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sexta-feira, 30 de março de 2012

I Passeio de Vespa em São Roque

O primeiro passeio da cidade foi organizado pelo São Roque Vespa Club e aconteceu no dia 18 de março. 45 motonetas de diversas cidades de SP estiveram presentes, elas eram de São Roque, São Paulo, Santos, Jundiaí, Taboão da Serra, Santo André, Campinas, Salto, Pedreira, Limeira e Indaiatuba. E a cidade parou para ver o arrasto. Narrarei aqui a parte da qual fiz parte, ou seja, a saída da capital, puxada pelos amigos da Scooteria Paulista e da Free Willy.



A saída estava marcada para as 9h da manhã do Largo do Arouche, porém fomos adiando a cada ligação recebida de alguém atrasado. Mas deu tudo certo. O Leo Russo talvez tenha sido o primeiro dos últimos, o Animal Taylor o último, e o Rafael Assef mais tarde como retardatário nos alcançando no final da Marginal Tietê. E foi lá que fizemos a largada geral, com tanques completos e pneus calibrados. Amigos de amigos seguiam com uma scooter japonesa ou motocicleta. Ficamos encabulados de convidá-los a ir para o fundo do comboio, uma vez que o comboio era livre e nós também estávamos acompanhando. E respeitamos, para sermos respeitados nos nossos giros exclusivos: nosso evento, nossas regras. Estávamos em cerca de 17 Vespas, dos modelos PX200, Super 150, Super “200” e Originale 150. E seguimos na tocada dos 80km/h pela Castelo Branco. Todas ansiosas para encontrar suas irmãzinhas Piaggio no I Passeio de Vespa em São Roque.

Chegamos na concentração da Praça Matriz de São Roque às 11h, junto com os amigos que vieram do Circuito das Frutas, e a precisão foi tanta que parecia combinado. A turma do São Roque Vespa Club, uniformizados e ansiosos com a qualidade do evento distribuía adesivos do clube. O Tatu trazia novamente a panfletagem pesada do Motonetas Clássicas Campinas, e dois ou três integrantes do agrupamento local, um deles o seu amigo e companheiro de trabalho Dário. E nisso víamos chegar na esquina os Sérgios, pai e filho, pontas de lança do tradicional Clube da Lambretta de Jundiaí. E antes que a Patrícia desse a largada alguém puxou o grupo lá na frente, e a turma foi montando a formação rua abaixo. Antes de sair corri para avisar ao Leo Russo que estava na padaria, e alguns amigos pararam também, e quando o Leo se juntou a nós, já tínhamos perdido de vista a turma toda. Tomamos o caminho das indicações que o povo dava nas ruas, e do rastro da fumaça alta no ar, e foi nessas que quase tomamos a rota errada. Meu xará acenou pra gente, e então nos juntamos a ele. Apesar desse pequeno colapso, o grupo local conseguiu reunir a boiada toda em minutos para dentro da Estrada do Vinho.

Uma bela paisagem com o mato tocando as pernas naquela estrada estreita dava a identidade do evento. A organização nos levou para degustar os vinhos na Vinícula/Adega Góes. Ficamos ali por meia hora na base copinho de plástico. Era quase 13h quando subimos em retirada para o almoço no restaurante da estrada de cima. Um lugar simples e aconchegante na beira da pista, aonde pudemos nos conhecer melhor. Ali na base da porção de frios, o Rafael Favero, os Leonardos, o Carlos (seja bem-vindo à SP paulistana mêu) e o mineiro Alvisi, que tinha no pente uma conversa conosco. O SRVC sorteou então um par de vinhos Góes. E repetia o Tatu: “Deus fez nóis, o Diabo faz o Góes”. E no sorteio ganhei!! Duas garrafas. Nessa tarde o Marmirolli nos trouxe as lembranças de três dos quatro encontros que já organizou na cidade de Pedreira.




Mais uma vez viajando com o Marcelo/Valéria, Roberto Braga, Haine e o Paulo. O que? Sim, o Paulo, o Danny de Vito, o Poderoso Chefão, ele estava de Vespa dessa vez. Um grande orgulho vê-lo viver a mesma brisa que nós na Castelo Branco. Devo destacar a presença da dupla de organizadores do Raduno da Primavera, da cidade de Santos, o Mario e o Luca, que fizeram a viagem mais longa do grupo, retribuindo ao SRVC a amizade que nascera no Raduno. Obrigado ao SRVC por esse dia!! E assim se encerra as atividades de verão.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Scooter + Sorveteria = ?


Nessa semana o tempo anda bastante limitado, então para não passar em branco compartilho a beleza dessa foto que há tempos atrás encontrei em algum sítio da net - do qual não faço idéia. Certa vez ouvi de um veterano: "nos anos 60 a minha diversão de domingo era passar pelas sorveterias do Centro de Lambretta". Pois bem, ainda que precoce o mascote acima foi pras cabeças: à frente uma Lambretta LI, e ao fundo o freezer de alguma sorveteria que anunciava: "É Pasteurizado"... A foto é da primeira metade dos anos 60, e foi feita na cidade de São Paulo.

sábado, 24 de março de 2012

A Novidade de Votuporanga (1960)


Essa foto trazemos do site A Cidade, O Jornal de Votuporanga, município do noroeste paulista. Ela foi feita em 8 de agosto de 1960, e a história que está no site é essa: "O desfile cívico-militar dos anos 60. A novidade era a chegada da Vespa (um modelo diferenciado da lambreta) que abria o desfile do Batalhão Militar. Veja detalhes do comércio da rua Amazonas. Na esquerda a identificação da Livraria Belloni e o Foto Kodak, do Takeo Sato. A faixa em cima é da empresa Irmãos Marão". 

quarta-feira, 21 de março de 2012

T5: O Troféu de Ayrton Senna #2


Se estivesse vivo Ayrton Senna teria completado 52 anos ontem. Ele era um fã da Vespa, ganhou algumas modelo T5 em 1985 (86 não sei...) quando corria pela John Player Special. Esse modelo havia sido lançado naquele ano, e tinha 125 cilindradas. Senna naquela temporada fez sete poles, imagine a sua garagem... Essa foto puxei do site Vespa Forever, e o prêmio se chamava "Piaggio Vespa Pole Position Trophy".

