Últimas Imagens

quinta-feira, 30 de junho de 2011

VIII Encontro Moto e Cia Classic

Nesse domingo acontecerá mais uma edição do Encontro Moto & Cia Classic.
Local: Pateo do Collegio, Centro velho de São Paulo.
Data: 03 de Julho. Das 8h às 15h.
Mais infos: www.motoecia.com.br


Nos vemos por lá.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lambretta no Lata-Velha #2

Há três meses atrás diversos blogueiros divulgaram um vídeo comovente do seu Luis Carrieri Filho, o lambrettista de Monte Alto (SP), que devido às suas limitações físicas provenientes de uma paralisia infantil, teve de adaptar uma Lambretta LI 1968 ao seu porte e fizera dela o seu veículo cotidiano. Na ocasião também postei o vídeo aqui em campanha ao nosso herói.  E a partir daí iniciou-se uma mobilização da parte dos scooteristas paulistas. Depois de três ou quatro telefonemas e e-mails, conseguimos doação de peças, mão-de-obra a baixíssimo custo e dezenas de pessoas dispostas a contribuir em dinheiro com a restauração da Lambretta. Alguns moto-clubes também se dispuseram a ajudar, e por baixo já tínhamos tudo o que era preciso. E em meio a toda mobilização o Anderson Ballet contatou o filho do seu Luis, o Edson Carrieri, promotor da campanha "Lambretta no Lata-Velha", repassando a ele a boa notícia. Todavia o rapaz optou por deixar em aberto a nossa ajuda, uma vez que tinha conseguido o contato do Caldeirão do Hulk (Rede Globo), e que insistiria, via Lata-Velha, tanto na recuperação da Lambretta como também numa homenagem pública ao pai. Respeitando a posição do filho, pedimos então para que os nossos amigos escrevessem para o Twitter do Luciano Huck indicando o link do comovente vídeo. Algumas pessoas reclamaram da campanha "Lambretta no Lata-Velha", explicando que a restauração proposta pelo programa de TV está longe de ser uma restauração de fato, e que a oficina do programa costuma modificar tanto a estética quanto a engenharia original da máquina. Concordando ou discordando, o máximo que podemos fazer por aqui é informá-los do que se passa, e mantermos a palavra de nosso total apoio à família Carrieri.

Acima o scanner de uma matéria feita há cerca de dois meses atrás pelo Jornal Cidade Sonho, da cidade de Monte Alto.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Scooteristas Paulistas em Poços de Caldas (MG) #2

Nossa primeira manhã no Estado de Minas Gerais ainda renderia alguns causos. Conhecemos dois rapazes que diziam ter Vespa, e outro que tinha um tio... Bom será o dia em que tivermos amigos em 2 Tempos por lá. 


Passava das 8h da matina no apartamento da Cris e o pessoal já dava sinais de vida. O Much e o seu Artur estavam preocupados com nossas Vespas na rua ao lado pois ouviram, minutos antes, o som de uma Vespa acelerando na rua. Mais tarde compreendemos que algum vespista local deve ter procurado por nós na região, ou ainda, algum serviço de entrega à domicílio feito em Vespa, o que de fato existiu na cidade a até bem pouco tempo. Depois do café da manhã seguimos para o evento das motocicletas, aonde conheci o Ricardo Puppo, o idealizador do grupo e site Motos Clássicas 70. Ali também encontrei o J.R.Marmirolli, que vinha de Pedreira (SP) com duas Lambrettas para exposição no evento.



Conheci também o Zé Figueira e sua família, organizadores do encontro. Ao dizer a ele que era da Scooteria Paulista, ele imediatamente pediu para que seu filho preparasse o cadastro e seprarasse um souvenir de recordação. E abriu o convite à Scooteria para expormos nossas motonetas no próximo ano, todas dentro do recinto, isoladas para apreciação. De fato fiquei contente com o convite, mas não pude deixar de alertá-lo de que nós que rodamos com elas para todo canto não poderíamos trancá-la num evento por tantas horas ou dias. E do lado de fora do recinto, nossas motonetas já abrilhantavam o evento. Ali conheci também o proprietário das duas Vespas PX200 expostas no evento. Ele anda pouco, mas ainda assim costuma dar suas voltas pela cidade. O papo era bom, todos foram muito gentis conosco, porém chegava a hora de partir. Passava das 12h quando saimos dali, à espreita de algum posto de gasolina. Passamos batido pela placa da divisa SP-MG, e só dei conta disso quando chegamos em Águas da Prata. Novamente no Estado de São Paulo, por telefone pedi para que o Anderson atualizasse o Twitter repassando nossa posição em tempo real. Depois de vinte minutos na praça da cidade, esperando o seu Artur comprar condimentos para a esposa, partimos, rumo ao sul, numa tocada de 100km/h.

Rodados 50kms no ritmo dos 80km/h. Foi quando a Vespa do Much parou de funcionar. Ele e o seu Artur estavam 500 metros atrás dos outros. Encostamos à direita no alto da pista sem saber o que havia acontecido. Tentei ligar para os adiantados, mas não tive resposta. Então voltei para procurar pelos retardatários, voltei pela contra-mão da pista, no leito do acostamento, lentamente e com a seta ligada. Todavia eis que surge a dupla de zaga trazendo a bola: possibilidades da gasolina local ter sujado o giclé da PX do Much. Bom, dali em diante o problema não se repetiria e as motonetas rodariam normalmente.


