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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O Sorteio da Lambretta (Jundiaí, anos 50)


Em 2010 o blogueiro Rui Amaral compartilhou essa foto em seu blog Cestas de Natal Amaral, por causa de um leitor desse seu blog, que o escreveu dizendo ter comprado uma Lambretta que poderia ter sido sorteada nos anos 50 por uma loja de presentes de Natal. O Jornal é da cidade de Jundiaí, e nele está escrito:

"O NATAL DO LAR - Mais um felizardo foi contemplado com o prêmio de uma LAMBRETTA, no 21º sorteiro, realizado pelo O NATAL DO LAR LIMITADA - que proporciona as tão procuradas Cestas de Natal. Trata-se do senhor Altair C.Silva, morador de Irajá, nesta cidade, o qual vemos na fotografia acima cercado de amigos, quando recebia o seu prêmio das mãos do Sr. Ivo Gorgulho, representante da firma, à oRua México, 111 - 7º andar. Dentre os prêmios menóres deste sorteio, foi premiada com um Relógio-pulseira, Dona Aparecida Rosa Gomes, moradora em Bonsucesso, à Rua Alabama nº 608, nesta cidade. Nos sorteios anteriores a cobiçada Lambretta coube aos senhores Agenor y Souza, de Santos, Helio d'Angelo e Ovídio de Almeida, da Capital de São Paulo".

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

IX Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí


Nesse domingo de 02 de setembro acontecerá o IX Encontro de Lambrettas, Vespas e Motos Antigas de Jundiaí, no Grêmio CP - o mesmo das edições anteriores. O evento tem caráter expositório e acontece das 9h às 15h da tarde. E novamente estaremos por lá entre amigos, e com uma banquinha de souvenires e itens de interesse da classe.

Local: Sede de Campo
Rua: Maria Negrine Negro, 791 - Bairro Caxambu, Jundiaí.
Informações e Reservas: (11) 2136-2077

Haverão comboios entre algumas cidades, e eles sairão de: 

- São Paulo, do Largo do Arouche (República) às 9h - Info com Reginado/Rose: (11) 9 7111-6386;
- Campinas, no Posto Saci (KM 84 da Rod.Anhanguera) às 9h - Info com Tatu: (19) 7803-3445 ou 129*7339;
- São José dos Campos, com Fidelis às 7h30 no fone: (11) 9 5497-8344
- São Roque, da Oficina do Nenê às 8h30, com Tyta no (11) 7484-1555
- Santos, do Posto Portal de Santos (Sta.Casa), saída às 7h da manhã.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Notícias do Vale

Essa é mais uma do acervo de Anderson Wasser, contando as histórias e memórias de seu pai Felipe Wasser, finado joseense. E no blog o filho conta: "Sua primeira Lambreta foi comprada em 1962, com o dinheiro de seu primeiro salário, de seu primeiro emprego – GM do Brasil". Cidade de São José dos Campos, Vale do Paraíba.


Anunciamos que no dia 01 de setembro, próximo sábado, faremos uma mini-expo das motonetas da Scooteria Paulista de São José dos Campos e de Jacareí, na Exposição de Marcas Automotivas, organizada pela loja Dispemec. O evento será no sábado de 01 de setembro, no estacionamento do Shopping Vale Sul, das 9h30 da manhã às 17h.

Então na sexta-feira (véspera) a noite faremos uma breve reunião local no Juke Box Bar, às 20h. Interessados em participar é só chegar!!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

II Desafio de Motonetas (A Corrida)

Na última sexta-feira de 17 de Agosto aconteceu em Paulínia o II Desafio de Motonetas, uma corrida amadora de scooters clássicas que vem ganhando forma no Kartódromo Internacional San Marino, puxada pelo Tatu Albertini e amigos do Motonetas Clássicas Campinas


A concentração começou às 20h, e contou com a presença de 11 competidores, também de scooteristas que levaram suas motonetas para prestigiar, e visitantes que foram lá para assistir e torcer. Na área reservada às motonetas reunia-se um número próximo a 40 pessoas, e eram amigos e amigos de amigos. A expectativa pela evento era das grandes, aquilo era uma competição, uma corrida em pista estreita em fase experimental, durante uma noite de lua nova. (Dali acompanhávamos um pouco da corrida de karts que antecedia a nossa). Além dos competidores, trouxeram suas motonetas o Marmirolli (Lambretta Standard rebocada), o André Luis Hornhardt com sua Vespa PX200, seu amigo Ricardo Jarosevicius com uma Lambretta LI (tendo vindo rodando de Artur Nogueira), o campineiro Ubiratan com uma Lambretta LI, e outro conterrâneo, o Marquinhos com uma PX preta.

Então o mestre de cerimônias do kartódromo, Juliano, instalou os sensores eletrônicos nas corredeiras, e os competidores foram um a um acelerando pista adentro, para os 20 minutos de reconhecimento do traçado. E diferente da primeira edição do Desafio de Motonetas, na qual o desenho da pista pesava nas curvas de estilo "S", esse traçado era mais longo e suas retas de curvas arqueadas priorizavam a velocidade. Detalhe: o traçado fora projetado para a edição brasileira do Red Bull Kart Fight. 

Uma das 11 "corredeiras", uma Originale 150 do Wagner Malfati (#20) não entrou pra pista, apresentava problemas mecânicos já nos boxes - algo dito que poderia ser no carburador. Outra que custou a rodar foi a Racer de número 52 do Ronaldo Topete, que com trambulador quebrado e com apenas a segunda marcha, andou no limite do limite para estar lá. E como se não bastasse a nuvem de azar que pairava sobre o seu topete, o colega ainda teve um cabo arrebentado, o do acelerador. Naquele momento o computador abria a cronometragem geral na pista, e tínhamos ali 10 minutos de voltas classificatórias. Tenho certeza de que a maioria virou seus melhores tempos da noite nesse momento, pois o suor escorria dos capacetes ali, e todos disputavam com o braço o seu metro na largada. Então o painel eletrônico anunciou o grid:

