segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

ALMANAQUE MOTORINO #5 - Bootboys

Nesse sábado aconteceu no ABC Paulista uma gig musical diferente do gênero punk rock Oi! E o evento rolou com o apoio da Scooteria Paulista, como suporte ao Bootboys durante estadia no Brasil - essa banda é do norte do Chile, Iquique, lugar de praia e chumbeques. A gig virou também pelas bandas Sindicato Oi, Expulsos do Bar e Lifetrap, incluindo os apoios do Semper Adversus e Empório 69. E tudo isso só aconteceu pelo respeito que a The Firm Records tem na sua cena.

ALMANAQUE MOTORINO 
Foi um evento fechado, marcado pelo lançamento do Almanaque Motorino #5 (capa azul Bootboys), esse que você pode adquirir pelo valor de 10 Reias (+ correio). São 32 páginas de um pouco dessa infinita cultura old scooter. Edição limitada a 120 cópias.

GIG
Agradecemos a presença dos amigos, provando que até mesmo numa gig de música de ódio com 120 machos feios, sujos e malvados, é muito possível estar em paz; quando o respeito e a comunhão prevalece. Ainda sobre o Bootboys, o elo foi que temos um cartunista (russo) predileto em comum (Abú'12), que alguns de nós gostamos muito do som, e que os músicos de apoio foram o Pancho, o Soleta, e o Fidelis (da SP, na bateria). E aqui a gente tocando Yo Quiero a Mi Pais. Jorge Ramos, o vocalista, fica na casa do Diego Pontes em São Paulo até quinta-feira cedo, quem quiser gravar algum programa de rádio ou entrevista em fanzine etc procure-nos.

MEMÓRIAS PAULISTANAS


Mais uma da página Memórias Paulistanas. Compartilhar é preservar. 
Compartilhe com a gente as fotos da sua família. Com certeza seus pais, avôs ou tios têm um baú cheio de lembranças dos anos 80, 70, 60, 50. Nelas estão as nossas Lambrettas e Vespas, histórias curiosas e nostalgia pura. Das ruas, carros e arquitetura. Das motos, da moda, das coisas pitorescas. 

scooteriapaulista@gmail.com

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

ENCONTRO NACIONAL NA TV GLOBO

Nessa manhã teve fim o VI Encontro Nacional, em Tapejara (RS). Dezenas e dezenas de motonetas do sudeste e sul brasileiro, do Paraguai e da Argentina compareceram. E cinco condutores da Scooteria estavam lá, quatro deles em giro.


Foi incrível. Nos próximos dias contaremos com detalhes. Saiu também na Rede Globo regional. CLIQUE AQUI e assista a reportagem, com participação do Paulo Godinho (Lambreteiros Tapejara), Nano Aliaga (Vespa Club Córdoba) e Raphael Favero (Scooteria Paulista). 

domingo, 15 de fevereiro de 2015

JENNY WOO NO V RADUNO DA PRIMAVERA

Em meados de novembro de 2014 organizamos o V Raduno da Primavera, o giro dois tempista rumo à baixada santista. Para essa edição decidimos experimentar um rolê de dois dias, e ao cair do sol eis que chega a skinhead girl mais conhecida do mundo, a canadense Jenny Woo. 


Improvisamos um palco no próprio Hostel Santos, e diante da Lambretta do Macruz ela fez um show de 40 incansáveis minutos, debaixo de chuva, breja e bom humor. A The Firm Records, responsável por ela aqui, editou um trecho da apresentação, em I Fought the Law, do The Clash.

"I fought the law and the law won"
(Eu lutei com a lei e a lei venceu)

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

ALMANAQUE MOTORINO #5

Nesse mês, dia 21, sai do forno a sexta impressão do Almanaque Motorino, um fanzine totalmente dedicado à cultura old scooter. Nessa edição trazemos temas e especulações sobre o passado e o presente das motonetas clássicas e suas personalidades esquecidas no tempo, além de entrevistas e diálogos coerentes com outras subculturas. Segue...


