segunda-feira, 23 de março de 2015

A PM DE PX


(Que São Anivespaulo foi esse?) Num domingo de 1986 a Polícia Militar de São Paulo promoveu um desfile de inauguração da sua nova frota vespista, com o apoio da Concessionária Volare. Foi na Mooca, começando aí, na Rua Juventus.

Muito obrigado Adalberto Casa pelo registro compartilhado.

quinta-feira, 19 de março de 2015

ACAMPAMENTO DE VERÃO #2

Nesse final de semana aconteceu a segunda edição do Acampamento de Verão, um evento ainda tímido porém bastante amistoso, aonde o que prevalece é a boa vontade de estar em comunhão, curtir a estrada e uma das praias mais bonitas do nosso Estado. E muito por causa dos grandes acontecimentos do verão (Natal, Reveillon, São Anivespaulo e Encontro Nacional), optamos por fazer menos alarde a respeito do Acampamento. Ainda assim uma dúzia cumpriram a missão, sendo eles da SP ou não, vindos de São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Santos e São José do Rio Preto. E outra vez é o Favero quem contará como foi.


Por Raphael Favero

SÁBADO 7h45 da manhã e tudo pronto, com o Much na garupa para mais um passeio. Olha, já estou ficando velho em passeios e viagens, porém a ansiedade é a mesma de antes. Ele veio na minha garupa já que está cumprindo punição por muitos e muitos pontos na CNH. Na concentração tomamos mais café, abastecemos, calibramos os pneus e aguardamos a chegada do restante. Chegou dois caras gente fina de São José do Rio Preto, um município a 450 kms distante da capital. Era o Marcelo e o Júlio com suas PX200. Batemos um papo, ligamos as motonetas e partimos pela Ayrton Senna até o trevo de São Miguel Paulista, próximo do Bairro do Pimentas - quase Guarulhos -, onde estavam o Gabriel "Joaninha" e o seu fiel escudeiro Marcelinho, ambos de PX200 também. Conforme o combinado, o Gabriel puxou o grupo de cinco Vespas por um caminho diferente do ano passado, por dentro das cidades, cortando caminho. E assim fomos, no meio do trânsito, num emocionante giro ao "estilo motoboy", como disseram os Rio-Pretenses. Bateu um certo alívio quando chegamos na rodovia onde estaria o Guilherme Castrezana, que ainda não havia chegado. Cinco minutos depois chegou, mas com a notícia de que não iria até o acampamento, somente até o mirante da Mogi-Bertioga.

O caminho foi muito legal. Estávamos em seis PX200 debaixo de um céu nublado mas sem chuva. A descida foi show, todos tocavam suas máquinas com maestria naquelas curvas abertas ou super fechadas. Todos foram nota 10. Nos despedimos então do Guilherme e voltamos para a pista até a reta final da Serra do Mar. E foi lindo ver os movimentos dos braços do Joaninha e do Marcelinho, que com os punhos cerrados comemoravam e agradeciam o fim da descida, caminho esse que merece muito respeito. Na minha opinião essa é a parte mais bonita de toda a viagem.

Chegamos no posto combinado com o Gustavo Delacorte, na Riviera. Lá estavam ele, o Luca Perucchi e o Francesco, seu filho. Tinham acabado de chegar, estava tudo muito certo. Tomamos um café e aceleramos os 55 kms finais. Éramos sete Vespas. No meio do caminho havia um guarda, havia um guarda no meio do caminho. E não é que ele nos parou? Porém achou até legal e perguntou rindo: "é o clube das Vespas"? Então pediu os documentos, mas somente para anotar que havia feito suas devidas abordagens. Todos estávamos com os papéis em ordem, então fomos liberados e continuamos o nosso caminho por uma das paisagens mais maravilhosas do litoral paulista. Foi quando em um posto já bem próximo do destino aparece ele: Marco Tulio Parodi, o cara. Então entramos na rua do camping e fizemos uma visitinha rápida ao sr.Cristóvão, que ficou muito feliz em nos ver. Porém, conforme já sabíamos, ele não poderia alugar o espaço pois seu irmão fazia uma festa de aniversário de 90 anos de vida, com familiares e amigos. Nos instalamos então em outro camping, a 40 metros dali.


Ao chegarmos o Sr.Rubinho, conhecido do Parodi, nos fez um preço bem bacana. Depois das barracas armadas (no bom sentido da coisa) organizamos uma vaquinha para o churrasco, quando o Delacorte e o Parodi cuidaram de todo o resto. Um trampo firmeza dessa dupla que fez as coisas de muito coração, e bem-feito. Churrasqueira e isopor bem abastecidos e arrumados para a festa. E a festa começou, e foi foda, foi louca, sei lá. Tudo numa perfeita harmonia. Mais para o fim da festa chegaram o Reginaldo, a Rose, o Diogo e a Marli, que vieram de carro pois haviam trabalhado até o meio da tarde na capital. Chegaram com a corda toda. Aí a festa começou de novo. Uma nova e pequena vaquinha aconteceu e lá foi o Delacorte de novo para as compras, para a felicidade geral da galera.

Depois de muita confraternização fomos para a praia, e como de costume, com umas brejas e muita criatividade para os nossos conhecidos e esperados vídeos trash. Foi um grande final.

