E foi numa dessas que alguém foi pro chão. Era o Kavera #66, que tomava um caldo de asfalto no miolo da pista. Na curva mais acentuada de todas, a "curva do U", Kavera, que já vinha tentando baixar seu tempo para alcançar o líder Raphael #76, deitou ainda mais a Vespa, de modo que ao encostar o cavalete no chão o pneu traseiro levantou do solo. Aí foi rodo! A moto escapou das mãos e saiu ralando até a grama. (O barulho de uma Vespa caindo é um que só dela). Kavera se levantou e sinalizou que estava tudo bem, para que todos continuassem a corrida. Então conferiu seu veículo de uso diário, deu a partida e voltou pra pista, para a satisfação geral. Todos se assustaram, sobretudo os pilotos, tenho essa certeza. E não faltava muito para que o retardatário Tatu o alcançasse. Agora, sabe o lado curioso disso? O que o Kavera não sabia é que aquela já era a sua última volta, e que não adiantaria mais tirar dois ou três segundos num atalho técnico.  Dali Kavera ligou seu motor e praticamente só empurrou a moto até a linha de chegada, findando a prova em segundo lugar. Tatu chegaria na sequência com sua John Player Special #12, uma homenagem ao Ayrton Senna. Silvio vinha um minuto depois, seguido pelo Dário Gonzales, que vinha baixando seu tempo naquele último quarto de prova. Então passei pela bandeira quadriculada. Onze segundos depois veio o Murari Jr levando bravamente a única Lambretta da corrida, uma LI de 175 cilindradas, tendo com ela dado uma volta em cima do Beto #24 e duas em cima do Wlademir #5. E foi bravo! O esforço heróico de cada competidor em fazer no braço seu melhor tempo. Prova aplicada de que a essência do esporte é a superação!




Essa foi a segunda corrida "amadoramente oficial" de motonetas, e outra vez o que se viu foi um festival de faíscas. Elas saíam dos cavaletes, escapamentos, da pedana. Inexperientes porém arrojados, os pilotos forçaram como puderam, agindo mais por instinto do que pela técnica. Técnica ali era a mesma usada nas ruas, no dia-a-dia. Não houvera até o momento nenhuma instrução básica para pilotagem, então pela segunda ocasião seguimos experimentando. E nessas e outras alguma motoneta saía da pista e retornava com terra nos pneus. Apesar do medo da queda, não faltou pulso para os guerreiros. Tombo, tivemos o primeiro, mas sem consequência maior, apenas ralados na lata da vitoriosa #66. Vitoriosa porque se contarmos a primeira competição com essa segunda, o Kavera e sua #66 já somaria pontos de primeiro e segundo colocado, sendo até o momento o líder no plano hipotético. Dário também estaria somando pontos, já que na primeira corrida ele subiu no terceiro posto do pódio, e agora, no quinto. Beto, de repente. Tatu, de repente. Mas fato é que um novo campeão apontou no grid, tendo vindo de São Paulo, o mais novo integrante da Scooteria trouxe sua PX200 rueira para a pista, e mal tendo se apresentado à classe já disparou com a melhor volta da prova (1min.12seg.76cent) e com o posto mais alto do pódio. Raphael Filizola é o nome dele, e sua PX200 branca de número #76 voou baixo na pista. Seu segredo? Filizola é piloto de kart, tem intimidade com a pista e usa sua Vespa no dia-a-dia.


Findada a corrida, subimos ao Pódio escuro, e ali, diante da pequena mas festiva torcida do pedaço recebemos a premiação (em peças) e os Certificados de Classificação dos pilotos. Filizola estourou uma champanhe que na verdade não estourou. E então os amigos iam embora, e o San Marino ia apagando suas luzes. Ele e eu fomos salvos pelo Murari Jr. que havia levado gasolina temperada de reserva, pois a gente estava na última gota para levar nossas motonetas rodando até Campinas, aonde haveria posto aberto  E todos voltamos gloriosos. Glória pela diversão vivida em alto giro. Dessa vez era cada um por si, e ainda assim todos eram pela mesma causa.
RESULTADO:

1. Raphael Filizola, #76 (Vespa PX200)
2. Gustavo Kavera, #66 (Vespa PX200)
3. Tatu Albertini, #12 (Vespa PX200 Racer)
4. Antônio Silvio, #48 (Vespa PX200)
5. Dário Gonzales, #13 (Vespa PX200 Racer)
6. Marcio Fidelis, #55 (Vespa Originale 150)
7. Carlos Murari Jr, #88 (Lambretta LI 175)
8. João Roberto "Beto", #24 (Vespa PX200 Racer)
9. Wlademir Malfatti, #5 (Vespa PX200)

Desclassificado: Ronaldo Topete #52 (motivo mecânico)


Gostaríamos de mais depoimentos dos participantes e registros da corrida pois relato aqui um lado, pensando que não sou o mais indicado para fazer isso, pois passei uma hora completa dentro de um capacete concentrado em minha parca performance, e sendo assim é questionável o quanto pude compreender da corrida como um todo. Todavia sinto pelo que lembro. E também colaborando com os registros do nosso blog, segue abaixo o depoimento do Diretor de Prova, organizador e piloto, Tatu Albertini: 

"Uma semana sem dormir direito, foi assim o 2° Desafio de Motonetas para mim. Preocupação pois quase ninguém tinha confirmado a pré-inscrição, e para piorar, na quinta feira o dia acorda com o céu nublado e cinza. Sexta-feira às 17h40 chegamos, o Dário e eu na oficina do Frangão para ajustes nas corredeiras. Tentamos voltar pra casa para uma ducha mas não deu certo: o trânsito estava infernal na roça. Fomos direto para o Kartódromo. Chegando lá já comecei a ver coisas que não acreditaria ver ao vivo: uma Romisetta no portão, que acabaria andando conosco nas voltas de reconhecimento da pista, também uma caminhonete descarregando uma corredeira, e logo na sequência mais carros chegando com corredeiras nas costas. Gente que chegava em suas motonetas andando, amigos de Limeira, Pedreira, Valinhos, Indaiatuba e até de Curitiba. Pessoas que conheci na semana que vieram de Ouro Fino, todas para prestigiar o evento. Numa mesa vários motociclistas com seus coletes de seus respectivos MC. A velha guarda lambreteira de Campinas estava lá presente também. Daí acabou a bateria do kart,e depois disso a adrenalina que já estava a mil foi pra um milhão. Eu só fui dormir depois das 3h das manhã, quando o cérebro conseguiu desligar um pouco". (Tatu Albertini - Motonetas Clássicas Campinas)

2 comentários:

Scooteria Paulista disse...

1, 4,6,7,8,9 - Osvaldo Furiatto
5, 10- Alessandro Soave
2 - Marcio Fidelis
3 - Johnny Inselsperger

Anônimo disse...

Meu Deus que emocionante ler essa matéria. Quando será o próximo desafio de motonetas? posso assistir também? pretendo ir de carro para prestigiar, e até me disponho a ajudar vocês no que for preciso.

PJ Lammy