Lançamento: 21 de Fevereiro durante tour do Bootboys (Chile).
São 4 páginas coloridas e outras 36 em preto e branco, num tamanho de gibi. Estamos trabalhando nele, ansiosos pelo resultado final. Dessa vez o entrevistado da casa é o Rodrigo Sonnesso (Marzela / Skamoondongos). Também trazemos um outro olhar sobre Corradino D'Ascânio. E aquelas páginas sobre música, cinema e os anos 80. Mil e uma utilidades a-temporais.

ANUNCIE SUA MARCA, LOJA, SERVIÇO OU MOTONETA e seja parte de um seleto grupo de apoio e colaboração dessa causa que resiste ao tempo. Entre em contato: scooteriapaulista@gmail.com

Página A5 em preto e branco: 80,00 (direito a dois Motorinos)
Meia página A5 em P&B:50,00 (desconto de 50% no Motorino)
Página Colorida: 120,00 (direito a 2 Motorinos)

domingo, 8 de fevereiro de 2015

VI ENCONTRO NACIONAL - TAPEJARA

Nesse carnaval acontece na pequena e acolhedora Tapejara, Rio Grande do Sul, o sexto encontro nacional da categoria. O evento promete receber vespistas e lambreteiros de vários cantos do Brasil, do Paraguai e da Argentina. Estaremos lá.


Na linha de frente a Scooteria Paulista que vai rodando no aro 10: Gabriel, Favero, Assef e Delacorte e Karla. (Reginaldo e Rose por ar). Ansiedade a mil pela estrada e pela comunhão. Esta com adesivos e alguns souvenires da Scooteria para câmbio. 

Certo de que será um evento inesquecível, esse encontro promete render histórias incríveis e inéditas, sobretudo na estrada. Reportaremos notícias dos expedicionários em tempo real no nosso Facebook e Twitter. Faremos 2200 kms de asfalto em 5 dias. Que a força esteja com esses bravos.


Mais informações sobre o evento entre em contato pelo email e fones do cartaz. Boa sorte e êxito aos Lambreteiros Tapejara.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

DESAFIO DE MOTONETAS - Kartódromo de Paulínia


Trata-se de uma corrida alucinante de Vespas e Lambrettas dentro de um Kartódromo afastado da cidade, relembrando os velhos tempos dos arranca-rabos bairristas dos anos 60 e 70. Nessa etapa noturna os veloses e furiosos vão para Paulínia, sob a tutela dos idealizadores Motonetas Classícas de Campinas. E o convite está aberto a todos, com motoneta original ou modificada para competições. Rola uma taxa de inscrição e é necessário corresponder às normas de segurança, como o uso do capacete fechado, macacão e luvas. Procure mais informações com o Tatu nesse link: MCC.


Sábado, 07 de Feveireiro, às 19h no Kartódromo de Paulínia.

Interessados em competir pela primeira vez entre em contato conosco ou direto no link.

sábado, 31 de janeiro de 2015

VII SÃO ANIVESPAULO - Relato #3

O VII São Anivespaulo foi inesquecível, a boa vontade e um desejo preso em nós por união fez dessa sétima edição a melhor de todas. 123 motonetas de um monte de cidades vieram, e todas elas rodando, e deram o ar da graça ao ar da mais cinza das cidades, divertindo as ruas com suas cores, pilotos e motores. Nas redes sociais todo mundo posta e compartilha fotos, vídeos e os comentários mais legais sobre o evento. E em seu blog o jornalista, lambreteiro, antigo-mobilista e aventureiro dos veículos históricos Flavio Gomes escreveu tudo isso logo abaixo.



