segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

VII SÃO ANIVESPAULO - Relato #1

O VII São Anivespaulo foi inesquecível, a boa vontade e um desejo preso em nós por união fez dessa sétima edição a melhor de todas. 123 motonetas de um monte de cidades vieram, e todas elas rodando, e deram o ar da graça ao ar da mais cinza das cidades, colorindo as ruas com suas cores, pilotos e motores. Nas redes sociais todo mundo posta e compartilha fotos, vídeos e os comentários mais legais sobre o evento. Um deles foi do amigo campineiro Tatu Albertini, do Motonetas Clássicas Campinas, que puxou uma bela tropa caipira na Anhanguera.


SÃO ANIVESPAULO !
por Tatu Albertini

Depois e 3 tentativas frustradas de participar desse evento da Scooteria Paulista, pois sempre caía num dia de semana,esse ano consegui participar de um .Já tinha visto vídeos e comentários dos anteriores ,que só me enchiam de vontade ,mas ,tudo tem sua hora e essa hora chegou esse ano. Na noite do dia 24 ,tive o prazer de receber em casa ,os amigos Antonio Carlos Mattioli , Gustav Ferrer e seu amigo ,que vieram rebocados até Campinas ,para saírmos em comboio rumo a capital.Depois de descarregar as danadas e uma boa prosa fomos tentar descansar as carcaças.6:45 hs o despertador tava marcado ,mas o Matiolli já tinha pulado da cama e eu tambem ja estava fritando na minha ,acordado desde a alvorada que é sempre linda da janela do meu mezanino. Café da manhã tomado ,tererê preparado e bóra pegar o caminho aé o ponto de encontro ,para variar um pouquinho já estávamos atrasados,na subida pro Anel Viário vejo o que parecia ser uma scooter adiante ,imaginei que seria mais algum para o grupo ,mas ao chegar perto notamos ser uma Lead cor de rosa com um senhor de quase dois metros em cima ,por isso talvez a mesma estava tão lenta na subida. Ao chegar no Posto Saci , Adriana Frias , Alvaro Mantovani e Ricardo Moreira já estavam nos esperando, vimos que pelo horário mais ninguêm mais viria e saímos em 5 motonetas num ritmo tranquilo pela Anhanguera. Já perto da capital notei que La Motita perdeu a marcha lenta provavelmente por causa de algum cisco, na entrada da Marg.Pinheiros o Gustav assumiu a ponta do comboio pois ele já tinha morado na capital e apesar de ter feito um caminho muito louco e La Motita morrendo a cada semáforo chegamos na Caixa Dágua da Vila Mariana exatamente as 10hs, horário programado para a saída sem atraso.


Ponto de encontro lotado ,coisa linda de se ver e Marcio Fidelis já passava contando as motonetas, enquanto já cheguei pensando apenas em limpar meu gicle para não sofrer no passeio ,em vez de cumprimentar os amigos. Gicle limpo e agora dava tempo de cumprimentar os que estavam mais próximos,mas não muitos, pois o comboio já estava sendo formado para a saída e alguns outros fui cumprimentando no caminhar do grande enxame. A clássica passagem pela av.Paulista e a descida pelo lado pobre da Augusta não podiam faltar, muito menos uma Vespa com placa amarela no rolê, no final da Paulista entramos numa ruinha a direita, ruinha linda que sempre vejo ao passar de carro mas nunca entrei ,lindas casas assobradas que viraram quase todas restaurantes e voltamos a boa e velha Augusta, e vamos ao centrão da capital, Teatro Municipal, Copam, Pátio do Colégio e demais lugares lindos que meu caipirismo e falta de memória não vai lembrar nem reconhecer,até chegarmos no tal Edifício Martinelli, estacionamos e fomos a aventura da subida ,corredores amplos ,espelhados e iluminados por lindos lustres de cristais,pena não ter os antigos elevadores que provavelmente deveriam ter aquelas portas ventiladas de ferro.














Ao chegarmos no 24°andar ,subimos mais 2 andares ,de escadas mas não encontramos nenhum dos dois ilustres fantasmas moradores desse edifício e encontramos um belo jardim suspenso no lugar dos lustres,ao sair para a cobertura é que pudemos contemplar a maravilhosa vista do edifício , de um lado o Pico do Jaraguá ,Serras do Japi e Cristais,do outro lado , prédios e mais prédios da capital dos arranha céus,que vista maravilhosa, fora o bar que tem lá em cima ,que deve ser frequentado apenas por poucos bom pagadores e o tal 27° andar ,a casa do Martineli,que dizem ser cercada de virais maravilhosos, que está fechado para restauro a mais de 10 anos disse nos a ascensorista. Discurso ,foto oficial e bóra descer pois tinha mais uma grande quantidade de turistas querendo desfrutar do mesmo prazer que estávamos desfrutando. 


Saímos rumo a mais um pouco de passeio e parada no ponto final do encontro, a Trackers , situada ao lado do Santuário ,Galeria do Rock, garagem reservada para nós e subimos rumo a um dos picos mais interessantes que estive na minha vida de submundo do rock alternativo. Cara , que pico insano ,um andar inteiro do prédio ,paredes grafitadas ,cada cômodo um espaço distinto ,área para shows,uma vista bacana na varanda e as maravilhosas placas vermelhas as portas ,que me atentaram muito de levar uma delas embora escritas :ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESÁRIOS DA DIVERSÃO. E como me diverti lá dentro hem.Mesmo não tendo ficado até o final . O Pastifício Primo estava lá com um restaurante móvel servindo um Nhoque espetacular ,os DJs apavorando na trilha sonora ,pebolim ,conversas sinceras,sorrisos no rosto ,diversão e rock´n´roll e em dado momento vejo o ilustríssimo Senna passando pela rua ,chegando tarde pois não nos deu a honra da sua presença no passeio.A galera de Ribeirão precisava voltar e se uniram ao Ricardo e Alvinho na tocada de volta,enquanto eu e Adriana ficamos ,pois ficaríamos por lá curtindo mais um pouco ,mesmo saindo antes dos shows que faziam parte da programação .Modulares já conhecia mas infelizmente deixei de conhecer o Marzela,mas oportunidades não faltarão.
De lá fomos ao Largo do Batata ,se perder um pouco nas ruas da capital ,encontrar uns amigos e assistir uns shows,conheci umas 3 bandas novas e interessantes ,O Lendário Chucro Billy Man ,fez um senhor show em cima de um pallet e com apenas uma caixa de som ,e no meio do show do Nação Zumbi ,São Pedro Lambreteiro tava iluminado os céus na festa de São Paulo ,passamos a mão em La Motita e antes da meia noite chegamos em casa eu e Adriana ,quebrados ,porêm extremamente realizado e cheios de cultura ,e olhares lindos e novos para podermos contemplar na memória.

