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terça-feira, 5 de outubro de 2010

Destino Curitiba #3

Quando acabei de trocar o pneu furado ouvi ao longe a 'Super Super 200' do Uitamar: "a gente achou que a polícia tinha te parado", disse ele ao chegar. E de fato eu tinha esse medo pois o documento da minha Originale 150 não havia ficado pronto. Na verdade pronto ficou, mas o Detran não me entregou a tempo porque a chancela havia quebrado dois dias antes - verdade ou mentira? Cinco kms adiante, num pé de árvore estavam o Arthur, Emerson, Lovercy e Alda, disputando espaço com as Vespas na pequena sombra que fazia ali.

E 10 kms a frente encontramos outro posto. Ali nos demoramos novamente, o sol estava de lascar e cada quilômetro se tornava um desafio maior, visto que entrávamos metro a metro no desconhecido Vale do Ribeira, e a partir dali recortaríamos a Mata Atlântica por um rastro de asfalto estreito. Então no posto foi uma água, umas cerveja, 6 reais de gasolina, e um bom papo com os policiais em serviço.


Adiante rodamos mais 60 kms até o portal do pacato município de Guapiara, um vilarejo estilo 'cidade fantasma'. A idéia era refrescar e fazer uma foto (como essa abaixo) mas ali o seu Arthur se deu conta de que sua Vespa estava mais baixa do que o de costume. O que teria sido? Deitamos ela de canto e depois de algum esforço veio a má-nova: "é o amortecedor traseiro, está quebrado". Eu torcia para que fosse o coxim pois os tinha trazido. Uitamar meteu a mão por dentro do chassis e sacou: o amortecedor quebrou, na ponta aonde parafusa o coxim. Aí complicou de fato. Essa é uma peça vital que está entre o piloto e a máquina, ela absorve o impacto do chão, além de concentrar o ponto de gravidade da motoneta.

Quase nada podia ser feito ali. Havia um posto de gasolina ao lado, um borracheiro em hora de almoço e um restaurante vazio. Nisso o Uitamar, sujeito ligeiro, sacou o amortecedor pra fora com a ajuda do Mestrinelli e seguiu para a cidadezinha à caça de uma solda. Era a nossa única esperança. Sr.Arhur, Alda e Lovercy aproveitaram o tempo para almoçar, enquanto Emerson saia à procura do Itamar na cidade. A espectativa era grande, a fé era maior. 20 minutos depois ouço as mil bozinas da 'Super Super 200', era o Uitamar com a peça na mão.


Ele conseguiu a solda numa oficina que estava praticamente fechada. Seria difícil convencer os funcionários a abri-la novamente, não ter sido o fato do Itamar dominar a língua popular do brasileiro: 25 reais e uma sacola de cerveja gelada. Com a peça na mão, o próximo passo foi encaixá-la novamente. Outro trabalho dos grandes! Com a Vespa deitada, tiramos o tanque de combustível, o step, esticamos o motor com toda a força abaixo etc. Ainda assim o amortecedor rosqueava no coxim. Isso porque a Vespa é compacta, tudo foi feito sob medida, e o processo de montagem e desmontagem das peças deve seguir uma sequência metódica. Com o conhecimento e o improviso do Uitamar, tudo deu certo. Aproveitei a ocasião para trocar minha câmara de ar rasgada, e então seguimos sentido Apiaí. Nessas alturas o Emerson enviou pelo seu celular Tim uma mensagem em nosso Twitter, e a partir de então foi ele quem atualizou a maior parte das notícias de viagem em tempo real para os amigos que ficaram. 




Próximo destino: Apiaí/Rastro da Serpente.

Um comentário:

Scooteria Paulista disse...

Fotos 1 3 4 e 6 de Marcio Fidelis.
Fotos 2 e 5 de Emerson Mestrinelli.