"Pois devia comprar uma Vespa, Você vai adorar dirigir uma, tenho certeza". 

segunda-feira, 19 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Volta (Etapa 3 - FIM)

Às 8h da manhã da terça-feira de 21 de fevereiro estávamos em Colombo (PR), na Sede do Vesparaná Clube. O Aurélio, Uitamar e Flávio acordaram cedo e tentaram acordar o Animal e eu - tínhamos dormido tarde depois de uma madrugada de assuntos gerais com Ypióca e muita fumaça. E o Uitamar tinha exigido: "para fora com os cigarros". Não era nem 8h da manhã e os três, mais dispostos, acordaram e vestiram a farda da estrada, e só faltaram batucar para que levantássemos também.


Em meio a um sono de pedra disse-lhes que o Ito e o Coca trariam o café entre 8h30 e 9h, e voltei a dormir por uns minutos. Na verdade eu não precisava fazer nada, bastava pular na moto e ir embora, pois havia dormido de botas, jeans e capacete, dentro da jaqueta e com uma camiseta enrolada no pescoço (fazendo um cachicól). Lembram-se que na noite anterior o Animal e eu encontramos uma aranha monstro atrás da geladeira? Pois bem, eu que dormi num colchão no meio do quarto preferi me precaver. Na verdade caguei de medo daquele bicho, e de outros que poderia ter saído daquela mata toda.

Era 9h quando chegou o Coca e o Ito trazendo uma garrafa térmica com café, pães, queijo, presunto e pão de queijo. Depois de alimentados, nos despedimos dos amigos paranaenses - amizade provada que a internet reforça. (Obrigado mais uma vez ao Ito, Coca e irmãos Fumaça pela hospedagem e pela atenção toda). E partimos para SP, em cinco Vespas estradeiras. Ainda em Colombo abastecemos as motonetas e calibramos pneus para as últimas centenas de quilômetros até nossas casas. Da Rodovia da Uva passamos para a Estrada de Colombo, e então na gigante Régis Bittencourt, já com os primeiros sintomas de fim de carnaval. Tocamos adiante na média dos 90km/h, e era quase 11h da manhã quando paramos sobre a Represa do Capivari (a cerca de 60 kms da divisa com São Paulo): o Animal, eu e o Uitamar na sequência.


EAdiante entramos nas últimas curvas do Paraná, entre caminhões e carros que voltavam de algum lugar para algum lugar naquele fim de feriado. Já tínhamos combinado de fazer uma foto na placa da divisa "Paraná x São Paulo". Então, quando faltava 5 kms para a placa, o Aurélio e eu esticamos à frente à perder de vista, e paramos, embaixo da placa, depois de uma curva de 120 graus à direita. Era quase meio-dia e o sol era latente. Corri para o começo da curva na intenção de sinalizar aos amigos a placa da divisa a tempo de pararem. Os primeiros minutos passavam, e nada de avistá-los. Quinze minutos depois era sabido que algo tinha acontecido lá atrás. Sinalizamos para carros e motos para darem informações até que um fiscal da Autopista parou. Ele não tinha visto nenhuma Vespa parada no acostamento para trás. O Aurélio e eu então, preocupados, decidimos fazer algo que no mínimo nos tiraria daquele sol. Ele seguiria até o primeiro posto de combustível e deixaria a sua Vespa estacionada à beira da estrada, na entrada do pátio do posto. Eu voltaria pela pista oposta até encontrá-los. E assim se sucedeu. Tomei o retorno alguns metros à frente e segui em luz alta e de olho na pista de baixo, por onde eles deveriam vir. E vieram! Avistei-os e sinalizei que voltaria. Entendi que o Flávio tinha entendido, e bastava. Três quilômetros adiante tomei outro retorno e enrolei o cabo até alcançá-los. Porém já havia passado a placa, e perdemos outra foto histórica. Em tese. Porque em fatos o importante é fazer da história a melhor possível. Seguimos viagem sem parada. O que havia acontecido? Um dos parafusos do carburador da Vespa do Uitamar havia soltado, fazendo diminuir o rendimento na pista. Depois de acertado, partiram. (Um minuto depois o Animal voltou pra buscar a câmera fotográfica que havia esquecido no modo automático sobre o muro do posto.) 
E quem passava naquela estrada notou um comboio diferente numa performance nunca vista. Se algum canal de TV notasse, jogaria-nos aos programas de comédia ou perigo. Perigo porque as dezenas de rodas à nossa volta tinham a altura de um piloto sentado. Comédia porque sempre inventávamos algo novo pra fazer enquanto não chegávamos em casa... E nesse meio tempo um carro bozinava ao meu lado. Era o Leonardo Russo e a Cláudia, voltando de Curitiba (do festival Psycho Carnival). O Leo é integrante do grupo e tem uma Vespa Super 150 estradeira. Uma surpresa e tanto encontrá-los na pista, e no momento em que à minha frente estava o Aurélio e o Animal "pedalando" a Vespa a 80 km/h... Paramos todos então num posto de combustível adiante, no perímetro de Cajati (SP).


Depois de 90 kms rodados sob um forte sol de verão chegamos então ao acesso para Juquiá, aonde o Flavio e o Uitamar seguiriam em dupla para o interior. O Flavio até que tentou convencer o Uitamar a voltar pelo Rodoanel, afim de curtirmos mais tempo em viagem juntos. Porém ele considerou mais curto o caminho por dentro. Nos despedimos ali à beira-pista, com alegria no coração, a alegria de um feito bem feito. Vimos os dois subirem a ponte no sentido de Juquiá, de onde entrariam na Rodovia Celestino Américo. E conforme conta o Flavio Barbie: 

"Depois da despedida na Regis Bittencourt subimos serpenteando a serra de Juquiá em meio ao movimento de carnaval e com o cabo torcido , paramos para saborear o melhor pastel de palmito da região e esticarmos o esqueleto. Após duas abastecidas estávamos em Sorocaba, onde fomos recepcionados por uma chuva torrencial durante 10 minutos. Foram muitos palavrões dentro do capacete . Fizemos nossa última parada em Sorocaba para abastecimento e pegamos a reta final, chegando próximo à cidade de Salto. O Uitamar seguiu pela Rod.do Açúcar destino à Americana e eu continuei pela Rod.Santos Dumont seguindo pra Campinas,, e em aproximadamente 60 Km de giro estávamos em casa com a Vespa e as roupas sujas mas a alma lavada, e pensando na próxima aventura".


