Últimas Imagens

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sean Jordan, um Scooterista à Paulista #2 (A Capital)


Volta ao Mundo em Vespa
Na tarde de sábado, já por volta das 16 horas, começamos a escalada pela Rodovia Anchieta em dua Vespas. Duas horas depois desligamos os motonetas na Vila Formosa, zona leste de São Paulo, na Scooterboys, aonde o China nos recebeu com uma lata na mão: “estou bebendo desde o almoço”. Por lá estavam o Much, Adriano, China, Isbú e Érica. Eu tinha aquela ideia certa de comparecer na apresentação do conjunto jamaicano Skatalites, na Virada Cultural, certamente com o Sean. Só que aí desceram duas cervejas os planos mudaram; compramos carvão, carne, mais cervejas e aumentamos o som. Vespas iam e chegavam, e voltavam, e saíam e voltavam. No fim da noite contamos 18 ao todo. Estava o Rafael Assef, o Adriano com a Simone, o Lincoln, o Nei com a Tatiana. Rolaria os mil assuntos da viagem, da geografia e dos costumes, fora as mil fotografias no notebook do gringo... 



Falamos também da passagem do Juan Montoya (Colômbia) e Ilario Lavarra (Itália) por aqui, da movimentação de cada lado, Vespas do Vietnã, cultura chopper na Indonésia, burocracias no Brasil. Indonésia e Malásia, de onde embarcara para o Brasil. A noite seguiu nesse ritmo até as seis da manhã. O Sean esticou seu saco de dormir no chão da sala da Scooterboys e capotou. Eu me esgueirei no sofá estreito e não vi mais nada até às 11h.

O domingo estava lindo. No fundo da oficina Adriano trabalhava na sua próxima Vespa, e o Sean estava preocupado com uma máquina de fotos que se irmã havia lhe enviado no endereço de um hotel na zona sul da cidade. Saímos da Zona Leste direto para o Centro velho da cidade, onde Sean ficaria hospedado por indicação de um colega carioca. Afonso, nosso amigo português, nos esperava no Ibotirama desde as 15h. Passava vinte minutos e estávamos o gringo e eu dando uma imensa volta no centro da cidade para chegar na Rua Augusta. Isso por causa da "tal" da Virada Cultural. Junto do parceiro lusitano cumprimos a primeira missão do canadense. Fechamos o domingo com papo, breja e futebol na TV. Era reta final do Campeonato Paulista. (Na real Sean nem ligava tanto assim, mais a gente.)


Seguimos então para a zona oeste: Vila Madalena. Um outro aspecto de São Paulo, notável para o gringo, que em menos de vinte e quatro horas na cidade grande já percebera suas diferenças mais acentuadas dela. Assunto reforçado pelo Afonso, português de Braga que conhece bem a metrópole. E fechamos a noite com uma pizza e salgados no afamado Copan. Sean sabia do Oscar Niemeyer, e sua visita ao edifício do modernista foi a "cereja do bolo" para fechar o dia. Nesse dia rodamos 70kms pelos quatro cantos da cidade. Eu voltei pra casa do China pois dormiria por lá durante a semana toda.

Edifício Copan
Na segunda-feira, a rotina de todos no mundo começaria. A nossa não. Eu deveria voltar para São José dos Campos porque tinha um emprego lá. Tinha. Mas não fui. Ilusões de um mundo de fantasias em 2 Tempos me guiaria novamente para a contra-mão da vida, e tão logo estaria desempregado. O Sean precisava lavar todas as suas roupas, consertar alguns itens em sua Vespa, e comprar peças. Passei em seu hotel às 9h da manhã e começamos a segunda-feira na Recar Motos, a loja de motocicletas antigas e motonetas de época. Ali Sean pôde conhecer pessoalmente a maioria dos modelos populares de scooters antigas que tivemos no Brasil: Vespas M3, M4, Super 150 e PX200, além das temáticas, como por exemplo a PX da Coca-Cola; e Lambrettas, nos modelos Standard, LD, LI, Cynthia, MS e BR Tork. Então dobramos duas ruas e ali naquele pedaço às 10h30 seria princípio de um longo dia de reparos na Vespa mais guerreira do planeta, feito na Free Willy Moto Peças, aonde o Pretinho, o Reginaldo e o Sean, com ajuda minha e do Picelli na tradução, se desdobraram nos acertos na sua PX: troca de óleo de câmbio, troca e destroca de discos de embreagem, adaptação de pastilha para freio a disco, regulagens, cabos etc. Durante a tarde dei uma escapada para resolver um velho assunto pendente: os documentos da venda de uma Super 150 que ainda estava em meu nome. Marcelo Canto passou na oficina com a Vespa e fomos acertar isso pela cidade. Também ali perto, no Pardal, Sean teve a base do seu bagageiro dianteiro reforçado à solda e duas mini-barras extra. Na oficina ele estranhou o hábito - comum a muitos vespistas – de usar o mesmo óleo 2T como óleo de câmbio, indicado pelo Reginaldo como mais ideal para um motor que estará em giro no frio e altitude da Cordilheira dos Andes, para onde ele se dirige nesse exato momento.