"SÃO PAULO (é o cara) – Marcio Fidelis é um jovem que gosta de motonetas e rock’n’roll. E de São Paulo. Esse moço reuniu, domingo passado, 123 vespas, lambretas & similares para um passeio pela cidade. Foi a sétima edição do “São Anivespaulo”, nome que ele criou juntando aniversário, Vespa e São Paulo.
(Uma explicação. Vespa e Lambretta são marcas, devem ser grafadas com maiúscula. Mas vespa e lambreta são termos já incorporados ao idioma, como gilete, miojo, chiclete, cotonete, jipe, tefal e catupiri. Portanto, me deixem escrever vespas e lambretas quando achar que devo, e Vespa e Lambretta quando assim convier.)
Não é só um passeio. É um manifesto. Um manifesto de uma molecada (alguns nem tão moleques assim, eu inclusive) que se recusa a ser medíocre. Que quer viver, nem que seja por algumas horas, como se vivia aqui nos anos 50 e 60. Passeando, sorrindo, namorando, ouvindo música.
Fidelis lidera a Scooteria Paulista, um grupo sobre o qual já falei aqui várias vezes. Sem grana, sem tempo, mas com uma paixão encantadora.
E por isso ficamos encantados, todos nós que colocamos nossas motonetas na rua (desculpem, “scooter” é o cacete) domingo, saindo da Vila Mariana (em frente ao Veloso, melhor bar da cidade), pegando a Vergueiro, passando pela Paulista, descendo a Augusta, cortando a Avanhandava, e depois o Centro, Copan, São Luiz, Edifício Itália, Biblioteca Mário de Andrade, Theatro Municipal, Viaduto do Chá, Pátio do Colégio, Praça da Sé, até estacionarmos todos no Edifício Martinelli, primeiro arranha-céu de São Paulo.
Subimos ao topo, vimos nossa cidade do alto, depois fomos até a São João, a um prédio construído em 1939 que virou cena cultural, teve nhoque, rock, e sorrisos, muitos sorrisos.
123 motonetas, vindas de longe, de perto, de todos os lados. Pipocando seus motores, deixando para trás o perfume do óleo dois tempos, e mais sorrisos, muitos sorrisos, de todos que nos viram e para nós acenaram, e nos fotografaram e filmaram.
Sim, hoje a gente é filmado e fotografado o tempo todo, ainda mais quando se sai por aí em bando montando vespas e lambretas. Não faz mal. Essa gente dois-tempista ter orgulho de ser o que é.
Os primeiros relatos de quem participou já estão pingando no site da Scooteria. O texto do Fidelis é minucioso e delicado. Mas, sobretudo, fiel ao que somos: um bando de apaixonados. Nem todo mundo entende essa paixão por algo como uma motoneta, mas não faz mal. Se apaixonar é bonito. Nossos sorrisos não mentem."

Do post original:
http://flaviogomes.grandepremio.uol.com.br/2015/01/viva-a-sociedade-dois-tempista/

Acompanhe a partir daqui o seu trabalho: http://flaviogomes.grandepremio.uol.com.br

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

VII SÃO ANIVESPAULO - Relato #2

O VII São Anivespaulo foi inesquecível, a boa vontade e um desejo preso em nós por união fez dessa sétima edição a melhor de todas. 123 motonetas de um monte de cidades vieram, e todas elas rodando, e deram o ar da graça ao ar da mais cinza das cidades, divertindo as ruas com suas cores, pilotos e motores. Nas redes sociais todo mundo posta e compartilha fotos, vídeos e os comentários mais legais sobre o evento. Agora é a minha vez.


VII SÃO ANIVESPAULO
por Marcio Fidelis

9h da manhã de um domingo diferente. Era o aniversário de São Paulo, sétimo São Anivespaulo, o evento mais sagrado do calendário da SP. Os santos conspiravam ao nosso favor, e deram um lindo céu azul para aquele inesquecível retrato nas alturas. Foi uma hora e quinze minutos de concentração, escondidos atrás da caixa d'água da Vila Mariana. Vespas, Lambrettas e Bajaj's chegavam de todos os cantos, de diversas cidades, do ABC, Guarulhos, Osasco, Santos, Ferraz de Vasconcelos, São Sebastião, Campinas, Valinhos, Ribeirão Preto, Taboão da Serra, Americana, Mauá, (etc etc) e claro, São Paulo. Fotógrafos independentes e câmeras do rock'n'roll andavam entre nós registrando tudo, maravilhados com o que viam. E da maneira mais raçuda fizemos. No grito, sem polícia ou política, reunimos 123 motonetas ao todo, quase todas elas nas ruas, nos modelos PX200, 150 Super, Sprint, Originale, M3, M4, LI, LD, Cynthia, Xispa, BR Tork, etc. Consegui cumprimentar quase todos, enquanto entregava em mãos cartões postais e adesivos. Conosco a equipe de filmagem da Crasso Records com três câmeras captando tudo, também fotógrafos independentes e "instagramers" alucinados. No grito reunimos a tropa perto de algum teco de sombra e passamos algumas instruções de trânsito. Nessas, fiz um pedido que soou estranho e virou deboche (também, por que será?): "pessoal, vamos tentar ser discretos". Na ponta dos dedos ligamos os motores. "Tudo pronto? Simbora SP".