Voávamos baixo, até o toque do seu Artur, quando reduzimos para 80km/h. Pararíamos somente em Jaguariúna, quando abastecemos os humanos e as máquinas. Da janela notávamos um ritmo rodoviário mais intenso de carros e motos. E fazia um belo sol de outono, ainda que tímido, e tínhamos o vento a nosso favor, como observou o Koré. Ligamos nossas Vespas e apertamos o passo pela Rodovia Adhemar de Barros até a Dom Pedro I, que daria acesso para a Rodovia dos Bandeirantes. O vento frio naquele crepúsculo era navalhante. Daniel e Gisele encostaram a três quilômetros antes do posto de gasolina para se agasalharem. "Não dava mais para esperar". No posto seguinte nos despedimos do Sr.Artur, que tomaria o Rodoanel enquanto nós manteríamos a linha reta até a Marginal Tietê rumo à zona leste de São Paulo. Dali o Koré seguiria para a rodoviária para a rodoviária - buscar a Cris -, e o Daniel com a Gisele manteriam o ritmo rumo à Penha. Much e eu findaríamos a noite no café da Silvio Romero, no Tatuapé, esgotados de um fim de semana sem igual. Minutos depois por telefone o Sr.Artur disse a mim: "olha Fidelis, eu estava falando aqui com a minha esposa que a turma é muito legal, todo mundo é muito respeitoso, ninguém é de fazer zona, arrumar briga e falar palavrão... eu dormi muito bem, aquela mocinha a Cris foi muito gentil com a gente, e eu fico muito feliz com tudo isso...". Obrigado Seu Artur, essa também vai pro caderninho!!

Anfitriões Koré e Cris

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Scooteristas Paulistas em Poços de Caldas (MG)

Nos dias 11 e 12 de Junho aconteceu o VIII Encontro e Exposição de Motos Clássicas e Antigas de Poços de Caldas (MG). Preparamos nossas Vespas e pegamos a estrada para o norte, dessa vez pela aventura de "esticar as rodas". Fomos em 6 Vespas: cinco PX200 e uma Originale 150. Na véspera passei na Free Willy e peguei algumas peças consignadas no apoio da loja à nossa viagem: cabos, velas, lâmpadas, amortecedor, câmaras de ar etc. (Dessa vez nada disso foi usado, mas por precaução as peças viajaram conosco).

Acordei no sábado às 5h e mandei uma mensagem-cuco para todos. O frio era de lascar. Abri a janela e a neblina invadiu o quarto como fumaça de incêndio. As 7h da manhã os primeiros chegariam no Largo do Arouche. E com muita luta contra o frio reunimos a guerreira frota, contando cinco Vespas, pois a sexta, campinense, nos esperaria na Anhanguera. Como o Koré costuma viajar (de ônibus e carro) regularmente até Poços de Caldas, naturalmente ele foi o guia. Todavia na saída do Arouche o nosso amigo nos levaria para a contra-mão da rota (fato que se repetiria comicamente durante a viagem por mais duas ou três vezes, mas longe de representar risco ou atraso). Tomei a frente até o final da Marginal Tietê, no primeiro posto da Rodovia Anhanguera, ponto estratégico para abastecimento, planejamento e café da manhã. Liguei para o Flavio e alertei-o de que o grupo poderia atrasar em meia hora. Na mesa do café conheci um pouco mais do passado do nosso veterano Artur Gildo, que me contou de um antigo romance de juventude vivido em Poços de Caldas, além de histórias dos caipiras e dos motociclistas de outras épocas. Abastecidos e alimentados, era hora de enrolar o cabo.


Furando a neblina por 50 kms, encontramos o sol "em pessoa" em Jundiaí. E na tocada de 80km/h chegaríamos numa hora ao encontro do último soldado que faltava ao front: Flavio e sua PX200. Ele nos aguardava na Rodovia Anhanguera, próximo à Campinas, e nos levaria para dentro da cidade. Abastecemos, compramos alguns mantimentos e seguimos viagem, preparados para o ritmo das rodovias paulistas. E em ritmo de aventura, sob um limpo céu de outono adentramos a Rod. Dr. Gov. Adhemar Pereira de Barros, depois do acesso pela Rod. Dom Pedro I. Na altura de Mogi Mirim paramos para completar os tanques e conferir alguns parafusos e encaixes sob o generoso sol de fim de outono no caminho manjado pelo Daniel e Sr.Artur. Os primeiros sotaques mineiros no local já anunciavam a chegada do "trem bão". E dali para cima cortamos uma extensa cena rural, em ritmo frenético, aonde tratores e cavalos beiravam o acostamento da BR 267.

Na fonte de Águas da Prata

Ao chegarmos em Águas da Prata (SP), a belíssima cidade afamada pelas suas fontes de água mineral nos presentearia com uma. Abastecemos num posto de bandeira branca, uma velha gafe que renderia tão logo uma perda de força na PX do Daniel e (mais tarde na do Much) nas inclinações. Sr.Artur contou-nos um dado curioso a respeito da região. Disse-nos ali mesmo, que estávamos pilotando sobre a maior reserva de bauxita do planeta, e que se todas as fontes do minério se extinguisse, aquela região supriria a Terra no mesmo ritmo de consumo por mais 500 anos. Nos tempos de caminhoneiro, nos idos dos anos 50 e 60, aquele era o trajeto do nosso veterano, que ainda nos contaria outras histórias nostálgicas que vivera e observara por lá.