Scooteria Paulista, parabêns pelo empenho ,união ,carinho e capricho que vocês fazem seus projetos.


(Fotos por Maurício Constantino, Tatu e Instagram com a #scooteriapaulista, use em 2Tempos).

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

VII SÃO ANIVESPAULO

Todos se preparam para mais uma homenagem à capital paulista. Vespas e Lambrettas por entre arranha-céus e edifícios da cidade grande. Dois-tempistas radicais se reúnem às 9h na Caixa D'água da Vila Mariana, amigos em geral se reúnem as 13h no Largo do Payssandu. Um evento em 2 Tempos:


Clique na imagem do cartaz ao lado e acesse todas as informações sobre o evento. --->

PS: Da imagem acima, é uma foto da foto original, de um comboio paulistano de Lambrettas da virada dos anos 50 para os 60.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

VII SÃO ANIVESPAULO - Da Festa

A sétima edição da nossa homenagem para São Paulo será em dois tempos: encontro e giro pela manhã, seguido de festa com cantina italiana e música. Essa segunda etapa começa as 13h e termina as 18h, no térreo do edifício TrackerTower, no Largo do Paissandu. E será aberta a todos: amigos, amigos de amigos, pedestres, extra-terrestres, vindo com veículos em geral. A entrada nesse caso será de 5 Reais, com direito a um adesivo do evento. Segue as informações da festa:


9h - Concentração na Caixa D'Água da Vila Mariana (R.Conceição Veloso, 54, quase esquina com a Rua Vergueiro). Somente para Vespas, Lambrettas e Bajaj. Ou scooters realmente de idade, com motores 2 Tempos e câmbio manual. Por favor respeitem a nossa condição. Mas também abrimos uma parte do evento para os proprietários de outros veículos em geral, então com qualquer outro tipo de scooter, motocicleta, carro, bike, skate, helicóptero, disco voador, pode chegar pro fest. Segue:

SÃO ANIVESPAULO FEST

13h no térreo do edifício TRACKERS (próx. Avenida São João, 473, no Largo do Paissandu). Tarde de música, exposição das motonetas, convivência, e cantina. Daqui pra baixo:


Cantina italiana do Pastifício Primo


MARZELA
15h - Show dessa incrível banda paulistana. O quinteto tem influências de ska e early reggae, com bastante melodia e backing vocals. Muitos vespistas por aqui consideram esse disco uma "trilha sonora de Raduno da Primavera". As letras são cantadas em inglês e português. Rodrigo Sonnesso, baixista da banda, é vespista da casa, e junto com o sax Ícaro, toca nos Skamoondongos. Não sabemos o que significa Marzela, mas concordamos que é uma das melhores bandas que existem no Brasil. Estão com o primeiro CD em mãos, lançado pela Crasso Records (S.Paulo) no ano passado, a serem vendidos por 20 Reais. Vale lembrar que a banda filma seu novo clipe, e captará momentos do passeio, da festa e do show. Abaixo um dos clipes:


MODULARES
16h Quando vocês compartilham vídeos com lendários weekends ingleses, lotados de Lambrettas adornadas com faróis e retrovisores, então vocês devem saber do que estão 'falando', certo? Se não, preste atenção!! Modulares é a banda que mais faz pelo movimento Mod brasileiro com atitude e conhecimento de causa. O quarteto paulistano nasceu em 2007, gravaram três EP's e agora um belo compacto de 45 rotações, lançado pela Groovie Records (Portugal) e Discos Além (Brasília). Alguns vão se lembrar que em 2012 eles se apresentaram num dos nossos Scooterfests da Rua Augusta. Jun Santos é vespista de outros carnavais, guitarrista, líder do conjunto. Alguns de nós dividimos muita rua com ele e Os Tralhas Scooter Club, tempo em que o parceiro tocava nos lendários Os Migalhas e Laboratório SP. E da escola mais Punk Mod que já pode ter existido em todo o Brasil, vieram os desmembramentos mil, como o nascimento do São Anivespaulo. Modulares é uma banda forte, pulsante, guitarras pra frente e cozinha pesada. Cantam em português em quase todo o set, e numa delas "as Vespas vêm, Lambrettas vão". Tem uma entrevista esclarecedora no site Vitimas da Op Art. Cenas de um show recente: 




DISK JOCKEYS:
EVERTON MENDES - O jovem seletor, vespista, working class do ABC paulista, membro da SP, também rebatizado de Lewis Hamilton, toca uma vasta seleção de Reggae, Soul e Rocksteady, ritmos que embalaram a Jamaica, a Inglaterra, e o mundo, nos anos 60 e 70, fazendo a trilha daqueles eventos de categoria como o Isle of White, os Scooterfests mundiais, os Mods vs Rockers da vida, e outros mil organizados por crews scooterboys e clubes dois-tempistas de identidade musical.

RUBENS PETERLONGO - Rocker nos anos 80, capitão da barca Trackers (aonde acontece essa festa), lambreteiro desde muito, e professor de música digital, Rubinho faz os paulistanos voltarem ao centro velho de São Paulo, organizando eventos e festas noturnas lá pra cima. "Anivespaulista" desde o primeiro, dessa vez ele ajuda a gente na organização e toca também, com discos e compactos de Acid Jazz, Rockabilly dos 80, e latinidades dançantes.

CINTIA MASCARI - Mod de outros carnavais, DJ também, tem a sua PX andando e ameaça começar a acelerar em breve. Amiga da moçada, sobretudo aqui da casa, Cintia é residente no Garajão do Julião, que acontece ali no mesmo prédio. Nessa tarde de São Anivespaulo ela traz bagagem, recobrando a Swinging London e o saudoso Garage-Punk para escolados e descolados da classe. Quando ela toca todo mundo vai dançar, vá lá também.

