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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Da Expedição Paulista à MG (Parte 5: A Volta)

Era meio-dia e nossa missão estava cumprida. Hora de recolher a tropa, reunir as armas e voltar pra casa. Se o tempo urge, naquela tarde rugiria como um leão.


O Hotel Palace é um lugar simples e simpático, e uma convidativa viagem ao passado. Deixamos ele as 12h30 e saímos em meio ao público. Uitamar achou uma gota de gasolina no fundo do tanque, a que o levaria até uma santa bomba, a um quilômetro dali. O carro de apoio nos aguardava na divisa dos Estados, 12 kms adiante, com a motorista Alessandra, Claudia, Valery e Cris Yummi.
Uitamar na manutenção da PX do Marcelo
E nós voltávamos em 11 motonetas, dos condutores Marcio Fidelis, Uitamar Bandeira, Luis Koré, Raphael Favero, Emerson Mestrinelli, Flavio Barbie, Luciana Silva, Marcelo Santana, Leonardo Russo, John Silva e Mauro. Tatu rebocaria sua LI mais tarde com a família que viera de pick-up no domingo. Marmirolli e Laercio Rodrigues fariam o mesmo com suas respectivas Lambrettas LI e Standard, rumo à Pedreira e São Paulo. Há 5 kms da divisa, Marcelo sinalizou que encostaria: sua Vespa perdia rendimento, como que afogando nas subidas. O velho problema voltava. Encostamos no posto enquanto o Emerson e o Leo seguiriam seguiram até o Portal de Poços, aonde as meninas aguardavam no carro de apoio. Uitamar e Favero checaram ali o carburador, e o primeiro logo lançou o diagnóstico: havia excesso de gasolina no tanque... Foram 20 minutos de trabalho ali. O Uitamar sacou a ponta da mangueirinha e deixou escorrer o excedente no chão, acelerando ela até que se queimasse o suficiente para seguirmos adiante.

O ferrolho Flavio Barbie

Na divisa dos Estados de MG e SP trocamos uma idéia rápida sobre as instruções para a volta, que foi aplicada em partes, mas que funcionaria muito bem mais tarde. Partimos então com 10 Vespas e 1 Lambretta pelos vales da região de Águas da Prata. No primeiro município paulista quase Flavio Barbie e eu, Fidelis, fomos atingidos por um carro Sedan de uma fumante compulsiva e irresponsável com placa de Santos. Ela nos fechou quando passávamos pelos trilhos do trem. A safada nem desculpas pediu, puxou seu trago e desconfiada seguiu vigiando o retrovisor enquanto o nós a apavorávamos. Adiante esticamos o rastro pela extensão de 1 km. Na ponta o Mauro com sua Lambretta MS abria distância, na retaguarda o John Silva sentia o desequilíbrio dos ventos fortes em seu pára-brisas. A Vespa PX do Marcelo seguia viagem amarrando um pouco, sobretudo quando passava dos 80km/h. A Super 150 do Leo Russo apresentava uma queda de rendimento. Leo reclamava ao capacete. No acesso da Rod. Dom Tomás Vaquero para a Rod. Deputado Mário Beni, Emerson e eu, Fidelis, aguardamos por quase cinco minutos a passagem do retardatário John Silva com sua Mathilda PX de 215cc em ritmo de M3 (média de 65 km/h).


Às 14h10 então paramos para lanche e ajustes num posto de combustível com restaurante limpo à beira da Rod.Mário Beni, já que ali a Vespa Super 150 do Leo apresentava um sintoma ruim, engasgando no alto giro. Mauro que estava na ponta, não olhou mais pra trás, seguiu direto pra casa, pra Campinas. Ficaríamos então em 10 motonetas dali em diante. Abastecemos, nos alimentamos, e John Silva aproveitou o tempo para desmontar seu para-brisas e amarrá-lo junto á bagagem. Na real, foi uma decisão nossa. Era preciso ganhar tempo e ritmo, e já era 14h50. Com o humor renovado pelo estômago forrado rodamos na média dos 75kmh/h, encarando longas descidas em meio aos carros e caminhões da Rodovia Adhemar de Barros. O vento abrandava, e o trânsito aumentava. Em dado momento estávamos ali no meio de uma discórdia agressiva entre um caminhoneiro e um motorista. Na subida adiante passamos por um leve acidente que havia acontecido naquele minuto entre outro carro e outro caminhão, no qual o primeiro colidiu com a carroceria do segundo. Nossa preocupação aumentava, e Leo sinalizava que sua Super 150 estava no limite de um desgaste aparente, e dois quilômetros adiante paramos num posto de combustível. Marcelo e Emerson que estavam à frente aguardaram no acostamento junto de um carro de S.O.S. da rodovia. Favero mexeu no carburador, insistindo para o amigo retirar o filtro de ar na esperança de que ela compensasse a queda de ritmo dessa forma. Parecia funcionar, mas ainda assim ela engasgava quando enrolávamos o cabo. E conta Favero: "limpamos os gicles e na hora achamos que havia melhorado, mas era porque ela tinha esfriado e estávamos testando-a em marcha lenta pois não havia espaço para percorrer no posto, foi quando decidimos trocar a vela". Seguimos na média dos 70km/h, até que 10 kms adiante a Super 150 novamente pipocou. Emparelhamos no acostamento da pista. Era quase 16h e o trânsito ali apertava. O carro do S.O.S. da rodovia aguardava 500 metros atrás o nosso chamado. Estavam atentos conosco depois do pedido do Emerson e do Marcelo. John aproveitou a oportunidade para filmar conosco um "vídeo-campanha" para seus amigos do Vespa Club Manizales / Motonetas Manizales (Colômbia), por onde passará em dezembro. Num "grito de guerra" chamamos os colombianos para prestarem ao aventureiro uma homenagem tão valorosa quanto a que prestamos a ele em SP, Brasil. Na sequência o Uitamar Bandeira subiu na Super 150 do Leo e saiu em disparada pela pista, deixando pra trás a sua Super Super 200 - uma cena de outro mundo. E sobrou pro Leo então levar o touro vermelho em meio ao trânsito. E seguimos, numa bagunça que nos desafiava a cada instante. 