GRID DE LARGADA

1. Raphael Filizola, #76 (Vespa PX200)
2. Gustavo Kavera, #66 (Vespa PX200)
3. Tatu Albertini, #12 (Vespa PX200 Racer)
4. Antônio Silvio, #48 (Vespa PX200)
5. Marcio Fidelis, #55 (Vespa Originale 150)
6. Dário Gonzales, #13 (Vespa PX200 Racer)
7. Wlademir Malfatti, #5 (Vespa PX200)
8. Carlos Murari Jr, #88 (Lambretta LI 175)
9. Ronaldo Topete, #52 (Vespa PX200 Racer)
10. João Roberto "Beto", #24 (Vespa PX200 Racer)

Sem classificação: Wagner Malfatti, #20 (Vespa Originale 150)


Haverá um dia em que a largada será decisiva para o destino da corrida. Não foi essa a vez. A corrida totalizaria 30 minutos, ao todo 24 voltas na pista, e o que pesou dessa vez talvez tenha sido o melhor motor/mecânica de cada. A experiência, e a falta dela, certamente contaram, e foi notável o esforço de cada piloto em cada curva do traçado, procurando pela trilha perfeita no asfalto. Na largada eu, Fidelis (#55), num golpe de distração perdi um segundo e meio, ou um metro, entrando na primeira curva pelo atalho da zebra afim de recuperar minhas duas posições perdidas. Carlos Murari Jr. (#88) e eu brigamos até a metade da primeira volta. Ele, numa Lambretta LI de 175cc largou muito bem, e tem braço, encarando as PX e comendo pista até subir ao quinto lugar. Mas a Lambretta Li originalzinha não era páreo para as oitentonas, a começar por terem pedanas largas, impossibilitando-a de "deitá-la" nas curvas. Se houver uma vantagem talvez seja no motor central. Então, já no fim da primeira volta Murari Jr cairia para o sétimo lugar, aonde brigaria em várias ocasiões com o super-prudente Beto, da Racer #24. Antes da largada Dário Gonzales (#13) correu para os boxes e sacou fora o pé de descanso da Vespa afim de conseguir mais envergadura nas curvas para a esquerda, pois durante as voltas classificatórias ele o tocava ao chão. E a tática teve seu êxito. Dário tirava mais de um segundo por volta, e fechou a competição 33 segundos na minha frente, levando a Vespa no braço, pois vinha reclamando de problemas na embreagem desde a concentração. No braço também tentei levar, uma vez que o meu amortecedor dianteiro já está babando seu óleo, ou seja, venho dependendo da resistência da mola apenas. Porém pulso e força de vontade não puderam manter a Racer #52 do Ronaldo Topete na pista, que correu por apenas uma volta e meia. De fato a segunda marcha não suportaria a corrida toda, os problemas se agravaram e ele encostaria sua #52 nos pneus de proteção. Mas a estréia estava feita, e finalmente a primeira Racer (contemporânea) de todas fazia a sua vontade - já que no primeiro Desafio não pudera vir. E foi como nas cenas clássicas das grandes competições de velocidade que nos acostumamos a assistir: o piloto desolado senta-se à beira pista e acompanha cabisbaixo a passagem dos colegas. Dali em diante 9 pilotos fariam a corrida.


E a corrida prosseguiu num barulhaço infernal na roça paulista. Dessa vez nenhum competidor abandonou a prova por cansaço humano ou mecânico. Todos prosseguiram no limite até o fim. Bravos competidores que em pista enrolaram o cabo da forma menos recomendada pelos proprietários mais conservadores. E foi numa dessas que alguém foi pro chão. Era o Kavera #66, que tomava um caldo de asfalto no miolo da pista. Na curva mais acentuada de todas, a "curva do U", Kavera, que já vinha tentando baixar seu tempo para alcançar o líder Raphael #76, deitou ainda mais a Vespa, de modo que ao encostar o cavalete no chão o pneu traseiro levantou do solo. Aí foi rodo! A moto escapou das mãos e saiu ralando até a grama. (O barulho de uma Vespa caindo é um que só dela). Kavera se levantou e sinalizou que estava tudo bem, para que todos continuassem a corrida. Então conferiu seu veículo de uso diário, deu a partida e voltou pra pista, para a satisfação geral. Todos se assustaram, sobretudo os pilotos, tenho essa certeza. E não faltava muito para que o retardatário Tatu o alcançasse. Agora, sabe o lado curioso disso? O que o Kavera não sabia é que aquela já era a sua última volta, e que não adiantaria mais tirar dois ou três segundos num atalho técnico.  Dali Kavera ligou seu motor e praticamente só empurrou a moto até a linha de chegada, findando a prova em segundo lugar. Tatu chegaria na sequência com sua John Player Special #12, uma homenagem ao Ayrton Senna. Silvio vinha um minuto depois, seguido pelo Dário Gonzales, que vinha baixando seu tempo naquele último quarto de prova. Então passei pela bandeira quadriculada. Onze segundos depois veio o Murari Jr levando bravamente a única Lambretta da corrida, uma LI de 175 cilindradas, tendo com ela dado uma volta em cima do Beto #24 e duas em cima do Wlademir #5. E foi bravo! O esforço heróico de cada competidor em fazer no braço seu melhor tempo. Prova aplicada de que a essência do esporte é a superação!




Essa foi a segunda corrida "amadoramente oficial" de motonetas, e outra vez o que se viu foi um festival de faíscas. Elas saíam dos cavaletes, escapamentos, da pedana. Inexperientes porém arrojados, os pilotos forçaram como puderam, agindo mais por instinto do que pela técnica. Técnica ali era a mesma usada nas ruas, no dia-a-dia. Não houvera até o momento nenhuma instrução básica para pilotagem, então pela segunda ocasião seguimos experimentando. E nessas e outras alguma motoneta saía da pista e retornava com terra nos pneus. Apesar do medo da queda, não faltou pulso para os guerreiros. Tombo, tivemos o primeiro, mas sem consequência maior, apenas ralados na lata da vitoriosa #66. Vitoriosa porque se contarmos a primeira competição com essa segunda, o Kavera e sua #66 já somaria pontos de primeiro e segundo colocado, sendo até o momento o líder no plano hipotético. Dário também estaria somando pontos, já que na primeira corrida ele subiu no terceiro posto do pódio, e agora, no quinto. Beto, de repente. Tatu, de repente. Mas fato é que um novo campeão apontou no grid, tendo vindo de São Paulo, o mais novo integrante da Scooteria trouxe sua PX200 rueira para a pista, e mal tendo se apresentado à classe já disparou com a melhor volta da prova (1min.12seg.76cent) e com o posto mais alto do pódio. Raphael Filizola é o nome dele, e sua PX200 branca de número #76 voou baixo na pista. Seu segredo? Filizola é piloto de kart, tem intimidade com a pista e usa sua Vespa no dia-a-dia.