O Aurélio, o Animal e eu, Fidelis, tomamos o caminho reto, e seguimos na tocada dos 90km/h, evoluindo os números da performance scooterista em pista. Já meditou em Vespa? Isso vai para os vídeos proibidos da SP...hehehe. Passamos por Miracatu, e fizemos uma rápida parada para abastecimento em Santa Rita do Ribeira. Dali em diante já dava para ver a nuvem cinza no horizonte. Foram mais 40 ou 50 kms de giro até que começou a chover, e no meio daquele tráfego mais intenso, decidimos parar para esperar, e isso foi em Juquitiba, a 80 kms da Grande São Paulo. Ali um cara estranho estilo 'hippie-moto-pista' puxou um lero com o Animal. E loucos se identificam na multidão. Na Kombi do cara tinha um monte de gente, várias garotas e dois jovenzinhos, todos cansados. O doido era membro de um moto clube que se não me engano chamava-se Bicho Grilo. Por uma hora bebemos ali umas garrafas de refresco, e proseamos sobre viagens que fizemos em outros tempos e com outros veículos. Sentados no chão do posto víamos o movimento da Regis Bittencourt triplicar, e a chuva idem. Da janela do restaurante ao lado assistimos o noticiário filmar ao vivo a Marginal Tietê com um baita sol de fim de tarde paulistano. E nós, tão perto, como se estivéssemos tão longe... 


Animal, Mestre dos Magos e Fidelis
Passava das 19h30 quando voltamos para a pista. Faltava quase 100 kms até nossas casas. Alegres e encharcados passávamos a 70 km/h por entre os carros parados e sobre o asfalto molhado. Quando o congestionamento acabou, a última luz do dia também se foi. Em Embu das Artes já sentíamos o movimento da grande urbana SP: semáforos, carros populares com faróis quebrados, motoboys em dia de folga, pessoas nos pontilhões, lojas e anúncios à beira-pista. E adiante, em Taboão da Serra paramos num posto de combustível para uma despedida de tanque cheio. Dali eu seguiria em frente para a capital, e eles à direita para São Bernardo e Santo André. E partimos, com aquele desejo de imortalizar essa aventura, de congelar todos os detalhes dela em nossas memórias. Marcamos para o fim da semana nos encontrarmos num pub em Santo André para trocarmos as fotos da viagem e brindarmos essa aventura. E de tudo o que foi vivido nessa viagem, de todos amigos que revemos e que conhecemos nessa ocasião, de todos os cenários vistos e kms rodados, o que mais marcou outra vez a viagem em si foi o espírito do scooterismo pitoresco à moda antiga. O estilo de viver em Vespa e em Lambretta elevado às alturas, ao retorno paulista ao encontro do qual inauguramos em 2010 ao lado dos camaradas gaúchos, paranaenses e catarinenses, e cujo maior prazer é completar a rota do maior encontro de estradas do Brasil: viajar, viver e voltar, na íntegra, sãos e salvos, motonetas e pilotos.

Parabéns aos 8 scooteristas paulistas pela raça. Parabéns também aos guerreiros do Vesparaná Clube que viajaram conosco estrada abaixo e acima: Curita e Ito. E a todos os clubes, grupos e scooteristas independentes, que fizeram por onde para prestigiar o SANTA CATARINA EM LAMBRETTA E VESPA 2012. Fica aqui o convite a todos os proprietários de motonetas do Brasil a participarem da próxima edição do encontro nacional, agora aos cuidados da Scooteria Paulista:

SP EM VESPA E LAMBRETTA 2013 - Dias 9, 10 e 11 de fevereiro

sábado, 17 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Volta (Etapa 2)

Depois de abastecidos, calibrados, e parafusos conferidos, saímos de Itajaí (SC). Pegamos pista livre, com raros caminhões e poucos carros, tocando na média dos 80km/h, talvez um pouco mais. Estávamos em 5 motonetas de 200 cilindradas, e uma de 150cc. Quase todas já bem temperadas nas estradas. Só um medo eu tinha até ali: meu pneu traseiro era o mesmo que me levara pra Argentina/Uruguai em dezembro de 2011... (aliás, o pneu mais resistente que já usei).


E seguíamos no ritmo do rally rodoviário: eu com os equipos da SP na moto, o Aurélio discotecando na pista, o Animal fazendo os melhores registros fotográficos rodoviários da história da SP, o Uitamar com suas mil lâmpadas sinalizando aos veículos a presença de um comboio diferente e meu velho amigo Curita em sua primeira tour em 2 Tempos.


35 kms depois já estávamos no perímetro de Piçarras, chamando a atenção dos pedestres no limite urbanizado à direita da pista. Adiante chegávamos em Barra Velha, contemplando à direita o mar e o céu azul e branco. E ali, a apenas um quarteirão do mar, era impossível ignorá-lo. Passei por todos perguntando se estavam dispostos a fazer uma parada na praia. Sinal de positivo, à direita volver. Na última mão para a marginal da BR101 invadimos a cidadela num buzinaço festivo que fez jus à expressão que ouvi de um amigo: "a Vespa é uma máquina de fazer sorrisos". Não havia quem não se admirasse com esse arrasto, eram seis Vespas trazendo mais alegria para aquela que já se bastava. E nesse clima entramos no final da Rua Pedro Borba, beirando a praia sob o sol das 14h30. Era complicado encontrar vagas para as motonetas, então estacionamos na garagem de uma loja fechada para locação, debaixo de um prédio de 3 ou 4 andares. E em questão de minutos já estávamos dentro d'água. O Aurélio ficou na retaguarda cuidando das motos. E por ali passamos uma hora e meia de férias. Sem roupa de banho, o ideal foi improvisar. Impagável foi o Curita sair de cueca da água... procure na G Magazine de abril.