DOMINGOAcordamos as 9h da manhã, e o Marcelo e o Júlio já tinham ido embora cedinho para São José do Rio Preto. O Marcelinho de Ferraz de Vasconcelos, que tinha ido embora no sábado à compromisso, voltou no domingo junto com o Eliseu, da PX200 vermelha - haviam se encontrado na estrada. Ao chegarem ouviram elogios da nossa turma porque saíram cedo e viram que fomos dormir muito tarde e não quiseram nos acordar. Quando chegaram no camping, com pão, toddynho e frios, alguns haviam saído para tomar café na rua e começar os preparos para curtir a praia. E foi foda! Suamos como sempre no mar, surfamos e tudo o mais... Olha, a Scooteria vai virar uma equipe de surfistas também.

Perto das 13h saímos para o almoço num restaurante indicado pelo Parodi. Marmitex responsa, comprados na maior satisfação. Nos alimentamos e então começamos a levantar o acampamento. As 16h entramos na Rodovia sentido capital. Na saída de São Sebastião abastecemos, e o Parodi havia trazido um colega vespista, o Marcio Terrabuio, com sua Vespa Originale 150. Eles nos acompanharam então até a metade do combinado pois a chuva apertou. Em Riviera tomamos um café e colocamos as capas de chuva. Então Delacorte e o Luca com Francesco seguiram para Santos, e nós (Favero, Much, Joaninha, Marcelinho e Eliseu) subiríamos a movimentada Mogi-Bertioga debaixo de forte chuva. A subida foi bem feita e em pouco tempo já estávamos no planalto, aonde o primeiro a sair foi o Eliseu. Paramos no posto para a última abastecida e despedidas - eu seria o próximo a pegar o Rodoanel sentido Ayrton Senna pois moro na Penha. Esse último trecho foi feito sob forte chuva e tráfego na rodovia. Mas deu tudo certo. Quando tudo acabou era só agradecer a Deus por tudo ter sido perfeito, e esperar o próximo. Valeu a todos!!!

sábado, 14 de março de 2015

1964: DUAS TRIBOS

A imagem é de 1964 e estamos com dúvidas sobre qual motoneta poderia ser aquela. Uma Vespa, Lambretta, Iso, que catso? Mas ao que tudo indica é uma Lambra LD...


Apesar dos pesares, esse clube não tem preferência política, nem terá, ao menos enquanto nos deixarem em paz com nossas motonetas. Todas e quaisquer manifestações dos nossos membros nas redes sociais são da liberdade do indivíduo de exercer o seu direito (ou até mesmo o seu dever) de ser pensante (ou não).

Busquem conhecimento.

quarta-feira, 11 de março de 2015

DA EXPEDIÇÃO DA SP AO ENCONTRO NACIONAL EM TAPEJARA (A VOLTA)

O VI Encontro Nacional de Vespas e Lambrettas em Tapejara (RS) foi incrível. O evento reuniu mais de cem motonetas de RS, SC, PR, SP, Paraguai e Argentina. E claro que não poderíamos ficar de fora dele. A SP estava lá, representada pelos figuras Raphael Favero (S.Paulo), Rafael Assef (S.Paulo), Gabriel "Vesparock" (Ferraz de Vasconcelos), Gustavo Delacorte e Karla (Santos) e Reginaldo Silva e Rose (S.Paulo). O evento foi um êxito, com mais de cem motonetas e participações internacionais, mostrando mais uma vez que o Estado do Rio Grande do Sul é um ostentoso celeiro da cena nacional. Registramos a nossa participação e colaboração para mais essa empreitada dois-tempista, nas palavras do Raphael Favero (em fonte normal) e do Gustavo Delacorte (em itálico).


TERÇA-FEIRA

Acordamos 8h30, cansados e de ressaca. O senhor "Mucha" - como apelidamos o pai do Rafael Dallagasperina - havia dito: "aqui as 7h05 o sol já está forte no céu. Esperamos o Delacorte levar a Karla Jales até a sua carona para Curitiba. Então partimos, éramos: Assef, Gabriel, Delacorte, eu e os argentinos Nano Aliaga e Christián Orellano. Quatro Vespas com motor de PX200 nacional, e duas nas 150 cilindradas. Nos primeiros quilômetros da viagem percebemos que o ritmo da volta seria mais lento mesmo; mais devagar do que estamos acostumados. Fizemos a primeira abastecida depois de 50 kms. Decidimos, nessa parada, que a gente iria parar a cada 110 kms rodados. Como o grupo tinha se dividido e aberto muita distância na pista, parei antes da quilometragem combinada, para nos certificarmos de que estava tudo bem com os últimos. (Ouvi uma reclamação até, mas tocamos). Sempre que parávamos, era questão de dez ou quinze minutos para a chegada dos argentinos e do Delacorte. Sobre a rota o nosso combinado era assim: se houvesse uma rotatória e a gente precisasse entrar à direita ou esquerda, um de nós pararia nela para sinalizar a direção aos que estavam mais atrás. Fora isso, sempre reto. O Christián é muito sabido. Dada hora pegamos uma pista ruim, e decidimos parar num posto para esperá-los. Um caminhoneiro nos avisou que havia três Vespas no acostamento. Eles tinham parado para verificar o mapa. Os caras quase não comiam, ou comiam rapidamente. Os argentinos são acostumados a rodar quase 200 kms até a parada. Pra gente não rolava pois quanto maior a cilindrada, maior o consumo. E assim tocamos até a boca da noite até o município de São João do Triunfo. Queríamos rodar mais, só que nossos faróis quadrados não iluminavam o suficiente, e tínhamos também as barracas amarradas nos bagageiros dianteiros. Minutos antes da parada o Gabriel tomou um susto, uma cadela cruzou a pista com seus filhotes. O susto serviu de alerta. Eu decidi parar ali, os outros também. 


