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sábado, 17 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Volta (Etapa 2)

Depois de abastecidos, calibrados, e parafusos conferidos, saímos de Itajaí (SC). Pegamos pista livre, com raros caminhões e poucos carros, tocando na média dos 80km/h, talvez um pouco mais. Estávamos em 5 motonetas de 200 cilindradas, e uma de 150cc. Quase todas já bem temperadas nas estradas. Só um medo eu tinha até ali: meu pneu traseiro era o mesmo que me levara pra Argentina/Uruguai em dezembro de 2011... (aliás, o pneu mais resistente que já usei).


E seguíamos no ritmo do rally rodoviário: eu com os equipos da SP na moto, o Aurélio discotecando na pista, o Animal fazendo os melhores registros fotográficos rodoviários da história da SP, o Uitamar com suas mil lâmpadas sinalizando aos veículos a presença de um comboio diferente e meu velho amigo Curita em sua primeira tour em 2 Tempos.


35 kms depois já estávamos no perímetro de Piçarras, chamando a atenção dos pedestres no limite urbanizado à direita da pista. Adiante chegávamos em Barra Velha, contemplando à direita o mar e o céu azul e branco. E ali, a apenas um quarteirão do mar, era impossível ignorá-lo. Passei por todos perguntando se estavam dispostos a fazer uma parada na praia. Sinal de positivo, à direita volver. Na última mão para a marginal da BR101 invadimos a cidadela num buzinaço festivo que fez jus à expressão que ouvi de um amigo: "a Vespa é uma máquina de fazer sorrisos". Não havia quem não se admirasse com esse arrasto, eram seis Vespas trazendo mais alegria para aquela que já se bastava. E nesse clima entramos no final da Rua Pedro Borba, beirando a praia sob o sol das 14h30. Era complicado encontrar vagas para as motonetas, então estacionamos na garagem de uma loja fechada para locação, debaixo de um prédio de 3 ou 4 andares. E em questão de minutos já estávamos dentro d'água. O Aurélio ficou na retaguarda cuidando das motos. E por ali passamos uma hora e meia de férias. Sem roupa de banho, o ideal foi improvisar. Impagável foi o Curita sair de cueca da água... procure na G Magazine de abril.


Passava das 16h30 quando retornamos para BR101 na tocada dos 90 km/h. Com sal no corpo e a sensação de alma lavada seguimos adiante para os 195 kms de estrada que faltava até a cidade de Colombo (PR). Passamos por Joinville, e da pista se via o belo portal da cidade, talvez o último símbolo expressivamente germânico visível da rodovia até a divisa do Paraná. Paramos para completar tanques e estômagos entre Rio Bonito e Garuva. Ali queimamos 25 minutos e partimos para um rally mais intenso, pois aumentava a quantidade de caminhões e carros na estrada. Nada que comprometesse a nossa viagem. O que poderia ter comprometido foi o motor do Curita, que chegou a travar a 80km/h. Ele fez o certo: ao sentir o prenúncio do motor travando puxou a embreagem e parou no acostamento. Uitamar derramou um pouco de óleo 2T no tanque e sugeriu que esperasse o motor esfriar. A dica pro Curita foi: nunca mantenha a aceleração permanente na estrada, varie um pouco, solte o braço, acelere, depois solte levemente... "vareia".

PARANÁ

A próxima parada deveria ser no quilômetro zero, para aquela foto heróica. Porém o Flavio partiu em disparada e passou distraidamente pela placa. Seguimos adiante, avistando no horizonte a nuvem cinza que nos aguardaria. No ritmo de sempre entramos planando baixo pelos caminhos da Mata Atlântica. Aquele deve ser um dos trechos mais prazerosos de se pilotar em todo o mundo: o asfalto é perfeito, com duas pistas ou três, conforme a altura. A umidade ali aumenta por causa da mata nativa, e os rios e lagos que circundam o cenário são o cartão de visita natural para quem atravessa o Estado do Paraná. Enfim chegávamos ao perímetro municipal de São José dos Pinhais (PR), aonde paramos para completar os tanques e contactar o Ito, que nos aguardava em Curitiba. Repassamos-lhe a nossa posição, e baseado nisso ele calculou com métodos japoneses o horário em que chegaríamos na Sede do Vesparaná Clube, em Colombo. No pedágio próximo a turma encostou para vestir capas e proteger pertences do temporal que se anunciava logo à frente. Foi questão de minutos para cair o céu em tempestade. A chuva era fria e navalhante, e devido a quantidade de carros e caminhões que disputavam a pista dupla ali, decidi encostar no primeiro posto à frente. Foi o tempo de um cigarro e meio, talvez vinte minutos, e debaixo de uma chuva mais branda voltamos para a BR. Em vinte minutos passávamos pelo perímetro urbano de São José dos Pinhais, fazendo parecer que a viagem chegava ao fim. Só que não!