E passava das 13h quando enfim chegávamos na fronteira SP-MG, aonde não podíamos deixar passar a foto oficial da viagem, diante do portal de Poços de Caldas. Dez minutos por ali e já estávamos novamente na estrada, aonde as primeiras casas e terrenos cercados anunciavam o aguardado perímetro urbano. Pilotamos por mais trinta ou quarenta minutos, ansiosos e gratificados por estarmos em novas terras pela segunda vez levando as placas de SP. Nos dirigimos direto para o apartamento da Cris, a namorada do Koré, que nos recebeu com toda a generosidade possível. Ali ficaríamos todos, unidos, realizados e bem-acomodados até o dia seguinte. E sem as bagagens guiamos para o objetivo segundo, o VIII Encontro e Exposição de Motos Clássicas e Antigas de Poços de Caldas (MG). Ao chegarmos subimos a calçada e paramos nossas seis Vespas diante do recinto de exposições, chamando para fora a atenção da maioria. O André, e outros amigos motociclistas do Koré e da Cris, nos trouxeram os cumprimentos mineiros com toda a simpatia, e nos convidaram para o aniversário de um membro do clube de autos antigos da cidade, com um churrasco festivo no maior bar roqueiro do pedaço, chamado Old Skull Garage Bar (conhecido como o Bar do Flavião). Batemos um olho por todo o evento e partimos esfomeados a procura de um bom prato. Tarde sem igual, aos pratos de baixo preço e muito gosto nos arredores do evento. Após a refeição nos despedimos do Flavio (o scooterista de Campinas), que teria que voltar naquela tarde pois tinha compromissos locais no dia seguinte. Adios amigo!!


Ligamos nossas Vespas, agora em cinco, e dobramos alguns quarteirões até o Old Skull Garage. Ao chegar fomos recebidos sob uma chuva de aplausos. Quase cem pessoas, a grande maioria motociclistas, abriram espaço, e sob aplausos gerais, adentramos o bar com os motores ligados. Muitos vieram falar conosco, surpresos com nossa façanha. (De fato o maior dos méritos sempre será do seu Artur a cada vez que estiver num comboio conosco). E sentimo-nos em casa, com boa música, cervejas variadas, churrasco, bom papo e para completar a recepção havia ali uma bela M3 figurando o mezanino do bar. Obrigado ao André e à turma do bar do Flavião pela hospitalidade ao nosso grupo. A “Poços de Caldas Blues" possivelmente fora a música da viagem para todos nós. (Essa foi a canção reproduzida por um conjunto local de blues rock de primeira, que se reunira para uma canja na festa.)


Lá pelas 20h o seu Artur já pescava no salão, o cansaço batia e o frio também. Na parede do bar deixamos nossas marcas à giz. Na saída o André encarecidamente pediu que ligássemos o motor para esfumaçarmos o bar com o sagrado aroma da fumaça do motor 2T. Pedido feito, sonho realizado. E subimos todos para o apartamento da Cris, o afamado Treme-Treme. O primeiro dia em Poços de Caldas se encerraria no trailer de lanches do próprio evento das motocicletas. Sim, aquele evento que o Marmirolli nos convidou para expor, e que esqueceria da gente. Bom, nos divertimos com a nossa própria companhia, e a noite ainda se prolongaria em Vespa pela cidade até as 3h da manhã, quando o Much e eu vivenciamos situações reveladoras de uma antiga hostilidade da juventude burguesa local com os paulistas. Enfim, nada que necessitasse o uso de outra postura da nossa parte. Dado irrelevante que rendera muita risada até a hora do sono bater... A turma no apartamento que o diga...

terça-feira, 21 de junho de 2011

Scooteristas ao XVI Encontro Paulista de Autos Antigos de Águas de Lindóia

Bom dia amigos e amigas da Scooteria. Nessa semana Águas de Lindóia cediará o XVI Encontro Paulista de Autos Antigos.


J.R.Marmirolli estará com um stand de peças para motonetas. E além das motonetas presentes e do belíssimo encontro - que diga-se de passagem, é o maior de autos antigos da América Latina -, esse é mais um desafio rodoviário para a nossa classe. Decidimos viajar até lá: Fidelis, Much, Isbu, Walter, Eder, Edgar, Nei, Flavio, Reginaldo, Sr.Artur e possivelmente outros amigos e amigas cuja confirmação estão no gatilho. 

CONVIDAMOS VOCÊ PARA VIR CONOSCO NESSA RETA RUMO AO NORTE PAULISTA.

Sairemos na quinta-feira dia 23 de junho cedo, e voltaremos após o almoço.

Saída de São Paulo às 7h15 do Largo do Arouche.
Saída de Jacareí às 7h30 (ligue para o Walter no 12 97467877)
Saída de Campinas às 7h30 (ligue para o Flavio no 19 97134787)

Sei que é um pouco em cima da hora, mas enfim decidimos fazer um grupo para essa viagem. Então, se você quiser colar com sua Vespa ou Lambretta, entre em contato ou compareça no Largo do Arouche no horário destacado acima. 

Um abraço a todos e um ótimo feriado ao aroma do 2T.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Troféu SP EM 2T

Fechando o assunto do SP EM 2T, segue então as fotos e algumas palavras sobre os premiados das quatro categorias do scooterismo paulista. E quatro dos pilares desse estilo de vida permanente devem ser destacados com respeito: quilometragem, longevidade, história e manutenção. Na eleição dos homenageados desse Ano 1 da Scooteria contamos primeiramente os encontros e passeios organizados e co-organizados pela Scooteria Paulista, e em segundo lugar os encontros dos quais apoiamos, tendo sido esses, divulgados por nós no blog ou por email pra você. Caso você ainda não receba nossos emails informativos, indique sua direção para o scooteriapaulista@gmail.com 

TROFÉU SP EM 2T - Alta Quilometragem
LOWERCY AIRES

Esse é o Lowercy e sua esposa Alda. Ambos estiveram presentes em quase todos os chamados da Scooteria. Vindo de Cotia com essa PX200, eles viajaram conosco para o Curitiba em Vespa 2010, pro I Raduno da Primavera 2010 e pra Despedida 2010 em Jundiaí. E finalmente, em 2011, participaram de seis das sete horas de giro no III São Anivespaulo, finalizando o ciclo nesse SP EM 2T. Sua quilometragem em eventos beirou os 1800 kms em 1 ano de SP.