MARCIO FIDELIS - Idealizador do São Anivespaulo, o presidente da Scooteria fará um set curto, com sons de SP, do passado e do presente, e uma pequena exposição de capas com motonetas.

ENTRADA: 5,00 (dá direito ao adesivo e cartão postal).
Proprietários de motonetas clássicas 2T não pagam entrada.
SERVIÇO DE ESTACIONAMENTO AO LADO.

*O São Anivespaulo chega ao fim as 18h, quando no mesmo prédio começa outra festa, mas com a mesma pegada. Portanto, quem for em uma, já sobe pra outra depois.

*Frisando que a Concentração e o Passeio Matinal (com subida no Edifício Martinelli) é 100% para motonetas clássicas de motores 2 Tempos e câmbio manual. Caso você não tenha a sua no dia, vá direto almoçar e curtir a festa as 13h no centro.

APOIO OFICIAL:

PASTIFÍCIO PRIMO (São Paulo, Sorocaba, Recife)
TRACKERS (São Paulo)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

SÃO ANIVESPAULO #7: Pelos Arranha-Céus da Cidade


25 de Janeiro de 2015
Saída 10h: Antiga Caixa D'Água da Vila Mariana (Vergueiro)
Percurso: Av.Paulista, Augusta, Centro velho.

SOMENTE MOTONETAS CLÁSSICAS DE MOTORES 2 TEMPOS !!!! 

Destino 1: Edifício Martinelli, 11h30. (Desde 1929 - subida para foto oficial na cobertura)

Destino 2: Tracker Tower, 12h30. (Desde 1939 - Avenida São João, no Largo do Payssandu) - Festa com cantina italiana, bandas e DJ's da SP.

BANDA: MARZELA.
DJ'S: Everton Mendes, Cintia Mascari, Rubens Peterlongo.
Cantina: Pastifício Primo.

Esse é um dos principais eventos do calendário nacional de motonetas. Em cada ano mapeamos os caminhos de temas com identidade paulistana, e recobramos a memória de ruas e lugares.

Para essa sétima edição elegemos o cenário pelo qual a cidade é reconhecida: OS ARRANHA-CÉUS. Passaremos por entre os mais importantes, e subiremos às alturas de dois deles, a começar pelo Edifício Martinelli, o pioneiro.

ANUNCIE:


Esse evento não tem finalidade lucrativa, assim como a Scooteria Paulista. Nosso objetivo é promover grandes encontros, agregar mais amigos à casa, preservar scooters de época, e viajar para o mais longe que pudermos com elas.

Para essa data vamos confeccionar materiais para os visitantes. Estamos ansiosos com os trabalhos. Anuncie a sua marca ou serviço no nosso CARTÃO POSTAL pelo valor de 100,00 Reais e apoie a essa homenagem à São Paulo. Seu logo vai na contra-capa do cartão, assim como todas as infos sobre o evento.

Contato e dúvidas: scooteriapaulista@gmail.com



Arte por Leonardo Russo

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

PAULO COELHO DE LAMBRETTA



Os Mansos é uma trilogia brasileira de 1973 dirigida por Braz Chediak. O filme reúne três histórias com conteúdo erótico: "A B... de Ouro", "O Homem dos Quatro Chifres", e "O Homem, a Mulher e o Etc Numa Noite de Loucuras". A segunda se passa no Bixiga, outrora um pedaço tipicamente italiano de São Paulo - bairro Bela Vista. E o "cornuto" em questão é o Armando, personagem  interpretado pelo ator, escritor e músico Paulo Coelho, que roda pelo bairro com sua Lambretta LI cansada e barulhenta. É muito divertido, vale a pena ver inteiro.

Cenas com o lambretão aos 32min54seg, aos 45min50seg, e 51min35seg.
"O Homem de Quatro Chifres" começa aos 30 minutos, e tem 26 de extensão.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

RETROSPECTIVA 2014

Definitivamente 2014 foi um ano intenso, produtivo, internacionalista; porém nunca fomos tão caseiros quanto nesse. Concordamos em arrumar a casa primeiro, para as visitas inclusive. Focamos na capital, nas obras da Sede, na Mostra no Museu, na recepção aos turistas e aventureiros do ano da Copa, nos encontros que organizamos já a algum tempo. Sem pressa reintegramos velhos camaradas e nos dedicamos um pouco mais ao campo da música, até porque esse clube tem a sua essência nela. Os eventos estavam lotados, as motonetas por toda parte. Destacamos aqui alguns dos principais acontecimentos


VERÃO

DIDIER WORLDTOUR (FRANÇA)- A bordo de uma Star 4 da LML o francês de Saint-Émilion chegava em nossa Sede para viver seus mais loucos dias na América do Sul. Foram 10 dias conosco, em São Paulo, em Santos, Guarujá e Cotia. Conheceu a zona leste, saiu em jornal impresso, viu black-blocks quebrando a Roosevelt, as primas da Augusta, entrou na Sede da Mancha, pulou carnaval, e caiu na real que a sua motoneta não estava era com nada. (Vale lembrar que o apoio da Free Willy foi fundamental para a sua viagem rumo ao sul). Passou dez loucos dias conosco. Depois rodou mais dois mil kms e a moto morreu de vez. Durante o ano realizou outras pela Ásia, e hoje vive na Tailândia. Recentemente escreveu essas linhas: "Hi Guys when you meet the Scooteria Paulista fun team, you never forget the good time you spend together, fantastique ambiance and warm and friendly atmosphere. Happy Christmas and New Year to all of you. Big Hugs, Grosses Bises". 

VI SÃO ANIVESPAULO - 50 Anos do Golpe de 64 - Um grande encontro, as ruas de São Paulo tomadas. Da zona sul à norte, com motonetas de um monte de cidades de longe, a começar por Saint-Émilion, do sul da França (Didier e sua St4r). O evento por fim foi sediado na Piazza Zini, um cantinho italiano do bairro do Limão, e ali passamos uma tarde completa, do sol à chuva, encerrando as atividades com um show dos lendários Gasolines (surf music instrumental). Foi bárbaro!! 

