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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

ETAPA 1: São Paulo - Curitiba

Aquecimento. Saí de São José dos Campos pra São Paulo ontem, domingo, às 6h30 da matina. Já fiz esse trajeto por dezenas de vezes, mas dessa vez foi diferente. Até porque nunca tinha encontrado um joseense na estrada, e dessa vez encontrei o Luti logo cedo indo pro trabalho. Bom, aí cheguei em casa, na Mooca, aonde os amigos me esperavam para uma despedida quase surpresa: China, Isbu e Much. E também a minha namorada Debbie Cassano, que havia preparado um kit de higiene pessoal para essa viagem. Se dependesse só de mim, viajaria fedido só com um jeans. 


Vale lembrar já que a minha partida atrasou porque na quinta-feira uma Kombi Escolar derrubou minha Vespa e ralou as duas saias. Então me vendo incomodado com isso, China reabriu a Scooterboys depois de um ano. Passou massa e adesivou: a RAF Paulista! Isso vai dar o que falar! Checamos os parafusos das rodas e do escapamento e me despedi dos amigos.

START! Ainda na zona leste da cidade um sentimento despertava em mim, acho que tem a ver com o lance de "tudo ou nada", ou do ritual de passagem para a liberdade... enfim, uma angina no peito e uma imensa vontade de chorar. Chorei. As 13h ainda estava em Taboão da Serra. Agora sim!! Abastecido e preparado para horas a fio no motorino, a minha sensação era de ter comigo todos os scooteristas do Estado de São Paulo, num grande comboio fantasma. Segurei os 85km/h por duas horas. E era assim: os caminhões me ultrapassavam como locomotivas. Toda a precaução com eles na Rodovia da Morte!

Depois da Serra, quase em Miracatu, caiu a chuva. Encostei na primeira borracharia que tinha e enquanto esperava o tempo abrir um pouco, o Welton me ajudava a calibrar o step do bico danificado. Adiante parei no primeiro dos seis pedágios da Regis. Valor justo para motos: 0,85 centavos. Fiz um almoço às 15h na região de Registro e parti em ritmo de aventura. Hora garoava, hora fazia um sol preguiçoso atrás das nuvens. Durante toda a viagem ventava muito, e por algumas vezes pegar o vácuo dos caminhões era mais seguro. No  auto-posto Cajati, a 70kms da divisa SP-PR encontrei um resquício de sinal de wi-fi. Na TV passava o final do Brasileirão 2011: Palmeiras e Corinthians. Liguei o notebook e pedi um pingado. Era tudo novidade, e de certa maneira, um tino jornalístico à la Giorgio Bettinelli batia em mim. Bem, eu tinha um compromisso diário com a Revista Moto Esporte - patrô.



Bom, a viagem foi tranquila etc e tal. Entrei em território paranaense as 19h30. Enrolei o cabo e numa das baixadas da Regis, com o cabelo deitado no vácuo de uma cegonha, o ponteiro da 150cc bateu nos 120km/h. Aquela foi a prova de fogo!! Reduzi aos 95 km/h e segui na chuva. Parei então em num posto próximo de Antonina para esfriar motor. Tentava acessar dali a web para informar aos amigos e leitores que estava tudo bem, mas perdi um baita tempo em vão. Naquele momento recebi as mensagens de apoio da Rose e do Reginaldo pelo celular. E foi tudo! That's all folks! O aparelho pifou na sequência, e agora estou sem contato telefônico. (Quem quiser se comunicar comigo, me escreva, pois tentarei acessar a internet sempre que houver sinal liberado pelo caminho). 

O Paraná estava chuvoso e lindo. É impossível não reparar nas casas antigas feitas em madeira na beira da pista e nas belezas naturais preservadas pelo homem local. Cheguei em Colombo por volta das 20h, e ali a minha Vespa morreu. A minha preocupação ascendeu. Esperei por 10 minutos até que o motor esfriasse. Vai saber... E então ela voltou. Andei por mais 1 km e morreu novamente. Desci então na banguela pelo acostamento da Rodovia da Uva e a empurrei até o orelhão mais próximo. Sob a luz de um poste tirei a tampa e saquei a vela. Acho que estava aí o problema. A vela estava completamente carbonizada. Pegou!! Liguei então para o China em São Paulo, e repassei minha posição ao amigo que estava feliz da vida comemorando duas festas: a do aniversário do seu filho Igor, e o de campeão brasileiro no futebol. Segui numa média de 60km/h até Curitiba. Perdido pela cidade pedi informações a um jovem casal de carro, e eles foram muito prestativos comigo: admirados pela minha aventura, decidiram me guiar até o centro da cidade. Um gesto querido e raro. Fui direto para uma festa aonde encontraria o lambretteiro Keiji Mitsunari, proprietário de uma Lambretta LI ratoreira, e membro dos Broncos Rockabilly. Cheguei no bar pela contra-mão e o japonês me chega com um copo pra mim. Tirando do desafeto que tive com um Mod paulistano na cidade - embriagado julgando em chiliques e gritos finos que eu teria trazido a Vespa no baú de um caminhão -, foi tudo ótimo. Na sequência chegou a Laura, proprietária de uma Vespa M3 1962 grená estilo Rat. Com eles estava o Cacau, tatuador do interior de São Paulo, conhecido nas "más rodas". Enquanto a Laura preparava um cozinhado preza, Cacau desabafava a sua tristeza para nós: horas antes havia sido expulso de casa pela esposa por ter trocado a televisão e o notebook numa CB400. Uma história um tanto hilária, e ele dizia: "vou fazer o que? Era uma CB400!!!". Como não havia sinal de internet na casa, somente pela manhã de hoje, segunda-feira pude acessar a rede nessa lan house de onde escrevo, do Bairro Alto, próximo ao Estádio do Pinheirão. Minha experiência foi excelente até agora, e deixo escrito aqui a minha gratidão aos old school em 2T: Keiji e Laura. Próximo destino: SC.


Etapa 1: São José dos Campos - Curitiba.
600 kms percorridos

8 comentários:

Scooteria Paulista disse...

Foto 1 por Debbie Cassano.
Fotos 2 3 4 e 5 por Marcio Fidelis
Foto 6 por Guilherme Broncos Rockabilly

Anônimo disse...

Blz Fidelis. Estamos te acompanhando.
VAi com calma.
Maurício

Anônimo disse...

Marcio..tenho um aparelho nextel...e um aparelho Vivo...caso necessite, envio por Sedex 10..

Marcio Fernandes

Gustavo disse...

Boa! Estamos te seguindo! Abs!

D. disse...

Boa Sorte e me liga a cobrar, qquer coisa,
casa ou celular...

Anônimo disse...

blza fidelis,fico muito feliz porque esta viagem maravilhosa começou na minha cidade natal são jose dos campos,120 p/h é muito cara,vai na boinha.

abços,carlos guerreiro

Scooteria Paulista disse...

Obrigado pelas vibes pessoal. minha vespa quebrou, e tentaremos consertar hoje. se der certo. rodar eu sei que vou. agora não sei se vou pra Argentina ou se terei que voltar pra casa...

Marcio Fernandes, daqui será mais fácil eu procurar por um celular usado na cidade. Tentarei fazer isso hoje enquanto procuro a biela pra minha Vespa. a correria segue grande...

Sidnei de Cerqueira disse...

Vai Márcio, não desista, siga em frente...Faça sempre uma oração antes de pegar a estrada que vai dar tudo certo