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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Etapa 9: Porto Alegre (RS) - Florianópolis (SC)

Rockaway Beach. Saí as 15h30 de Porto Alegre, e conforme as indicações do Vesbretta tomei o caminho de Osório (RS) pela rota Free Way, a 290. No princípio da estrada minha Vespa apresentou uma considerável queda de rendimento. Não passava dos 60 km/h. Parei, olhei. Algo estava fora da ordem. Logo que cheguei num posto liguei para o Reginaldo na Free Willy, em São Paulo, afim de pegar um diagnóstico do patrocinador: "Tem compressão"? Tem; "algum barulho diferente?" Não! Conselho da casa: "Saca pra fora os giclês, limpa eles, troca a vela, e se prosseguir sem rendimento prossiga a viagem sem o filtro do carburador". Obedeci a todas as instruções. E sem testar o rendimento, fechei o carburador sem o filtro e sai em disparada. Pernas, para que te quero?  Passava das 17h e eu ainda estava em Porto Alegre, precisava apertar o passo pois teria 450 kms de pista até a próxima etapa: Florianópolis. De fato voltei aos 90km/h de outrora, disputando terreno com qualquer CG. Passei por Alvorada e na altura de Gravataí fiz uma parada para descansar o motorino. Tentei acessar a internet, mas fiquei no quase. Completei o tanque e enrolei o cabo até a cidade de Osório, por onde conheci a Laguna dos Barros e pude contemplar de longe os cataventos do Parque Eólico. Fiz nova parada em Três Cachoeiras (RS) à beira da BR 101 e finalmente cruzei a divisa RS x SC, sob o pôr-do-sol e uma agradável brisa das prévias do verão.



O motor mantinha um excelente desempenho, sobretudo quando escureceu e a temperatuda baixou. Com o restante da luz do sol e a 90km/h pude ainda contemplar a vista da Lagoa do Sombrio, e dali em diante tomei na escuridão um trecho bastante esburacado da pista. Os caminhoneiros que pegavam essa rota devia conhecê-la muito bem pois mesmo nos trechos mais estreitos e esburacados, eles passavam no grau feito rolo compressor. Eu temia não ser notado por eles na estrada, então pilotava com um olho do peixe e outro no gato, usando os piscas da Vespa para alertá-los das minhas manobras. Em Araranguá (SC) fiz uma parada mais longa. Funcionários e clientes de um posto de combustível rodearam a Internazionale (minha Vespa), animados com a peça e com o feito. Curioso é que todo mundo tem um parente que foi 'lambreteiro' e 'louco' ao mesmo tempo. Depois que o motor esfriou por completo segui na mesma tocada, carregando na mente toda a natureza de pensamentos sobre o ser humano, e no peito uma determinação sem igual. Minha viseira já estava completamente suja com tantos insetos atropelados pelo caminho. Em partes eu me guiava pelas lanternas dos caminhões e carros, prevendo a distância e o grau das próximas curvas. Depois de Capivari de Baixo, atravessei a Lagoa de Santo Antônio por uma extensa ponte, e tentava, de cima dela, captar qualquer imagem possível da paisagem. 

