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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Meus Dias Peronistas

Adios Amigos. Venho à essa para dizer-lhes que o Dia Del Scooter Clasico foi para mim, para o Fabio Much, o maior encontro de nossas vidas. Desde que o Fabio Much chegou, até a sua partida, o grupo ofereceu um suporte sem igual ao nosso representante paulista. Sem mesmo arranhar um portunhol ele se sentia em casa. O mesmo se passou comigo.


Para chegar até aqui vivi seis dias e meio de alto giro e superação em Vespa. Foram 2700 kms rodados, e que valeram cada litro de nafta queimado. Na primeira etapa da viagem meu aparelho celular quebrou, e como um centauro solitário eu começaria a saga "In Vespa Fidelis". No segundo dia tudo parecia perdido: minha Vespa estava quebrada à beira do caminho no Paraná. Foram 48 horas de preocupação e insegurança. Devo muito ao empenho da Naza Moto Peças (PR), com o suporte à distância da Free Willy Moto Peças (SP). (Imagine um mecânico que nunca viu uma Vespa na sua frente e que por compaixão tentaria abrir e fechar um motor de 150cc para uma viagem internacional). E assim foi! Ela voltou à vida: a minha outra metade Vespa. Com dois dias de atraso saí em disparada rumo ao sul brasileiro, deitando o cabelo a cada curva, impondo o meu espaço na pista sobre os caminhões e carros que antes haviam passado por mim. Conheci pelo caminho o homem que muito inspirou essa viagem: José Ferreira da Silva, o gaúcho que dera a volta ao mundo de Lambretta em 1968/69, e que agora vive em Lages (SC). Foi um encontro de emocionar! Uma grande pessoa chê! Em ritmo de aventura cheguei às 23h30 de quinta-feira na cidade de Santa Maria (RS), depois de percorrer 700 kms. Ali me encontrei com os Herdeiros do Passado, gente humilde e muito afetuosa, e que me recebera com a gangue em peso: scooteristas, familiares, bichos e motonetas. Uma querida família que vive em 2 Tempos! No dia seguinte finalmente eu sairia do Brasil, pelo Uruguai, depois de conseguir uma carta-verde (um seguro para trânsito de veículos no mercosul) aos 45 minutos do segundo tempo. No norte do Uruguai enfrentei o chão mais  tortuoso da minha vida: a Ruta 26. Com gasolina estocada cruzei os 230 kms da Route 66 sob um intenso sol e sobre as pedras do caminho que me levaria até a fronteira da Argentina. Na reta Panamericana deitei o cabelo e fui, e embaixo da lua mais cheia que já vi brilhar no céu eu entrava em Buenos Aires, dali direto para o salão de festas da RVA.


Ao pisar no salão, com a bagagem toda nos braços fui aplaudido de pé por 150 scooteristas sul-americanos. Muitos foram às lágrimas ao me ver. Don't cry for me Argentina. Jamais me esquecerei dessas pessoas. Finalmente eu chegava para o Dia Del Scooter Clasico, a maior celebração do scooterista popular. Trazia comigo a alma de toda a Scooteria Paulista com outras dezenas de scooteristas brasileiros, amigos patrícios que apoiaram e confiaram nesse projeto desbravador, projeto esse que abriu a mata virgem para o futuro da classe. Durante o DSC#3 tive o prazer de conhecer vários membros de clubes guerreiros de cinco países (Argentina, Chile, Uruguai, Brasil e Paraguai), e cito-os conforme a lembrança: Vespa Club Córdoba, Mar Del Plata Family, La Brigada Scooter Gang, Vespa Club Chile, Las Vesponas, Vespa Club Goya, Los Antiguos Vespa Club Uruguay, Confraria Vespa Motor Club, Vespa Club Argentina, Vespa Club Paraguay, e a irmã ideógica Red de Vespistas Argentinos.



Depois do Dia Del Scooter Clásico tirei três dias de folga no Club Sitas, e entre as caminhadas e escritos conheci melhor as atividades dos amigos da RVA. Na segunda-feira tirei a tarde para finalmente lavar minha motoneta. A noite gravamos a segunda edição do programa experimental da Rádio RVA: Fernando Dias, Pascual e eu de convidado. Na sequência Pascual me levou à sua casa, aonde comi uma bela pizza na companhia de sua família e suas motonetas. Na terça-feira passamos uma tarde de turistas, Pascual, Diego Perez e eu. Almoçamos em San Telmo, caminhamos pela Boca e pelo centro da cidade. Na quarta-feira a noite Joaquin da Fonseca me levou à casa do scooterista Mauro, aonde aconteceu uma confraternização com diversos membros da RVA, incluindo o Roy/Melina, Pascual, Daniela etc...

O Diego Perez (RVA) me explicou que toda vez que Perón firmava um ato político na Argentina fazia sol. Daí vem a expressão popular: "hoje é um dia peronista". Vivi portanto quatro dias peronistas. Ironia do destino, na quinta-feira da minha partida, choveu. Nesse momento vejo as luzes da Argentina sumirem na janela do Buquebus. À minha frente está o Uruguai, e o começo de outra saga: a volta para casa. Que Deus me acompanhe enquanto guarda os nossos hermanos. Aqui fiz amigos tão verdadeiros e entusiasmados quanto somos na nossa terra, e por isso agora, sobre o Rio Uruguai, sou eu quem choro.



Marcio Fidelis
scooteriapaulista@gmail.com

3 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Foto 1 de Jorge Pedroli
Foto 2 de Ariel
Foto 3 de Rodrigo Reyes

Anônimo disse...

Escrevestes com o coração, amigo.
Excelente regresso.
Maurício

Diego Perez de Gracia disse...

Marcio! Me alegra tener noticias de Tu viaje. Espero el buen clima acompañe Tu itinerario. Dios y Yo Te acompañamos a cada instante.
Un fuerte abrazo!