FRANCISCO SEPÚLVEDA & IVANA em TRAVESÍA VESPA (EQUADOR) - A bordo de uma Vespa PX150 e na companhia da nova namorada argentina o médico equatoriano Francisco Sepúlveda, passou duas semanas conosco em casa. Conheceu bem a capital, São Roque, São Sebastião e outras tantas pelo Estado. Participou do encontro do Vespa Club São Roque, e do Acampamento de Verão que puxamos pro litoral norte. Sem esquecer do imenso apoio da Free Willy, e do Animal Taylor (Motonetas Clássicas Campinas). O casal já completou sua viagem e hoje está de férias na Espanha. Um filme sobre paixão, Vespas e América do Sul.

ACAMPAMENTO DE VERÃO - Da viagem na chuva ao sol de Cambury, em São Sebastião, a saga foi incrível. Dois dias de estradas, festividades, praia e histórias inéditas em rodovia, com a ilustre presença dos aventureiros Francisco Sepúlveda (Equador) e Ivana (Argentina). Quando uma dúzia faz um weekend inesquecível. 

FALECIMENTO DO "CIENTISTA" ADRIANO LEMOS - A grande dor do ano, o nosso amigo scooterboy partiu dessa para uma outra. Foi as águas de março. Nos últimos tempos não estava bem. Havia deixado a oficina, se afastado dos passeios, tendo aparecido no VI São Anivespaulo chateado com a engenhoca que botou fogo no motor da M4 a caminho do evento. Adriano era também artista plástico, de senso estético aguçado. Seus cinco anos de trabalhos em lataria nos ensinaram que personalidade é preciso, (e viver não foi preciso). Foi sepultado na Vila Formosa, era tarde de garoa e frio, do mais triste cortejo dois-tempista que vivemos.

OUTONO
LANÇAMENTO ALMANAQUE MOTORINO #3 - Com feijoada, chorinho e o contry do conjunto Brazilian Cajuns no Bar do Jorge, esse pareceu ter sido até agora o mais divertido programa literário da "editora", trazendo amigos de longínquas cidades do Estado até o bairro da Mooca.

V ENCONTRO NACIONAL - POÇOS DE CALDAS, MG - Abrimos as atividades de maio na estrada, a caminho do sul mineiro pela quarta vez, agora por rotas diferentes. Um encontro de alta qualidade organizado pelo Poços Scooter Club; vivemos um momento incrível de comunhão inter-clubes, com estrutura de exposição, música, feira, gastronomia, passeios, zona rural, kartódromo, cristaleria. Era imperdível, fomos em doze, chegando por todas as estradas, com o Oskarface em seu melhor show, e quase todos visitantes em comunhão com a cena nacional.

ROY ELLIS EM SÃO PAULO - Para quem gosta de música jamaicana e scooterismo inglês esse foi um dia histórico. Entramos no apoio ao evento, capitaneado pela Move on Sounds, que levou nossas motonetas até o Mr.Symarip. Bença Boss.

HERNÁN E O VESPA CLUB CÓRDOBA (ARGENTINA) - De férias lá partiu ele para mais um encontro internacional da categoria., dessa vez em país-natal. Chegou de carro e foi recebido pelo Vespa Club Córdoba, que o levou para um passeio incrível em Vespas, para o Malta Bar e o encontro com o amigo Nano Aliaga.

MOSTRA: VESPA, UM ÍCONE ITALIANO - Foi uma exposição de dois meses que aconteceu no Museu da Casa Brasileira, um dos mais importantes da cidade. Na ponta o Istitutto Italiano di Cultura e suas atividades com foco na Copa. Por trás a Fondazione Piaggio, e a Scooteria Paulista de consiglieri, cedendo motonetas da frota e materiais de consulta e exposição ao IED, e abrindo o evento com dezenas de pilotos da vida real. Foram dois meses de exposição, 18500 visitantes, milhares de catálogos distribuídos. A Vespa é Pop. Presença dos colombianos do Tuk Tuk.

DE CABO A RABO (COLÔMBIA) - Sebastian, Esteban (Milena) e a cadelinha argentina Maracanã decidiram parar em São Paulo depois de um ano pelas estradas da América do Sul num Tuk Tuk Bajaj, tendo vindo da Patagônia para ver a pátria jogar nos telões das Fun Fests. Foram três semanas em casa, apertados em meio as obras. Hoje o Tuk Tuk está estacionado na Bahia, aonde um dos dois decidiu morar. Os outros voltaram para a Colombia. Probabilidades da tour prosseguir com novos membros a partir de janeiro.

VESPAROLLIANDO EL SUR (COLÔMBIA) - Elizabeth Benítez é a primeira aventureira internacional desse calibre a que se tem notícia em toda a América. A bordo de uma Star 4 LML ela saiu de Medellín e deu uma volta na América do Sul, parando por aqui, e indo e vindo, em meio às obras, à Copa, aos problemas com sua motoneta, com suporte e apoio da Free Willy, da SP, e Motonetas Clássicas Campinas. Viajou pra Paulínia, depois pra Jundiaí, esteve na re-inauguraçao da nossa Sede depois da Copa. Seu espírito livre e espontâneo é o de uma típica paisa de Medellín. Aliás, a pouco ela chegou em casa.

A BRAZIL EN VESPA (ARGENTINA/URUGUAY) - O argentino Ariel Molfino, dos Scooteristas Marginales, a bordo de sua Vespa VB1 1957 subiu num par de aro 8 de Punta Del Diablo (Uruguay) até a SP, deixando saudades em todas as partes: São Paulo, Santos, Jacareí. Com assistência da Free Willy em São Paulo e do Empório Motoneta em Santos.

GIRO AO PICO DO JARAGUÁ - Meio que espontaneamente no Grupo virtual foi nascendo essa idéia de um giro seguido da visitação à Mostra Vespa Um Ícone Italiano. Puxada pelo Motonetas Clássicas Campinas o encontro deu muito certo e reuniu como que quarenta dois-tempistas.