E começava a sinfonia das bielas, o balé dos chassis de ferro rumando à Avenida Paulista. Delacorte ia pra ponta controlar a velocidade da locomotiva. Favero ia pra contenção. Guiba levava o terceiro rádio da Staff. Koré e Russo levavam os câmeras para todos os ângulos do comboio. Stofaleti dessa vez ia na garupa da garota, filmando motos, rostos e edifícios. E tudo fluía em harmonia. Todos riam e se divertiam, em comunhão pelo santo dois-tempista São Anivespaulo. Foi lúdico, surreal, que misturado ao sol que São Pedro Lambreteiro nos dava de presente, eu diria que foi a pintura que Salvador Dali não fez.















E vinha a Avenida Paulista, com carros, motos, pedestres e ciclistas ao nosso redor, dobrando pescoços, desmoronando seus queixos. Voltávamos aos bons tempos com o Conjunto Nacional à nossa esquerda, e numa delirante busca pelo passado entramos na Rua Augusta. Stofaleti, que havia desenhado o roteiro pela Consolação, veio voando para a ponta. A partir daí o tropeiro foi ele, na garupa da esposa Debora, filmando aquele que seria o vídeo mais compartilhado das redes sociais. Lá embaixo entramos na Avanhandava e baixamos o ritmo para aglomerar o comboio. Juan e Animal ajudavam a guiar a tropa. Aliás, muitos faziam isso, só não me lembro quem pois tudo era urgente, frenético, e quando nos demos conta o Copam estava ao lado, e o Edifício Itália. Invadíamos a zona dos velhos prédios, da São Paulo clássica. E o trânsito colaborava, o paulistano estava de bem com a cidade. Veio a biblioteca Mário de Andrade, o Theatro Municipal, o Viaduto do Chá, a Prefeitura de São Paulo. Lado a lado os edifícios São Paulo e Banco Mercantil Finasa pareciam que estavam nos esperando há algumas horas. Também o CBI Explanada refletindo a luz do sol. Era muito mágico, os prédios pareciam se mexer, e nos cumprimentavam, esses gigantes cicerones. Dali em diante fizemos valer a expressão “vai pela sombra”: as construções do tempo escondiam o sol da gente. Adiante, a Praça da Sé se preparava para uma festividade, e ali represamos novamente o comboio. Em poucos minutos passávamos pelo Páteo do Colégio, marco inaugural da cidade. E finalmente, com a tropa completa, chegamos ao Edifício Martinelli. No improviso consegui um esquema de estacionamento ao lado – no improviso porque é muito difícil encontrar no Centro um estacionamento que receba motocicletas e afins. Convenci os funcionários dessa maneira: “olha ali na curva, tá vendo aquele pelotão descendo? A gente vai invadir o seu estacionamento agora, e ninguém pode controlar isso. Fecha um preço agora e te daremos paz”. E assim pudemos guardar as centenas de motonetas num lugar seguro e exclusivo, evitando aquela chatice de carregar capacetes e malas elevador acima. Fernanda Borges agilizava a lista de visitantes do edifício, enquanto eu voava de detalhe em detalhe. E esse foi o dia em que o comboio virou passeata. Vamos ver mais fotos...

