terça-feira, 16 de dezembro de 2014

VESPARICANA E A SP (Alemanha / 3 Américas)

A bordo de uma P125, a mais baixa cilindrada já vista rodando as Américas a que se tem notícia, o alemão Alexander Eischeid viaja o continente de ponta a ponta. Seu projeto, batizado de Vesparicana, consiste em percorrer por solo do Alasca à Patagônica. Até o momento já foram 56 mil kms em um ano e meio de estradas. Falta pouco: mais três países e pronto. Só que não será tão fácil assim, tem mais 18 mil kms de chão até o dia 13 de março, quando embarcará de Buenos Aires para Körl, cidade-natal. Nesses quase cinco anos de Scooteria recebemos dezenas de viajantes da América e da Europa, e todos eles carregam algum estilo na moto, e Alex não foge à regra, e seu avatar era dos mais curiosos: uma legítima motoneta dos "Correos" da Espanha. Contaremos aqui um pouco sobre a passagem desse mensageiro da Alemanha.
(Parte 01, São Paulo e ABC, por Marcio Fidelis)


Terça-feira de 25 de novembro e eis que chega em nossa Sede o nobre aventureiro. Esperávamos por ele, e ele por nós. Aden Lamounier lembrará dessa por muito tempo, a surpresa de ouvir isso no primeiro brinde com Alexander: "no México os vespistas falavam que se viesse ao Brasil procurasse a Scooteria, na Colômbia, no Equador, no Perú... então decidi vir conhecer vocês", contou pra gente entre umas cervejas e outras das suas primeiras horas de Mooca. Tão logo provou da caipirinha no "bar da Ju-Juvem" na Rua Javari. Ébrios cambaleamos na chuva até a Sede, cantando alto qualquer Frank Sinatra pisando nas poças do caminho, rolando na correnteza beirando a descida da Madre de Deus. Praticamente dormiu molhado. (Ouvi algo a respeito das suas capacidades etílicas lá em Medellín, por isso então o colocaremos à teste daqui em diante).

Quarta-feira, 26 de novembro. Alex dormiu muito, acordou, comeu, dormiu de novo. Estava fadigado. Durante a tarde o levei à Scooterboys, oficina de customização do Marcelo China, na Mooca. Tarde de cerveja e Yalisoba, comandado pela chef Leika Morishita. Alex ficou embasbacado com a personalidade que transpira nas paredes daquele espaço, um lado obscuro do scooterismo clássico, extensão dos anos 80 britânico, que revivalizava a sua essência, a explosão juvenil e o modernismo dos anos 60. We are the brazilian scooterboys. Just it!

Quinta-feira, 27 de novembro. Estava tudo combinado para uma concentração de boas-vindas na nossa Sede às 18h. Abrimos a primeira das muitas latas da noite, e recebemos os primeiros visitantes. Veio a Rosa Freitag, trazendo o Nuno e companhia. Veio o André Lopes, o Gabriel, o Favero, Assef, Muchiba, Leo Russo, Diego Pontes e Cintia, Daniel Turiani, eu e Debbie, Aden e mais amigos que agora me foge da memória. Delacorte subiu de Santos especialmente para trazer os cumprimentos ao errante. Alex distribuiu adesivos a todos, e me presenteou com um kit de ganchos para adaptar pneus comuns às estradas de terra (off-roads). Mais tarde me daria também seu par de rodas. Ele vinha preparado para tudo, era o viajante com mais peso e bagagem de todos os que já passaram por aqui. Racional e louco, numa só cabeça.

Sexta-feira, 28 de novembro. Mais um dia de ressaca, seguida de outra e de outra. Tão logo o alemão compreenderia que de caneco éramos tão capazes quanto os seus. Alex precisava trocar a tela do notebook, e dar um rolê na cidade, claro; então lá fomos, em duas Vespas ao centro velho. Em uma hora seu computador estaria em ordem, o que o deixou embasbacado, pois na Alemanha esse tipo de serviço em eletrônica levaria dias e custaria muito mais. Passeamos pelo centro, a pé e em Dois Tempos, também pela Estação da Luz e seu Parque defronte; jantamos no Mercado Municipal (sanduíche de mortadela e pastel de bacalhau), e encaramos a "hora do rush" paulistana de sexta-feira. Nessa noite o nosso amigo recobraria seus escritos de viagem, atrasados desde que seu computador quebrara, no Chile.