SCOOTER FOR GOALPOSTS (INGLATERRA) - Chris Hallett, de Londres, a bordo de uma Vespa GT350 com sidecar partiu para o mundo atrás do sonho do taça. Entre um jogo e outro Chris comparteceu para um fim de semana divertido conosco, entre São Paulo e Paulínia, tendo acompanhado um legítimo Desafio de Motonetas brasileiro, e me honrado (a mim, Fidelis) com a carona no seu sidecar até lá. Hoje está em casa, organizando os registros dos vinte e tantos países pelo qual passou. Pediu nosso endereço, vamos ver o que vem por aqui.

INVERNO
DESAFIO DE MOTONETAS - Acontecimento especial de dois anos das corridas amadoras de Vespas e Lambrettas organizado pelo Motonetas Clássicas Campinas e amigos no Kartódromo de Paulínia. Presença do britânico Chris Hallet em sua Vespa GTS e da colombiana Elizabeth Benítez na St4r.

II GIRATA D'INVERNO - (A original) Nesse 9 de Julho levamos a Girata para Embú das Artes, numa frota de quarenta e tantas motonetas pela Regis Bittencourt. Um marco nas formações de comboio rodoviário. Que pintura! Presença do argentino Ariel Molfino em sua VB1 e da colombiana Mayra Garcia.

XI ENCONTRO DE LAMBRETTAS E VESPAS DE JUNDIAÍ - O mais tradicional encontro da classe no Brasil recebeu mais de setenta motonetas, além de motos e outros veículos. Organizado pelo Clube da Lambretta de Jundiaí, nessa edição esteve presente a colombiana Elizabeth Benítez com sua St4r.

MODS vs ROCKERS (COLÔMBIA) - O primeiro evento oficial dessa categoria com foco principal nos veículos em toda a América Latina aconteceu longe de casa. E para lá nós fomos: Fabio Much e Marcio Fidelis, de avião, com casa e Vespa reservada pelo Vespa Club Bogotá. Um grande encontro organizado pela Triumph, com viagem em comboio, música, exposição, stands, corrida de motonetas, provas de arrancada e clubes de Bogotá e Medellín.

BOGOTÁ SCOOTERFEST (COLÔMBIA) - O primeiro evento "50% motoneta 50% música" do país foi um legado da Scooteria Paulista para os bogotanos - como descreveram eles-, quando a campanha, sob os cuidados do Mi Corazón Late en 2 Tiempos, reuniu 50 motonetas dos grupos Vespa Club Bogotá, Moonstomp Riders, Mottoretos D.C. e Vespañééé Club, numa tarde histórica com DJ's, stands, sorteios e giro noturno.

PRIMAVERA
DESAFIO DE MOTONETAS -Um fim de semana divertido no Kartódromo de Araraquara aonde se reuniu calouros e veteranos na pista de corrida, numa dobradinha entre o Motonetas Clássicas Campinas e Os Intocáveis, da cidade. 

V RADUNO DA PRIMAVERA - Considerado pelos experientes estradeiros como o "melhor Raduno de todos", foram dois dias de estrada, amigos, mar, música, bar, e cerca de 50 motonetas no evento. Mais uma vez entre Santos e Guarujá, agora com show especial da cantora canadense Jenny Woo. Destaque para a formação de comboio. Outra pintura!

VESPARICANA (ALEMANHA / TRÊS AMÉRICAS) - Em novembro recebemos o alemão Alexander Eisheid e sua Vespa PX125. Foram dez dias conosco, entre São Paulo, ABC, Santos e Mairiporã. Alex marcou história no clube deixando um legado carpinteiro em nossa Sede. Nesse momento está em Punta del Diablo no Hostel do Ariel Molfino.

FIM DE ANO DA FREE WILLY - Passeio dos clientes e amigos da loja até a cidade de Mairiporã. Reuniu-se mais de trinta Vespas rumo a um tradicional restaurante e centro cultural à moda antiga. Presença do alemão Alexander Eisheid e sua PX125.

DIA DEL SCOOTER CLÁSICO VI (ARGENTINA) - É a terceira vez que visitamos esse encontro, e foi a primeira que aconteceu fora da capital. Organizado pela Red de Vespistas Argentinos, o DSC dessa vez migrou para Arrecifes. Fabio Much e Gabriel Vesparock tomaram o vôo até lá, e tiveram do clube organizador duas Vespas para a viagem e giros locais. Foi um encontro emocionante, com direito à homenagem em forma de camiseta. E "Two Tone" tem 2T's.

PARQUE DA MOOCA - Em todo o terceiro domingo do mês acontece um tradicional encontro de autos antigos promovido pela A.P.V.A.E.S.P. Em quase todos comparecemos.


Findamos o ano cansados, até mesmo no vermelho. E valeu cada momento, cada dia, debate e suor. Temos muito carinho pelo que fazemos, é tudo coração. Trabalhamos todos os dias na SP, nos detalhes, na informação, e perdidamente resistimos, expandindo quando dá; e sempre, sempre da maneira mais independente possível, como quando nascemos em 2010. Podemos parecer qualquer coisa de bom ou ruim para quem está de fora, mas você pode ter certeza de que somos bem reais, brutos, tradicionais, mas somos aqueles por quem procurávamos. Estacionamos em 1998 (e até que fomos bem longe na Era do CDI). Agora é botar os pés pro alto e meditar um pouco. E porque não gostamos de rotina, pra variar 2015 vai ser bem diferente.

E outra vez o nosso muito obrigado a todos os leitores desse blog, scooteristas que rodaram conosco e participaram das chamadas, marcas e empreendedores que investiram e apoiaram os projetos, clubes parceiros e amigos que nos apoiaram, nos enchendo de moral até quando não merecíamos nada.

*A foto acima foi feita em um evento nosso; nem todos são membros, mas todos são amigos. Para saber quem somos.
*Não contamos como Calendário as reuniões semanais em nossa Sede, as recepções de gringos turistas sem motoneta, as reuniões de trabalho e estratégia, os giros espontâneos, os shows de rock'n'roll, os bares, e eventos com fundamento diplomático duvidoso.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

DIA DEL SCOOTER CLÁSICO #6 (ARGENTINA)

com Fabio Much e Gabriel Vesparock...