Um monte de fotos do Maurício Constantino - CLIQUE AQUI

Pelos elevadores da história subimos o evento ao topo do Martinelli. Sua história é fantástica, e todos os funcionários de lá trabalham com amor, num amistoso clima que não se vê nessa cidade desde o tempo dos nossos pais e avôs. A poucos metros estava o Banespão (Altino Arantes), como se pudéssemos tocá-lo. Também o Conde Prates de um lado, e o Banco do Brasil de outro. Aquilo era o céu, lugar para onde as pessoas boas vão depois que morrem. E como compor uma pintura viva, a foto oficial desse encontro parece um prenúncio do ano que viveremos nessa cena 2T paulista: todas as idades, cidades, clubes, e amigos que se importam e nutrem altruisticamente a cena paulista, essa que insistimos há anos em amar com todo o ódio, e a odiar com todo o amor – não é assim Tom Zé? O tempo urge, vamos celebrar!


Bem, tínhamos que voltar à Terra, as nossas motonetas estavam num estacionamento escuro, e uma festa estava preparada para os anjos caídos. Em blocos tocamos para a Trackers, a menos de um quilômetro dali, no Largo do Payssandu, ao lado da Galeria Olido e da Galeria do Rock. Rubinho saiu em disparada para abrir as portas do estacionamento do prédio aonde faria acontecer o segundo tempo do evento. Guardamos as motonetas com segurança e um pouco de caos também. Mais amigos chegavam em em dois tempos para a festança, outros já estavam lá. Acho até que ao todo tivemos algo como 130 motonetas participantes. Mas ficamos no 123 que é uma bela sequência. A Trackers na real é um projeto cultural e escolástico aonde funciona muitas ideias malucas e pioneiras em arte, música, tecnologia e cultura juvenil. O prédio se chama Edifício Vitória, e foi inaugurado em 1939, tendo abrigado inúmeras empresas da área de diversões. (Vale lembrar que outrora aquela era a região dos circos, cinemas e cafés). Assista ao vídeo das motonetas no estacionamento, ao som da minha banda W.A.C.K. (Skin Ska Reggae):


Lá em cima o Julião discotecava “inconsciente" seu velho punk rock, enquanto o Pastifício Primo servia saborosas porções de nhoque com molho e parmesão. Tudo da melhor qualidade e a um preço excelente e exclusivo para o evento. Ivan Bornes e Nivaldo trabalhavam a mil para servir aquele monte de barrigas d'água esfomeados. Fiquei de conseguir alguém para ajuda-los, e não consegui ali diante de mais mil detalhes. E mesmo atribulados foram primorosos. Destaque total para a performance dos caras. Aliás, vale comunicar e registrar aqui que ao final do almoço, Ivan, proprietário da rede Pastifício Primo, me entregou um pacote e disse: “metade do que vendemos hoje estamos doando para a Scooteria Paulista”. Ou seja, mais de 600 Reais para essa sociedade dois-tempista sem fins lucrativos. Existem níveis diferentes de se apoiar uma causa, o do Primo conosco é de nível “hard”, e fazem porque acreditam na gente, acreditam nos movimentos culturais, conhecem as ruas, amam as motonetas clássicas, a cultura italiana, e são verdadeiros em tudo o que fazem. O Pastifício Primo completa cinco anos nesse sábado, e vai ter piquenique na praça, cheque o site e participe. Falaremos mais deles no decorrer dos dias, e dos anos.

Pastifício Primo

E a festa seguia recebendo mais e mais amigos, a pé ou com seus diversos veículos. No miolo da tarde sobe no palco o conjunto de ska/reggae Marzela, com nosso amigo da casa Rodrigo Sonnesso no contra-baixo. Junto com os caras a Crasso Records em três câmeras registrava tudo para o futuro vídeo-clip da banda. (Diga-se de passagem que esse material volta para o nosso acervo). Um baita show, cheio de energia, surpreendendo muita gente. Não nos aguentamos, o Animal Taylor e eu, tocamos o puteiro e aceleramos as nossas Vespas lá dentro, e a turma rachava o bico. Aliás, diga-se de passagem, alguém aqui já apostou corrida de Vespa no terceiro andar de um prédio? Pois rolou...