Passava das 16h30 quando retornamos para BR101 na tocada dos 90 km/h. Com sal no corpo e a sensação de alma lavada seguimos adiante para os 195 kms de estrada que faltava até a cidade de Colombo (PR). Passamos por Joinville, e da pista se via o belo portal da cidade, talvez o último símbolo expressivamente germânico visível da rodovia até a divisa do Paraná. Paramos para completar tanques e estômagos entre Rio Bonito e Garuva. Ali queimamos 25 minutos e partimos para um rally mais intenso, pois aumentava a quantidade de caminhões e carros na estrada. Nada que comprometesse a nossa viagem. O que poderia ter comprometido foi o motor do Curita, que chegou a travar a 80km/h. Ele fez o certo: ao sentir o prenúncio do motor travando puxou a embreagem e parou no acostamento. Uitamar derramou um pouco de óleo 2T no tanque e sugeriu que esperasse o motor esfriar. A dica pro Curita foi: nunca mantenha a aceleração permanente na estrada, varie um pouco, solte o braço, acelere, depois solte levemente... "vareia".

PARANÁ

A próxima parada deveria ser no quilômetro zero, para aquela foto heróica. Porém o Flavio partiu em disparada e passou distraidamente pela placa. Seguimos adiante, avistando no horizonte a nuvem cinza que nos aguardaria. No ritmo de sempre entramos planando baixo pelos caminhos da Mata Atlântica. Aquele deve ser um dos trechos mais prazerosos de se pilotar em todo o mundo: o asfalto é perfeito, com duas pistas ou três, conforme a altura. A umidade ali aumenta por causa da mata nativa, e os rios e lagos que circundam o cenário são o cartão de visita natural para quem atravessa o Estado do Paraná. Enfim chegávamos ao perímetro municipal de São José dos Pinhais (PR), aonde paramos para completar os tanques e contactar o Ito, que nos aguardava em Curitiba. Repassamos-lhe a nossa posição, e baseado nisso ele calculou com métodos japoneses o horário em que chegaríamos na Sede do Vesparaná Clube, em Colombo. No pedágio próximo a turma encostou para vestir capas e proteger pertences do temporal que se anunciava logo à frente. Foi questão de minutos para cair o céu em tempestade. A chuva era fria e navalhante, e devido a quantidade de carros e caminhões que disputavam a pista dupla ali, decidi encostar no primeiro posto à frente. Foi o tempo de um cigarro e meio, talvez vinte minutos, e debaixo de uma chuva mais branda voltamos para a BR. Em vinte minutos passávamos pelo perímetro urbano de São José dos Pinhais, fazendo parecer que a viagem chegava ao fim. Só que não!


Nas cidades encarávamos um tráfego lento, pois a chuva empossara partes de ruas e avenidas. O sol se punha naquele momento, era talvez 19h30 quando entramos em Curitiba. E o Curita não lembrava do caminho para a Sede do Vesparaná Clube por aqueles trechos. Depois de rodarmos em falso por alguns quarteirões ele preferiu seguir sua memória fotográfica, e assim levou-nos para o centro da cidade. Lá fizemos uma parada rápida para uma foto diante do imponente prédio da Universidade Federal do Paraná - a primeira universidade do Brasil -, representando a nossa chegada à metrópole. Dali em diante seguimos o chefe Curita, guiando-nos pelo caminho que fizera meses antes no dia da inauguração da Sede do clube. Nosso guia nos levou então pra Rodovia da Uva, aonde rodamos por eternos 20 minutos. O Vesparaná Clube fica numa chácara à beira da estrada, e haviam milhões e milhões de chácaras por ali. E naquele breu da noite era difícil de identificar um portão com duas Vespas pintadas. Sem contar o cansaço, a ansiedade, o frio e a fome. Cenas perdidas do programa No Limite. Dali o Aurélio passou o celular pro Curita: "ligue já". Pelo telefone o Ito apontou-lhe a direção, e em questão de cinco minutos já estávamos portão adentro, mato abaixo e mato acima, num lugar fantástico que pela manhã apresentava a privilegiada vista da Mata Atlântica paranaense.

Na Sede do Vesparaná Clube
A Sede do Vesparaná Clube é um complexo scooterístico em projeto, um condomínio campestre da "Família Fumaça", cujo acesso se dá por uma trilha off-road. Ali a Super Super 200 do Uitamar derrapou no pé da curva, e haja braço, e houve! O Ito, que nos esperava há cerca de três horas, já estava quase embriagado de cachaça, e ainda sorridente apesar do chá de cadeira e do cansaço da viagem matinal - pois ele saíra de Blumenau direto pra Curitiba às 9h30. Ficamos com o chorinho da Ypióca, e ali demos boas risadas com as histórias dos paranaenses, sobretudo com as antigas e censuradas. Aproveitamos a ocasião para rever fotos e vídeos da viagem. O Coca e o Animal se encarregaram de procurar pelas pizzas e cervejas na redondeza. Ao voltarem da caça, ele e o Coca trouxeram pizzas e uma garrafa de Ypióca, pois não encontraram cerveja naquela alta noite de segunda-feira carnavalesca, nem mesmo no centro da cidadela. Demos muitas risadas por ali, e conversamos sobre aqueles assuntos que "ninguém gosta": personalização, preços, origem dos apelidos, vivências etc. Um pouco depois o Ito e o Coca voltaram para as suas casas, na promessa de retornarem logo cedo com um café da manhã pra gente. O Uitamar, que lia o livro O Aventureiro, capotou no colchão da sala. O Aurélio e o Flavio foram para o quarto. Havia camas e colchonetes para todos. E os anfitriões tomaram o cuidado de dedetizar a casa antes da nossa chegada. De fato há muita vida em meio aquele lugar, e vultos também. Durante a noite o Animal e eu conversamos muito. Ele que já era o meu herói quando viajou pro Paraguai de Vespa em 2006, se tornava ali um amigo e um parceiro de produções na Rede do Scooterista Clássico do Estado de São Paulo.