Sábado, 29 de novembro. A convite do Deni Roque partimos para São Caetano do Sul assistir à palestra do Finho, vocal/guitarra da lendária banda 365 ("sem São Paulo o meu dono é a solidão"), na tradicionalíssima Rick and Roll Discos (since 1987). Aden foi conosco. Lá estava o Much, Favero, Diego e Deni (com família) em suas PX. Dia esse que renderia histórias e lorotas pra vovó. Antes de escurecer tocamos todos para Santo André tomar umas e outras ao som de Jimmy Cliff na Juke Box do Bar do Ceará. (Horas depois Diego e Cintia guiaram o visitante cansado para a Sede).


Domingo, 30 de novembro. Alexander Eischeid havia me contado que era carpinteiro e trabalhava com grandes estruturas. Coincidências da vida, pedi para que ele me ajudasse no projeto da cobertura extra no quintal da nossa Sede, desenhando a estrutura e o que fosse preciso para um leigo feito eu. Com as ferramentas na mala e o conhecimento na mente, ele não só explanou sobre o projeto como começou a trabalhar ali mesmo. Aos goles no tereré paraguaio preparamos as madeiras, o corte, as medidas, e depois que o Diego e o Everton trouxeram a furadeira, botamos tudo de pé. Mais ele do que qualquer um de nós fizemos ou faríamos. Passamos seis horas de trabalho intenso. Depois de findado o primeiro passo, saímos para um rango, nas entranhas da zona leste: a Fogazza do Sr.Zé, no bairro da Água Rasa. O lugar é parecido com aqueles quiosques argentinos: uma porta estreita e dentro a família preparando as massas e servindo os petiscos nas mesas distribuídas pela calçada. Nos sentamos do outro lado, beirando a movimentada avenida Salim Farah Maluf, encostado em nossas Vespas, brindando diante de uma inimitável porção de berinjela apimentada. Alex achava tudo ali muito lúdico, inédito. Ele gostava disso, da simplicidade das coisas, da vida pelo lado popular e espontâneo. Contaria do seu sonho literário, da carpintaria, do noivado, das viagens em Vespa pela Europa, da sua família, das estradas da América. Que dia!!

Segunda-feira, 01 de dezembro. Comprei as telhas, parafusos e itens mais, e a tarde trabalhamos duro na montagem do telhado: Aden, Alexander e eu. O gringo por duas vezes chegou a cair do alto e quebrar as telhas, mas como um ninja nato se salvou se pendurando como um pêndulo entre os sarrafos já fixados, o Bruce Lee alemão. E a poucos minutos antes de cair a tempestade o nobre carpinteiro findou o projeto. Nesse meio tempo eu pintava o madeirado. Estávamos orgulhosos, e se tivéssemos mais dias e dinheiro, faríamos uma casa inteira de madeira. Passada a chuva caiu a noite, e vieram alguns amigos: Koré, China, Oliver e Andrea. Noite de seresta, pizza e breja.

Terça-feira, 02 de dezembro. Depois de uma semana conosco o nosso amigo nos deixaria para conhecer o Cristo Redentor. Bem cedo o acompanhei até a Rodovia Presidente Dutra, aonde nos despedimos com emoção contida. Todas as vezes que recebemos um aventureiro com sua motoneta me sinto gratificado. Quase sempre eles - e nós, pois também somos aventureiros sem fronteiras - chegam fadigados, sem grana, necessitando de coisas mil; e fazemos o máximo para ajudá-los. Mas esse cara nos surpreendeu, veio como um mensageiro do "faça você mesmo"; deixando-nos o legado de uma obra incrível, expandindo nossos horizontes e enchendo a nossa bola. Determinado, engatou a primeira e sumiu para o Rio, com a promessa de visitar os nossos em Santos...

(Parte 2, Santos e Mairiporã, por Delacorte)

Sábado, 06 de dezembro. Pontualidade é uma características dos viajantes. O Alex não é diferente. No dia anterior ele avisou que se conseguisse chegar no sábado seria por volta das 18h, e chegou mesmo. Logo nos cumprimentamos e seguimos para o hostel onde ele ficou hospedado. Celebramos a chegada com cerveja e depois bebemos mais algumas em um posto de gasolina, onde encontramos o vespeiro Sam, antes dele voltar ao hostel para descansar.



