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domingo, 8 de abril de 2012

Scooteria Paulista na Itália

Nesse mês passado os nossos amigos paulistanos da Mooca (mêu), o casal Daniel Turiani e Gisele Leiva, realizaram uma viagem fantástica por três países europeus: Alemanha, Áustria e Itália. Meio a trabalho, meio a turismo, Daniel antes de partir passou aqui na Scooteria e pegou alguns suvenires para deixar no velho continente. E quando então pisaram em Roma, realizaram o sonho da muitos de nós: andar de Vespa pela Itália. Tanto ele quanto ela pilotaram uma Vespa GTS300 por 300 quilômetros pelo interior de Roma, e escreveu, Daniel, um diário de bordo de sua viagem:

Gisele Leiva e Daniel Turiani em giro turístico pelo interior de Roma

"A hora chegou! Após minha primeira semana de trabalho na Alemanha, as merecidas férias. Encontrei minha esposa no aeroporto e tomamos um avião para Roma. Tínhamos quatro dias e o planejado era passeio no primeiro dia... O lado negativo dessa opção era não ter tempo de se familiarizar com o trânsito italiano. E que trânsito! Uma verdadeira São Paulo, bastante parecido com o nosso centro, porém com muito mais restrições em vias, motoristas agressivos e motonetas de plástico - se é que me entendem - por todos os lados. Encaramos o desafio...

Já na locadora por volta das 8h30, montei na Vespa e sai estranhamente como se nunca houvesse subido em uma motoneta. A falta das marchas (modelo automático), freio nos dois manetes (a disco), ausência do freio no pé e distribuição de peso diferente me fizeram perder uns minutos até me familiarizar com a Vespa moderna. Logo virei à direita como mandava o GPS e entramos em um beco onde não se podia transitar com veículos. Era o sinal que seria um dia difícil até chegar na estrada. E assim foi. GPS totalmente perdido, ruas mal sinalizadas, trânsito infernal de horário de rush, até que encontrei uma via um pouco mais larga e que levaria com certeza até alguma saída para a estrada.
Como providência imediata, sempre que estávamos mais confiantes na estrada e nas sinalizações, desligávamos o GPS para economizar a bateria. Isso salvaria o dia. A paisagem era impressionante, estrada margeada por árvores começando a retomar o verde do ínicio da primavera. Quando não, era uma bela planície com plantações e oliveiras, lembrando um pouco o interior paulista.



Após uma hora de estrada, entrando na cidade de Nepi para ver pontos históricos, nos perdemos. O GPS indicava para voltar para estrada mas queríamos ir para o centro. Nesta hora, encostado com a Vespa na calçada de uma bifurcação, com meu italiano sofrível, perguntei sobre o caminho a um rapaz que passava no momento. O mesmo foi muito gentil e indicou o trajeto fazendo as citações dos pontos históricos que queríamos passar. Agradecemos a atenção dele e no mesmo momento ele perguntou de onde éramos e que fazíamos ali. "Somos brasileiros e viemos andar de Vespa pelo interior de Roma". Ele deu uma risada e ficou muito feliz com a notícia, nos congratulando pelo feito. Isso deu uma energia extra para continuar sem medo. Andamos pela avenida e logo após uma curva bem fechada, avistamos um belo Aqueduto Romano e algumas ruínas. Como estávamos atrasados no cronograma, resolvemos não parar e somente tirar uma foto 

A paisagem na estrada ficava cada vez mais encantadora e perdendo os traços de civilização, com ovelhas e vacas pastando em belas colinas. Este era o caminho para Cività Castellana, uma bela cidade com um Forte no alto do morro. Para minha surpresa, na entrada da cidade havia uma placa dizendo que aquela é uma comunidade desnuclearizada. Claro que paramos e tiramos uma foto a la Scooteria Paulista.

Na comunidade desnuclearizada de Civita Castellana

Após esta passagem seguimos para o próximo ponto que na verdade era uma sequência de pequenas cidades: Vignanello, Vallerano e Canepina. E como eram pequenas. Deviam ter uns vinte quarteirões cada, todas ruas irregulares, feita de vielas estreitas e cachorros soltos. Nos perdemos novamente  e não havia GPS que salvasse... Retomamos nossa rota e nos direcionamos para Viterbo, uma cidade de tamanho médio para os padrões do país. Era por volta das 13h, a fome atacava e resolvemos passar em uma padaria. Comemos uma bela pizza local, que na verdade é um pão com bastante óleo e queijo por cima. Aceleramos a tocada pois deveríamos devolver a Vespa as 19:00 e ainda tínhamos mais de 200km pela frente.


Decidimos não parar no próximo ponto (Montefiascone) e ir direto para Bagnoregio. Impossível! Montefiascone é obviamente um monte, porém não sabíamos que o mesmo ficava à beira de um lindo e enorme lago. Foi uma das mais belas descobertas da viagem. Muitas fotos e uma rápida olhada no centro histórico nos garantiram bons momentos ali. A estrada para Bagnoregio era bem variada, passando por trechos movimentados, campestres, de matas e locais desertos. Para minha surpresa ainda tínhamos que pegar uma estradinha vicinal que era apenas passagem de tratores das fazendas locais e de péssima conservação. Nesta hora minha esposa Gisele matou sua vontade de Vespear, assumiu o comando e guiou até a entrada principal da nova Bagnoregio

Gisele pilotando a Vespa até Bagnoregio

Ao longe já avistamos a cidade esquecida que foi apelidada pelos locais como “La Città che Muore” ou a cidade que morre. É exatamente isto, um vilarejo no alto de uma colina que sofreu com a erosão e acabou se desligando da parte mais nova da cidade. Estar lá e atravessar a extensa e íngreme ponte é de arrepiar. É um retorno no tempo, os ares são outros e parece que a vida parou. Dentro do vilarejo, pouquíssimas casas que já não são mais habitadas, dois ou três casebres para se alimentar e comprar lembrancinhas e uma velha igreja. O local virou ponto turístico da região mas mesmo assim devido à época, éramos praticamente os únicos a apreciar a vista. Uma parte de mim ficou lá.