E conta o Animal Taylor:

"...As portas já estavam meio-fechadas, mas como o japonês doidão (Ito 8) ainda estava lá na porta nos esperando, consideramo-as meio-abertas, e conseguimos as pizzas! Se eu pudesse prever o futuro, naquele momento, tendo em vista o curto espaço de tempo em que as mesmas "evaporaram" quando chegaram à mesa, teria comprado mais duas, no mínimo! Êta pôvo cum fome, sô! O Coca ainda se encarregou de nos presentear com mais uma garrafa de Ypióca, já que a outra o japa tomou sozinho no meio da fumaça. E assim saciamos a fome, a sede e a alma. De pança cheia e vencidos pelo cansaço, a galera foi se ajeitando pela casa, e em pouco tempo alguns já estremeciam as paredes de madeira da Sede com seus roncos, graves e imponentes! hehehehe

Dizem que tinha aranha e sapos pela casa toda, fora uma quantidade aproximada de 700 borrachudos por cabeça que não haviam sido especificados anteriormente, quando nos ofereceram estadia ... kkkkk. O Fidelis e eu ainda estendemos a prosa... por um bom tempo! Entre um gole e outro de Ypióca, passou "mais de hora" e a gente nem viu. Descobri um camarada pra lá de interessante falando de culturas, viagens, Vespas, projetos, contos, sonhos, crenças, família, pizza, orégano... tudo! Acima de tudo, ainda estávamos no êxtase de uma longa viagem que ainda não tinha acabado!"

Abaixo o vídeo da aranha que encontramos perto de um sapo atrás da geladeira às 2h30 da manhã. Ela era assustadora e media um palmo de mão:

quinta-feira, 15 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Volta (Etapa 1)

Acordamos na segunda-feira às 8h com a decisão tomada na última noite: voltaríamos direto para Curitiba junto com o Vesparaná Clube pela mesma rota que fizemos na vinda. Porém ao chegarmos na Vila Germânica às 9h30, a outra parte da turma já havia mudado de idéia subitamente e decidido a seguir com a programação do passeio até o Balneário Camboriú. Na noite anterior cerca de 40% dos scooteristas presentes estavam decididos a ir embora logo cedo para suas cidades. Bem devido ao cansaço provocado pelo calor e pela viagem feita no sábado até lá, além da desconfiança geral com o trânsito do carnaval praiano. Porém pela manhã, quando os motorinos roncaram, muitos mudaram de idéia, da parte dos paulistas e gaúchos principalmente. Nesse momento não foi difícil convencer os exitantes a passear até o litoral antes de voltar pra casa.


Não me recordo de detalhes e algumas vivências me fogem da mente. Gostaria, e até convoco aos amigos a escreverem sobre esses eventos aqui no blog - basta me enviar o seu texto no email scooteriapaulista@gmail.com -, dessa forma comunicamos melhor os fatos mais ao nível do que foi vivido. Voltando ao texto, o sol era o mesmo do dia anterior, nem mais nem menos. Menos era a quantidade de motonetas, cerca de 40 Vespas e Lambrettas faziam a fila da BR470. Na região de Figueira (talvez), vi o Aurélio parando num posto de combustível. Sabíamos que seu tanque estava baixo mas por via das dúvidas decidimos fazer companhia pro amigo: o Animal, o Flavio e eu, Fidelis. E foi bom! Depois de abastecida a Vespa resistia a funcionar. Ali o Aurélio queimou o joelho na pedalada, e nada. A princípio parecia estar encharcada, mas não. Ele trocou a vela. Depois tentamos fazê-la pegar no tranco (outra vez), mas sem sucesso. Eu cria na teoria do giclê, pois havíamos abastecido com frequência em diversos postos de bandeira branca pelo caminho.
Em tiros longos, sujeira é o um dos problemas mais recorrentes. Aurélio sacou os giclês, limpou-os cuidadosamente, e aí sim! Voltamos para a estrada os quatro, depois de 20 minutos ou mais de atraso. Partimos então na correria atrás do grupo. Foram cerca de 12 kms de acelero até a cidade de Gaspar. Havia um certo trânsito naqueles caminhos estreitos, e a gente seguia o fluxo batendo caixa nos paralelepípedos. Encontramos o pessoal parado no posto da guarda rodoviária. Por ali nos demoramos com a turma sob o sol das 11h. Partiu o comboio então num ritmo de 60 km/h por alguns quilômetros até um posto de combustível. Abastecidos e hidratados, seguimos escoltados pela guarda municipal de Itajaí até a região portuária da cidade. Ali nos despedimos da turma toda, dos clubes, dos camaradas, e tomamos o rumo ao norte. Levávamos conosco as lembranças de um dos melhores carnavais já vividos, pois foram vividos em motoneta, desafiando barreiras e superando os tabus rodoviários dos comboios paulistas de outrora. Eles passariam o restante da semana de férias no litoral catarinense. Nós tínhamos a Sede do Vesparaná Club como destino.



Depois de 75 kms rodados durante a manhã, seguia de volta pro sul brasileiro o Confraria e o Vesbretta. E para o norte, o Vesparaná Club (por dois caminhos, já que o Ito e o Coca seguiram de volta para a BR280, e o Curita seguiria conosco) e a Scooteria Paulista, entrando na afamada BR101 em ritmo de festa. Nosso grupo era composto por: Marcio Fidelis, Uitamar Bandeira, Flavio, Aurélio Martimbianco, Animal e o paranaense Curita. Para essa tarde de segunda-feira nos restava 240 kms a serem cumpridos. The Northern Way!

domingo, 11 de março de 2012

I Passeio de Vespa em São Roque


No próximo domingo 18 de março acontecerá o I Passeio de Vespa em São Roque. Atenção para as informações que estão no cartaz. A concentração geral do encontro acontecerá na Praça da Matriz, entre 10h e 10h30, quando os vespistas sairão para o Vale do Vinho.

Haverá um comboio que sairá da capital paulista, do Largo do Arouche às 9h da manhã em ponto. Serão 68 kms até lá, pelo caminho da Castelo Branco.