A noite caiu e os trabalho na oficina não cessavam. Sean pagou uma pizza com Coca pra turma e por lá nos alongamos aos leros sobre as diferenças entre as PX200 européias e as brasileiras. Foi quando apareceu o Marcelo Canto novamente, trazendo a sua Lambretta LI e o nosso amigo Edu Tiburtino com sua Vespa M3. Pelas 21h30 saímos então para um giro até o lado oeste da cidade outra vez, acompanhado de boas prosas. Nas palavras do Marcelo Canto: "Um exemplo de determinação do nosso amigo Sean!! Bela aventura. Nessa noite desta foto tivemos a oportunidade de trocarmos algumas idéias, quando após um hábito no mínimo estranho a nós brasileiros, degustar um café expresso e um suco de limão pudemos compartilhar com ele algumas cervejas nas imediações da Vila Madalena". Ali conversamos bem sobre passeios oficiais, espírito de grupo, estrada, dinheiro e projetos. O Edu sugeriu a pergunta que tomei a liberdade em fazer: “quanto custa uma viagem dessas ao todo?”. Sean calculou-a em U$ 50 Mil Dólares – contando combustível, manutenção, estadias, alimentação, taxas, transporte aéreo, despesas gerais. Ao todo serão 50 mil quilômetros feitos em 40 países. Para alguns da classe, seria um investimento para toda uma vida. O papo estava bom, mas passava da meia-noite. Marcelo e Edu seguiram pra casa; já Sean e eu paramos num posto na Avenida Duque de Caxias para mais duas horas de prosa, cigarros e cervejas. Particularmente certos assuntos me interessam mais, como sociedade e cultura scooter. A noite acabou pra lá das 3h.

Reparos na pintura da Vespa do Sean
Terça-feira de manhã. Era preciso atualizar notícias e responder a emails. Foi o nosso dia de descanso, até porque a noite seria frenética. No começo da noite Sean chegou na Scooterboys, sozinho, guiado pelo seu GPS. Conosco estavam o Koré, o Rogê e o Oliver, além do China, do Adriano e eu. A pedido de Sean, Adriano e China pintaram o painel da PX gringa. Como percebeu que os scooterboys não cobrariam pelo serviço, o canadense me pediu para que o levasse até onde pudesse comprar uma garrafa de Jack Daniels. Chamei o Oliver e o Koré de canto e saímos à caça da garrafa. O Oliver conhecia uma adega na Monte Magno (Vila Formosa), e foi lá que Sean fez uma interessante observação: na Índia todos andam e pilotam desordenadamente, "um sobre o outro", olhando somente para o seu caminho, para o asfalto esburacado, e conseguem; no Canadá as ruas são largas, os semáforos sincronizados e a velocidade média é alta, todavia, quando algo sai dos planos, se um cachorro atravessa a rua, ninguém sabe como reagir. E que em São Paulo todos andam muito rápido, freneticamente, obedecendo aos sinais básicos e conseguem se organizar assim, em qualquer tipo de asfalto. De fato, enfrentamos naquele trecho de 3 km um trânsito infernal em alto giro pela avenida, e por onde havia brecha a gente passava rasgando. São Paulo seria o meio termo entre Nova Delhi e Toronto? kkkkk...