Por falta de tempo e necessidade de chegar ao trabalho, a Karla voltou de carona até Curitiba, com o Luis Souza, do Vesparaná (valeu, cara!), e depois pegou um ônibus até o interior de São Paulo, onde mora. Já eu, segui rumo a estrada, dessa vez com Assef, Favero e Gabriel, além do Nano e do Chris, de Córdoba. O retorno pra casa foi muito bom. Pegamos pouca chuva e na maior parte do tempo a baixa velocidade somada ao tempo rasoável, até com sol em alguns momentos, nos proporcionou belas paisagens. No primeiro dia rodamos cerca de400km e pernoitamos em um hotel muito bacana em São Francisco do Sul (SC). Na manhã seguinte rumamos para São Paulo para mais 640 km.



QUARTA-FEIRA

Acordamos cedo, tomamos um bom café e abastecemos. Tocamos até a rodovia as 7h40 da manhã. De lá pra cá mantemos o mesmo esquema. Erramos o roteiro em Ponta Grossa mas rapidamente corrigimos. O comboio tinha uma média de 70 km/h, divididos em dois: Assef, Gabriel e eu mais à frente, e Delacorte, Christián e Nano a uns quilômetros atrás. Então quando parávamos (a cada 110 kms), a gente que estava na frente tínhamos mais tempo para descansar e nos alimentar. Os outros eram mais ligeiros na parada: abasteciam, comiam rapidamente e quase não descansavam, queriam tocar logo a viagem pra casa. Esse ritmo estendia mais o nosso tempo na estrada em cerca de quatro horas. O cansaço batia e a noite caia. Viemos bem até o KM 54 da Castelo Branco, quando tivemos um desencontro numa das paradas para abastecimento. Ali tomamos um café, já nos sentindo em casa. Ali nos despedimos, a viagem tinha ares de fim. Nos próximos quilômetros da Castelo a gente se dividiria de fato para o rumo das nossas casas. Dever cumprido, e muita satisfação pela trip, era o que sentíamos em meio ao cansaço. Vale lembrar que estávamos em contato direto com a SP pelo WhatsApp do grupo, e foi por onde marcamos o churrasco na Sede do clube no domingo, junto ao aniversário da Rose Moreira. Na Marginal Tietê me despedi do Assef e do Gabriel "Joaninha", enquanto o Delacorte seguia com os argentinos para a Vila Mariana. 


Faltando cerca de 240 km para chegar em São Paulo o soquete do farol da minha vespa fritou e eu não havia levado um reserva. Foi a hora do nosso amigo Nano, vulgo Jesus Cristo, entrar em ação e me dar uma luz! Ele sacou uma lanterna estroboscópica muito boa, que me disse ter ganho de seu irmão, amarrou na frente da minha vespa e, acreditem, seguimos viagem pelo fim de tarde e noite afora (valeu, irmão do Nano, que deu a lanterna pra ele, e Nano, por me dar uma luz divina que salvou o resto da viagem). Na chegada de SP nos dispersamos. Favero, Assef e Gabriel seguiram pela Marginal Tietê equanto eu, Nano e Chris seguimos pela Marginal Pinheiros, onde terminamos a nossa rodagem do dia próximos da Vila Mariana.
Com certeza texto algum irá conseguir descrever bem como foi todo o mix desentimentos e satisfações ao longo de toda essa viagem, mas pelas fotos e vídeos já dá pra dar um gostinho. Obrigado Karla por me acompanhar nessa, aos Tapejara pela organização, Ito e Luiz Souza do Vesparaná pela força e ao Nano, Chris, Assef, Favero e Gabriel pelos 1100km no retorno, juntos em vespa na estrada!

segunda-feira, 9 de março de 2015

ACAMPAMENTO DE VERÃO #2

Nos dias 14 e 15 de MARÇO, já encerrando o verão, faremos o mais intimista dos eventos da classe, um acampamento na praia. Novamente ele acontece em São Sebastião, e ainda de modo experimental, ou seja, vamos e decidiremos tudo lá, inclusive o camping aonde vamos ancorar. Deu certo e continuará dando pois esse é um evento de amigos e bem-dispostos.



