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domingo, 3 de julho de 2011

Da Viagem ao Encontro Paulista de Águas de Lindóia #2

A nossa segunda viagem para o tradicional encontro de Águas de Lindóia foi sensacional. Chegávamos rodando em 12 Vespas, uma experiência incrível.


Subimos com o Uitamar a pé para onde estava o stand do lambreteiro Marmirolli, com diversas peças usadas e artigos de motonetas e bicicletas. Depois de um giro de meia hora paramos no refeitório do evento, sob uma enorme lona rodeada pro quiosques lotados. Tivemos pouco tempo ali para uma conversa mais prolongada. Em breve chegariam também nossos amigos, o Koré e a Cris, trazendo com eles a turma dos motociclistas que nos receberam a semanas atrás em Poços de Caldas (MG). O Koré chegava com a camiseta juventina do III São Anivespaulo, certamente a mais bonita já vista naquele evento...hehehe. O tempo era curto para tantas curiosidades. O Walter, o Eder e o Edgard saíram evento adentro para fazer fotos. O Much e eu (Fidelis) subimos à procura do stand no qual o Rogê trabalhava. Ali com ele e sua família tomamos um chopp e proseamos mais um pouco. E eis que ouço o locutor do evento anunciar a chegada da Scooteria Paulista, os vespistas que vieram de São Paulo, Jacareí, Campinas, Taboão da Serra e Cotia.


Passamos no máximo três horas por lá, era o nosso limite. No semáforo seguinte o Daniel Isbu e o Much dispararam na frente e se perderam de nós. Todavia não percebemos isso a tempo pois o trânsito era confuso. Minutos depois, ao sairmos da cidade, refiz a contagem do comboio em movimento e dei falta. Era dia mas o sol sumia, e faltavam três de nós. O seu Artur chegaria em um minuto. Liguei para o Isbu, ele estava logo atrás também, mas sem o Much. Aonde estaria ele? Much não atendia ao telefone e ninguém o via desde os últimos quarteirões de Águas de Lindóia. Depois de dez minutos finalmente atenderia. Havia se perdido de fato e na dúvida decidiu tomar o mesmo caminho da vinda, rumo a cidade de Socorro, quando já estava acertado de voltarmos pelo caminho manjado do Isbu, nas estreitas estradas depois de Serra Negra e que leva até Amparo. Podíamos esperar pelo Much mas ele preferia seguir pelo menos até Bragança Paulista, pois tinha enrolado o cabo e estava longe. Chateados pela falta do amigo solitário em outra estrada, seguimos em 11 Vespas. Em Serra Negra entramos num congestionamento de um ou dois quilômetros. Nós passamos, o carro de apoio ficou. Paramos então num posto de gasolina e esperamos o carro por mais vinte minutos. Tempo de sobra para combustível, café e cigarros. Então iniciamos de fato a viagem, em ritmo forte no estreito montanhoso da Rod. Eng. Constâncio Cintra. Não tardaria para o dia apagar e para as moscas sairem pra comer. O cheiro do mato e o sol se pondo à frente tornava a viagem uma contemplação em todos os sentidos. Depois de Amparo, na Rod.Benevenuto Moretto, o sol dera adeus. E não só o sol como também o Flávio, seu Artur e o Lowercy com a Alda. Ambos pegariam ali o caminho mais próximo da rota de casa, a continuação da Rod.Engenheiro Constâncio Cintra, que levaria à Dom Pedro I, de onde o Flávio seguiria para Campinas, e de onde o seu Artur com o Lowercy e a Alda seguiriam até o Rodoanel rumo a Taboão e Cotia. Nós tínhamos o dever de procurar o Much em Bragança Paulista, e seguimos em frente. A partir daquele momento demos uma puxada no comboio, visto que estávamos em 8 Vespas por uma estrada bastante calma. Walter pediu para diminuirmos o ritmo por causa da vista debilitada. E foi bom! Até Tuiuti, quando a sua Vespa parou de funcionar. Encostamos no portal da cidade e esperamos por ele, conduzido pelos pés do Edgar e do Eder. O Walter bravo com sua motoneta chegou dizendo “pessoal a minha Vespa parou, dependendo do que for eu vou encostar ela num sítio qualquer e volto na garupa do Eder ou do Edgar até Jacareí. Já é de noite e se vocês quiserem ir embora buscar o Much, vão tranquilamente, não se importem pois aqui a gente dá um jeito”. De pronto ninguém de nós aceitou a sua sugestão: “estamos juntos, e ficaremos”.


E ali naquele trevo, no quachar dos sapos e no picar das moscas, naquela primeira noite do inverno, desligamos os motores e abrimos um longo sorriso, todos. O Walter sacou a tampa do cofre e o Edgar puxou pra fora o gicle. E uma simples olhada contra a luz do poste o Edgar anunciou: “tá sujo, eu disse!”. Menos mal. Enquanto ele limpava, o Walter e o Eder tiravam fotos. Nei verificou seu tanque e descobriu que tinha pouca gasolina. Isbu pegou uma mangueira então e passou um litro da sua para a dele. Companheirismo do velhos amigos da zona leste de São Paulo. E demos boas risadas ali, por isso digo sempre: é na beira da estrada que você reconhece um scooterista!! 



E partimos noite adentro para Bragança Paulista. Much já tinha partido de lá. Devia estar uma hora na nossa frente. Fizemos um lanche com café, batemos um papo ali e nos despedimos do Eder, Edgar e do Walter (que seguiriam para o leste do Estado). Na Rod. Fernão Dias, de dentro do capacete Nei disse: “olha pra cima”. Eu olhei, sem entender muito bem. E novamente: “olha lá em cima”. Olhei de novo, procurando algo estranho, um avião caindo, um ovni. E nada. Aí o Nei disse: “olha quanta estrela”. Ri, e entendi. São Paulo tem um céu diferente de todos os outros céus do Brasil, e na capital mal temos estrelas, todas já caíram...

Na Fernão Dias a viagem se sucedeu tranquilamente, apesar do excesso de caminhões correndo contra o tempo, daquela gente às pressas para salvarem suas mães da forca. Findamos os últimos quilômetros em cinco Vespas: Isbu com Érica, Nei, Rodrigo, Vitor e eu. Pela Dom Pedro I estava o Edgar, o Eder e o Walter. Na Rodovia dos Bandeirantes ainda estavam lá o seu Artur e o Lowercy/Alda com a PX200 quebrada. Problemas no conduíte. Tiveram que guinchar a motoneta até em casa. (Bem, eu soube disso mais tarde). Ao chegar na casa do Nei liguei pro pessoal para me certificar se estavam todos bem. E percebo viagem após viagem, comboio após comboio, que o que mais tem valido em todas as experiências, nem sempre é a novidade da vez, a receptividade, a diversão, os humores etc... de fato o mais importante continua sendo sempre o prazer de compartilhar dos caminhos. E quem não sente a natureza dessa satisfação já ficou na primeira curva. Esse é o espírito do scooterismo, sem distinções de idade, credo, classe, raça, sexo etc. Scooterismo é um estilo de vida, uma paixão arrebatadora, uma linguagem universal.

[*Essa viagem foi realizada em 16.Junho.2011, em 12 Vespas.
Foram cerca de 400 kms de viagem, em 14 horas fora de casa.
Relato por Marcio Fidelis

Um comentário:

Anderson disse...

Esses meninos da Scooteria... são meu orgulho!
Abraços
Anderson