Domingo, 07 de dezembro. Acordamos um pouco tarde, por volta das 9h00. Na noite anterior combinamos de ir até o restaurante Velhão, em Mairiporã, onde aconteceria o almoço de confraternização de fim de ano da loja Free Willy. Alex queria rever os amigos que fez em seus dias pela Mooca e se despedir da turma. Saímos de Santos as 11h30 com o tempo meio nublado. Na subida da Imigrantes pegamos a comum neblina. Na chegada ao planalto o céu se abriu para a nossa felicidade. Alex vibrou com a maneira como o tempo virou para um dia lindo de céu azul. Aproveitamos bem o Velhão com sua incrível variedade de ambientes, comidas e bebidas juntos da turma, e por volta das 17h decidimos voltar com medo que a ameça de chuva das nuvens no céu se tornasse realidade e complicasse a nossa volta para o litoral. Felizmente a chuva não veio e chegamos em Santos antes do sol se por. Depois, nosso amigo viajante descansou até o dia seguinte.


Segunda-feira, 08 de dezembro. Dia de trabalho. Alex foi guiado por seu GPS até o Empório Motoneta, onde demos uma geral  e um banho na PX viajante. Mais tarde nos encontramos novamente, para uma volta pela cidade e depois umas cervejas. Fizemos um giro pelo centro velho, porto e orla da praia, onde paramos para comer o famoso sanduíche do Zelito, tomar algumas cervejas e prosear (observações de Alex sobre o Brasil até aquele momento). Do pior, ele ficou de bobeira com a péssima qualidade da nossa gasolina, de termos que pagar mais caro por uma gasolina um pouco melhor, que ainda assim é pior que todas vendidas pela Europa, e o quanto a gasolina brasileira faz mal para nossas vespas. Do melhor, a hospitalidade brasileira e a imensidão do nosso país ganharam o coração germânico. Entre Europa e América, Alex foi direto: "a América, com certeza, por toda a simplicidade e pelo calor humano que os países exalam". Depois dos sanduíches e da prosa fomos para a saideira no posto de gasolina e encerramos a noite.


Terça-feira, 09 de dezembro. Fui até o hostel deixar algumas de suas bagagens que ficaram em minha casa por questão de espaço e nos despedimos enquanto Alex carregava a sua vespa viajante para seguir em diante. Dei as coordenadas a ele para que seguisse rumo a Curitiba. De todos os viajantes que conheci, foi a vespa mais carregada que vi.

Alexander Eisheidt é um europeu incomum. Motivado por questões subjetivas se revelou uma espécie de beatnik dois-tempista, apesar de toda uma boa criação e prosperidade profissional. Foram dez dias conosco, o que nos encheu de satisfação, pelo visto, recíproca, traduzida no seu relato sobre nós: http://vesparicana.jimdo.com/deutsch/süd-amerika/52-mods-und-skins/

Thanx bro'. See ya, you know where.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

DIA DEL SCOOTER CLÁSICO #6

Nesse final de semana acontece a sexta edição de um dos mais emblemáticos encontros de old scooters da América Latina, o Dia Del Scooter Clásico. O evento dessa vez migra para Arrecifes, cidade a 200 kms a oeste da Província de B.A.


Estivemos nas edições de 2011 e 2012, representados pelas figuras de Fabio Much, Marcelo China e Marcio Fidelis, ambas acontecidas em Buenos Aires e arredores. Agora o evento parte para Arrecifes, cidade a 200 kms da capital. Mas não é só isso, vai rolar um comboio rodoviário e atividades para noite e dia, as que serão narradas nos próximos dias aqui pelos nossos representantes da vez: Gabriel Vesparock e Fabio Much. Nossos expedicionários partem de avião nessa quinta-feira, e terão por lá uma Vespa preparada para a SP. Desejamos sucesso e sorte aos amigos organizadores da Red de Vespistas Argentinos, e aos nossos membros internacionalistas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

W.A.C.K. - Pré-Lançamento do CD


Desde 2012 tocando Oi tradicional e de vez em quando fazendo reggae arcaico, esse é o W.A.C.K., quarteto do ABC paulista que nesse sábado realiza uma concentração de pré-lançamento do CD em São Caetano do Sul. Na banda Deni, Mauro, Hugo e Fidelis. Dos quatro, três scooteristas clássicos. Uma das bandas da casa, com orgulho. Sábado a partir das 15h em São Caetano. Compareçam, compre o seu CD e ganhe um poster limitado da banda.