Preparem barracas, verifiquem documentos, condições dos pneus, elétrica e parafusos gerais pois a viagem é um pouco longa. Leve a sua barraca e seu saco de dormir. Escolheremos o camping mais próximo da orla e de algum mercado. Relembrando que esse é um evento intimista e experimental, e o objetivo dele é exclusivamente acampar e curtir uma praia antes do frio que vem aí. Você que vai ou tem interesse, entre em contato conosco que repassamos mais informações: scooteriapaulista@gmail.com

Concentração em São Paulo às 8h;
Concentração em Santos às 8h;
Concentração em Mogi das Cruzes as 9h30;
Concentração em Bertioga (Rio-Santos x Mogi-Bertioga) às 11h30;
Concentração em São Sebastião (Cambury) às 13h.
Volta no domingo dia 15 às 13h.

sexta-feira, 6 de março de 2015

VI ENCONTRO NACIONAL - TAPEJARA (RS)

O VI Encontro Nacional de Vespas e Lambrettas em Tapejara (RS) foi incrível. O evento reuniu mais de cem motonetas de RS, SC, PR, SP, Paraguai e Argentina. E claro que não poderíamos ficar de fora dele. A SP estava lá, representada pelos figuras Raphael Favero (S.Paulo), Rafael Assef (S.Paulo), Gabriel "Vesparock" (Ferraz de Vasconcelos), Gustavo Delacorte e Karla (Santos) e Reginaldo Silva e Rose (S.Paulo). O evento foi um êxito, com mais de cem motonetas e participações internacionais, mostrando mais uma vez que o Estado do Rio Grande do Sul é um forte celeiro da cena nacional de fato. Registramos a nossa participação e colaboração para mais essa empreitada dois-tempista, nas palavras dos Rafael's Favero e Assef e Delacorte em itálico.


SÁBADO 
Quando chegamos na borda de Tapejara paramos as Vespas num recuo de firma e nos abraçamos. Andamos mais uns metros e paramos num posto BR, quando nos apontaram para a direção do evento. Chegamos as 18h30, e já no portal do evento a recepção era das mais calorosas.  A alegria dos Tapejaras era imensa ao nos ver. Eles não estavam acreditando que íamos rodando, assim como outros tantos conterrâneos. Eles nos conheciam do Encontro Nacional de São Paulo, de onde nutrimos uma amizade. E quando entramos na tenda tudo virou festa, junto aos estrangeiros amigos que nos aguardavam: Nano Aliaga, Christián Orellano, Jorge Colman e Diego Lopez. A primeira coisa que tínhamos que fazer era procurar pelo Rafael Dallagasperina, que havia combinado com o Delacorte que a SP se hospedaria em sua casa, Sede dos Lambreteiros Tapejara.  Por lá acomodamos nossas bagagens dentro das barracas. 

Assef, Gabriel e Favero

Já em Tapejara não foi difícil encontrar a praça onde o evento se concentrava. Assim que chegamos, eu e Karla, avistamos diversas motonetas estacionadas mas quase ninguém por perto... logo descobrimos que todos estavam em um almoço 2 km mais a frente. Fomos direto para lá, estacionamos a nossa vespa guerreira viajante e demos um sonoro oi para todos, a começar pelo japonês Ito, do Vesparaná, que no dia anterior chegou a oferecer ir até São Cristóvão do Sul, onde ficamos na noite anterior com problemas no pneu traseiro: "JAPONÊS!!!", gritei. O salão todo virou as atenções para nós e fomos calorosamente recebidos pelo pessoal dos diversos clubes presentes. Com um mix de entusiasmo por finalmente ter chego na cidade e estar reunido com a galera, e fome, logo tratamos de fazer nossos pratos e almoçar, afinal mais alguns minutos e o pessoal já partiria de volta para a praça, onde de noite aconteceria uma grande festa que eu estava muito afim de ir... e perdi! Depois do almoço fomos para o QG dos Lambretteiros Tapejara para montar a nossa barraca, tomar um banho e nos acomodarmos. E nos acomodamos muito bem, tanto que deitamos para tirar um cochilo e acabamos dormindo demais e perdemos a festa! Uma pena, temos certeza que foi muito boa porque quando a galera dos clubes se reúne para fazer festa é sempre ótimo.

Leo, Delacorte, Danilo, Assef, Nano e Karla

A noite fomos para um moinho de trigo convertido num bar. Todo mundo com suas motonetas, e as crianças dos Tapejaras por lá, no uniforme branco e azul. Estávamos bastante cansados, e naquela noite sentimos o frio gaúcho. Perto da meia-noite chegou o Reginaldo e a Rose. Tomamos umas brejas e fechamos o sábado esgotados.


DOMINGO

Cedo o pai do Rafael, o sr.”Mucha”, nos levou pra conhecer mais do seu acervo em sua casa: um FNM, um Alpha Romeo; nos mostrou a cozinha que antigamente era o quintal aonde ele fazia funcionar a sua primeira Lambretta Standard D (azul).

Com o comboio reunido na praça partirmos para o CTG, Cento de Tradições Gaúchas, aonde almoçamos. Rolou um discurso. Todo Encontro Nacional tem o seu momento de desabafo e decisões coletivas, e nesse algo diferente se passou: a maioria dos clubes se manifestaram pelo fim do falatório e picuinhas inter-clubes promovidos nas redes sociais e visitações. Ali contamos 80 motonetas reunidas, e experimentamos a cerveja Polar. Foi um grande momento. De lá partimos para a Igreja da cidade de Ibiaçá, aonde fizemos a foto oficial do encontro - no topo desse post. Também passamos na Igreja de Tapejara.