Outro comboio sairá de Campinas às 7h45, do Posto Dovilho, na Prestes, ao lado do Hotel Nacional. Infos com Flavio: flaviobarbie@gmail.com

Preparem suas motonetas para esse giro inédito!

quinta-feira, 8 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Ida (Etapa 3 - A Chegada)

Em oito motonetas partimos de Curitiba, não sem antes enfrentarmos 10 kms de mais engarrafamento. Assim como em São Paulo, o curitibano (e região) fugia para as estradas rumo ao litoral. Procurávamos por todo espaço possível ao redor dos carros, e passávamos por todos os lados na média dos 30km/h. A lentidão tornava esse princípio de terceira etapa preocupante. Tínhamos 200 kms pela frente. Todavia já em Fazenda Rio grande a estrada não era das mais movimentadas, longe disso inclusive. Pelo caminho soubemos que a Adriana (a garota do Tatu) pegou a rota da BR101 com a pick-up que nos serviria de apoio. Decidiu então seguir direto pela BR101, e nós pela BR280 até Blumenau. O Tatu estava na mão com seu lambretão. E foi pro racha assim. Será que a Lambretta aguenta? Eu e alguns de nós nos perguntamos. De fato essa foi a grande viagem de todos.


E seguindo a sugestão e liderança do Ito, chegamos então em Fazenda Rio Grande, aonde enfim reencontrei meus heróis da viagem In Vespa Fidelis, rumo ao Dia Del Scooter Clásico, Buenos Aires: a Naza Moto Peças. E fechava nesse carnaval o ciclo de patrocínios que (eu Fidelis) tive nesse scooterismo sem fronteiras de três meses, da viagem pessoal pra Argentina/Uruguai em dezembro, e agora com a frota paulista ao Santa Catarina em Lambretta e Vespa 2012: a Fee Willy Moto Peças (com a nova revisão no motor da minha Vespa, troca de peças etc na metade de fevereiro 2012), o site Moto Esporte, o Daré Lambrettas Locações e a M.Brasil Multimarcas. A jaqueta agora vai pro memorial.


Notei de longe o mecânico Felipe e parei a meio metro dele numa longa cantada de pneu, seguida do som da borracha do Curita. E a turma foi encostando ali. Notei que a oficina estava diferente, o espaço de trabalho ficou maior, diminuindo a loja, e Fernando estava lá na labuta. A visita foi rápida e em tom de gratificação. Os amigos do comboio que na ocasião (dezembro 2011) torceram pela minha viagem descobriam ao vivo quem eram os heróis do foguete da Naza. Depois da despedida atravessamos a BR116 para abastecimento e um lanche no Posto 21.


No Posto 21 nos demoramos por cerca de 40 minutos. O lanche se estendeu muito devido ao cansaço dos 500 kms - uns mais, outros menos - percorridos até ali pelos paulistas. O blues do Aurélio comia solto. Partimos então para a rota mais secreta do mundo, um achado asfaltado da rota da madeira que nos levaria até Blumenau. Na região de Areia Branca dos Assis (PR) tomamos a estrada à esquerda e dali em diante faríamos uma rota sem igual, passando pelos vilarejos mais simpáticos da divisa de Estados sulistas. Ito, obrigado! O sol dava uma trégua no tempero e a vegetação nos inspirava ao melhor dos sentimentos. A Lambretta do Tatu, que a princípio mantinha a média dos 70km/h, começou a subir de ritmo aos poucos. O Flavio mantinha o olho no espelho ou a moto na retaguarda, preocupado com o conterrâneo campinense, o Animal e eu fazíamos o vácuo pro lambretão nas subidas, e o Ito com o Uitamar em dados momentos disparavam na frente a perder de vista. Mais tarde cada um meio que fez o mesmo. E enquanto o Tatu comia a fumaça do escape das Vespas PX nas subidas, o lambretão ganhava força. Debruçado no guidão e com as costas ao vento, aquelas eram cenas que mereciam um filme nos cinemas. Trabalho em equipe, espírito de grupo, seja lá o que for, a união e o pertencimento sincero é contado pelas obras das pessoas.
 

Por onde passávamos as pessoas paravam para ver a frota barulhenta de motonetas. Até os cavalos e vacas reagiam. Vi uma vaca correr desengonçada para dentro do brejo, e cavalos erguendo a crina para enxergar melhor. Éramos a novidade relâmpago no pedaço, e naquela calmaria, 8 motorinos de 2 Tempos já faziam o efeito de um avião dando rasante no centro de uma grande cidade. Já escrevi por diversas outras vezes: VOCÊ PRECISA FAZER ISSO, estar na estrada num local definitivamente pacato, e assim começará a entender o efeito que uma motoneta causa nos nativos. Com uma Harley ou qualquer outro veículo é diferente. Foi assim em Agudos do Sul e em Piên (PR), e o mesmo no lado catarinense, em São Bento do Sul (SC), quando fizemos a parada de abastecimento. No fim de tarde em Corupá, no belo pôr-do-sol que se demorava no horizonte, tomamos um atalho por ruas de terra e pedra até a BR280. Em cada cidadela nos sentíamos invasores destoando na calmaria local com um buzinasso diferente. Apenas um jeito de falar, pois as pessoas curtiam e festejavam a nossa passagem. Também tínhamos um carro conosco, da turma dos paranaenses, a Denise Wagner e seu marido, fazendo fotos e oferecendo proteção ao comboio. Aquela serra puxava as motonetas para as curvas como que para um portal. Éramos conduzidos dentro de uma outra atmosfera aonde não havia atrito, nem do vento. Chegamos a noite em Jaraguá do Sul, por volta das 20h15. Abastecemos e colhemos mais informações. Flávio, Ito, Uitamar e Aurélio abasteciam a minha Originale 150. Eu tinha partido sem grana, numa fase osso da vida, e a turma deu aquela força. Seguimos então para Pomerode (SC), e de lá até Blumenau o tempo alçou vôo. Na média mínima dos 80km/h tomamos a reta para nós, em sete Vespas e uma Lambretta 1964. E finalmente, às 22h20 chegávamos na Vila Germânica, aonde a frota do Santa Catarina em Lambretta e Vespa 2012 fazia a sua janta à moda tradicional. Exaustos e gratificados, mais uma vez fica provado que a união, quando é verdadeira e recíproca, faz conspirar tudo à favor do grupo. A caixa de peças reservas (da Free Willy) ficou intocada, e não precisamos de nada além de gasolina e óleo 2 Tempos para chegar. Em Blumenau, Aurélio Martimbianco, sabendo da minha condição, dias antes reservou um quarto de hotel com duas camas, uma para mim. E lá naquela noite, em solidariedade ao Animal (que estava há minutos de armar sua barraca e acampar em frente à Vila Germânica) mudou-nos para um quarto com três camas, e acertou a conta toda.
Manolo obrigado!!!


