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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Etapa 3: Lages (SC) - Santa Maria (RS)

Blade Runner! Passei a 47km/h num radar que anunciava o limite permitido de 40km/h. Desatenção pura. Isso foi em Lajes. Abasteci e voltei para a BR 116. Era quase 14h. (Sai tarde da cidade pois a conversa com O Aventureiro, José Ferreira da Silva, e a sua companhia estava ótima, de fato um encontro surreal! Me identifiquei absolutamente com ele, e talvez o oposto também seja verdade). Na BR 116 mantive a velocidade dos 80km/h, e de fato a gaiola da biela despedaçada no motor (em Fazenda Rio Grande) riscou superficialmente o pistão, diminuindo o rendimento. Mas sem demora cheguei à divisa entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul, quando veio a garoa.


Segui até a cidade de Vacaria, aonde abasteci e de imediato testemunhei a receptividade do povo gaúcho. No posto de gasolina soltei: "quem aqui é gremista?" Oito pessoas rodeavam a minha Vespa, e quase todos se manifestaram: "eu chê". Cruzei toda a cidade pelo miolo até a BR 285, sentido Lagoa Vermelha, conforme as coordenadas indicadas pelo Stello, que me aguardava em Santa Maria. Me admirava com esse trajeto. Eu saía da Serra Gaúcha e adentrava o trajeto do agricultor local. Foi quando choveu, aliás, não choveu, caiu o céu. Sem abrigo, encostei no mato à beira-pista e sentado nela vesti as roupas de chuva, já molhado. Ok. No Pain no Gain! Enfrentei ali cerca de vinte quilômetros de forte chuva e vendaval, e no perímetro da cidadela de Gentil (RS) saí finalmente da nuvem negra que pairava sobre mim. Os frentistas davam graças a Deus que chovia pois a seca estava devastando a colheita local. E de fato isso era visível no caminho. Passei então por Passo Fundo e parei em Carazinho para completar o tanque. Segui na média dos 85km/h, contemplando a paisagem rural do norte do Rio Grande do Sul. 


Fiz poucas fotos, primeiro porque peguei garoa ou chuva em quase a metade do caminho, e segundo porque precisava chegar logo em Santa Maria (aonde os Herdeiros do Passado me aguardavam). Completei o tanque em Santa Bárbara do Sul e enrolei o cabo pois já passava das 19h30. Em Panambi peguei o contorno para a BR 158, uma rodovia estreita e pouco movimentada naquele fim de tarde. Ali comecei a me preocupar com o combustível. Foram quilômetros a fio sem sequer um posto de gasolina. Meu ponteiro beirava o vermelho, e eu preocupado desenrolava o cabo afim de economizar os últimos dois litros do tanque. Era noite e a pista estava deserta. Se eu ficasse por ali teria de empurrar minha Vespa no escuro até sei lá onde. Foi quando avistei um lago no oasis: a pequena cidade de Cruz Alta. Rodando nela encontrei um posto no escuro. Porém os atendentes já tinha desligado as bombas e fechado o caixa. Segui adiante, apreensivo porém mais tranquilizado pois estava dentro de uma cidade. Três quilômetros adiante notei outro posto, também fechado. Ali me indicaram um no centro. De fato, cheguei no centro de Cruz Alta e o encontrei. Abasteci e liguei para o Stello, que me aguardava com o grupo reunido a 100 kms ao sul. Saí de lá e enrolei o cabo pois passava das 21h30. Seja o que Deus quiser! À frente um infinito breu e uma nuvem de mariposas que viveriam seus últimos segundos de vôo: vítimas da minha Vespa Assassina... rs. Em Itaara (há 12 quilômetros de Santa Maria) liguei para o Stello e a Cris disse que ele já estava no trevo da cidade me aguardando com o grupo. Enrolei o cabo na descida, passei pela sombria ponte da Garganta do Diabo (hoje chamada de Vale do Menino Deus), e finalmente encontrei o grupo ali, na guarita da Polícia Rodoviária Federal. Foi uma festança que só!!!

MEU ENCONTRO COM OS HERDEIROS DO PASSADO




Era quase meia-noite quando cheguei ali, e o grupo estava de prontidão me aguardando com essa bela homenagem. Eram eles: Stello, Cleberto, Marcon, Hélio, Gilberto, Marcos, João, Ademar, Mano (Ederson). Segui com eles até a Sede do grupo, a casa do Stello e da Cris, a sua esposa.

No caminho eles ligaram às alturas nos alto-falantes da pick-up a canção "À Beira do Caminho" (Roberto Carlos), me levando às emoções. Ali fui recebido com muitas honrarias pelos familiares, que realmente me fizeram sentir orgulhoso, dando mais sentido à minha coragem e persistência em carreira solo sobre o aro 10'. Um legítimo churrasco gaúcho estava posto à mesa e todos as motonetas da frota herdada do passado espalhadas pelo terreno. A casa do Stello muito me lembrou as antigas casas dos meus familiares do oeste paulista (de Assis, Cândido Mota e Ourinhos). Conversamos bastante no galpão do grupo, e entre as primeiras cervejas e trocas de souvenirs o grupo oficialmente me convidou para ser um membro honorário dos Herdeiros do Passado. Muito honrado aceitei de pronto. Me identifiquei com o sentimento hospitaleiro deles, gesto bastante em comum com a Scooteria Paulista: atendemos 24 horas por dia se for necessário. Depois de um saboroso churrasco, ainda que abatido, me sentia renovado entre eles. Conversamos sobre estilos de gestão de um grupo/clube, mulheres no guidão, lojas, etc. Stello é como um pai do grupo, estimula, ajuda, apóia, conserta, pinta, organiza e recebe a todos em sua casa com muito orgulho. Sua esposa, a Cris, abraça a causa e assim sempre foi. Naquela madrugada dormi muito bem na sala da família herdeira do passado. Antes de eu partir eles me fizeram dois lanchinhos para que eu levasse para a viagem. Na estrada um lanchinho vale mais que cinco brejas...rs. Almocei com eles e na sequência fui guiado pela família até a rodovia, deixando para trás meus novos amigos e levando comigo uma enorme saudade desse momento inesquecível com os Herdeiros do Passado.

Hélio, Gilberto, Fidelis, Catelã, Stello, Marcos, João e o Marcon
1700 kms percorridos até o momento (São José dos Campos (SP) - Santa Maria (RS).
Faltam 1000 kms. 

8 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Fotos de Marcio Fidelis, do Stello e da Cris.

D. disse...

O Caio, teu sobrinho, lê diarimente para mim suas peripércias... Boa Viagem, sempre! Bj.

02218816-f039-11e0-9cb6-000bcdcb5194 disse...

amigo o q significa enrolar o cabo?

Andreas Triantafyllou disse...

Amigo Fidelis,
Eu tambem chego em casa ansioso para abrir o blog e ler o diário de sua viagem!!
Astou com vc em pensamento, boa sorte meu amigo...

André Luiz Hornhardt disse...

Boa viagem Fidelis, a família, aqui em Limeira está torcendo por você!

Anônimo disse...

fidelis,eu aqui de são jose dos campos estou esperando que vc chegue são e salvo.

abço carlos guerreiro

Gustavo disse...

Enrolar o cabo significa acelerar com tudo.

b1e71036-245a-11e1-8517-000f20980440 disse...

opa valeu gustavo!! quando minha xispa estiver reformada eu vo enrolar o cabo uahuahuahau