Daniel Turiani em Bagnoregio: "uma parte de mim ficou lá".

Após a satisfação de ter alcançado o objetivo, nos demos conta que já eram 16h e devíamos ir para a última cidade planejada: Orvieto. Uma cidade bem parecida com Viterbo, porém no alto de uma colina. Outro lugar surpreendente, com cenários que pareciam dos filmes merecedores de Oscar. Neste momento tomamos a decisão de alterar a rota e acelerar para entregar a Vespa a tempo. Benditos sejam as 300 cilindradas deste motor! O pessoal dirigia suas “machine” a mais de 120km/h. Caminhões e ônibus eram mais comportados seguindo “somente” a 100km/h. Enrolei o cabo do acelerador e mantive uma velocidade constante sem muito esforço na faixa dos 110km/h, e em alguns momentos chegamos a 130km/h. Um grande feito para uma Vespa com tanque cheio, levando duas pessoas e bagageiro. Não deu para aproveitar muito e apreciar a paisagem pois a atenção era máxima, muito vento lateral e um frio intenso, pois o sol já começava a partir. No meio do caminho paramos para colocar mais roupas e um senhor se aproximou para conversar. Disse que desde jovem era fã de Vespa e estava impressionado com a beleza e potência deste novo modelo (eu também). Após um rápido bate papo, ele nos deu a dica de como pagar o pedágio, pois é um sistema diferente do nosso, o qual somente se paga ao sair da estrada. Nos despedimos, aceleramos, e em apenas uma hora e meia havíamos percorrido todo o trecho de auto estrada e entraríamos novamente em Roma as 18h30. O retorno foi um pouco menos confuso que a partida matinal, mas de qualquer jeito deixamos o GPS ligado, sobrando ainda 10% de bateria. Em apenas 10 minutos chegamos na locadora e deixamos nossa valente branquinha. Ainda tremendo pela vibração da velocidade, assinei toda a papelada da locação, fiz algumas fotos na bela loja, me despedi e na porta em meio a algumas Vespas abracei minha esposa, respirei fundo e pensei: mais um sonho realizado."


Dados: Aproximadamente 10 horas de viagem, sendo das 9h ás 19h para percorrer os 300km. Uma trajeto bem sinuoso onde desenvolve-se uma média de 70km/h, e dentro dos vilarejos a 20km/h.


CLIQUE AQUI E VEJA O ROTEIRO DESSA VIAGEM NO GOOGLE MAPS: http://g.co/maps/ydwv4

10 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Fotos de Gisele Leiva e Daniel Turiani.

Gustavo disse...

Sensacional!!!!!!

Debbie Rawcat disse...

Que coisa mais legal!!!!! São os moocanautas vespeando na Itália!!! Inclusive, falei p/ o Má que super quero imitar vcs!!! Quero andar de Vespa na Itália!!! Viva! E que texto legal, hein?

Anônimo disse...

eu lembro deles naquele passeio lá no autódromo interlagos. eles são meus vizinhos então, eu moro na vila prudente. eles ficaram até o fim naquela tarde eguentando as motos na corrida e entraram pra pista q eu li depois. eu fui embora no meio da tarde mas vou voltar a andar com voces quando a minha vespa estiver documentada. abraço pra vocês. curtam bastante a Itália, a vespa e as pizzas hahahaa.
abraço, ronaldo.

Animal Taylor disse...

Emocionante demais! Deve ter sido uma experiência incrível!
Realizou não só o seu sonho mas sim o de muitos aqui, com certeza!
Parabéns pela viagem e pela coragem... não deve ser fácil mesmo se embrenhar em uma viagem dessa num território completamente desconhecido, com um veículo parcialmente desconhecido e ainda por cima com um idioma diferente! rs

Abraços e mais uma vez, PARABÉNS!

Daniel Turiani disse...

Valeu pessoal! Recomendo a todos pois é algo inesquecível!
Infelizmente nessa mesma viajem, era para a gente ter realizado o segundo sonho, que era subir os alpes de vespa, mas por forças da natureza, a bandeira da Scooteria não tremulou por lá! Fica uma pendência neste continente para o próximo Scooterista! hehehe
Abraços a todos e nos vemos na estrada!

Gilberto Flores disse...

É mesmo emocionante ver essa união de vocês. Na minha época não tínhamos conhecimento dessa terminologia "scooterismo". Mas era o que fazíamos. E sendo franco, a cada visita que faço ao site de vocês, me sinto tão dentro da história do "scooterismo" quanto a que vocês estão escrevendo. Parabéns para esse casal desbravador, e para toda a equipe Scooteria.

GB

Anônimo disse...

Parabéns Daniel e Gisele pois agora vocês foram longe mesmo heim hihihihihi
PJ - Lammy

Youssef disse...

Parabéns amigo. Eu tenho esse sonho também, mas espero poder fazer um roteiro com mais dias de viagem, sem pressa.

Scooteria Paulista disse...

Que orgulho desse casal!!! Eles não são prata da casa, são o ouro da casa!!!

Marcio Fidelis