TROFÉU SP EM 2T - Del Vecchio
ARTUR GILDO

Esse é o Sr.Artur, um sujeito feito de fibra e aço, que no auge dos seus 77 anos de idade realizou feitos memoráveis (e possivelmente insuperáveis) com sua PX200 e sua Lambretta LI. Pelo fato de estar presente com sua Vespa desde o primeiro dia, ele foi o co-fundador da Scooteria. Viajamos pela primeira vez juntos no Encontro de Carros Antigos e Lambrettas de Jaguariúna em julho de 2010. Depois pegamos o mesmo comboio para o Encontro de Lambrettas e Vespas de Jundiaí. Finalmente fizemos a frente paulista no Curitiba em Vespa 2010, e finalizamos o ciclo de viagens no I Raduno da Primavera 2010. No fim do ano esteve conosco na Retrospectiva 2010, na Vila Romana, e iniciou o ano conosco novamente no Circuito das Motonetas de Interlagos. Seu Artur é um legítimo herói, e ao erguer o troféu disse a frase que valeu toda festa: "essa foi a melhor homenagem que já recebi na vida". Ele começou a andar de Vespa em 1958 e nunca mais parou. Parabéns ao scooterista paulista veterano dos veteranos.

TROFÉU SP EM 2T - Old Scooter
EDUARDO TIBURTINO

No dia 21 de Novembro de 2010 o nosso amigo Edu tomou a iniciativa de rodar com a motoneta mais antiga já vista num giro rodoviário da Scooteria. Foi no I Raduno da Primavera, nossa viagem de São Paulo a baixada santista. O critério aqui foi a idade da motoneta versus a quilometragem somada no ano de atividades. Nesse caso dele teve o Raduno da Primavera, o Circuito das Motonetas de Interlagos e o SP EM 2T. A gloriosa M3 data de 1960.

TROFÉU SP EM 2T - S.O.S. (Saving Our Scooters)
REGINALDO SILVA

Reginaldo é um amante do scooterismo desde outras datas, e de fato sempre estimulou a continuidade dos passeios de domingo - outrora organizados pelo seu falecido sogro, o Amador. Independente do status de mecânico conhecido, o nosso amigo sempre se mostrou parceiro e ativo nos giros. O troféu no caso foi-lhe concedido devido ao fato de ter sido tão prestativo sempre que fora requisitado em eventos. Isso aconteceu no I Raduno da Primavera, na Despedida 2010 em Jundiaí, no Circuito das Motonetas de Interlagos e sobretudo no III São Anivespaulo, quando uma série de motonetas apresentaram problemas durante o giro dos 70 kms dentro da metrópole. Por ter sido de longe o mecânico que mais dispôs seu conhecimento em prol do scooterismo local, prestamos aqui a nossa reciprocidade em forma de homenagem.


TROFÉU SP EM 2T ANO 1

Obrigado a todos que estiveram conosco nesse primeiro ano de atividades da SP. Gostaria de ter homenageado a outras pessoas mais, aqueles que vivenciaram os desafios mais intensos, quem se empenhou na produção de mídia, as garotas que honraram a motivação de Corradino D'ascanio em criar uma motoneta unissex, a personalização/customização mais criativa, idéias originais etc. Critérios não faltaram, exemplos pessoais menos ainda. E que esses exemplos continuem motivados por si próprios, pela atitude de sermos pilotos clássicos do cotidiano, e termos os nossos passeios como ponto comum de um estilo de vida exclusivo.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

SP EM 2T (Parte 2)

Esse foi o SP EM 2T, que aconteceu no começo de junho, no Caos da Rua Augusta. O brinde do Ano I da Scooteria trouxe à festa cerca de 35 motonetas e outros tantos apaixonados pelo estilo.


Pontualíssimos, Daniel e Gisele foram os primeiros a chegar. Trinta metros rua abaixo estava lá o Melk e o blues da Lambretta Cynthia - um gaitista e tanto!! Passei na Scooterboys, e enquanto parte da zona leste se reunia, segui ligeiro em carreira solo na missão de resolver com o Henrique Picelli o frete dos troféus SP em 2T.

 

O portuga Afonso chegava com sua Originale, e na sequência também o nosso amigo caipira Uitamar, dessa vez sem a Super Super 200, ao peso do visual inglês e das suas memórias de estradas adesivadas na lataria. Daí encostaram os avisados Lowercy e a Alda, de Cotia, quando em seguida o China guiava a tropa da leste: Much, Adriano e Simone, o Isbul e Érica, amigos da vila e a Fernanda Borges, a mais nova lambrettista do pedaço. O Andreas dessa vez não pôde vir com nenhuma Vespa, mas curiosamente fazendo jus ao SP EM 2T, veio com seu "dois-tempista" DKW, uma pérola de 1964. Ainda que sem sua PX - devido aos atrasos do mecânico fanfarrão da Z/O - o Gabriel Corazzin também compareceu.

Um pouco abaixo do Caos uma Burgmann parava discretamente. Foi imediatamente direcionada à uma vaga para o nada, para depois do primeiro carro, para onde a vista não alcançava. Chegava o Haine de PX e o Sr.Artur com sua estimada Lambretta LI, e ambos vinham de Taboão da Serra. O Anderson trazia as plaquetas dos troféus, e o Gustavo vinha de Santos sem sua PX, ainda assim honrando o posto de representante local.