Estava eu terminando as missões do trabalho há 15 dias antes desse evento, foi quando recebi uma ligação de Joaquin Da Fonseca dizendo "Fabiuuuuu você virá para o DSC#6?" Aí eu disse "tudo bem", e comentei com o Grabriel, e ele disse "porra Muchiba, vou encarar contigo essa missão". Ficamos quatro dias em Buenos Aires e Arrecifes. E para variar lá se foram nossas economias em 2 tempos.



Por Fabio Much
Assim que chegamos no aeroporto internacional de Ezeiza, por volta do meio-dia, fomos recepcionados pelo nosso taxista que encontrava-se com uma placa escrita "Fábio Croce Santana". Quem sou eu? Já em ritmo de deboche fomos "flashando" tamanha satisfação. Do aeroporto fomos direto para o centro arranjar uma instalação humilde. E encontramos o Hostel Caoca. (Eu recomendo). Tirando o cheiro do ralo, até que era firmão. Em Buenos Aires acabamos pensando em dar um passeio, mas nos perdemos. Seria um passeio vespertino, que acabou virando noturno graças à bússula do Gabriel. Daí pra frente saímos a noite saboreando panchos e "tchoripete". Tudo isso a pé. O dia seguinte seria o grande dia. 

Na sexta-feira o nosso taxista oficial nos levou até a residência de Carlos Carliston, aonde estava só o seu filho e o ilustre Pedroli. O filho de Carliston nos deu em mãos a chave da Vespa desejou-nos boa viagem, e daí em diante é tudo o que eu já disse antes (mas não teve nada a ver com propaganda de refrigerante). Carlos Carliston nos emprestou uma Originale 150. Gabriel foi pilotando, e eu na garupa. O trânsito foi "de buenas", só tivemos algumas dificuldades com o funcionamento da Vespa, mas o Gabriel soube contornar a situação. A viagem de ida foi um pouco mais demorada pois paramos várias vezes para aguardar um vespista que não me recordo o nome. E enfim chegamos em Arrecifes.





Pedroli nos levou até o hotel aonde nos instalaríamos durante as duas noites de evento. Guardamos as bagagens, tomamos um banho, e fomos até o galpão aonde estava rolando a confraternização. Fomos muito bem recepcionados por todos os hermanos da RVA (Red de Vespistas Argentinos), em especial Jorge Pedroli, Joaquim da Fonseca, Pascual D'Abarno, Roy Sanchez e Lucho Testa, quem mais uma vez (no dia seguinte) veio nos alertar: "Scooteria Paulista, olha lá, vai pegar seu prêmio" - durante o sorteio dos souvenires. kkkkkkkk. Muita "brejaaaaa", e cansaço também. Uma hora da manhã nos retiramos do evento e fomos descansar para aproveitar o dia seguinte por inteiro e não pela metade. Durante o passeio questionei com o Gabriel a respeito da quantidade de Vespas e Lambrettas presentes; naquele momento passava de 80, calculando geral creio que foram no mínimo 110 motonetas. Ou como diria Pedroli: "talvez mais, talvez menos". kkkkkkkkkk



















O Hostel Caoca de Buenos Aires era bem ao estilo Gabriel "humyrdy". Já o Hotel Arrecifes era bem elegante. Posicionado na beira da estrada, possuía um bom atendimento e um agradável café da manhã, tanto para quem queria café puro com leite e acompanhamento, quanto para quem preferia no horário matinal uma boa e gelada "brejaaaa". Woooou. Eu por lá pilotei durante a noite e durante o passeio vespertino. Mas o mestre de cerimônias foi o pequeno grande Gabriel, que representou geral como se fosse um ancestral. Humilde, calado, mas um grande piloto, mecânico, e amigo. 

No dia 13, segundo dia do evento, rumamos pela manhã para um sítio com um stand de peças, acessórios e roupas. Um alô para a Bristol Modernist Clothing, que para a minha satisfação após sair da piscina, desprivilegiado de calção de banho, me impressionou com a bela remera (camiseta) que fizeram em homenagem à minha Vespa Two Tone. Adquiri algumas e retornei à piscina pois estava calor demais. Por volta das 4 da tarde, já recomposto das brejas e das emoções, partimos do sítio para um passeio pelas ruas de Arrecifes, momento em que eu pilotei a possante Vespa de Carliston. Em seguida voltamos para hotel Arrecifes, e algumas horas depois fomos até um Autódromo onde vários vespistas aceleravam amistosamente na pista de corrida. No autódromo ficamos de camarote, mas sentimos vontade de dar uma corridinha. Só que é aquilo: estávamos longe de casa, e como imprevistos são constantes em nossas satisfações, comentamos um para o outro: "melhor não". Foi aí nessa hora que me lembrei da ida ao Paraguai, e disse ao Gabriel "afaste de mim esse pensamento". Nos enturmarmos com outros membros da RVA que ainda não conhecíamos em tamanha satisfação. Naquelas horas pensava comigo: será que estou falando em português ou em espanhol? Diversão e satisfação regadas a muita simpatia, companheirismo, e deboche, bem daquele jeito que aprecio "dimaizzz". 


Na volta do evento Carlos nos emprestou uma outra Originale, só que essa o Gabriel explicará melhor pessoalmente sobre os potentes mecanismos do motor. E com ela voltamos de Arrecifes. "Bora" rodar mais 200 kms! Mas como "nóis é nóis", não poderíamos voltar de lá sem nenhum imprevisto: depois de uns 20 kms um estranho barulho vinha da Vespa, e aí o próprio Carlos pediu para pararmos pois tratava-se do escapamento que havia se soltado do suporte. E aí conseguimos dar aquele jeito brasuca (kkkkkkk): "e tome arame". Depois de toda amarração retornei de carro com Carlos, e o Gabriel voltou pilotando na carreira solo, sentindo fortes emoções, conforme ele mesmo nos disse ao vivo. Fizemos tranquilamente os 200 kms em menos de 3 horas, e chegando na casa de Carlos o nosso taxista oficial Daniel já nos aguardava para nos prestar o transporte até as nossa instalação "humyrdy". Durante o caminho de cortejo nos dava aulas de espanhol.




