Na estrada as representações juntas: Scooteria Paulista, Motonetas Clássicas Campinas e Vesparaná Clube. O Galvão Bueno não saberia narrar essa emoção. O Ito sim, porque narrar também deveria ser a arte de viver o fato, do contrário é mais a ficção de quem conta. Então abaixo segue o seu relato em vida do Mr "8":

"Derretendo no sol a pique, mas com uma ansiedade do tamanho de elefante, chegaram!!! Uitamar com sua reluzente Vespa neon, Marcio Fidelis com sua Vespa militar, Flavio Barbie com sua Vespa Fiat Piaggio, Aurélio DJ com sua Vespa musical e claro a do Animal com sua La Mimosa!. Não me esqueci do Tatu e sua valente Lambretta LI azul calcinha e sua esposa na Pick-up L200. A caminho....

Com uma parada de 10 minutos, mas significantes, na NAZA – oficina para motos em fazenda do Rio Grande (PR), em reconhecimento à pessoas realmente boas em ajudar a quem precisa. Ao abastecer as Vespas e as barrigas dos paulistas, sem desculpas partimos para Piên. Estrada magnifica e calma, sem muito movimento e com paisagens de tirar o fôlego. Cada curva um cenário diferente, tanto que perdemos a divisa dos Estados para a famosa foto de prova cumprida.

Em São Bento do Sul éramos miragens num cenário europeu, as crianças e os idosos não acreditavam no que estavam assistindo, uma carreata de motonetas fumacentas cruzando a cidade, motivo de risadas e admiração, e por que não, uma pintinha de inveja! Abastecidos e a caminho de Jaraguá do Sul, outro cenário de chácaras e fazendas com um contraste de verde dos campos com o azul do céu e uma estrada cheia de curvas e iluminadas pela luz do pôr-do-sol.

Chegando a Jaraguá do Sul ao anoitecer, no posto de abastecimento demos as últimas checada do trajeto, e seguimos direto para Pomerode no meio da festa da cidade, aonde outra vez chamamos a atenção dos transeuntes com nossas audaciosas Vespas. Chegada em Blumenau, fim de viagem, com a cabeça lavada de suor e de conquista, e o pouco que andei de Curitiba a Blumenau com os paulistas, devo reconhecer os caras são raçudos pacas!!!" (Ito "8 - Vesparaná Clube, da viagem "Curitiba x Blumenau, em 18 de fevereiro de 2012).


terça-feira, 6 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Ida (Etapa 2)


Então ali em Juquiá, à beira-pista, começamos uma nova etapa da viagem, rodando em cinco Vespas estradeiras até Curitiba (PR). O Animal ainda se perguntou se a Vespa Super do Uitamar, cheia de ferros e com pára-brisas, acompanharia o nosso ritmo. "Relaxa, a gente é que vai ficar pra trás". O dia ficava mais bonito a partir dali, entre amigos, na estrada, em Vespas. Pouca coisa pode superar essa sensação, viajar pelo espaço sideral talvez. Passamos pelo perímetro de Registro e Jacupiranga, e andava tudo nos conformes com a plantação de bananas. No céu vimos um teco-teco planar e realizar manobras perto do solo. Nesse momento disse o Silvio Santos, pelo cavalo-médium de Animal Taylor: "uns gostam de andar de Vespa, outros de avião". Paramos adiante em Cajati, no último posto de SP. Tentei acessar o sinal de Wi-Fi local, (que outrora já funcionou) mas sem sucesso dessa vez. O Tatu havia chegado na idéia de acelerar à frente até o almoço do Psycho Carnival - o maior festival de  psychobilly music do Brasil. Junto aos adesivos de motoclubes colamos ali os da Scooteria e da Motonetas Clássicas Campinas, ao som ambiente do blues da PX do Aurélio. Ele que, minutos antes, teve um sintoma de pistão travado na Vespa. A tocada ligeira em alta temperatura somado ao fato de ter seu 'novo' motor semi-amaciado pediria calma ao comboio. Entramos então nas curvas das estradas da "baixa paulista" na média dos 85km/h desenhando um rastro de fumaça no ar. No vídeo abaixo estamos na espectativa do km 0, a divisa de Estados.




E finalmente encontramos a discreta placa SP-PR na ponte do Rio Pardinho. Puxamos as motos pro acostamento para fazer aquela foto. Ironia do destino, eis que chegou um caminhoneiro pedindo ajuda, o seu caminhão estava sem bateria. E naquela tarde empurramos um caminhão!! Dali em diante nos espalhamos pelas largas curvas cortando a Mata Atlântica. Pelas 13h30 fizemos outra parada mais longa no começo do perímetro de Campina Grande (PR), a 70kms ou um pouco mais. Parada abençoada que naquele calor pedia algo gelado. Dali até Colombo (PR) foi rápido e as 15h30 nos encontrávamos com o Ito e com o Curita, integrantes do Vesparaná Clube, e que nos esperavam para seguirmos juntos cortando caminho até Blumenau (SC). 


Tatu, que voltava do centro da cidade, resolveu ali tirar o 'lambretão' da pick-up e seguir pilotando conosco até Blumenau. Sua namorada, Adriana, levaria o carro. Ito então lançou que no caminho passaríamos pela Naza Moto Peças (da viagem In Vespa Fidelis rumo ao Dia Del Scooter Clásico #3, Argentina). A fome batia ali, e seria saciada no Posto 21 da BR116. Tal nostalgia me deixou bastante ansioso. Seguiríamos agora em 8 pilotos, pelos próximos 220 kms de estradas: Fidelis, Uitmar, Flavio, Aurélio, Animal, Tatu, Ito e Curita. Próximo destino: Fazenda Rio Grande, Paraná.

segunda-feira, 5 de março de 2012

SC em Lambretta e Vespa - A Ida (Etapa 1)

Na madrugada de sábado a turma acordava, cada qual da sua cidade: São Bernardo do Campo, São Paulo, Santo André, Americana, Pedreira, Campinas e Limeira. A turma do Circuito das Frutas optaram de antemão por descer pela serra de Juquiá até a Régis Bittencourt, aonde nos encontramos.Barbie e Uitamar foram rodando. O André seguiu por horário diferente, e Tatu igualmente, mas em tempo e nos encontraria mais tarde. O Marmirolli trazia a sua Xispa num reboque. E por fim, o Aurélio, o Animal Taylor e eu, Fidelis, encaramos o mesmo caminho das pedras, sem mais opções. Começava o sábado dos 8 paulistas e rumo ao encontro nacional.