Findada a corrida, subimos ao Pódio escuro, e ali, diante da pequena mas festiva torcida do pedaço recebemos a premiação (em peças) e os Certificados de Classificação dos pilotos. Filizola estourou uma champanhe que na verdade não estourou. E então os amigos iam embora, e o San Marino ia apagando suas luzes. Ele e eu fomos salvos pelo Murari Jr. que havia levado gasolina temperada de reserva, pois a gente estava na última gota para levar nossas motonetas rodando até Campinas, aonde haveria posto aberto  E todos voltamos gloriosos. Glória pela diversão vivida em alto giro. Dessa vez era cada um por si, e ainda assim todos eram pela mesma causa.
RESULTADO:

1. Raphael Filizola, #76 (Vespa PX200)
2. Gustavo Kavera, #66 (Vespa PX200)
3. Tatu Albertini, #12 (Vespa PX200 Racer)
4. Antônio Silvio, #48 (Vespa PX200)
5. Dário Gonzales, #13 (Vespa PX200 Racer)
6. Marcio Fidelis, #55 (Vespa Originale 150)
7. Carlos Murari Jr, #88 (Lambretta LI 175)
8. João Roberto "Beto", #24 (Vespa PX200 Racer)
9. Wlademir Malfatti, #5 (Vespa PX200)

Desclassificado: Ronaldo Topete #52 (motivo mecânico)


Gostaríamos de mais depoimentos dos participantes e registros da corrida pois relato aqui um lado, pensando que não sou o mais indicado para fazer isso, pois passei uma hora completa dentro de um capacete concentrado em minha parca performance, e sendo assim é questionável o quanto pude compreender da corrida como um todo. Todavia sinto pelo que lembro. E também colaborando com os registros do nosso blog, segue abaixo o depoimento do Diretor de Prova, organizador e piloto, Tatu Albertini: 

"Uma semana sem dormir direito, foi assim o 2° Desafio de Motonetas para mim. Preocupação pois quase ninguém tinha confirmado a pré-inscrição, e para piorar, na quinta feira o dia acorda com o céu nublado e cinza. Sexta-feira às 17h40 chegamos, o Dário e eu na oficina do Frangão para ajustes nas corredeiras. Tentamos voltar pra casa para uma ducha mas não deu certo: o trânsito estava infernal na roça. Fomos direto para o Kartódromo. Chegando lá já comecei a ver coisas que não acreditaria ver ao vivo: uma Romisetta no portão, que acabaria andando conosco nas voltas de reconhecimento da pista, também uma caminhonete descarregando uma corredeira, e logo na sequência mais carros chegando com corredeiras nas costas. Gente que chegava em suas motonetas andando, amigos de Limeira, Pedreira, Valinhos, Indaiatuba e até de Curitiba. Pessoas que conheci na semana que vieram de Ouro Fino, todas para prestigiar o evento. Numa mesa vários motociclistas com seus coletes de seus respectivos MC. A velha guarda lambreteira de Campinas estava lá presente também. Daí acabou a bateria do kart,e depois disso a adrenalina que já estava a mil foi pra um milhão. Eu só fui dormir depois das 3h das manhã, quando o cérebro conseguiu desligar um pouco". (Tatu Albertini - Motonetas Clássicas Campinas)

sábado, 18 de agosto de 2012

Indiana Gomes e o Rei de Jaú


Já era tempo de compartilharmos com o leitor essa entrevista que o jornalista lambrettista Flavio Gomes (ESPN Brasil / Rádio Estadão ESPN etc) realizou em 2009 com Sr. Carlos Murari durante a sua (extinta) série Indiana Gomes. Nos anos 60 as corridas de rua de Lambrettas mobilizavam um mar de gente pelas cidades por onde passavam. Na reportagem acima o entrevistado é nada mais nada menos do que o lendário Rei de Jaú, um dos grandes campeões da "categoria street", e que ontem esteve conosco novamente no II Desafio de Motonetas, no Kartódromo de Paulínia (acompanhado do seu filho Carlos Murari Jr, que correu com sua Lambretta LI 175 original com o eterno número 88 do pai).

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

II Desafio de Motonetas - Kartódromo de Paulínia



Nessa sexta-feira de 17 de Agosto acontecerá o DESAFIO DE MOTONETAS #2, a segunda edição da corrida amadora de Vespas e Lambrettas, no Kartódromo San Marino, da cidade de Paulínia. 

O evento terá início às 20h, com acertos e consentimento de regras. 
Às 21h as motonetas entrarão na pista para as voltas de reconhecimento e classificação. 
A corrida então terá aproximadamente 25 voltas. Previsão de fim do evento para as 22h30. 

A primeira edição que aconteceu em junho, a corrida foi um sucesso, e os pilotos aprovaram a primeira fase de testes. Leia no blog: http://scooteriapaulista.blogspot.com.br/search/label/Desafio%20de%20Motonetas%20de%20Paul%C3%ADnia

Agora Tatu Albertini das "Motonetas Clássicas Campinas" apresenta apoios culturais das frentes: 
Mattioli Lambrevespa, Escuderia Chic, Free Willy Peças e Serviços, Scooteria Paulista, Albertini Ar Condicionado para Autos, Exibidão Funilaria e Pintura, Willela Moto Design, Jair Rodas e Super Bacana Loja e Ateliê. Além do videomaker Alessandro Soave para a captação das imagens. 

A inscrição na corrida é de 80,00 REAIS. Alguns amigos que não poderão participar por diversos motivos, irão ainda assim para prestigiar o espetáculo. 
*(E Tatu oferece pouso em sua residência em Campinas para quem não quiser tomar o caminho de casa durante a meia-noite (importante levar um colchonete e cobertor). Haverá um pequeno grupo saindo de São Paulo, da Free Willy Moto Peças

Informações sobre o Desafio com Tatu: 19 7803-3445 ou ID 129*7339
Ou infos extra-evento com Fidelis: 11 9 5497-8344

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Da Expedição Paulista à MG (Parte 5: A Volta)

Era meio-dia e nossa missão estava cumprida. Hora de recolher a tropa, reunir as armas e voltar pra casa. Se o tempo urge, naquela tarde rugiria como um leão.


