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domingo, 18 de dezembro de 2011

ETAPA 7: Montevidéu (UR) - Santa Vitória do Palmar (BR)

Bringing It All Back Home. Saí de Montevidéu as 15h, depois do almoço oferecido pelo casal Dinamita em sua casa-pub. Com o mar na minha direita trazendo o vento do Atlântico, rumei para o norte debaixo de chuva, o que foi uma grande lástima, pois queria desfrutar das praias. Para meu deleite, eu contava várias Bajaj's e Vespas PX200 pelo caminho. O impressionante é que os proprietários não expressavam nenhuma admiração ao ver outra scooter clássica. Era muito comum encontrá-las por lá. Como dizemos no Brasil, era "carne de vaca".

Meu dinheiro chegava ao fim. Eu tinha 600 Pesos Uruguayos (o equivalente a 50 Reais talvez). O lado bom é que no Uruguai moto não paga pedágio. Hora despencava as águas do céu, hora batia o vendaval do mar. Firme como um touro a minha Vespa assentou o Rinaldi no chão e foi em frente. Na cidade de Atlântida completei o tanque, e foi-se ali 200 Pesos cravados. A estrada era boa: pista dupla e de movimento baixo. Foram 150 kms até chegar em Punta Del Este, e pra ser sincero não me lembro de caminhões pelo caminho. A cidade é um projeto turístico moderno preparado para receber pessoas do mundo todo. Enquanto eu procurava uma cafeteria ou um bar com Wi-fi notei que alguns uruguaios ali falavam o português e o inglês. Por 60 Pesos pude tomar um café pequeno e acessar a rede local (com vista para os iates e barcos na orla). Passado uma hora dei a partida e segui pela estreita Ruta 39, a Interbalneárea, até entrar na Ruta 9. Era quase 19h e o sol não havia dado as caras mesmo. Passei pela cidadela de San Carlos, aonde abasteci (200 Pesos) e confirmei informações sobre a rota. O vento nesse momento batia por todos os lados, a sensação era de naufrágio iminente.


A última parada para gasolina foi na cidade de Rocha. Pouco me restava dali pra frente, eu tinha cinco litros no tanque e 70 Pesos no bolso, o equivalente a 5 Reais. Restavam 140 kms até o Chuí. Então baixei o ritmo para 75km/h e no breu da noite a beleza dos caminhos ficou por conta dos vagalumes. Na escuridão fiz uma parada para ouvir o mar ao longe e esfriar o motor. Foi meio hippie isso. As placas anunciavam o Brasil cada vez mais perto, e foi aí que a Vespa entrou na reserva. Apreensivo, baixei o ritmo para os 60km/h, afim de economizar os últimos 2 litros. Fui informado que havia um posto no caminho, mas já passava das 23h e nada garantia que estaria aberto. E finalmente, depois de mais um dia de solidão e alto giro eu chegava na fronteira. Parei minha Vespa e atravessei a pista com os documentos em mãos. Adeus Uruguai, até o ano que vem! Adiante, na fronteira saquei uma foto que naquele momento me divertia: minha Vespa pisando em dois países ao mesmo tempo.


BRASIL

E finalmente eu estava no Brasil, com o tanque e o estômago na reserva. No pequenino município brasileiro encontrei um posto aberto. Queimei ali meus últimos Pesos Uruguayos e assim a Vespa saiu da seca. Primeiro ela, depois eu. Procurei por um Caixa Eletrônico e um hotel que aceitasse o pagamento em cartão de débito. Ambos aceitavam, porém com cartão uruguaio ou internacional. Chuí, apesar de ser um município brasileiro, a economia da cidade gira mesmo em torno dos dólares e Pesos Uruguaios. A recomendação então foi seguir 25kms adiante, para a pequena cidade de Santa Vitória do Palmar. No caminho tomei um susto de gelar a espinha. Um gambá cruzou a pista na minha frente, e era dos grandes. Num golpe de reflexo acelerei e inclinei minha Vespa em direção ao acostamento, e por muito pouco escapei do golpe. Certamente iria ao chão. Era um sinal: fosse o que fosse eu deveria parar. Em Santa Vitória do Palmar encostei no Hotel Turismo e a atendente me deixou à par de tudo: “será difícil encontrar nessa cidade um estabelecimento que aceite o pagamento em cartão, ainda mais nesse horário”, disse. Mas me indicou um Caixa Eletrônico que deveria estar aberto. Saí em disparada e ao chegar vi as luzes semi-acesas. Ali na rua escura desliguei o motor e entrei. Para o meu desespero os caixas estavam desligados, e o alarme do banco disparou. E agora? Tentei sair, mas a porta havia sido travada comigo dentro. Só me faltava essa, chegar ao Brasil e ser suspeito de uma tentativa de roubo à banco... kkkkk. Insisti apertando simultaneamente o botão da porta, foi um minuto de aflição até que ela destravou. Saí de lá atordoado. Should I Stay or Should I GoLiguei a Vespa e voltei pro Hotel, aonde contei do acontecido e combinei que pagaria a pernoite na manhã seguinte. Subi as bagagens e com muita fome segui à procura de qualquer bar, padaria ou bodega que aceitasse pagamento em cartão. Depois de entrar e sair de uma dúzia de estabelecimentos uma moça me indicou uma vendinha 24 horas que aceitava o meu cartão de débito. A fome era de matar e aquela seria a minha última chance de comer alguma coisa paga com o meu dinheiro. A vendinha ficava numa rua barrenta, no fim do perímetro urbano, próximo dos estábulos, e atendia com portas fechadas. Mas atendia de madrugada. Comprei o que encontrei de mais nutritivo: Iogurte e biscoitos. Voltei ao hotel, pendurei as roupas úmidas, comi e dormi muito bem. Me acalmava esse ar brasileiro.

4 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Fotos de Marcio Fidelis

D. disse...

Fiquei triste hoje de manhã vendo o jogo... E gostei muito do relato de suas últimas horas em URU... Tente se alimentar bem e ter o máximo de bom senso ao dirigir... ok? Beijo.

Anônimo disse...

Caro Fidelis,
Meus parabéns, tu és um bravo!!!

Marco Aurélio

Anônimo disse...

aUHUHAUHAuhAUHauhuhA
O alarme disparou foi feroz hein!!!

O cara assaltar um Banco de Vespa tem que estar completamente louco!

Wolney K.