Notícia: Nano, El Chila, Christián, Colman, Favero
A noite voltamos para a “arena”, que funcionava como uma central do evento. Na verdade essa base nunca parou de funcionar, as motonetas saiam para passear mas ficava ali duas barraquinhas de mercado de pulgas. Tinha uma barraca da APAE com pastel, cachorro quente, cerveja e chopp. O palco ficou armado, com um DJ tocando algo. No portal do evento ficava a equipe dos Lambreteiros Tapejara, aonde vendiam convite, combos, camisetas, bandanas etc. O Gabriel, o Assef e eu fomos descansar na barraca. As 19h30 voltamos para a festa, aonde foi uma loucura que só. Rolou uma premiação para os participantes por méritos pelos feitos. E a festança toda não parava.

Eu curti a festa até "a última ponta". Pulamos, dançamos, confraternizamos, lanchamos, bebemos ao som da banda The Travellers, e outra que não lembro o nome. Numa lanchonete a metros do evento passamos o restante da noite com uma galera, diante do acampamento dos Herdeiros do Passado e Vale dos Sinos SC, no Paulo Motos. A turma fez um puta fervo ali perto, que perdemos por vacilo. Nisso apareceu o Pedro Alejandro, o argentino lambreteiro, estava balançando de ébrio, com uma garrafa patche cortada na metade, com fernet e Coca. Delacorte encontrou o cara perdido na cidade.


SEGUNDA-FEIRA
Muita gente já tinha ido embora quando o dia nasceu. O ônibus do Clube da Lambretta de Santa Catarina já tinha ido. A gente foi para um posto na estrada, numa churrascaria, aonde os preços eram "quase de graça" e a comida muito boa (por 15 Reais). O evento já tinha esvaziado, mas a programação seguia de pé. Reginaldo e Rose visitaram uma fábrica de doces e chocolates da cidade. A tarde fizemos um rolê pela cidade, suave, por Tapejara. No fim de tarde voltamos para a tenda, a base do evento, debaixo de um tremendo e irreconhecível calor gaúcho. Nisso o Ito teve a idéia de fazermos uma gincana. Pegaram cones, pegaram tinta e giz, e fizeram um circuito com diversos desafios. Essa segunda-feira foi show! A noite, depois de desabrigado um dos campings, fizemos um churrasco seguido da premiação da gincana. Eu fui novamente ao microfone em nome da Scooteria Paulista. Reconhecemos e registramos também que as mulheres de Tapejara estão de nota mil. São muito trabalhadeiras, e não deixaram faltar nada, traziam arroz, farinha, farofa, salada, tempero, além de também cuidarem do churrasco enquanto os rapazes trabalhavam na programação. No meio da noite saímos para passear pela cidade; visitamos uma casa noturna, e rapidamente voltamos pro alojamento, cansados, para matar mais uma latas de Polar.

Tiramos o dia basicamente para descansar. Pela manhã, a maioria dos presentes já estava de saída. Continuamos pela área junto com os amigos de Santa Maria, Curitiba e, é claro, Tapejara (se me esqueci de alguma outra região, me desculpem pela falta de atenção).  De tarde, fomos surpreendidos pelos Tapejaras. Eles improvisaram um circuíto para uma gincana, com tiro ao alvo com dardos, bilboquê, perna de pau, zigue-zague e chute ao alvo com uma bola. Foi muito legal! Raphael Assef e Reginaldo Silva trouxeram pra SP os prêmios de primeiro e segundo lugar. 


Muito obrigado Lambreteiros Tapejara, e ao Joilson Schmidt, que foi o nosso guia e amigo durante esses três inesquecíveis dias de Tapejara. Valeu a todos os clubes e participantes. Até o Curitiba em Vespa e Lambretta então... 

segunda-feira, 2 de março de 2015

ENCONTRO NACIONAL NA RÁDIO TAPEJARA

O VI Encontro Nacional de Vespas e Lambrettas em Tapejara (RS) foi incrível. O evento reuniu mais de cem motonetas de RS, SC, PR, SP, Paraguai e Argentina. E claro que não poderíamos ficar de fora dele. A SP estava lá, representada pelos figuras Raphael Favero (S.Paulo), Rafael Assef (S.Paulo), Gabriel "Vesparock" (Ferraz de Vasconcelos), Gustavo Delacorte e Karla (Santos) e Reginaldo Silva e Rose (S.Paulo)...


A Rádio Tapejara estava lá, e realizou um cobertura especial do evento. No vídeo acima estão o Gustavo Delacorte (Scooteria), o Paulo Godinho (Lambreteiros Tapejara), o Nano Aliaga e o Christián Orellano (Vespa Club Córdoba). Clique no quadrado.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

DA EXPEDIÇÃO DA SP AO ENCONTRO NACIONAL EM TAPEJARA (A IDA)

O VI Encontro Nacional de Vespas e Lambrettas em Tapejara (RS) foi incrível. O evento reuniu mais de cem motonetas de RS, SC, PR, SP, Paraguai e Argentina. E claro que não poderíamos ficar de fora dele. A SP estava lá, representada pelos figuras Raphael Favero (S.Paulo), Rafael Assef (S.Paulo), Gabriel "Vesparock" (Ferraz de Vasconcelos), Gustavo Delacorte e Karla (Santos) e Reginaldo Silva e Rose (S.Paulo). Contaremos essa história em três etapas: a ida, o evento, e a volta. A começar pelos relatos de Favero e Delacorte abaixo, que seguiram por momentos e rotas diferentes.