Rock'n'Roll Discos
R.Conde Francisco Matarazzo, 85, loja 5, Centro - São Caetano do Sul - SP. (Não haverá show com a banda).

O clipe de "Skin Ska Reggae" fala da essência do estilo Skinhead, que nasceu do Reggae e do Ska, com fortes imagens dos conflitos pela independência da Jamaica da coroa inglesa, da explosão da música negra a partir disso, da imigração jamaicana na Inglaterra, e da fusão dela com a juventude branca dos subúrbios ingleses, muitos deles ex-Mods de 1963 raspando cabeças em 1968. Com vocês, Skin Ska Reggae:

Walking down the street
Sometimes it feels weird
The sensation of not belonging
Still gets me scared
I take a look around
It’s always the same picture
Fitting in this rat-race has always been just fiction
Left wing vipers, snakes form the right
Leeching on my country, my flag and my pride
No longer wanna change the world to a better place
No politics, no bullshit
I see problems face to face
Still believe in teaching this kids how to party
Party with the rudes, Two-Tone, Dekker and Aitken
We have a long history, despite ups and downs
Don’t fall into the traps, spread the word around
I keep my head up high
Crucified but still dancing
Proud of who I am
Skin Ska Reggae

sábado, 29 de novembro de 2014

O MAD MAX DE SP (1965)

O blog Transamazônica é bastante curioso, fala da história da rodovia, de bichos, povoados e memórias da família do autor, como essa, de uma viagem incrível em Lambretta LD, de São Paulo até Laguna (SC).


"Desde de garoto me lembro de termos um veículo motorizado de duas rodas em casa. Era ainda muito criança e lembro da lambreta do meu pai estacionada na garagem ou num pequeno rancho que ficava atrás de casa. Meu pai conta que quando eu tinha três anos ainda morando na Vila Maria em São Paulo ele pegava eu e minha irmã quatro anos mais velha colocava-nos na lambreta e saia pela cidade. E assim foi toda minha infância com o pai sempre saindo e chegando na velha lambreta. Algumas épocas ficávamos sem carro, mas raras vezes ficamos sem a lambreta. Mas tarde eu já aos 12 anos o pai comprou a primeira moto, uma CG 125 1982 vermelha carburador com sistema ecco revolucionário, bengalas modernas em relação ao modelo anterior. Fantástica pra um guri de 12 anos. Moto na qual comecei a dar os primeiros passeios pelo bairro.

Somado a isso lembro me ainda de uma história que meu pai conta. Ele saiu em 1961 aos 18 anos do interior do interior de Laguna para ser garçom em São Paulo. Na localidade de Madre onde morava não havia nem água encanada (algo normal pra época, usava-se a água de poço), nem luz elétrica. Em 1965 já estabelecido na cidade ele comprou sua primeira lambreta e resolve fazer uma viagem São Paulo a Laguna (Aproximadamente 850 km). Contava sempre essa história sobre os quatro dias de estrada pela atual BR 116 e BR 101, hoje totalmente asfaltada e duplicadas mas que na época eram quase na sua maioria estradas de chão e que dependiam das condições climáticas para seguir viagem. A cada parada era preciso se informar sobre as condições da estrada pra frente para poder seguir viagem. Falava sobre grandes trechos em que havia duas cavas feitas pelas rodas de caminhões e que era preciso colocar a lambreta dentro, tirar os pés das pedaleiras e ir ajudando para transpor os atoleiros.

