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quarta-feira, 4 de maio de 2011

Da Viagem e Encontro de Antigomobilismo e Similares de Monte Alegre do Sul (SP)


Era sexta-feira de feriado santo, dia 22 de Abril, posterior ao dia de Tiradentes e aniversário da Scooteria Paulista. Muitos scooteristas e proprietários não puderam deixar de lado seus compromissos familiares, profissionais ou recreativos, e uma pequena parcela não havia preparado suas motonetas a tempo para essa viagem. (Soubemos do evento há duas semanas antes e mal pudemos divulgá-lo da maneira como gostaríamos devido a uma seqüência de contra-tempos.) Então depois de uma semana de cruzadas em SP com Sean Jordan - vespista dando a volta ao mundo com sua PX: http://www.vespa360.com/ -, eu faria agora mais uma, a Santa. A sexta-feira amanheceu com uma belo sol de outono na capital semi-vazia. No Largo do Arouche também. De Jacareí, Walter Vespaparazzi e Eder Vespa estavam de sentinelas: “Fidelis, estamos prontos, alguém vai com você?” Já na Marginal Tietê às 8h40 respondi “Não, como eu disse, essa missão seria somente nossa”. Replicou Walter: “Quer deixar pra lá e desistir da viagem?” Respondi: “Não, vamos porque a viagem é das boas, além do que temos amigos esperando por lá”. Partimos: eu pela Fernão Dias, Walter e Eder pela Dom Pedro I.
Passado uma hora já estávamos no ponto combinado: o cruzamento das duas estradas. Chegamos ali logo após um grave acidente envolvendo um carro e um triciclo dos Abutres MC. Por sorte o motociclista saiu vivo e consciente, apesar das escoriações e da destruição total do seu triciclo. Ok, “vamos nessa?” Na saída o Walter não saía, o pneu traseiro havia furado. Experiente no assunto, antes da primeira gota de suor cair sua “M3 200cc” já estava ligada na pista. Seguimos rumo ao norte por estradas vicinais, cortando um dos vales mais belos do Estado. Passamos por dentro de Bragança Paulista e Pinhalzinho, além dos vilarejos rústicos aonde o aspecto dos tempos antigos se conservam. E depois de um breve trecho esburacado chegamos na modesta e encantadora Monte Alegre do Sul.

Ao ouvir os barulhos das Vespas Marmirolli veio ao nosso encontro e nos conduziu ao espaço das motonetas, em frente à Igreja Matriz, protegidas por uma corda de isolamento. Ali foram reunidas cerca de doze motonetas, nos seguintes modelos: Lambrettas Li, Standard, Cynthia e MS; Vespas M4, Super 150, Super “200cc”, M3 “200cc”, PX200 e Originale 150. De imediato Marmirolli nos apresentou a surpresa que preparou para o aniversário da Scooteria Paulista: um pequeno prato decorativo feito em Pedreira. Um zelo sem igual. O souvenir foi entregue a todos os proprietários de motonetas presentes. Passado meia hora eis que chega o guerreiro Uitamar com a família. Esses seis meses sem vê-lo pareceu uma eternidade diante das histórias que rememoramos sobre a estrada São Paulo x Curitiba que enfrentamos antes e depois do Curitiba em Vespa 2010. Além disso, dois dos mais genuínos vespistas de SP se encontraram: Uitamar e Walter. Um grande dia!




No Encontro de Antigomobilismo e Similares havia stands com peças, plaquetas, revistas, discos, e toda a sorte de variedades do mercado de pulgas. Diversos veículos de época abrilhantavam a praça principal. Cerca de 80 deles, talvez mais, ou menos. Fato é que havia de tudo, de triciclo à caminhão de época. Os restaurantes estavam a toda, e devido à quantidade de visitantes na pequena cidade, o principal deles não pôde oferecer o melhor dos seus serviços. Um amigo da classe (que levou toda a família para almoçar ali) teve sua conta superfaturada e apesar das queixas o restaurante manteve o valor, além dos atrasos no preparo do pedido de algumas mesas. Claro que isso em geral não é da alçada dos organizadores, mas se a cidade puder se atentar a esse ponto os scooteristas rodoviários agradeceriam imensamente, pois tem havido uma crescente na classe em visitas ao Circuito das Águas, e gostaríamos de tê-la como um os pontos de encontro entre o pessoal do leste e sul do Estado com a turma do centro e do norte.

Mas o percurso de volta seria longo, então tivemos de nos despedir da classe apesar dos pesares. Walter, Eder e eu teríamos longos 150kms de incontáveis rodovias para rodar. E dado o fato de que a minha Vespa perdeu potência nas últimas rodagens, esse caminho não seria feito em menos de 3 horas. Para trás ficou um adeus com data marcada. Um abraço ao Marmirolli, Uitamar e Flavio, o lambreteiro a quem fui apresentado. Partimos, os três de novo, dessa vez pela estreita Rod. Benevenuto Moretto. Debaixo de um forte sol procuramos por água no vilarejo de Arraial mas não havia sequer um bar aberto. Em Bragança Paulista enfim esticamos as pernas no pôr do sol do Lago do Taboão. Nosso deleite literário da viagem foi o livro "Vespa", de Valerio Boni, emprestado a mim pelo vespista italiano de Santos, Luca Perucchi. E enfim seguimos no tapete da Dom Pedro I, que nos levara direto para a Presidente Dutra, aonde nos despedimos, com orgulho de uma viagem bem feita. Sensação de medalhistas.

Um tipo diferente de amizade se fortalece quando convivemos em Vespa. Mas existe um espírito de fraternidade único que nasce quando dividimos a mesma estrada. De Vespa ou de Lambretta, a camisa pesa. E é assim que nos tornamos irmãos, herdeiros de uma grande Famiglia.


[Fotos 1 5 7 8 e 10 por Vespaparazzi + Texto e Fotos 2 3 4 6 e 9 por Fidelis]

Um comentário:

Gustavo disse...

Que beleza de passeio. Temos que reunir toda essa galera num encontro Rio-SP!