Às 5h da manhã o Aurélio (São Bernardo do Campo) já estava na Padaria do Estadão com sua PX200 laranja, a novidade da classe. O Fabio Much também foi, ébrio e sem bagagem, decidido a não viajar por superstição e outros fatores. Ainda assim ele passou por lá na hora da partida, trazendo os seus votos de boa viagem. Nesse momento o Animal Taylor saía de Santo André. Pelo celular do Aurélio passei ao Animal a instrução. Cada qual começava naquele momento a sua saga rumo ao Santa Catarina em Lambretta e Vespa 2012. Dos eletrônicos eu levava comigo um notebook, um celular sem crédito e uma câmera filmadora da Drift, gentilmente emprestada pela Rosa Freitag para essa viagem. Na bagagem seguia algumas roupas, souvenires e as peças de Vespa PX, consignadas pela Free Willy Moto Peças ao comboio da Scooteria Paulista: velas, cabos, lâmpadas, coxim, amortecedor traseiro, prisioneiros, braço seletor de marcha, um par de manetes, câmera de ar, óleo 2 Tempos.

No local combinado, naquele posto, esperamos pelo Animal por meia hora ou mais. Ligávamos e ele não atendia. Foram dois cigarros mentolados, e nada do amigo. Então partimos, na esperança de que o aventureiro andreense apertasse o passo e nos encontrasse mais à frente. Amanhecia, e o sábado era agitado na BR. Driblávamos dezenas de caminhões e carros por minuto na região de Cotia e Taboão da Serra. Cogitei ali que de repente pudesse encontrar o seu Artur Gildo para essa viagem, mas por questões de saúde ele não encarou essa empreitada. Passamos pelo primeiro pedágio, o Aurélio e eu, roubando as atenções todas daquela imensa fila de "carnavalistas". Dali conseguimos contactar o Animal Taylor, que entrara na Raposo Tavares por sabe-se lá qual motivo e rota. A nova instrução passada pelo celular do Aurélio foi que ele nos encontrasse então no primeiro posto de combustível após aquele pedágio, depois de Itapecerica da Serra. O posto fica a uns 12 kms adiante. Tentei acessar algum sinal de Wi-Fi, porém sem sucesso. Isso se repetiria por toda a viagem. Testamos o Modem 3G do Aurélio mas também não vingou. Então a parada valeu mesmo para um desjejum fortificante que nos seguraria de pé até o Paraná. Aproveitamos ali para recarregar a câmera de vídeos no sistema de som do Aurélio. Aliás essa foi talvez a marca registrada da viagem toda: a música. Era só passar pela PX do Aurélio para ouvir toda uma nova geração do blues rock - guitarristas exímios e seus vozeirões no vento da pista.


Tomamos mais meia hora de canseira do Animal Taylor, que só foi perdoado porque o cara chegou desajustado deixando cair a própria moto no canteiro do posto. A sua Vespa PX200 tem todo um visual de uma vaca. Personalização exclusiva!?!?!?! Abastecemos e seguimos, os três, na caça aos amigos do interior, que nos aguardava cem quilômetros adiante. O engarrafamento nos complicava muito dali em diante. Carros e caminhões parados em cima de um asfalto horrível fazia daquele princípio de viagem um rally para os fortes. Cortávamos o vento pelo corredor da pista, driblando as tartarugas que dividem as faixas. E nos revezávamos na ponta, na média dos 70km/h, ao estilo motoboy. Então nos atiramos pista abaixo, driblando o azar do dia, no ritmo do rally rodoviário mais frenético que já encarei nessa vida de errante.


Foram 110 kms de lentidão, passando por São Lourenço da Serra e Juquitiba. O posto aonde paramos recebia naquela hora todo tipo de passante: ônibus de turismo, roceiros, banhistas, motociclistas, famílias, etc. Rodamos por mais duas horas até Juquiá, aonde estavam o Barbie, Uitamar e Tatu. Para quem ainda não se conhecia, satisfações. Uma outra etapa começaria dali em diante, sob intenso sol, já sem trânsito. O destino daquele povo todo era o litoral sul-paulista, por estradas da redondeza. O nosso, a Europa brasileira.


De Campinas, Barbie nos escreve, contando da primeira etapa da viagem que o Uitamar e ele fizeram até Juquiá:

"Marquei o encontro com o Uitamar no posto Ipiranga da Rod.Santos Dumont as 5:00, cheguei 4:45 e ele 4:55 . Após darmos a primeira abastecida da viagem  partimos para um breve café e caímos na madrugada rumo à Regis, onde encontraríamos nossos amigos da SP. A ida foi ótima , madrugada quente e movimentada devido ao tráfego do feriadão. Já em Piedade recebemos os primeiros raios do sol que seria escaldante por todo o dia. De Piedade a Juquiá descemos em ritmo de rally, contornando as curvas da serra em alto giro , curtindo a paisagem e a musica emitida pelos motores das PX além das buzinadas do Uitamar alegrando a estrada. Em Juquiá ao pé da Regis paramos no primeiro posto de abastecimento, ansiosos pela chegada dos amigos que tardou 2 horas, nos deixando muito preocupados pois perdemos os contatos além de estarmos numa área sem cobertura para ligações celulares. Parei um motociclista e perguntei à ele sobre o movimento ele me confortou dizendo que os outros integrantes da SP estavam à caminho,foi nesse meio tempo que encostou a pick-up do Tatu (Campinas) com sua Lambretta LI, e na sequencia os outros 03 da SP, breves relatos, fotos e abraços, estávamos todos unidos rumo à SC fervendo o asfalto".

SP, em 18 de fevereiro de 2012.