Sean se sentia bem, não se incomodava com a vida simples que levávamos, tampouco com os limites da língua. As idéias foram fluindo entre sarros e tiradas. Logo depois o Oliver voltaria com a sua terceira Vespa customizada do dia. (Primeiro tinha chegado com a “Vespa Comunista”. Durante o Jack ele foi buscar a PX com injeção eletrônica, e no meio da noite trouxe o mais novo brinquedo: a Super personalizada da Adidas Originals. Oliver aplicou o azul fosco e adesivou a bela e inusitada Vespa Super “200cc”. E tocaríamos o terror noite adentro.

Então, descemos o bairro em seis Vespas e uma Pick Up. Na Abel Ferreira alguém soltou: “se prepara porque vai ser de farol a farol”. E assim foi, cerca de 3 km em alta velocidade, no qual eu comi poeira por duas vezes. No centro da cidade, a folhagem no chão da noite anunciava o começo do outono. Uma perfeita madrugada de festa com música jamaicana, cubana e inglesa no Lions Club, diante de uma generosa vista do centro da cidade. Entre cervejas e cigarros, Sean, Oliver, China, Rogê, Much, Adriano, Rafael e eu pudemos entender a motivação desse projeto ao redor do mundo, e bater uma prosa totalmente a vontade, desinibidos, embriagados, falando até em aramaico. É impressionante como a Vespa é uma linguagem universal. A noite findou às 5h30 da manhã na Padaria do Estadão. 

Quarta-feira, e alguns acordaram pelas 13h. O Oliver tinha ido direto para o trabalho. O Much, meio que isso também. Esse seria o dia da despedida, pois o plano de Sean era seguir viagem lá pela metade do dia seguinte. Sean cogitava aceitar o convite do Afonso em dormir em seu apartamento nos Jardins - eles já haviam se entendido muito bem desde o começo. O portuga é um cara legal, educado e de bom gosto, e ambos tinham uma coisa em comum: cresceram em um país mas vivem em outro. No caso do Sean, ele nasceu no Canadá, e vive na Sérvia. No caso do Afonso, esse é de Portugal mas vive em São Paulo.
Sean passou na Free Willy e na Scooterboys para realizar os últimos reparos. Nessa tarde de ressaca batia aquela sensação de Adeus. Do quarto do hotel Ferrari atualizei Twitter e e-mails sobre a primeira celebração de aniversário da Scooteria Paulista, que aconteceria na sexta-feira em Monte Alegre do Sul. (Sean aproveitava para me apresentar uma de suas bandas favoritas, uma espécie de indie rock chamado The National - achei chato). Às 21h ligamos nossas Vespas e seguimos para o Jardins, ao encontro do Afonso e das vespistas Luciana e Carolina. A noite foi curta, mas rendeu um bocado. Formou-se dois assuntos paralelos, e entre goles e tragos debatíamos os métodos da Scooteria e as proezas do canadense pelo mundo. Tudo ao mesmo tempo agora! E, na idéia da Carol, encontramos a solução para os comboios do São Anivespaulo, dica fundamental a ser aplicada na quarta edição. Tão importante quanto, foi a letra dada pela Luciana, atentando à necessidade de atualizarmos as formas de comunicação entre todos.


Fechamos a noite com chave de ouro em um giro até o centro velho, o marco zero da cidade. Diante do monumento da Fundação eu falava com Jack Cavalaeri pelo fone. Ele estava em Curitiba a espera de um milagre. Tudo estava preparado para partida no dia seguinte. Afonso e eu ainda nos esticamos pela Rua Augusta para uma boa prosa sobre os dias de luta vividos em Vespa na grande cidade...