O último dia foi aquele clima de saudades, mas ainda com o nosso taxista visitamos La Bombonera, o bairro La Boca, tiramos algumas fotos e partimos, pois o tempo já era curto. Na viagem de volta fizemos uma longa escala em Florianópolis, escala de 10 horas. Gabriel estava muito cansado e acabou dormindo bem ao encontrar as cadeiras massagistas. Eu fiquei tomando café e aproveitando a cadeira: gastei uns 30 reais massageando-me pois o corpo estava quebrado. Ao despertar já estava na hora de mais um embarque direto para São Paulo, quando tivemos o privilegio da carona de Dona Lívia, que foi nos resgatar e entregar o Gabriel na casa da Ana, e eu privilegiadamente no ponto em que saí na quinta-feira: bem na porta da nossa Scooteria Paulista.


E é isso! Foram 4 dias. Gabriel que estava fazendo sua primeira viagem internacional confirmou: a RVA é um grande grupo e possui grandes pessoas que realmente sabem fazer os eventos rolarem, com estruturas maiores para acomodarem os participantes, com companheirismo, e bom humor. Enfim, a RVA é "dimaizzzzzzz".

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

VESPARICANA E A SP (Alemanha / 3 Américas)

A bordo de uma P125, a mais baixa cilindrada já vista rodando as Américas a que se tem notícia, o alemão Alexander Eischeid viaja o continente de ponta a ponta. Seu projeto, batizado de Vesparicana, consiste em percorrer por solo do Alasca à Patagônica. Até o momento já foram 56 mil kms em um ano e meio de estradas. Falta pouco: mais três países e pronto. Só que não será tão fácil assim, tem mais 18 mil kms de chão até o dia 13 de março, quando embarcará de Buenos Aires para Körl, cidade-natal. Nesses quase cinco anos de Scooteria recebemos dezenas de viajantes da América e da Europa, e todos eles carregam algum estilo na moto, e Alex não foge à regra, e seu avatar era dos mais curiosos: uma legítima motoneta dos "Correos" da Espanha. Contaremos aqui um pouco sobre a passagem desse mensageiro da Alemanha.
(Parte 01, São Paulo e ABC, por Marcio Fidelis)


Terça-feira de 25 de novembro e eis que chega em nossa Sede o nobre aventureiro. Esperávamos por ele, e ele por nós. Aden Lamounier lembrará dessa por muito tempo, a surpresa de ouvir isso no primeiro brinde com Alexander: "no México os vespistas falavam que se viesse ao Brasil procurasse a Scooteria, na Colômbia, no Equador, no Perú... então decidi vir conhecer vocês", contou pra gente entre umas cervejas e outras das suas primeiras horas de Mooca. Tão logo provou da caipirinha no "bar da Ju-Juvem" na Rua Javari. Ébrios cambaleamos na chuva até a Sede, cantando alto qualquer Frank Sinatra pisando nas poças do caminho, rolando na correnteza beirando a descida da Madre de Deus. Praticamente dormiu molhado. (Ouvi algo a respeito das suas capacidades etílicas lá em Medellín, por isso então o colocaremos à teste daqui em diante).

Quarta-feira, 26 de novembro. Alex dormiu muito, acordou, comeu, dormiu de novo. Estava fadigado. Durante a tarde o levei à Scooterboys, oficina de customização do Marcelo China, na Mooca. Tarde de cerveja e Yalisoba, comandado pela chef Leika Morishita. Alex ficou embasbacado com a personalidade que transpira nas paredes daquele espaço, um lado obscuro do scooterismo clássico, extensão dos anos 80 britânico, que revivalizava a sua essência, a explosão juvenil e o modernismo dos anos 60.

Quinta-feira, 27 de novembro. Estava tudo combinado para uma concentração de boas-vindas na nossa Sede às 18h. Abrimos a primeira das muitas latas da noite, e recebemos os primeiros visitantes. Veio a Rosa Freitag, trazendo o Nuno e companhia. Veio o André Lopes, o Gabriel, o Favero, Assef, Muchiba, Leo Russo, Diego Pontes e Cintia, Daniel Turiani, eu e Debbie, Aden e mais amigos que agora me foge da memória. Delacorte subiu de Santos especialmente para trazer os cumprimentos ao errante. Alex distribuiu adesivos a todos, e me presenteou com um kit de ganchos para adaptar pneus comuns às estradas de terra (off-roads). Mais tarde me daria também seu par de rodas. Ele vinha preparado para tudo, era o viajante com mais peso e bagagem de todos os que já passaram por aqui. Racional e louco, numa só cabeça.

Sexta-feira, 28 de novembro. Mais um dia de ressaca, seguida de outra e de outra. Tão logo o alemão compreenderia que de caneco éramos tão capazes quanto os seus. Alex precisava trocar a tela do notebook, e dar um rolê na cidade, claro; então lá fomos, em duas Vespas ao centro velho. Em uma hora seu computador estaria em ordem, o que o deixou embasbacado, pois na Alemanha esse tipo de serviço em eletrônica levaria dias e custaria muito mais. Passeamos pelo centro, a pé e em Dois Tempos, também pela Estação da Luz e seu Parque defronte; jantamos no Mercado Municipal (sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau), e encaramos a "hora do rush" paulistana de sexta-feira. Nessa noite o nosso amigo recobraria seus escritos de viagem, atrasados desde que seu computador quebrara, no Chile.

Sábado, 29 de novembro. A convite do Deni Roque partimos para São Caetano do Sul assistir à palestra do Finho, vocal/guitarra da lendária banda 365 ("sem São Paulo o meu dono é a solidão"), na tradicionalíssima Rick and Roll Discos (since 1987). Aden foi conosco. Lá estava o Much, Favero, Diego e Deni (com família) em suas PX. Dia esse que renderia histórias e lorotas pra vovó. Antes de escurecer tocamos todos para Santo André tomar umas e outras ao som de Jimmy Cliff na Juke Box do Bar do Ceará. (Horas depois Diego e Cintia guiaram o visitante cansado para a Sede).