O Hotel Palace é um lugar simples e simpático, e uma convidativa viagem ao passado. Deixamos ele as 12h30 e saímos em meio ao público. Uitamar achou uma gota de gasolina no fundo do tanque, a que o levaria até uma santa bomba, a um quilômetro dali. O carro de apoio nos aguardava na divisa dos Estados, 12 kms adiante, com a motorista Alessandra, Claudia, Valery e Cris Yummi.
Uitamar na manutenção da PX do Marcelo
E nós voltávamos em 11 motonetas, dos condutores Marcio Fidelis, Uitamar Bandeira, Luis Koré, Raphael Favero, Emerson Mestrinelli, Flavio Barbie, Luciana Silva, Marcelo Santana, Leonardo Russo, John Silva e Mauro. Tatu rebocaria sua LI mais tarde com a família que viera de pick-up no domingo. Marmirolli e Laercio Rodrigues fariam o mesmo com suas respectivas Lambrettas LI e Standard, rumo à Pedreira e São Paulo. Há 5 kms da divisa, Marcelo sinalizou que encostaria: sua Vespa perdia rendimento, como que afogando nas subidas. O velho problema voltava. Encostamos no posto enquanto o Emerson e o Leo seguiriam seguiram até o Portal de Poços, aonde as meninas aguardavam no carro de apoio. Uitamar e Favero checaram ali o carburador, e o primeiro logo lançou o diagnóstico: havia excesso de gasolina no tanque... Foram 20 minutos de trabalho ali. O Uitamar sacou a ponta da mangueirinha e deixou escorrer o excedente no chão, acelerando ela até que se queimasse o suficiente para seguirmos adiante.

O ferrolho Flavio Barbie

Na divisa dos Estados de MG e SP trocamos uma idéia rápida sobre as instruções para a volta, que foi aplicada em partes, mas que funcionaria muito bem mais tarde. Partimos então com 10 Vespas e 1 Lambretta pelos vales da região de Águas da Prata. No primeiro município paulista quase Flavio Barbie e eu, Fidelis, fomos atingidos por um carro Sedan de uma fumante compulsiva e irresponsável com placa de Santos. Ela nos fechou quando passávamos pelos trilhos do trem. A safada nem desculpas pediu, puxou seu trago e desconfiada seguiu vigiando o retrovisor enquanto o nós a apavorávamos. Adiante esticamos o rastro pela extensão de 1 km. Na ponta o Mauro com sua Lambretta MS abria distância, na retaguarda o John Silva sentia o desequilíbrio dos ventos fortes em seu pára-brisas. A Vespa PX do Marcelo seguia viagem amarrando um pouco, sobretudo quando passava dos 80km/h. A Super 150 do Leo Russo apresentava uma queda de rendimento. Leo reclamava ao capacete. No acesso da Rod. Dom Tomás Vaquero para a Rod. Deputado Mário Beni, Emerson e eu, Fidelis, aguardamos por quase cinco minutos a passagem do retardatário John Silva com sua Mathilda PX de 215cc em ritmo de M3 (média de 65 km/h).


Às 14h10 então paramos para lanche e ajustes num posto de combustível com restaurante limpo à beira da Rod.Mário Beni, já que ali a Vespa Super 150 do Leo apresentava um sintoma ruim, engasgando no alto giro. Mauro que estava na ponta, não olhou mais pra trás, seguiu direto pra casa, pra Campinas. Ficaríamos então em 10 motonetas dali em diante. Abastecemos, nos alimentamos, e John Silva aproveitou o tempo para desmontar seu para-brisas e amarrá-lo junto á bagagem. Na real, foi uma decisão nossa. Era preciso ganhar tempo e ritmo, e já era 14h50. Com o humor renovado pelo estômago forrado rodamos na média dos 75kmh/h, encarando longas descidas em meio aos carros e caminhões da Rodovia Adhemar de Barros. O vento abrandava, e o trânsito aumentava. Em dado momento estávamos ali no meio de uma discórdia agressiva entre um caminhoneiro e um motorista. Na subida adiante passamos por um leve acidente que havia acontecido naquele minuto entre outro carro e outro caminhão, no qual o primeiro colidiu com a carroceria do segundo. Nossa preocupação aumentava, e Leo sinalizava que sua Super 150 estava no limite de um desgaste aparente, e dois quilômetros adiante paramos num posto de combustível. Marcelo e Emerson que estavam à frente aguardaram no acostamento junto de um carro de S.O.S. da rodovia. Favero mexeu no carburador, insistindo para o amigo retirar o filtro de ar na esperança de que ela compensasse a queda de ritmo dessa forma. Parecia funcionar, mas ainda assim ela engasgava quando enrolávamos o cabo. E conta Favero: "limpamos os gicles e na hora achamos que havia melhorado, mas era porque ela tinha esfriado e estávamos testando-a em marcha lenta pois não havia espaço para percorrer no posto, foi quando decidimos trocar a vela". Seguimos na média dos 70km/h, até que 10 kms adiante a Super 150 novamente pipocou. Emparelhamos no acostamento da pista. Era quase 16h e o trânsito ali apertava. O carro do S.O.S. da rodovia aguardava 500 metros atrás o nosso chamado. Estavam atentos conosco depois do pedido do Emerson e do Marcelo. John aproveitou a oportunidade para filmar conosco um "vídeo-campanha" para seus amigos do Vespa Club Manizales / Motonetas Manizales (Colômbia), por onde passará em dezembro. Num "grito de guerra" chamamos os colombianos para prestarem ao aventureiro uma homenagem tão valorosa quanto a que prestamos a ele em SP, Brasil. Na sequência o Uitamar Bandeira subiu na Super 150 do Leo e saiu em disparada pela pista, deixando pra trás a sua Super Super 200 - uma cena de outro mundo. E sobrou pro Leo então levar o touro vermelho em meio ao trânsito. E seguimos, numa bagunça que nos desafiava a cada instante. 


E 7 quilômetros adiante Uitamar encostou a Super 150 num quiosque que vendia laranjas e derivados de abelha. De fato não havia condições de conduzi-la até São Paulo naquela tocada. Nosso amigo de Americana então deitou ai mesmo, no chão de terra e pedra, para verificar o buraco do magneto, e usando uma chave de fenda pequena ele descolou aos poucos o platinado. Favero arrumou uma lixa de unha com uma das garotas: uma ferramenta que nenhum homem tinha. Lixar o platinado melhorou em 99% a performance da vespa, conforme contou o Favero. Cinquenta minutos depois voltávamos pra pista. Dali em diante a temperatura caía e pegaríamos um trânsito de verdade durante o pôr-do-sol para a noite.