RELATO 1: Por Raphael Favero e Rafael Assef


Sexta feira 13, e seus medos e supertições. As 4:30 em ponto partimos de café tomado e tanques cheios, uma felicidade que era vista em nossas caras. Quase nem frio sentíamos era pura adrenalina. Saímos de um posto da Marginal Tietê logo depois da Ponte do Limão, no meio do caminho de todos, todos! Sim, Rafael Assef, Gabriel Vesparock e eu, Raphael Favero, o "Trio Ternura" nas Vespas Super e PX200. Isso sem descrever toda a ansiedade dos dias anteriores a viagem, a preparação e a despreparação que envolve realizar uma longa rota de asfalto. Digo preparação porque realmente nos preocupamos e tentamos arrumar a Vespa, o corpo e a mente para um longo percurso no qual não saberíamos exatamente o que iria acontecer. (Nossas Vespas são antigas e por isso precisamos ser cautelosos). Despreparação porque até a hora de pegar a estrada de fato, a possibilidade de desistência é gigantesca. Você pensa na sua mulher, pensa no seu filho que acabou de nascer e a cabeça não para de pensar; vou ou não vou. E fomos.

Seguimos sentido Rodovia Castelo Branco. Ainda no km 35 veio o susto: estourou o pneu de um carreta. O estrondo vibrou dentro da minha barriga. Não deu outra: pedaços enormes de pneu na pista. Desviamos friamente, com a habilidade de só quem anda nas ruas de São Paulo poderia ter. (Quem anda no dia-a-dia sabe do que estou dizendo). Talvez tenha sido bom aquele susto no começo; deu para a ficha cair e a gente se ligar que era só o início da expedição. Faltaria ainda 1030 kms até o maravilhoso encontro. Depois falamos do tal.

Aceleramos o resto da madrugada com os faróis sem muito efeito, além do que já estávamos com o bagageiro dianteiro carregado, e com isso a luz não chega ao chão. Porém a estrada nesse início era muito boa, e continuamos até a nossa primeira parada. Num posto da Rodovia Raposo Tavares tomamos outro café e conversamos de fato sobre a rota a ser feita, já que tínhamos ela em nossos telefones celulares (ôh! dependência infinita!). Eu tinha esquecido de imprimir a rota, aquele fornecida pelo Google Maps, mas com anotações sobre avulsas sobre as paradas etc. E isso seria mais ou menos assim: a cada 100 kms rodados a gente pararia para abastecer e começar a entender o consumo das Vespas.

O Favero foi o grande roteirista dessa viagem. Fizemos uma reunião na sede da Scooteria Paulista, um pouco conturbada, onde decidimos qual a melhor rota: a mais rápida ou a mais segura. Decidimos pela mais segura óbvio. De quebra ganhamos a mais bonita também! Após escolher a rota, Faverão, "dexavou-a" em
texto. Com todas as estradas pelas quais iríamos passar, todos os entroncamentos que iriamos cruzar ou adentrar, referência de postos e cidades mais importantes, quilometragens, possíveis pontos de parada para pernoite, quilometragem desejada para o primeiro dia de viagem e possíveis extras, caso estivéssemos adiantados no roteiro. O ponto fraco do nosso roteiro foram os postos de gasolina que não foram bem estudados ou achados nos mapas! Para seguirmos o roteiro pensamos sempre em rodar 100 km e parar para reabastecer e dar uma esticada nas pernas. Com os argentines, Nano e Cris, vimos que eles fazem de outra forma. O que acredito é que não existe uma fórmula. Existe uma vivência!!!


Me bateu um certo nervosismo, um certo "piriri", e tive que parar mais uma vez antes do combinado. Fiquei aliviado duas vezes, uma deles você já deve imaginar o por quê. Era muito bom ver o Assef indo também nessa viagem pois ele já tinha ido para o Paraguai sozinho. Eu estava num lucro tremendo. Somente o Gabriel "Joaninha" que parecia estar sempre com aquela calma que só ele tem, aquela cara de menino triste. Assim seguimos na estrada, com o dia abrindo e o trânsito muito calmo. Quando passamos por Capão Bonito pra mim foi maravilhoso, porque a cidade era uma das referências do nosso mapa. Estávamos tão entrosados que era mágico ver tudo passando (até que bem rápido). Havia ali um último posto só que não sabíamos, e chegamos em Taguaraí com os três tanques quase vazios. Ainda não havíamos enchido os galões. Ali completamos tudo e mais um pouco e partimos rumo à Itararé, divisa com o Paraná, aonde abastecemos novamente e lanchamos. O "Joaninha" aproveitou para completar o óleo do câmbio que parecia estar um pouco baixo. Eu acho até que era um modo de se sentir um nervoso um pouco mais agradável do que os nossos (se é que você me entende). Daí pra frente foi só alegria.