Nas cidades encarávamos um tráfego lento, pois a chuva empossara partes de ruas e avenidas. O sol se punha naquele momento, era talvez 19h30 quando entramos em Curitiba. E o Curita não lembrava do caminho para a Sede do Vesparaná Clube por aqueles trechos. Depois de rodarmos em falso por alguns quarteirões ele preferiu seguir sua memória fotográfica, e assim levou-nos para o centro da cidade. Lá fizemos uma parada rápida para uma foto diante do imponente prédio da Universidade Federal do Paraná - a primeira universidade do Brasil -, representando a nossa chegada à metrópole. Dali em diante seguimos o chefe Curita, guiando-nos pelo caminho que fizera meses antes no dia da inauguração da Sede do clube. Nosso guia nos levou então pra Rodovia da Uva, aonde rodamos por eternos 20 minutos. O Vesparaná Clube fica numa chácara à beira da estrada, e haviam milhões e milhões de chácaras por ali. E naquele breu da noite era difícil de identificar um portão com duas Vespas pintadas. Sem contar o cansaço, a ansiedade, o frio e a fome. Cenas perdidas do programa No Limite. Dali o Aurélio passou o celular pro Curita: "ligue já". Pelo telefone o Ito apontou-lhe a direção, e em questão de cinco minutos já estávamos portão adentro, mato abaixo e mato acima, num lugar fantástico que pela manhã apresentava a privilegiada vista da Mata Atlântica paranaense.

Na Sede do Vesparaná Clube
A Sede do Vesparaná Clube é um complexo scooterístico em projeto, um condomínio campestre da "Família Fumaça", cujo acesso se dá por uma trilha off-road. Ali a Super Super 200 do Uitamar derrapou no pé da curva, e haja braço, e houve! O Ito, que nos esperava há cerca de três horas, já estava quase embriagado de cachaça, e ainda sorridente apesar do chá de cadeira e do cansaço da viagem matinal - pois ele saíra de Blumenau direto pra Curitiba às 9h30. Ficamos com o chorinho da Ypióca, e ali demos boas risadas com as histórias dos paranaenses, sobretudo com as antigas e censuradas. Aproveitamos a ocasião para rever fotos e vídeos da viagem. O Coca e o Animal se encarregaram de procurar pelas pizzas e cervejas na redondeza. Ao voltarem da caça, ele e o Coca trouxeram pizzas e uma garrafa de Ypióca, pois não encontraram cerveja naquela alta noite de segunda-feira carnavalesca, nem mesmo no centro da cidadela. Demos muitas risadas por ali, e conversamos sobre aqueles assuntos que "ninguém gosta": personalização, preços, origem dos apelidos, vivências etc. Um pouco depois o Ito e o Coca voltaram para as suas casas, na promessa de retornarem logo cedo com um café da manhã pra gente. O Uitamar, que lia o livro O Aventureiro, capotou no colchão da sala. O Aurélio e o Flavio foram para o quarto. Havia camas e colchonetes para todos. E os anfitriões tomaram o cuidado de dedetizar a casa antes da nossa chegada. De fato há muita vida em meio aquele lugar, e vultos também. Durante a noite o Animal e eu conversamos muito. Ele que já era o meu herói quando viajou pro Paraguai de Vespa em 2006, se tornava ali um amigo e um parceiro de produções na Rede do Scooterista Clássico do Estado de São Paulo.

E conta o Animal Taylor:

"...As portas já estavam meio-fechadas, mas como o japonês doidão (Ito 8) ainda estava lá na porta nos esperando, consideramo-as meio-abertas, e conseguimos as pizzas! Se eu pudesse prever o futuro, naquele momento, tendo em vista o curto espaço de tempo em que as mesmas "evaporaram" quando chegaram à mesa, teria comprado mais duas, no mínimo! Êta pôvo cum fome, sô! O Coca ainda se encarregou de nos presentear com mais uma garrafa de Ypióca, já que a outra o japa tomou sozinho no meio da fumaça. E assim saciamos a fome, a sede e a alma. De pança cheia e vencidos pelo cansaço, a galera foi se ajeitando pela casa, e em pouco tempo alguns já estremeciam as paredes de madeira da Sede com seus roncos, graves e imponentes! hehehehe

Dizem que tinha aranha e sapos pela casa toda, fora uma quantidade aproximada de 700 borrachudos por cabeça que não haviam sido especificados anteriormente, quando nos ofereceram estadia ... kkkkk. O Fidelis e eu ainda estendemos a prosa... por um bom tempo! Entre um gole e outro de Ypióca, passou "mais de hora" e a gente nem viu. Descobri um camarada pra lá de interessante falando de culturas, viagens, Vespas, projetos, contos, sonhos, crenças, família, pizza, orégano... tudo! Acima de tudo, ainda estávamos no êxtase de uma longa viagem que ainda não tinha acabado!"

Abaixo o vídeo da aranha que encontramos perto de um sapo atrás da geladeira às 2h30 da manhã. Ela era assustadora e media um palmo de mão:

3 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Foto 1 e 9 do Aurélio Martimbianco.
Fotos 2,3,4,5,6,7 e 8 de Animal Taylor.
Vídeo do Animal Taylor.

Anônimo disse...

Seguinte aquela aranha é a mascote do nosso grupo, estamos procurando por a caso vc não mataram né.......

Abraço Maneco Fumaça
Vesparaná

Anônimo disse...

kkkk nao matamos não!!! ela foi vista na manhã seguinte entrando atrás da lousa do quarto...

Marcio Fidelis