Leo Russo e sua Super 150
Logo Uitamar tomaria o acesso à Holambra, e  entre buzinassos e acenos seguiu pra Americana, aonde chegaria às 17h30. Seguíamos então em 9 motonetas militarmente distribuídas numa extensão de 300 metros. Nisso, fazendo festa passou por nós o Sr. Laércio Rodrigues, com sua Lambretta Standard D na carreta do carro. Quanta alegria ver inesperadamente um amigo na estrada. Entramos adiante na Rodovia Dom Pedro I, aonde nos despediríamos do Flavio Barbie que tomaria a alça de acesso pra Campinas. Éramos 8 dali em diante. Emerson estava atento ao carro das meninas, que em meio ao tráfego hora ou outra ficava para trás. Foi numa dessas que os perdemos de vista. Seguimos abaixo dos 80 km\h, até porque a  PX do Marcelo não podia dar tudo de si, conforme contou-me no dia seguinte: "ela engazopava, dava umas cortadas, eu puxava o afogador também e melhorava o desempenho da Vespa, então nas subidas eu reduzia para 3 marcha, graças a Deus e a todos, consegui chegar em casa bem". O dia escurecia, era quase 18h quando então fizemos a última parada no KM 86 da Rod.Anhanguera, na altura de Vinhedo. Ali reunimos a frota novamente, abastecemos e admiramos um trio de Dodges que voltavam pra casa, pra Jundiaí, do mesmo lugar que viemos, Poços...  Dali em diante firmamos a formação oficial de comboio e seguimos numa tocada levemente tensa. Dependíamos agora de nossos faróis, e a viagem entraria na "fase da noite" do Enduro. Lembro que passou pela gente um sujeito no carro esporte, que abaixou o vidro e acenou para nós de dentro, como que reconhecendo-nos de algum lugar. Mas não pude identificá-lo.
Matilda: PX200 equatoriana na Expedição
Passou de carro também a esposa do Raphael Favero, que vinha de Jundiaí para Osasco. O nosso amigo caminhoneiro Shell ficou então no acesso para Osasco no KM 18 da Anhanguera. Éramos 7 e o carro, mas em poucos minutos o trânsito apertava e Emerson ficaria para trás junto do carro de apoio. Então bem dizendo, éramos 6. Cortamos caminho pelo corredor e mantivemos ali o ritmo dos 75km/h em formação de comboio, sinalizando a todo e qualquer movimento com setas e luzes. A 5 Kms de São Paulo passamos por uma nuvem garoante. Havia um certo perigo de retornarmos do acostamento para a pista: os carros passavam a mil. Então saímos aos poucos, um a um, e procurávamos nos reunir adiante. John Silva se demorava (naquele dia "deu tilt" no aventureiro).

E finalmente chegávamos na capital, as 19h: Luciana Silva, Marcelo Santana e Koré, então Leo Russo, Fidelis e John. John Silva e eu tomamos o caminho para a Sede pelo acesso à Marginal.

Leo Russo ("leo urso), Koré e Luciana em São Paulo
Vinte minutos depois chegariam o carro de apoio com as garotas, e o Emerson com sua viajante PX200. Missão dada, missão cumprida. A noite recebi a informação do Alex Aparecido, que voltara mais cedo com o Fernando Correia e o "Seu" Artur Gildo. Quando passávamos beirando Campinas perderam o veterano de vista. Aguardaram no acostamento por vinte minutos, quando Fernando precisou partir para São Paulo. Alex ficara ali à beira-pista por uma hora esperando pelo "Seu" Artur. Então prosseguiu em carreira solo, passando o resto do dia preocupado. O nosso vecchio havia tomado a direção errada e entrado em Campinas, tendo rodado por toda a cidade até que saísse na Rodovia Anhanguera. Acontece, até mesmo com o "Seu" Artur, que é talvez o scooterista mais experiente em rodovias de todo o grupo.

E sobre essa trip é preciso agradecer a três pessoas: Uitamar e Favero pelo empenho mecânico durante todas as intempéries da volta, e à Alessandra Feola, dona do carro, pelo apoio com nossas bagagens, e caronas das garotas, e proteção na ferrolho do comboio. Tal como disse o Marcelo Santana: "essa viagem ficou e ainda está na minha cabeça, fico vendo as fotos e lembrando os momentos com a galera. Cara, foi massa mesmo".


domingo, 12 de agosto de 2012

Da Expedição Paulista à MG (Parte 4: Fundação do Poços Scooter Club)

Manhã de sol em Poços de Caldas, o dia seria longo, um domingo de 30 horas. 05 de agosto, marco de inauguração do Poços Scooter Club, num grande evento público com exposição, cerimônia, música e passeio pela cidade.


Nos encontramos no restaurante do Hotel Reis, e por lá nos despedimos do nosso novo amigo Fernando Correia, que já havia anunciado que voltaria antes de nós para São Paulo devido a compromissos. Ficou em aberto para o grupo que quem quisesse voltar mais cedo aquela seria a hora, pois teria companhia para a viagem. Alex Aparecido e o "Seu" Artur toparam. Os três partiriam as 10h, nós bem depois.

Ao chegarmos com a frota no evento outra vez fomos anunciados pelo mestre de cerimônias. A sensação era de que o local estava lotado. Paramos nossas motonetas ao lado das mineiras, em frente ao palco. John Silva ao microfone agradeceu a recepção e contou um pouco da sua viagem. Uitamar Bandeira deixaria seu "sinalizador de pouso" - sistema de luzes na dianteira da Vespa - ligado. Flavio Barbie justificava o troféu Alta Performance (SP em 2T segunda temporada) da SP. Raphael Favero pela primeira vez viajava em Vespa para o Estado que tanto visitou de caminhão. Luis Koré e Cris orgulhosos pelo alcance da cena paulista chegando nos lados das vossas "segunda cidade", intermediando esse "café com leite" dois-tempista. Leo Russo quebrava um tabu, sendo ali o primeiro do clube a levar uma Super 150 rodando no platinado para outro Estado brasileiro. Tatu colava adesivos dos Motonetas Clássicas Campinas nas latas, e Mauro quieto observava a tudo sentado em sua voadora Lambretta MS. Marmirolli outra vez presente. O "Seu" Laércio, que chegou para ficar, trouxe sua vecchia Lambretta D, lembrando a todos como nascera a primeira geração do scooterismo nacional. Emerson Mestrinelli e sua PX200 participava pela segunda vez do Poços Classic Car, tendo tido agora sua presença requerida. Marcelo Santana se jogava em mais um tiro longo da SP, agora para fora do Estado. E a guerreira Luciana Silva: a primeira garota da SP a ir tão mais longe. Então entre amigos estávamos, carimbando esse capítulo-chave da história do scooterismo clássico nacional.