Essa primeira parte da viagem foi muito importante para vermos como nossas vespas estavam e também, para sentirmos o grau de entrosamento entre a gente. Nunca haviamos viajado um com o outro. Principalmente por uma longa distância. No meu ver, foi uma tocada perfeita até chegar em Tapejara. Um olhava pelo o outro e, ao mesmo tempo, puxava, o outro, pra andarmos sempre próximos. Existiu uma conversa muito produtiva. Muito equilibrada e sincera. Sem qualquer forma de discussão ou de briga. Seguimos o roteiro e aceitamos os contra tempos um do outro sem o menor motivo para crise. Foi lindo porque ai você consegue relaxar e curtir a paisagem, curtir a estrada de fato. Sua cabeça vai longe e flana em pensamentos. É muito gostoso.

É engraçado mas durante o percurso fui conhecendo melhor meus companheiros de viagem! O Faverão, que já conhecia um pouco mais, é o homem da organização, do esforço, da meta, do racional. Ele trabalha e se esforça muito para seguir os passos corretamente, para tudo acontcer direitinho e, tudo aconteceu. O Gabriel, que conhecia um pouco menos, é o menino curioso, ele aceita um planejamento mas tudo acontece de fato durante o percurso onde as coisas podem mudar. Não há uma necessidade, para ele, da exatidão, ele funciona no imaginativo, no sonho sendo realizado. É ai que o menino triste mostra seu sorriso.
No meio da tarde chegamos em Ponta Grossa (PR), debaixo de uma chuva daquelas. Não havia mais nenhum buffet aberto porém numa lanchonete nos fizeram quatro lanches de primeira a um preço quase nada. Dos 650 km que havíamos planejado para o primeiro dia, eles se tornaram 720 km. O que nos fez aportar em União da Vitória e Porto União. Chegamos com Deus segurando o sol com as mãos aceleramos até Porto União. As 20h20 escureceu, no minuto em que paramos na porta do hotel. Essas são duas cidades de fronteira entre Santa Catarina e Paraná na qual, a antiga linha do trem é que faz a divisa das cidades e dos estados! Cidadezinha dos anos 50 maravilhosa, com arquitetura de época! Linda. Dormimos em um hotelzinho, um predinho de uns 4 ou 6 andares, antiguinho! Bem bacana! Dividimos um quarto para os três por um preço muito bom! Quarentão por cabeça com banheiro no corredor, o que se tronou um empecilho para o Faverão. Tomamos um delicioso banho quente e fomos para a rua comer algo e beber uma cerveja pra relaxer o corpo! Detalhe: o
estacionamento do hotel ficava no prédio do antido cinema da cidade! Maravilhoso ver os restos e conseguir aos pouco identificar onde estávamos guardando nossas Vespas. Essa noite foi a noite das brincadeiras e da diversão. Foi onde surgiu o “De Various” como apelido para o Faveiro e mais tarde para a nossa viagem e já no quarto do hotel, "Duque de Cambriedge", que depois de Tapejara se tornaria 
"Duque de CambriTchê". Porque? Não sei. Vocês tem que perguntar para o Faveiro ou para o Gabriel. Apagamos na cama! Cansados e felizes. Viva!!! Descançar, tomar uma breja, lanchar e dormir.
O SEGUNDO DIA ...

Dia seguinte acordei um pouco mais cedo e fui procurer um banco para sacar um cash (estava só no cartão). Aproveitei pra dar um rolê na cidade, coisa que adoro: ver e tentar entender como as coisas são. Saquei meu dinheiro, dei meu rolezinho a pé, comprei algumas tranqueirinhas, passei na feira de produtos naturais, mel, ervas e coisas do tipo, realizada na antiga estação de trem. Maravilhoso o lugar. No momento ela se encontrava desativada mas muito bem preservada inclusive com uma maria fumaça e seus vagões. Lindo! Voltei para o hotel e fui de encontro, na mesa do café, com meus dois comparsas! Comemos, falamos mais besterias e subimos para arrumarmos as malas para pegar a estrada rumo a Tapejara.

Nosso Segundo dia de viagem foi mais desencanado/desorganizado. Acho que isso aconteceu porque só faltavam 300 kms e estavamos mais tranquilos com relação a estrada! Saimos de União da Vitoria as 10h50 sob uma leve garoa. Paramos no primeiro posto assim que entramos na rodovia para checar nossa rota. Tudo discutido, rota checada e voltamos pra estrada! Aí botamos o couro pra derreter. Durante o trajeto surgiu uma dúvida sobre o roteiro. Paramos, discutimos, e pedimos informação. Para a nossa alegria estávamos bem certos. Foi só uma desconfiança nossa com a sorte pois estava dando tudo muito certo. Assim continuamos, e quando avistamos a divisa com o Rio Grande do Sul a curva que dá de cara com o Rio Uruguai (com uma largura monstro), paramos para fotografar pois valia a pena.

Essa foi a parte mais bonita da viagem. As paisagens eram simplesmente maravilhosas. Umas vistas de campos e plantações abertas que iam ao longe. Umas cidadezinhas perdidas que pareciam que haviam parado no tempo. Uma coisa de louco. Muito lindo.