E 7 quilômetros adiante Uitamar encostou a Super 150 num quiosque que vendia laranjas e derivados de abelha. De fato não havia condições de conduzi-la até São Paulo naquela tocada. Nosso amigo de Americana então deitou ai mesmo, no chão de terra e pedra, para verificar o buraco do magneto, e usando uma chave de fenda pequena ele descolou aos poucos o platinado. Favero arrumou uma lixa de unha com uma das garotas: uma ferramenta que nenhum homem tinha. Lixar o platinado melhorou em 99% a performance da vespa, conforme contou o Favero. Cinquenta minutos depois voltávamos pra pista. Dali em diante a temperatura caía e pegaríamos um trânsito de verdade durante o pôr-do-sol para a noite.

Leo Russo e sua Super 150
Logo Uitamar tomaria o acesso à Holambra, e  entre buzinassos e acenos seguiu pra Americana, aonde chegaria às 17h30. Seguíamos então em 9 motonetas militarmente distribuídas numa extensão de 300 metros. Nisso, fazendo festa passou por nós o Sr. Laércio Rodrigues, com sua Lambretta Standard D na carreta do carro. Quanta alegria ver inesperadamente um amigo na estrada. Entramos adiante na Rodovia Dom Pedro I, aonde nos despediríamos do Flavio Barbie que tomaria a alça de acesso pra Campinas. Éramos 8 dali em diante. Emerson estava atento ao carro das meninas, que em meio ao tráfego hora ou outra ficava para trás. Foi numa dessas que os perdemos de vista. Seguimos abaixo dos 80 km\h, até porque a  PX do Marcelo não podia dar tudo de si, conforme contou-me no dia seguinte: "ela engazopava, dava umas cortadas, eu puxava o afogador também e melhorava o desempenho da Vespa, então nas subidas eu reduzia para 3 marcha, graças a Deus e a todos, consegui chegar em casa bem". O dia escurecia, era quase 18h quando então fizemos a última parada no KM 86 da Rod.Anhanguera, na altura de Vinhedo. Ali reunimos a frota novamente, abastecemos e admiramos um trio de Dodges que voltavam pra casa, pra Jundiaí, do mesmo lugar que viemos, Poços...  Dali em diante firmamos a formação oficial de comboio e seguimos numa tocada levemente tensa. Dependíamos agora de nossos faróis, e a viagem entraria na "fase da noite" do Enduro. Lembro que passou pela gente um sujeito no carro esporte, que abaixou o vidro e acenou para nós de dentro, como que reconhecendo-nos de algum lugar. Mas não pude identificá-lo.
Matilda: PX200 equatoriana na Expedição
Passou de carro também a esposa do Raphael Favero, que vinha de Jundiaí para Osasco. O nosso amigo caminhoneiro Shell ficou então no acesso para Osasco no KM 18 da Anhanguera. Éramos 7 e o carro, mas em poucos minutos o trânsito apertava e Emerson ficaria para trás junto do carro de apoio. Então bem dizendo, éramos 6. Cortamos caminho pelo corredor e mantivemos ali o ritmo dos 75km/h em formação de comboio, sinalizando a todo e qualquer movimento com setas e luzes. A 5 Kms de São Paulo passamos por uma nuvem garoante. Havia um certo perigo de retornarmos do acostamento para a pista: os carros passavam a mil. Então saímos aos poucos, um a um, e procurávamos nos reunir adiante. John Silva se demorava (naquele dia "deu tilt" no aventureiro).

E finalmente chegávamos na capital, as 19h: Luciana Silva, Marcelo Santana e Koré, então Leo Russo, Fidelis e John. John Silva e eu tomamos o caminho para a Sede pelo acesso à Marginal.

Leo Russo ("leo urso), Koré e Luciana em São Paulo
Vinte minutos depois chegariam o carro de apoio com as garotas, e o Emerson com sua viajante PX200. Missão dada, missão cumprida. A noite recebi a informação do Alex Aparecido, que voltara mais cedo com o Fernando Correia e o "Seu" Artur Gildo. Quando passávamos beirando Campinas perderam o veterano de vista. Aguardaram no acostamento por vinte minutos, quando Fernando precisou partir para São Paulo. Alex ficara ali à beira-pista por uma hora esperando pelo "Seu" Artur. Então prosseguiu em carreira solo, passando o resto do dia preocupado. O nosso vecchio havia tomado a direção errada e entrado em Campinas, tendo rodado por toda a cidade até que saísse na Rodovia Anhanguera. Acontece, até mesmo com o "Seu" Artur, que é talvez o scooterista mais experiente em rodovias de todo o grupo.

E sobre essa trip é preciso agradecer a três pessoas: Uitamar e Favero pelo empenho mecânico durante todas as intempéries da volta, e à Alessandra Feola, dona do carro, pelo apoio com nossas bagagens, e caronas das garotas, e proteção na ferrolho do comboio. Tal como disse o Marcelo Santana: "essa viagem ficou e ainda está na minha cabeça, fico vendo as fotos e lembrando os momentos com a galera. Cara, foi massa mesmo".


Um comentário:

Scooteria Paulista disse...

FOTOS:

1, 3, 6, 9, 10, 11 - Emerson Mestrinelli
2, 4, 5 - Marcio Fidelis
7, 8 - John Silva
9,12 - Leo Russo