Pouco a pouco as pessoas foram se surpreendendo com as antiguidades e curiosidades de época do interior recém-inaugurado chamado Caos. O power-trio Marcelo, Cristian e Edu traziam suas relíquias sessentistas bem rodadas. E na seqüência o Oliver e seu filho Gabriel estacionavam a Vespa Super 200 da Adidas. Chegava também o restaurador Poló com sua Xispa mezzo motoneta mezzo motocicleta. Um pouco depois o mecânico scooterista Reginaldo com a Rose. 


Além da Fernanda Borges, outros batismos aconteceram: conheci os vespistas Fernando Soares e o Sergio Andrade, que demoraram mas não tardaram em trazer suas Vespas PX 200 novamente às ruas, dessa vez sob nova direção e com um visual levemente personalizado. E nessa tarde sacra outro batizado aguardado aconteceu, o do meu velho camarada Caetano Sevilla, quem tardou mas não falhou, e tão logo que pegou a habilitação saiu do prédio rasgando o chão. Vitor Hugo e Rodrigo Sonesso chegariam na sequencia, vindos da Lapa.  

Dento da festa a vitrola alternava discos de jazz e Johnny Cash. O papo era quente e a moçada se espalhava pelo ambiente. Uma Super 150 italiana (do Leonardo) e outra "200" hot (do Rafael Assef) viriam quase juntas da alta Rua Augusta, e nesse momento começávamos a apertar as primeiras motonetas. Então com o rádio ligado chegava a Rosa Freitag e seu marido Mário. Ela surpreende o pessoal, e a novidade da vez fora o sistema de rádio instalado na Vespa, tocando T-Rex e outros setentistas. Havia ali ao lado uma moto japonesa desde o começo do evento, e como não localizamos o proprietário, erguemos ela no braço uns metros acima para fazermos caber as PX do Braga e da Luciana, que trazia também outra portuga vespista, a Carol. (Ao puxarmos a moto o alarme disparou a sirene, buzina e uma voz que comunicava: "atenção, esse veículo está sendo roubado"... kkkkkk).

Batismo de uns, aniversário de outros. O carioca Braga vinha com um novo acessório de inverno trazido da Alemanha, e o Davilym trazia para mim uma lembrança de Paris: um folder publicitário sobre a motoneta Star 2T (produzida atualmente pela LML), e um adesivo da loja Les Années Scooter Paris. Davilym então me pediu algumas palavras de sopetão para um vídeo que desejava produzir do SP em 2T. No mesmo momento o Nei com a Tatiana traziam, no meio da filmagem, a velha PX200 preta. E o pessoal ia colando, com suas motonetas, a pé ou de carro. O papo estava bom, e para onde eu olhava via amigos e camaradas. A cozinha do Caos em atividade e luz baixa deixava o ambiente familiar em meio aos quadros, brinquedos, peças, posteres e toda sorte de quinquilharia de época. E em meio a tudo isso, conversa vai e conversa vinha, aos goles, com as selvagens imagens do Six Day Trial, trazido de 1959 para a TV da casa. Uma festa inesquecível. Pergunte para quem foi.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

A Mônica de "Vespa" e o Eduardo de camelo (Making off)

Se a Mônica caisse com minha Vespa ia sobrar até pro Eduardo... valeu Rose que me enviou essa notícia. Esse foi o making off do vídeo-clipe da canção Eduardo e Mônica, do extinto conjunto Legião Urbana, vídeo criado por O2 Filmes, no qual a Mônica pilota uma conhecida Vespa Originale 150 verde, agora mais conhecida ainda pois depois do sucesso do filme minha Vespa está quase dando autógrafos, um arrasto nas ruas. As imagens com ela foram captadas no domingo e na segunda-feira do miolo de abril. Estive presente no domingo, junto com o Much, e na segunda-feira ela esteve aos cuidados do Adriano pois eu tinha que trabalhar. A noite quando fui buscar a Vespa o Adriano me contou que um dos diretores suava frio a cada acelerada da "Mônica". Nos bastidores do filme vemos três cenas, e a terceira delas é de assustar, quando a atriz Taís Medeiros quase cai e deixa cair minha motoneta. Apesar das dificuldades ela conseguiu. Nesse caso as cenas filmadas no Parque da Juventude, zona norte de São Paulo. A aparição acontece aos 1min08seg, 3min25seg e 3min40seg.

"Se encontraram então no Parque da Cidade, a Mônica de moto e o Eduardo de camelo..."

sexta-feira, 10 de junho de 2011

A Mônica de "Vespa" e o Eduardo de Camelo


Por aqui as coisas seguem a mil por hora. Há diversos assuntos que gostaríamos de compartilhar com vocês, como o SP em 2T ou mesmo os preparativos para a viagem de amanhã (sábado dia 11) para Poços de Caldas (MG). Mas a correria continua intensa no cotidiano das ruas. Então em tempo compartilho com vocês algo diferente do que já foi mostrado aqui. Esse é um vídeo recente de uma operadora de telefonia móvel feito para o Dia dos Namorados. É um curta-metragem criado em cima da canção Eduardo e Mônica, do extinto conjunto Legião Urbana. No filme a Mônica pilota a Vespa Originale 150 do Fidelis (Scooteria Paulista). As imagens foram captadas no centro velho de São Paulo e no Parque da Juventude, zona norte. Com a ajuda do Fidelis e Adriano (somado à companhia do Much) a "Mônica" (quase) aprendeu a andar de Vespa, e assim se sucedeu a história de amor mais cantada do Brasil. As imagens com a Vespa acontecem entre o 1min25seg e 1min36seg. Bons encontros a todos.