Na sequência entrou o Modulares, o único conjunto Punk Mod que reconheço em toda a América Latina. São performáticos, expressam a urgência da cidade, a raiva contida no jovem. Duas guitarras se duelam enquanto o Barbosa chuta tudo na bateria. E o Gabriel na ponta dos dedos dava o ingrediente final para o dançante baile dois-tempista.  Dado momento Jun Santos me chama pra cantar o tema “Na Contramão”, e cantei, do jeito que eu vivo: “Muitos se incomodam por eu ser assim / Não adianta colocarem a culpa em mim / O problema não é meu, eu não estou nem aí / Esse mundo ao meu redor é que não é tão bom assim!!!”. Acabou a música não me aguentei, chamei o Animal Taylor, pegamos nossas Vespas e esfumaçamos o fim do show, acelerando “até abrir o retentor”. Que dia!!!


Nas pick-ups Everton Mendes revelava para a categoria uma outra subcultura de muito apreço para nós: o chamado "espírito de 69". São as referências da música jamaicana que ao chegarem na Inglaterra na segunda metade dos anos 60 deu origem ao estilo e movimento Skinhead – sim, esqueça o que você (não) sabe sobre esse crucificado estilo de vida. Também não vou ficar explicando isso aqui. E todos dançavam no ritmo da Northern Soul e da Rocksteady Music, coroando o evento do jeito que gostamos de fazer. Mais tarde Rubinho Peterlongo tirou os discos da sacola e fez do fim de tarde um ambiente onírico, numa trilha sonora nunca antes ouvida, trazida de suas viagens para lugares estranhos. Sei lá, muito free jazz com efeitos e instrumentos inusitados, que ia do fuzz ao xilofone.
E a noite caía na Avenida São João. Aos poucos a casa esvaziava, os resistentes se embriagavam, o volume aumentava, e a festa prosseguia. Era meia-noite e não queríamos ir embora, estávamos em 20 ou mais. 

Enfim, do mesmo jeito que queríamos viver esse dia de São Anivespaulo eternamente, minha compulsão é ficar aqui escrevendo cada detalhe e sentimento vivo nessa comunhão. Mas é isso, foi isso, ficamos por aqui. Não sem antes agradecer e deixar registrado a importância dessas instituições nos bastidores desse VII São Anivespaulo: PASTIFÍCIO PRIMO, TRACKERS, FREE WILLY MOTO PEÇAS, EMPÓRIO MOTONETA, CRASSO RECORDS, MDZ TATTOO BOOKS e EDIFÍCIO MARTINELLI. Um enorme abraço a todos os participantes desse que foi o melhor encontro em giro já organizado por nós, a Scooteria Paulista. Peço desculpas pelos esquecimentos nesse relato. Darei um acabamento nisso nas próximas horas ou dias. 

Aos participantes que queiram se tornar membros da SP, chegue mais perto, fale conosco, a gente não morde. Basta ser honesto e ter respeito pela casa. Nós somos aqueles por quem sempre esperamos. Com muito orgulho e emoção, o nosso muito obrigado.


Membros da SP presentes nesse dia: Marcio Fidelis, Leonardo Russo, Gustavo Delacorte, Everton Mendes, Fernanda Borges, Artur Biscaia, Raphael Favero, Rodrigo Sonnesso, Guilherme Rocha, Vitor Hugo, Rafael Assef, Luis "Koré", Sergio Andrade, Adriano Stofaleti, Rosa Freitag, Reginaldo Silva, Diogo Reis, Daniel Turiani Taino, Afonso Antunes, Luciana Silva, João Macruz, Laercio Rodrigues, Gabriel "Vesparock", Marcelo Santana, Hernán Rebalderia, Fabio "Much", Emerson Mestrinelli, Guilherme Castrezana, Aurélio Martimbianco, Edelcio Pasqualin .

Fotos: Maurício Constantino (P e B), Dário Oliveira (com marca d'água), Davilym Dourado (indoor foto e vídeo) e "Instagramers" com a tag #scooteriapaulista