Domingo, 30 de novembro. Alexander Eischeid havia me contado que era carpinteiro e trabalhava com grandes estruturas. Coincidências da vida, pedi para que ele me ajudasse no projeto da cobertura extra no quintal da nossa Sede, desenhando a estrutura e o que fosse preciso para um leigo feito eu. Com as ferramentas na mala e o conhecimento na mente, ele não só explanou sobre o projeto como começou a trabalhar ali mesmo. Aos goles no tereré paraguaio preparamos as madeiras, o corte, as medidas, e depois que o Diego e o Everton trouxeram a furadeira, botamos tudo de pé. Mais ele do que qualquer um de nós fizemos ou faríamos. Passamos seis horas de trabalho intenso. Depois de findado o primeiro passo, saímos para um rango, nas entranhas da zona leste: a Fogazza do Sr.Zé, no bairro da Água Rasa. O lugar é parecido com aqueles quiosques argentinos: uma porta estreita e dentro a família preparando as massas e servindo os petiscos nas mesas distribuídas pela calçada. Nos sentamos do outro lado, beirando a movimentada avenida Salim Farah Maluf, encostado em nossas Vespas, brindando diante de uma inimitável porção de berinjela apimentada. Alex achava tudo ali muito lúdico, inédito. Ele gostava disso, da simplicidade das coisas, da vida pelo lado popular e espontâneo. Contaria do seu sonho literário, da carpintaria, do noivado, das viagens em Vespa pela Europa, da sua família, das estradas da América. Que dia!!

Segunda-feira, 01 de dezembro. Comprei as telhas, parafusos e itens mais, e a tarde trabalhamos duro na montagem do telhado: Aden, Alexander e eu. O gringo por duas vezes chegou a cair do alto e quebrar as telhas, mas como um ninja nato se salvou se pendurando como um pêndulo entre os sarrafos já fixados, o Bruce Lee alemão. E a poucos minutos antes de cair a tempestade o nobre carpinteiro findou o projeto. Nesse meio tempo eu pintava o madeirado. Estávamos orgulhosos, e se tivéssemos mais dias e dinheiro, faríamos uma casa inteira de madeira. Passada a chuva caiu a noite, e vieram alguns amigos: Koré, China, Oliver e Andrea. Noite de seresta, pizza e breja.

Terça-feira, 02 de dezembro. Depois de uma semana conosco o nosso amigo nos deixaria para conhecer o Cristo Redentor. Bem cedo o acompanhei até a Rodovia Presidente Dutra, aonde nos despedimos com emoção contida. Todas as vezes que recebemos um aventureiro com sua motoneta me sinto gratificado. Quase sempre eles - e nós, pois também somos aventureiros sem fronteiras - chegam fadigados, sem grana, necessitando de coisas mil; e fazemos o máximo para ajudá-los. Mas esse cara nos surpreendeu, veio como um mensageiro do "faça você mesmo"; deixando-nos o legado de uma obra incrível, expandindo nossos horizontes e enchendo a nossa bola. Determinado, engatou a primeira e sumiu para o Rio, com a promessa de visitar os nossos em Santos...

(Parte 2, Santos e Mairiporã, por Delacorte)

Sábado, 06 de dezembro. Pontualidade é uma características dos viajantes. O Alex não é diferente. No dia anterior ele avisou que se conseguisse chegar no sábado seria por volta das 18h, e chegou mesmo. Logo nos cumprimentamos e seguimos para o hostel onde ele ficou hospedado. Celebramos a chegada com cerveja e depois bebemos mais algumas em um posto de gasolina, onde encontramos o vespeiro Sam, antes dele voltar ao hostel para descansar.



Domingo, 07 de dezembro. Acordamos um pouco tarde, por volta das 9h00. Na noite anterior combinamos de ir até o restaurante Velhão, em Mairiporã, onde aconteceria o almoço de confraternização de fim de ano da loja Free Willy. Alex queria rever os amigos que fez em seus dias pela Mooca e se despedir da turma. Saímos de Santos as 11h30 com o tempo meio nublado. Na subida da Imigrantes pegamos a comum neblina. Na chegada ao planalto o céu se abriu para a nossa felicidade. Alex vibrou com a maneira como o tempo virou para um dia lindo de céu azul. Aproveitamos bem o Velhão com sua incrível variedade de ambientes, comidas e bebidas juntos da turma, e por volta das 17h decidimos voltar com medo que a ameça de chuva das nuvens no céu se tornasse realidade e complicasse a nossa volta para o litoral. Felizmente a chuva não veio e chegamos em Santos antes do sol se por. Depois, nosso amigo viajante descansou até o dia seguinte.


Segunda-feira, 08 de dezembro. Dia de trabalho. Alex foi guiado por seu GPS até o Empório Motoneta, onde demos uma geral  e um banho na PX viajante. Mais tarde nos encontramos novamente, para uma volta pela cidade e depois umas cervejas. Fizemos um giro pelo centro velho, porto e orla da praia, onde paramos para comer o famoso sanduíche do Zelito, tomar algumas cervejas e prosear (observações de Alex sobre o Brasil até aquele momento). Do pior, ele ficou de bobeira com a péssima qualidade da nossa gasolina, de termos que pagar mais caro por uma gasolina um pouco melhor, que ainda assim é pior que todas vendidas pela Europa, e o quanto a gasolina brasileira faz mal para nossas vespas. Do melhor, a hospitalidade brasileira e a imensidão do nosso país ganharam o coração germânico. Entre Europa e América, Alex foi direto: "a América, com certeza, por toda a simplicidade e pelo calor humano que os países exalam". Depois dos sanduíches e da prosa fomos para a saideira no posto de gasolina e encerramos a noite.


Terça-feira, 09 de dezembro. Fui até o hostel deixar algumas de suas bagagens que ficaram em minha casa por questão de espaço e nos despedimos enquanto Alex carregava a sua vespa viajante para seguir em diante. Dei as coordenadas a ele para que seguisse rumo a Curitiba. De todos os viajantes que conheci, foi a vespa mais carregada que vi.

Alexander Eisheidt é um europeu incomum. Motivado por questões subjetivas se revelou uma espécie de beatnik dois-tempista, apesar de toda uma boa criação e prosperidade profissional. Foram dez dias conosco, o que nos encheu de satisfação, pelo visto, recíproca, traduzida no seu relato sobre nós: http://vesparicana.jimdo.com/deutsch/süd-amerika/52-mods-und-skins/

Thanx bro'. See ya, you know where.