"E quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pela coração?
E quem irá dizer que existe razão?"

terça-feira, 7 de junho de 2011

SP EM 2T (Parte 1 de 4)



No último domingo de 5 de junho fechamos enfim o ciclo de comemorações do primeiro ano da Scooteria Paulista. A brincadeira toda passou discretamente porém não menos divertida por Monte Alegre do Sul, Jacareí e São José dos Campos - como contei aqui no blog há semanas atrás -, e por fim, depois de algum atraso chegamos na capital. Reunimos pilotos e entusiastas de alto grau, que vieram especialmente para demonstrar o valor e o prestígio que dispensam aos trabalhos da gente. Fizemos a nossa parte e um pouco mais, e em vista de tudo o que aconteceu nesse período merecíamos finalmente um dia de descanso, sem giros, sem passeios. Uma reunião para uma boa prosa mano-a-mano.
Acima o vídeo feito pelo Davilym Dourado, aonde faço uma gaguejante introdução sobre o evento. 35 motonetas marcaram essa tarde. Estiveram presentes veteranos e calouros, scooterboys, mecânicos, restauradores, scooteristas rodoviários, professores pardais, as scootergirls e amigos(as) de outras datas. Alguns que por motivos mil não puderam vir com suas motonetas, vieram como puderam. Em especial destaco o privilégio de receber em nosso evento um velho representante oficial ítalo-brasileiro do Consórcio Lambretta, que me perguntou se poderia fazer parte do grupo assim que consertasse a sua Lambretta ou comprasse uma Vespa. Quanta honra! Sim para todos que querem. Aqui querer é poder! Parabéns pra todos nós que somos de verdade, feitos de pele, osso e lata. Nas palavras do canadense Sean Jordan (para um site de antigomobilismo) depois de ter rodado por 23 países com sua Vespa a caminho da Bolívia: A Scooteria Paulista "provavelmente são os scooteristas mais ativos que conheci".


"So remember, out there somewhere
You've got a friend, and you'll never walk alone again"

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Sean Jordan, um Scooterista à Paulista #2 (A Capital)


Volta ao Mundo em Vespa
Na tarde de sábado, já por volta das 16 horas, começamos a escalada pela Rodovia Anchieta em dua Vespas. Duas horas depois desligamos os motonetas na Vila Formosa, zona leste de São Paulo, na Scooterboys, aonde o China nos recebeu com uma lata na mão: “estou bebendo desde o almoço”. Por lá estavam o Much, Adriano, China, Isbú e Érica. Eu tinha aquela ideia certa de comparecer na apresentação do conjunto jamaicano Skatalites, na Virada Cultural, certamente com o Sean. Só que aí desceram duas cervejas os planos mudaram; compramos carvão, carne, mais cervejas e aumentamos o som. Vespas iam e chegavam, e voltavam, e saíam e voltavam. No fim da noite contamos 18 ao todo. Estava o Rafael Assef, o Adriano com a Simone, o Lincoln, o Nei com a Tatiana. Rolaria os mil assuntos da viagem, da geografia e dos costumes, fora as mil fotografias no notebook do gringo... 



Falamos também da passagem do Juan Montoya (Colômbia) e Ilario Lavarra (Itália) por aqui, da movimentação de cada lado, Vespas do Vietnã, cultura chopper na Indonésia, burocracias no Brasil. Indonésia e Malásia, de onde embarcara para o Brasil. A noite seguiu nesse ritmo até as seis da manhã. O Sean esticou seu saco de dormir no chão da sala da Scooterboys e capotou. Eu me esgueirei no sofá estreito e não vi mais nada até às 11h.

O domingo estava lindo. No fundo da oficina Adriano trabalhava na sua próxima Vespa, e o Sean estava preocupado com uma máquina de fotos que se irmã havia lhe enviado no endereço de um hotel na zona sul da cidade. Saímos da Zona Leste direto para o Centro velho da cidade, onde Sean ficaria hospedado por indicação de um colega carioca. Afonso, nosso amigo português, nos esperava no Ibotirama desde as 15h. Passava vinte minutos e estávamos o gringo e eu dando uma imensa volta no centro da cidade para chegar na Rua Augusta. Isso por causa da "tal" da Virada Cultural. Junto do parceiro lusitano cumprimos a primeira missão do canadense. Fechamos o domingo com papo, breja e futebol na TV. Era reta final do Campeonato Paulista. (Na real Sean nem ligava tanto assim, mais a gente.)


Seguimos então para a zona oeste: Vila Madalena. Um outro aspecto de São Paulo, notável para o gringo, que em menos de vinte e quatro horas na cidade grande já percebera suas diferenças mais acentuadas dela. Assunto reforçado pelo Afonso, português de Braga que conhece bem a metrópole. E fechamos a noite com uma pizza e salgados no afamado Copan. Sean sabia do Oscar Niemeyer, e sua visita ao edifício do modernista foi a "cereja do bolo" para fechar o dia. Nesse dia rodamos 70kms pelos quatro cantos da cidade. Eu voltei pra casa do China pois dormiria por lá durante a semana toda.