As luzes amarelas do poste sobre a ponte também proporcionavam uma sensação bastante rica do percurso, e somado ao cheiro acentuado do mar, uma nova carga de energia não me deixava parar. Sempre em frente! Na região de Imbituba completei o tanque e fiz outra longa pausa. Já era 23h, e o ritmo manso da estrada me animava a calma. Na cidade encontrei uma Lan House aberta, e foi de lá que atualizei o último post desse blog. Ao contrário do conselho das bondosas pessoas daquele lugar, decidi seguir adiante e completar a etapa dessa viagem até a capital catarinense. Enrolei o cabo na escuridão e quadrupliquei a atenção à frente, uma vez que não precisava mais me preocupar com o tráfego atrás. Pela madrugada (Batman) passei por Paulo Lopes e finalmente eu via o mar catarinense sob as luzes do começo de Palhoça. Paguei o pedágio e segui na febre, passando direto por São José, região metropolitana da capital, e de onde já se sentia o clima praiano. Finalmente, um pouco antes da entrada da ilha de Florianópolis encontrei um hotel barato e ali fiquei. Era 2 da manhã. Um sujeito no Hotel Cruzeiro me atendeu com toda a insatisfação do mundo, como se eu estivesse estorvando o seu sono em hora imprópria. A placa do hotel dizia em vermelho batom: Aberto 24 horas. Em vista de todas as condições que eu me encontrava, aquele sapo eu engoli. Paguei, subi as minhas coisas pro quarto 101, e desci para procurar algo para comer - conforme eu havia dito ao sujeito -  pois não me alimentava desde às 13h. Para meu desafeto o homem-sapo tinha ido dormir na beira do rio e me deixara trancado no hotel. Bebi muita água para enganar o estômago e fui pra cama com um sentimento de fúria no peito e na mente. Fúria porque é o dinheiro que manda nessas pessoas, e é somente por ele que elas correm, pulam e quacham.

UMA TARDE NA OFICINA MODERNISTA

No dia seguinte devorei o desjejum e passei a manhã atualizando os assuntos da viagem. Falei por email com o Marco Zonta, um vêneto da Itália, membro do Vespa Club Montegrappa, que desde 2004 vive em Florianópolis. Faz um ano que trocamos correspondências, e da última vez que fora para a Itália ele lembrou de mim e me trouxe alguns souvenires originais do Vespa Club Itália. Aqui em Florianópolis Marco vem montando com muito zelo a Oficina Modernista, um espaço scooterista à beira da Lagoa da Conceição. Um lugar fantástico que o faz lembrar da terra natal, porém com uma pulsante cultura Mod distribuída pela casa toda. Fui ao seu encontro retribuir a atenção que tivera comigo e com a Scooteria nos últimos meses. Marco procura uma Vespa para comprar e amigos do mesmo gosto para compartilhar. Avisei-lhe do Santa Catarina em Vespa e Lambretta, evento próximo, que lá encontrará seus vizinhos da classe.


Marco vem escrevendo um grande livro em que narra diversas aventuras que vivera nos últimos encontros europeus, e giros solitários em Vespa. Uma literatura fantástica no qual ele classifica diversos tipos scooteristas de lá. Classificou-me então como um Vespista Explorer. É isso aí! Conversamos sobre clubes, Vespas x Lambrettas, a moda em voga, paixão pelo estilo de vida errante, acessórios, imigração italiana etc. Desfrutei da Lagoa Conceição e da bela vista panorâmica da praia local, além da sua entusiasmada companhia. Para chegar na Oficina Modernista é preciso cruzar a lagoa num bote, ou a nado. Devo-lhe dizer que seria fantástico uma visita da classe à esse lugar. Só vendo para entender! Queria ter passado mais tempo aqui também, de onde escrevo, mas preciso concluir os 800kms restantes até São Paulo. Amanhã dia 21 de dezembro os amigos da SP e a Trackers farão uma festança de recepção, das 18h às 23h na Trackers Tower, um edifício antigo outrora desativado. 

Detalhe: scooterista e garupa é VIP, basta apresentar o documento da motoneta na porta. Rua Dom José de Barros, esquina com a Avenida São João, no Centro antigo, no Largo do Paysandú. O show fica por conta do Oskarface e do Beber's Operário. Portanto, lá estarei em ponto!

4 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Fotos de Marcio Fidelis
Cartaz do Daniel Batata

D. disse...

Fechando com chave de ouro!!!
Tem previsão de horário de chegada? Me liga!!!

Anônimo disse...

Oi, que lindas fotos...
Ana B.

muchiba! disse...

wooooooooooooooooooooooooooooooooou!!!!!!!!