Quinta-feira. Sean me ligou desesperado dizendo que o seu cartão de débito havia sido clonado e que haviam sacado a quantia de R$ 700,00 num caixa eletrônico do Rio de Janeiro. Depois da queda, o coice. Corri para o seu hotel. De lá ele tentava entrar em contato com seu banco na Sérvia. Um pesadelo invadia o sonho da volta ao mundo em Vespa, e Sean cogitaria desistir do seu projeto. Foi uma tarde difícil, e Sean estava em estado catatônico. Por mensagem escreveu: "não quero ser dramático mas talvez esse seja o fim do Vespa360Project". Quase chorei ao ler isso. Algo precisava ser feito ali naquele momento. Liguei para algumas pessoas, a maioria não pôde ajudá-lo ou não se dispôs naquele momento. Liguei pro Afonso, e essa foi a bênção do dia. O portuga, com sua experiência internacional, situou Sean com respeito aos sistemas adotados pelos cartões ocasionalmente na cobrança das tarifas. Enfim, a dúvida estava no ar, mas havia possibilidade de tudo não passar de um mal-entendido. Sean ficou mais tranquilo e preferiu esperar mais um dia em São Paulo até ter certeza do que estava acontecendo. Nos encontramos novamente na Santa Cecília, o China, o Afonso, Sean e eu. China ofereceu sua casa para pouso, o Afonso idem. Sugeri ao Sean que se preocupasse com seus próximos dias, e que se acaso estivesse sido roubado por clonagem, seria melhor que dia após dia ele retirasse de sua conta a quantia máxima (700 reais) e escondesse tudo na Vespa, até que veja necessidade de cancelar a conta. Assim ele ainda teria uma reserva para urgências. Assistiu Easy Rider? Então fechamos a noite com uma singela celebração cosmopolita entre amigos no Bar do Jota, na Rua Augusta. Lá estavam Sean (Canadá/Sérvia), Afonso (Portugal/Brasil), Fidelis (SP, Brasil), Carolina (Portugal/Brasil) e Braga (RJ/SP). Todos em Vespa. A meia-noite comemorávamos o primeiro aniversário da Scooteria Paulista. Um brinde entre amigos de vários cantos na cidade mais universal do país. (PS: Depois disso não houvera mais registro de retirada irregular de dinheiro da sua conta).




E de tudo isso fica a saudade do amigo gringo cuja aventura e personalidade certamente será incomparável por toda a história que a SP ainda terá pela frente. Moral da história: Vespa é uma linguagem universal. Leia abaixo uma mensagem de Sean Jordan enviada pra mim na sexta-feira, direto do Rastro da Serpente:

"Thanks for everything. It's an honor to be a honorary member of the Scooteria Paulista." 
( Sean Jordan, Canadá/Sérvia - http://vespa360.com )

Sean entregando a prometida camiseta do São Anivespaulo ao Pablo Conte em maio (Vespa Club Cordoba, AR)

9 comentários:

Gustavo disse...

Bravo!

Anônimo disse...

Demais!!! E o SP em 2T foi o máximo! Eu e o Koré adoramos!
Beijos e abraços, Cris e Koré

Marcio Fidelis disse...

Valeu gente ,vcs apesar de não terem ido de Vespa dessa vez, foram cheirando o óleo 2T. presenças queridas. koré e cris, nesse fim de semana é nóis em Minas Geraaais!!!

Fidelis

Anônimo disse...

Grande Márcio! É muito bom recordar alguns dos grandes momentos que temos vindo a viver através da Scooteria. Mérito todo seu!Aquele abraço! Afonso

Anônimo disse...

Muito bom o texto.

Mas na parte de largar o emprego e viver o sonho 2T, me fez recordar bastante "QUADROPHENIA", não sei pq?haha

E quanto a cena da Malasia, de lá eu curto uma otima banda SKIN/OI, a otima A.C.A.B., nada mais a declarar, simples, crua e Oi!.

E muito bonita a Vespa do Oliver, eu estudei com ele na faculdade. Na epoca ele tinha uma preta que tambem era basnate linda.

Abs.

Bovver

Anônimo disse...

Esse não seria um bom local para os vespista se encontrarem?
http://motonetabrasil.com.br/

Ou ainda um grupo de email tipo yahoo, é uma boa, o que vocês acham?

Gustavo disse...

Já estamos lá! Inclusive, há atualizações sobre a Scooteria Paulista na seção dos grupos.

Quem ainda não fez o cadastro lá, corra e faça, além de continuar acompanhando as notícias da rede paulista de scooterismo clássico aqui pelo blog.

Pessoal, se identifiquem nos comentários que fica mais fácil de responder!

Abraços!

Anônimo disse...

http://prixviagrageneriquefrance.net/ commander viagra
http://commanderviagragenerique.net/ viagra prix
http://viagracomprargenericoespana.net/ viagra
http://acquistareviagragenericoitalia.net/ viagra

Anônimo disse...

http://achatcialisgenerique.lo.gs/ cialis commander
http://commandercialisfer.lo.gs/ cialis
http://prezzocialisgenericoit.net/ acquisto cialis
http://preciocialisgenericoespana.net/ cialis