O público prestigia a exposição das motonetas. Na foto John Silva
Matilda
Eduardo Alvisi estava feliz e ansioso, apesar do cansaço e da ressaca. O organizador de tudo aquilo teria naquela manhã um novo caminho aberto em sua jornada pela cultura dos antigos: o scooterismo clássico. Trazia consigo uma tropa de oito motonetas sul-mineiras, dentre elas uma PX200 paulista hot rod, também os modelos PX200 e uma Lambretta LI, além da raríssima Iso Milano. O dupla campineira das Motonetas Clássicas chegavam junto com uma Lambretta LI e uma MS. E a Scooteria Paulista com 15 fardados (três já haviam partido) nos modelos: Vespa PX200, Originale e Super 150 + Lambrettas Standard D e LI. (A essas alturas o Clube da Lambretta de Jundiaí já tinha partido pra casa, nas Standard D, LD e LI.

Pelas 11h da manhã eu, Fidelis, fui chamado ao microfone para ler ali a nossa carta de batismo, entregue ao Poços Scooter Club, em nome de toda a Scooteria Paulista. A alegria do povo mineiro estava estampada no rosto de cada um: Minas Gerais agora tem uma frente!! E para ela declaramos: 

"É com todo o orgulho que vem de dentro dos nossos corações carbonizados que declaramos o Poços Scooter Club oficialmente batizado pelos scooteristas paulistas na manhã de 05 de agosto de 2012, numa celebração ferruginosa que conta com dezenas de scooters clássicas, durante a quinta edição do Poços Classic Car, no Estado de Minas Gerais.
Que essa reunião "café com leite" seja a primeira de uma infinita amizade que agora fecunda em 2 Tempos.
Em nome da SCOOTERIA PAULISTA entregamos esse documento ao POÇOS SCOOTER CLUB pelas mãos do seu presidente, o Sr. Eduardo Alvisi.

'So remember, out there, somewhere / You've got a friend
And you'll never walk alone again'.

Então se lembre, lá fora em algum lugar / Você tem um amigo 
E você nunca mais vai andar sozinho outra vez - 
Cock Sparrer, ING"

Pelas 11h20 ligamos as 25 motonetas numa grande sinfonia ao ar livre. Ainda cozinhamos por cinco minutos até que encontrássemos o John Silva distraído na praça. Durante o passeio as pessoas se espantavam ao ver aquela cena inédita. E o calor humano que o povo transmitia pra gente era contagiante. Era como jogar bola na Rua Javari, na Vila Belmiro, na Bombonera. Rodamos por meia hora, talvez 15 kms, puxados pelos respectivos presidentes: Eduardo Alvisi e Marcio Fidelis. As meninas do carro de apoio da SP seguiam conosco em suas garupas, e os rapazes sorrindo com a maravilhosa sensação de dever em cumprimento. Todas as motonetas se comportaram muito bem.

Era meio-dia e o Poços Scooter Club estava fundado. Um êxito! Um marco significativo na expansão da cena rumo ao norte, e um orgulho especial para nós, padrinhos do clube mineiro. E fica aqui registrado que um dos grandes responsáveis por esse acontecimento é o nosso piloto bandeirante Luis Koré e sua garota Cris Yummi, quem de fato fizeram o elo café com leite e colocaram o coração na coisa. Agradecemos a todos os paulistas que valorizaram esse evento em sua real importância, e ao Clube do Carro Antigo de Poços de Caldas, que pelo seu vice-presidente Eduardo Alvisi e sua esposa fotógrafa Daniela Alvisi, nos proporcionou a estrutura necessária para realizarmos a nossa segunda Expedição Paulista à Minas Gerais.










sábado, 11 de agosto de 2012

Da Expedição Paulista à MG (Parte 3: Exposição no V Poços Classic Car

Estacionamos nossas motonetas por volta das 13h30 num dos (quase) cotovelos do evento. O evento aconteceu na praça do Hotel Palace, um local cheio de histórias e lendas dos tempos de luxúria da cidade. Era o V Poços Classic Car, encontro de antigos que angariou forte expressão nacional.


Chegada da Scooteria no V Poços Classic Car


A maioria saiu à procura de um bom prato mineiro, enquanto o restante ficou pela praça ou pela exposição das scooters. A frota mineira liderada pelo Poços Scooter Club era composta ali de oito peças, incluindo um triciclo local da Bajaj, apelidado aqui de “Tuk Tuk” (...). Dos paulistas,a Scooteria expunha 17 exclusividades da crew. Tatu fazia ali a divulgação do segundo Desafio de Motonetas (evento que acontecerá em Paulínia no dia 17), e a divulgação massiva do Motonetas Clássicas Campinas, trazendo junto em rodagem rodoviária uma inédita Lambretta MS com Mauro Highlander no asfalto. As PX200 como de costume, dava mais peso ao cenário, nas sombras das árvores com modelos históricos: Vespa Super 150, Lambrettas Standard D, Li, LD e MS. Modelos raríssimos também pintavam por lá, como a Iso, uma scooter italiana do final da década de 50. Se passava uma bela de uma tarde de inverno colorido ali em Poços. Haviam outros veículos também, motocicletas contemporâneas, Speeds e aquela rapaziada dos coletes de couro. A 300 metros dali num grande palco tocava os conjuntos rockers The Mullet Monster Máfia e Fabulous Bandits.