Edifício Copan
Na segunda-feira, a rotina de todos no mundo começaria. A nossa não. Eu deveria voltar para São José dos Campos porque tinha um emprego lá. Tinha. Mas não fui. Ilusões de um mundo de fantasias em 2 Tempos me guiaria novamente para a contra-mão da vida, e tão logo estaria desempregado. O Sean precisava lavar todas as suas roupas, consertar alguns itens em sua Vespa, e comprar peças. Passei em seu hotel às 9h da manhã e começamos a segunda-feira na Recar Motos, a loja de motocicletas antigas e motonetas de época. Ali Sean pôde conhecer pessoalmente a maioria dos modelos populares de scooters antigas que tivemos no Brasil: Vespas M3, M4, Super 150 e PX200, além das temáticas, como por exemplo a PX da Coca-Cola; e Lambrettas, nos modelos Standard, LD, LI, Cynthia, MS e BR Tork. Então dobramos duas ruas e ali naquele pedaço às 10h30 seria princípio de um longo dia de reparos na Vespa mais guerreira do planeta, feito na Free Willy Moto Peças, aonde o Pretinho, o Reginaldo e o Sean, com ajuda minha e do Picelli na tradução, se desdobraram nos acertos na sua PX: troca de óleo de câmbio, troca e destroca de discos de embreagem, adaptação de pastilha para freio a disco, regulagens, cabos etc. Durante a tarde dei uma escapada para resolver um velho assunto pendente: os documentos da venda de uma Super 150 que ainda estava em meu nome. Marcelo Canto passou na oficina com a Vespa e fomos acertar isso pela cidade. Também ali perto, no Pardal, Sean teve a base do seu bagageiro dianteiro reforçado à solda e duas mini-barras extra. Na oficina ele estranhou o hábito - comum a muitos vespistas – de usar o mesmo óleo 2T como óleo de câmbio, indicado pelo Reginaldo como mais ideal para um motor que estará em giro no frio e altitude da Cordilheira dos Andes, para onde ele se dirige nesse exato momento.



A noite caiu e os trabalho na oficina não cessavam. Sean pagou uma pizza com Coca pra turma e por lá nos alongamos aos leros sobre as diferenças entre as PX200 européias e as brasileiras. Foi quando apareceu o Marcelo Canto novamente, trazendo a sua Lambretta LI e o nosso amigo Edu Tiburtino com sua Vespa M3. Pelas 21h30 saímos então para um giro até o lado oeste da cidade outra vez, acompanhado de boas prosas. Nas palavras do Marcelo Canto: "Um exemplo de determinação do nosso amigo Sean!! Bela aventura. Nessa noite desta foto tivemos a oportunidade de trocarmos algumas idéias, quando após um hábito no mínimo estranho a nós brasileiros, degustar um café expresso e um suco de limão pudemos compartilhar com ele algumas cervejas nas imediações da Vila Madalena". Ali conversamos bem sobre passeios oficiais, espírito de grupo, estrada, dinheiro e projetos. O Edu sugeriu a pergunta que tomei a liberdade em fazer: “quanto custa uma viagem dessas ao todo?”. Sean calculou-a em U$ 50 Mil Dólares – contando combustível, manutenção, estadias, alimentação, taxas, transporte aéreo, despesas gerais. Ao todo serão 50 mil quilômetros feitos em 40 países. Para alguns da classe, seria um investimento para toda uma vida. O papo estava bom, mas passava da meia-noite. Marcelo e Edu seguiram pra casa; já Sean e eu paramos num posto na Avenida Duque de Caxias para mais duas horas de prosa, cigarros e cervejas. Particularmente certos assuntos me interessam mais, como sociedade e cultura scooter. A noite acabou pra lá das 3h.

Reparos na pintura da Vespa do Sean
Terça-feira de manhã. Era preciso atualizar notícias e responder a emails. Foi o nosso dia de descanso, até porque a noite seria frenética. No começo da noite Sean chegou na Scooterboys, sozinho, guiado pelo seu GPS. Conosco estavam o Koré, o Rogê e o Oliver, além do China, do Adriano e eu. A pedido de Sean, Adriano e China pintaram o painel da PX gringa. Como percebeu que os scooterboys não cobrariam pelo serviço, o canadense me pediu para que o levasse até onde pudesse comprar uma garrafa de Jack Daniels. Chamei o Oliver e o Koré de canto e saímos à caça da garrafa. O Oliver conhecia uma adega na Monte Magno (Vila Formosa), e foi lá que Sean fez uma interessante observação: na Índia todos andam e pilotam desordenadamente, "um sobre o outro", olhando somente para o seu caminho, para o asfalto esburacado, e conseguem; no Canadá as ruas são largas, os semáforos sincronizados e a velocidade média é alta, todavia, quando algo sai dos planos, se um cachorro atravessa a rua, ninguém sabe como reagir. E que em São Paulo todos andam muito rápido, freneticamente, obedecendo aos sinais básicos e conseguem se organizar assim, em qualquer tipo de asfalto. De fato, enfrentamos naquele trecho de 3 km um trânsito infernal em alto giro pela avenida, e por onde havia brecha a gente passava rasgando. São Paulo seria o meio termo entre Nova Delhi e Toronto? kkkkk...

Sean se sentia bem, não se incomodava com a vida simples que levávamos, tampouco com os limites da língua. As idéias foram fluindo entre sarros e tiradas. Logo depois o Oliver voltaria com a sua terceira Vespa customizada do dia. (Primeiro tinha chegado com a “Vespa Comunista”. Durante o Jack ele foi buscar a PX com injeção eletrônica, e no meio da noite trouxe o mais novo brinquedo: a Super personalizada da Adidas Originals. Oliver aplicou o azul fosco e adesivou a bela e inusitada Vespa Super “200cc”. E tocaríamos o terror noite adentro.