Entramos na Estrada de acesso e ela era toda cheia de curvas e pequenas subidas e descidas, pequenos vales, que discorriam pelo meio das plantações!Aceleramos novamente seguindo o nosso plano até Getúlio Vargas, e lá veio a grande notícia: faltava apenas cinco trevos. "É tetra, é tetra"!! Só que não. Era o VI Encontro Nacional de Vespas e Lambrettas em Tapejara (RS).
Em Tapejara fomos muito bem recebidos por todos, e havia na cara das pessoas um ar de alegria e espanto, já que fomos rodando: "somos a Scooteria Paulista, porraaaaaa" (como diria Renato Teixeira). Daí em diante... foi maravilhoso.

RELATO 2: Por Gustavo Delacorte


Saímos as 13h30 de Santos rumo a Curitiba, onde dormiríamos no primeiro dia. Estava sol, mas o tempo mudou bruscamente assim que chegamos em Peruíbe, com uma nuvem negra com nos acompanhava lado a lado e que minutos depois iria nos batizar para todo o resto da viagem.

Logo após a segunda parada, entre Registro e Cajati, um pequeno susto. A moto morreu e não ligou mais. Não tinha mais faísca, então parti direto para o CDI. Verifiquei os fios, tudo ok, e nada de faísca. Então resolvi não perder muito tempo e imediatamente o troquei por outro, sanando o problema e seguindo viagem. Nisso não perdemos nem 5 minutos.

Logo depois de Cajati iniciamos o trecho de serra bastante sinuoso da Régis. Com a chuva, a velocidade caiu bastante. Entre um km e outro, tomamos um susto com um pneu de caminhão que estourou bem na nossa frente, e seu pedaço maior voou cerca de 50 metros de altura, me fazendo tirar a mão e esperar ele cair antes de prosseguir. Também vimos uns carros batidos, e um outro que tinha acabado de capotar, com o motorista ainda saindo pela janela. Ambos acidentes com certeza resultados da alta velocidade que os motoristas insistem em andar mesmo com chuva forte.

 A noite foi caindo e a visibilidade diminuindo. A única coisa que só aumentou foi a chuva. Faltavam ainda cerca de 80 km quando não conseguia ver mais nada. Nas últimas horas de estrada naquele dia, fui obrigado a pilotar sem óculos, pois era a única maneira de conseguir enxergar alguma coisa, mesmo tomando pingos que doíam na cara e algumas vezes nos olhos. Por volta das 22h30 chegamos em Curitiba, cansados e estressados pelo pequeno perrengue noturno. Pra ajudar, o carregador que instalei na Vespa quebrou e o celular perdeu a bateria. Pra encerrar a rodagem do dia de vez, acabei pagando um taxista para nos guiar até a casa de um amigo, onde terminamos a noite e descansamos.

No dia seguinte, lembrei de alguém que me escreveu de Curitiba oferecendo um parabrisa semanas antes da viagem, e resolvi contatar a pessoa. Fui buscar o parabrisa mas faltavam os suportes de apoio no guidon, foi aí que decidi atrasar a saída rumo a Tapejara e visitar a oficina Motos Antigas, de Curitiba. Fui muito bem recebido pelo Vitor e seus funcionários, que entre um café e outro prontamente fabricaram um suporte para o parabrisa para que eu seguisse viagem.

Por volta das 11h saímos de Curitiba. O parabrisa caiu como uma luva, livrando o corpo e o rosto dos pingos e do vento que insistentemente estressam e irritam qualquer piloto. Não havia tido ainda uma experiência com parabrisa e depois dessa posso dizer que ele torna a viagem mais confortável em 50% ou mais. Pelas minhas contas, o consumo caiu em apenas 2 km por litro devido ao arrasto do parabrisa.
Nas demais paradas passei a observar que o pneu traseiro estava raspando na mola do amortecedor bem de leve, devido ao peso das bagagens. Isso me preocupou e me fez ficar um dia a mais na estrada, pois resolvi não arriscar seguir os 300 km finais até Tapejara no escuro, sem saber se o pneu aguentaria pois os buracos na pista só aumentavam. Ficamos num hotel meio macabro, mas que nos foi bastante útil para descansar e fazer as checagens necessárias na vespa para seguir viagem despreocupado. Optei por não calçar a roda com arruelas por medo que o peso sobrecarregasse os prisioneiros. Acabei apenas invertendo o pneu SC 30, que não tem sentido de rotação, e segui viagem.

No dia seguinte saímos 8h30 e tivemos o melhor dia de todos na estrada. Velocidade moderada, média entre 60 e 70km/h, e o mais importante, sem chuva. Assim que entramos no Rio Grande do Sul o sol nos recompensou de vez para esquentar nossos corpos e suprir as energias. Duas centenas de km depois avistamos a primeira placa indicando Tapejara. Chegamos na cidade as 13h30 e fomos direto para o almoço de confraternização que estava acontecendo. Fomos muito bem recebidos pelos amigos e brindamos a chegada com almoço e cerveja Polar (muito boa, que infelizmente não tem em SP).