Koré seguiu com uma parte da turma até o Hotel Reis, localizado a um quarteirão do evento. Fizeram o check-in e então dividiram pelos aposentos. No quarto das meninas estavam a Alessandra, Valery, Claudia e a scooterista Luciana Silva. Pelos outros se espalharam os nomes em equipes: seu Artur, John Silva e Fidelis + Raphael Favero, Tatu, Uitamar e o Fernando Correia + Alex Aparecido, Mauro etc - a confirmar. Feito isso, Koré voltou.

Na praça pernoitaria duas delas, além das pratas da casa, todas sob os olhares dos vigias. As outras motonetas foram todas para o hotel.

John Silva (COL/EQU) e Alex Aparecido

Pelas 19h ou 20h descíamos para o jantar servido pelo hotel, cortesias do Clube do Automóvel Antigo de Poços de Caldas pra gente. E foi um daqueles poucos momentos que se viu o Uitamar quieto: o Mestrinelli tocando piano. Que classe! E entre uma e outra alguém ali acompanhava baixinho trechos de Tonico e Tinoco, Raulzito e outros. Nessa noite Emerson arriscou até um Carlos Gomes - compositor brasileiro de música erudita. Foi aí que o seu Artur, com seus 79 anos de vida nos disse: “há coisas na vida que a gente nunca mais se esquece, e daqui a trinta anos vocês vão lembrar desse momento”. Tocante, essa fora talvez a frase da Expedição. No quarto do hotel seu Artur contaria mais tarde longas histórias sobre a Vila de São Paulo, Poços de Caldas e do seu passado de pugilista amador. John Silva ouvia a tudo atentamente, e ambos prosearam por horas sentados na cama.


A noite a turma se reuniu num bar diante do Hotel Palace, na Rua Minas Gerais (“quem te conhece não te esquece jamais”). Ali Leo Russo e a Claudia, Raphael Favero, Emerson Mestrinelli e Alessandra, Fernando Correia, Marcio Fidelis, Alex Aparecido, Tatu Albertini, Marcelo Santana e a Valery, Flavio Barbie e o Koré com a Cris Yummi. Aos litros de cevada a noite se prolongava. A população local andava pelos caminhos da praça, entre paqueras e balbúrdias, eram adolescentes, namorando no escuro ou ouvindo alto qualquer música pentelha. No Hotel Palace iria rolar um grande Baile dos Anos 60, e o espaço recebia seu público a caráter. Koré, Cris e Tatu entraram pra festança. O restante da tropa foi pro hotel depois de algumas cervejas a mais. A gente não encontra fotos desses momentos. Mais depoimentos:

"Caros amigos da Scooteria, graças a deus cheguei bem em casa e pelo visto vocês também. Cheguei por volta das 17h e tive tempo de sobra para um bom descanso para mais um dia de trabalho. Espero que a Vespa 150 Super e seu piloto tenham chegado bem. Foi um belo final de semana que será inesquecível. O Emerson abafou com seu show de piano, por esta ninguém esperava a bagunça no quarto nm se fala. Foi um prazer estar com os velhos amigos (em todos os sentidos) e conhecer novos (e velhos) amigos. Que compartilham a mesma paixão por motonetas. Foi também um prazer se útil na manutenção das máquina para chegarem em seu destino. Um abraço a todos tenham uma boa semana". 

(Uitamar Bandeira, Vespa Super "Super 200", Americana - SP).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Da Expedição Paulista à MG (Parte 2: A Ida)

O sábado acordava com um belo céu quase todo azul, e a temporada de inverno da Scooteria esquentou nesse final de semana “café com leite”. A frota paulista partia de oito cidades diferentes para essa expedição de reconhecimento e respeito à fundação do Poços Scooter Club, no sul de Minas Gerais.



Saímos da Sede paulistana da SP levando alguns materiais para distribuição, o John Silva e eu, Fidelis. John é um viajante que vem do Equador rodando a América do Sul a bordo de sua Vespa PX200 batizada de Matilda. Seu projeto se chama Foto-Travessia/Scout Por América e fala sobre cultura scooter e scout, sim os escoteiros. Falaremos mais dele no próximo post. As 7h estávamos prontos no começo da Rodovia Anhanguera: Luis Koré (Vespa PX200 de São Paulo), Raphael Favero (Vespa PX200 de Osasco), Leo Russo e Claudia (Vespa Super 150 de São Paulo), Fernando Correia (Vespa PX200 de São Paulo), Alex Aparecido (Vespa PX200 de São Paulo), Emerson Mestrinelli (Vespa PX200 de São Paulo), Luciana Silva (Vespa PX200 de São Paulo), Artur Gildo (Vespa PX200 de Taboão da Serra), Marcelo Santana/ Valery (Vespa PX200 de Santo André), Marcio Fidelis (Vespa Originale 150 de São Paulo) e John Silva (Vespa PX200 do Equador). Conosco estava o carro de apoio da Alessandra, futura senhora Mestrinelli, e que seria também fundamental para o sucesso dessa viagem. Sim, já adianto, a expedição foi bem sucedida!