Então, descemos o bairro em seis Vespas e uma Pick Up. Na Abel Ferreira alguém soltou: “se prepara porque vai ser de farol a farol”. E assim foi, cerca de 3 km em alta velocidade, no qual eu comi poeira por duas vezes. No centro da cidade, a folhagem no chão da noite anunciava o começo do outono. Uma perfeita madrugada de festa com música jamaicana, cubana e inglesa no Lions Club, diante de uma generosa vista do centro da cidade. Entre cervejas e cigarros, Sean, Oliver, China, Rogê, Much, Adriano, Rafael e eu pudemos entender a motivação desse projeto ao redor do mundo, e bater uma prosa totalmente a vontade, desinibidos, embriagados, falando até em aramaico. É impressionante como a Vespa é uma linguagem universal. A noite findou às 5h30 da manhã na Padaria do Estadão. 

Quarta-feira, e alguns acordaram pelas 13h. O Oliver tinha ido direto para o trabalho. O Much, meio que isso também. Esse seria o dia da despedida, pois o plano de Sean era seguir viagem lá pela metade do dia seguinte. Sean cogitava aceitar o convite do Afonso em dormir em seu apartamento nos Jardins - eles já haviam se entendido muito bem desde o começo. O portuga é um cara legal, educado e de bom gosto, e ambos tinham uma coisa em comum: cresceram em um país mas vivem em outro. No caso do Sean, ele nasceu no Canadá, e vive na Sérvia. No caso do Afonso, esse é de Portugal mas vive em São Paulo.
Sean passou na Free Willy e na Scooterboys para realizar os últimos reparos. Nessa tarde de ressaca batia aquela sensação de Adeus. Do quarto do hotel Ferrari atualizei Twitter e e-mails sobre a primeira celebração de aniversário da Scooteria Paulista, que aconteceria na sexta-feira em Monte Alegre do Sul. (Sean aproveitava para me apresentar uma de suas bandas favoritas, uma espécie de indie rock chamado The National - achei chato). Às 21h ligamos nossas Vespas e seguimos para o Jardins, ao encontro do Afonso e das vespistas Luciana e Carolina. A noite foi curta, mas rendeu um bocado. Formou-se dois assuntos paralelos, e entre goles e tragos debatíamos os métodos da Scooteria e as proezas do canadense pelo mundo. Tudo ao mesmo tempo agora! E, na idéia da Carol, encontramos a solução para os comboios do São Anivespaulo, dica fundamental a ser aplicada na quarta edição. Tão importante quanto, foi a letra dada pela Luciana, atentando à necessidade de atualizarmos as formas de comunicação entre todos.


Fechamos a noite com chave de ouro em um giro até o centro velho, o marco zero da cidade. Diante do monumento da Fundação eu falava com Jack Cavalaeri pelo fone. Ele estava em Curitiba a espera de um milagre. Tudo estava preparado para partida no dia seguinte. Afonso e eu ainda nos esticamos pela Rua Augusta para uma boa prosa sobre os dias de luta vividos em Vespa na grande cidade...


Quinta-feira. Sean me ligou desesperado dizendo que o seu cartão de débito havia sido clonado e que haviam sacado a quantia de R$ 700,00 num caixa eletrônico do Rio de Janeiro. Depois da queda, o coice. Corri para o seu hotel. De lá ele tentava entrar em contato com seu banco na Sérvia. Um pesadelo invadia o sonho da volta ao mundo em Vespa, e Sean cogitaria desistir do seu projeto. Foi uma tarde difícil, e Sean estava em estado catatônico. Por mensagem escreveu: "não quero ser dramático mas talvez esse seja o fim do Vespa360Project". Quase chorei ao ler isso. Algo precisava ser feito ali naquele momento. Liguei para algumas pessoas, a maioria não pôde ajudá-lo ou não se dispôs naquele momento. Liguei pro Afonso, e essa foi a bênção do dia. O portuga, com sua experiência internacional, situou Sean com respeito aos sistemas adotados pelos cartões ocasionalmente na cobrança das tarifas. Enfim, a dúvida estava no ar, mas havia possibilidade de tudo não passar de um mal-entendido. Sean ficou mais tranquilo e preferiu esperar mais um dia em São Paulo até ter certeza do que estava acontecendo. Nos encontramos novamente na Santa Cecília, o China, o Afonso, Sean e eu. China ofereceu sua casa para pouso, o Afonso idem. Sugeri ao Sean que se preocupasse com seus próximos dias, e que se acaso estivesse sido roubado por clonagem, seria melhor que dia após dia ele retirasse de sua conta a quantia máxima (700 reais) e escondesse tudo na Vespa, até que veja necessidade de cancelar a conta. Assim ele ainda teria uma reserva para urgências. Assistiu Easy Rider? Então fechamos a noite com uma singela celebração cosmopolita entre amigos no Bar do Jota, na Rua Augusta. Lá estavam Sean (Canadá/Sérvia), Afonso (Portugal/Brasil), Fidelis (SP, Brasil), Carolina (Portugal/Brasil) e Braga (RJ/SP). Todos em Vespa. A meia-noite comemorávamos o primeiro aniversário da Scooteria Paulista. Um brinde entre amigos de vários cantos na cidade mais universal do país. (PS: Depois disso não houvera mais registro de retirada irregular de dinheiro da sua conta).




E de tudo isso fica a saudade do amigo gringo cuja aventura e personalidade certamente será incomparável por toda a história que a SP ainda terá pela frente. Moral da história: Vespa é uma linguagem universal. Leia abaixo uma mensagem de Sean Jordan enviada pra mim na sexta-feira, direto do Rastro da Serpente:

"Thanks for everything. It's an honor to be a honorary member of the Scooteria Paulista." 
( Sean Jordan, Canadá/Sérvia - http://vespa360.com )

Sean entregando a prometida camiseta do São Anivespaulo ao Pablo Conte em maio (Vespa Club Cordoba, AR)