Leo Russo e John Silva na Anhanguera
Depois de abastecidos e calibrados, de conversados e combinados, partimos em cavalgada às 7h30 da matina. Procurávamos manter algum padrão na formação do comboio, algum desenho na pista, que proporcionasse segurança e confiança para todos. Estávamos em 11 motonetas, e metade delas se revezavam na ponta da expedição. Um dos nossos me fez uma observação muito importante sobre esse trecho: sobre conversas entre condutores durante a viagem. De fato será necessário pôr fim à essas conversações durante a viagem pois oferece risco para todos, e transmite uma sensação de insegurança pra equipe. Riscos desnecessários que podemos evitar. Logo depois do posto da Polícia Militar Rodoviária o Marcelo Santana parou no acostamento. Sua Vespa engazopava e amarrava nas subidas. Uma parte da frota já estava à frente e parou no quilômetro seguinte para aguardar-nos. O Favero sugeriu ao Marcelo que retirasse o filtro de ar do carburador a fim de auxiliar na respiração do motor e proporcionar um aumento de performance até que parássemos num ponto mais seguro para averiguar a causa disso. Assim feito, prosseguimos. E na tocada dos 80km/h chegávamos às 8h45 nas proximidades de Campinas. Tomamos a alça de acesso rumo à Mogi, e dois quilômetros adiante avistávamos o Flavio Barbie com sua PX200 campineira à nossa espera no acostamento. Éramos 12 a partir dali, seguindo na mesma tocada, e dividindo pista com mais veículos agora, pois aquela era zona de passagem entre municípios da região, e um atalho para quem quer que precise evitar entrar na cidade grande, uma espécie de “rodoanel” caipira. Cortávamos um baita caminho, e foi nesse meio trecho que quase presenciamos o pior. À frente os carros se afunilavam ao chegarem no trecho de recapeamento da pista. Flavio Barbie estava na ponta indicando-nos a rota correta. Foi quando os últimos carros frearam expressivamente, e num golpe de reflexo Flavio, para evitar a colisão com um deles, puxou a Vespa pra faixa recapeada da pista, a parte vazia, dividida por cones. E nessa manobra ele acertou um deles, que voou rasante pelo asfalto emitindo uma sonoplastia de cinema. Foi isso, nada se passou. Avisei ao Tatu pelo rádio Nextel que estávamos próximo do ponto de encontro coletivo. Sua idéia de reunir os comboios, a frente da Scooteria Paulista, do Motonetas Clássicas Campinas, e do Clube da Lambretta de Jundiaí. Essa idéia quase funcionou, quase. Todavia não foi adiante porque eles partiram logo depois do toque que dei pelo rádio. Tão logo chegávamos no ponto de encontro, e nos encontramos com ele, o parceiro Uitamar Bandeira, com sua Vespa Super “Super 200”, junto da equipe de reportagem da TV Correio. Paramos no posto de combustível e ali pudemos enfim trocar uma prosa com o Flavio e o Uitamar. Enquanto abastecíamos e nos hidratávamos, a equipe da TV entrevistava alguns de nós. A matéria ficou show, essa: TV Correio.



Então ligamos os motorinos e partimos num bloco compacto, para as filmagens requeridas pelo Johnny e equipe da TV Correio. Na média dos 75km/h, às vezes mais, às vezes um pouco menos, seguimos. Nos acompanhava o carro com Alessandra ao volante, e as meninas Claudia e Valery. Alex subira pra ponta do comboio, aumentando o ritmo da viagem, enquanto Luciana fazia a retaguarda do grupo. O sol ardia naquele momento, e foi na região de Mogi-Mirim que o Marcelo Santana novamente parou a moto. Era o mesmo fato do começo da viagem: carburador. O restante do grupo parou embaixo de uma árvore à frente. Ali pouco se demorou, e Marcelo decidiu prosseguir naquelas condições mesmo até o próximo posto. E assim se sucedeu. Reunimos os 13 novamente (e o carro) e seguimos, agora já na Rodovia Dom Tomás Vaquero. Na média dos 75km/h rodamos uns 30 kms até o município de Aguaí. Completamos os tanques, nos hidratamos, e alguns aproveitaram também para se alimentar enquanto o Marcelo limpava o giclê e verificava outros detalhes no carburador. O frentista nos confirmou que há 20 minutos havia passado umas Lambrettas por lá. As sessentistas voavam baixo na pista! E naquela altura tomariam uns 20 kms de distância da gente.


Dali até Poços de Caldas faltava só mais 50kms, portanto aquela teoricamente seria a nossa última parada. Seguimos na mesma tocada, e em meia hora de rodagem entrávamos no pequeno e encantador município de Águas da Prata, afamada por suas águas minerais provenientes do vulcão inativo (a que dizem ter inclusive propriedades curativas). E eis que naquelas ruas encontramos estacionadas as Lambrettas que seguiram antes. A turma do Clube da Lambretta de Jundiaí e os dois do Motonetas Clássicas Campinas pararam num bar para se hidratarem um pouco. Em consideração a eles encostamos por lá para cumprimentá-los. Apresentei o John Silva ao grupo na mesa, e enquanto o papo corria de um lado, do outro lado da rua o Marcelo mexia no carburador da sua PX, dessa vez com a ajuda do Uitamar Bandeira e também do Raphael Favero. Ali trabalharam por mais vinte minutos até que ela funcionasse. Convidamos o pessoal de Jundiaí para seguir conosco, mas preferiram ficar mais um pouco. O Tatu e o Mauro ligaram suas Lambrettas e se agruparam ao espírito da expedição paulista. Então éramos 15, e nesse número deixávamos para trás o Estado de São Paulo, pelos vales do belo cartão postal da Rodovia Dr. Gov. Adhemar de Barros. Longas subidas não deixaram cair o torque das mais antigas, nem mesmo o vento, e finalmente, depois de um pouco mais de cinco horas de viagem entrávamos em território mineiro. Paramos no portal de Poços de Poços de Caldas para fotografar as motonetas ali, e corremos a pé até a placa da divisa SP-MG para a foto oficial da Expedição. Uma bagunça que só! Nisso passou por nós o pessoal de Jundiaí, mas seguiram direto entre eles. Três ou cinco minutos depois ligamos nossas motonetas e partimos.





Às 13h30 invadimos a cidade de Poços de Caldas, na liderança de Luis Koré, o nosso bandeirante da causa pela fundação do Poços Scooter Club. Seguimos direto pro evento em meio ao breve trânsito do centro da cidade, e no portal do evento uma bela surpresa: o nosso emblema estava lá no grande painel da programação/mapa apresentado aos visitantes.
Logo vimos a Cris Yummi que estava por ali à nossa espera, recebendo o Koré com um beijo ao estilo “soldado quando chega da guerra”. Enfiei a ponta da bandeira do nosso querido Estado de São Paulo na gola da minha jaqueta fazendo-a de capa, e obedecendo as instruções da organização nos dirigimos ao local de exposições das scooters clássicas. O Marmirolli, de Pedreira, já estava por lá com sua Lambretta LI e o boné da SP, e veio trazer os cumprimentos de imediato, comunicando-me suas impressões e fatos. Também o seu Laércio Rodrigues, de São Paulo, com sua Lambretta Standard D e aquele velho sorriso grande debaixo de um bigode cheio de histórias. E por ali num dos cantos do evento passaríamos a tarde em exposição com o total de 27 motonetas e um triciclo contemporâneo da Bajaj, já apelidado por muitos aqui de “Tuk Tuk”. Tarde das boas ao som de um neo-rockabilly tocado ao vivo, algumas cervejas e amigos em prosa.



Há dezenas de fotos da gente no V Poços Classic Car, feitas pelo casal Barenco, do Portal Maxicar AQUI.
*Esse relato sofrerá diversas alterações e será acrescido de mais histórias e detalhes até a quinta-feira a noite.