Narrava-nos que a chegada de lambreta na Madre (de onde havia saído para ir trabalhar em São Paulo) foi algo triunfal e inacreditável por muitos. Na localidade a maior parte do transporte era feito por rios. Todos tinham um bote ou uma bateira que era usado também para pesca. Nessa época as estradas serviam apenas para transportar o gado de uma pastagem a outra, para as carroças e ainda para os raros veículos motorizados de caixeiros-viajantes que raramente passavam pela região. Foi algo como uma espaçonave descer na terra. Se já não bastasse uma lambreta ser totalmente desconhecida e inusitada a Lambretta de meu pai possuía umas labaredas de fogo desenhadas nas tampas laterais e muitas pecas cromadas (acho que meu pai na época era meio Mad Max). Quando chegou na minha avó, seus irmãos, na época todos pequenos, rodeavam a lambreta, subiam nela, queriam andar e ficavam extasiados com tal veículo".


"A empolgação foi tamanha que logo pegaram a lambreta colocaram num bote e a levaram por rio numa pequena venda (Armazém) onde era o “centro” da pequena vila. Meu pai conta que aquilo foi feito não como promoção mas como forma de compartilhar com todos algo que era eletrizante e fantástico para a região.Todos perguntavam sobre a viagem e sobre tudo, alem é claro de querer dar uma volta. Era a magia do interior que não existe mais. A TV e a Internet mataram esta magia. Dizem que a carga genética algumas vezes pula uma geração, mas acho que no meu caso ela poderá pular a próxima mas, me desculpem, não na minha vez".

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA - PARTE 2 DE 2

Nesse final de semana vivemos aquele que talvez tenha sido o mais divertido Raduno da Primavera. Foi a quinta edição, a primeira de dois dias. Ao todo reuniram-se 50 motonetas e seus destemidos condutores, das cidades de Santos, São Paulo, São Bernardo do Campo, Itapevi, São Roque, Itatiba, Campinas, Osasco, Guarulhos e Araraquara. A invasão na "Brighton brasileira" aconteceu nesse final de semana. Contaremos aqui a segunda parte disso.


Domingo de sol e céu aberto. Um dia perfeito para a parada na praia. Pelas 11h abastecíamos a frota resistente de vinte motonetas que tocaria até o Guarujá. Macruz, Edelcio e um velho amigo dos nossos subiriam a Imigrantes naquele instante, estavam em duas Lambrettas LI's e uma Vespa. Os Intocáveis estavam a caminho de Araraquara. Buzolli e sua amiga tinham subido bem cedo, também o Volpato. Da capital chegava o Paulo "De Vito" e o Senna. No agrupamento estava também o Delacorte, Luca Perucchi e sua cachorrinha, Diogo, Vitor "Ernest", Piera "Itatiba", Everton, Favero, Reginaldo/Rose, Much, André/Alessandra, Aden, Edu Parez/Silvia, Maturino e seu pai, eu etc. (Peço desculpas aqueles que não cito, é por esquecimento, e assim que me lembrar ou for lembrado, adiciono a esse post).


Um dos momentos mais emblemáticos do Raduno é a travessia Santos-Guarujá pela balsa. São quatro eternos minutos, talvez cinco. Debaixo de um sol pra lá de forte, daquele céu azul de primavera paulista, tocamos até a Praia do Tombo, a de costume. Por lá nos estenderíamos por três horas ou um pouco mais, para almoço, prosa, banho de mar.


As 16h em ponto dobrávamos a esquina rumo à Piaçaguera-Guarujá, acesso à Rodovia dos Imigrantes. Delacorte foi na frente, e guiou alguns para um caminho em obras que dividiria o grupo para a volta, levando Diego/Cintia, Everton e Senna a se perderem da gente. A subida foi tranquila, em quinze motonetas. Nos mantínhamos à direita, sempre sinalizando a cada ultrapassagem ou mudança de faixa. Apesar do tráfego da volta do feriado, nos sentíamos tão seguros quanto na ida. Creio que a única dificuldade de fato se deu na entrada da cidade grande, quando o trânsito parou por conta de um acidente qualquer.


Essa foi a quinta edição do Raduno da Primavera, um evento que é especial porque acompanha a história da SP e porque talvez tenha sido o primeiro 100% scooterista clássico rodoviário contemporâneo... (affff que palavrório). Bom, ficamos assim então, ano que vem repetiremos os dois dias, melhorando as questões de hospedagem e turismo. Muito obrigado a todos os participantes, de Santos, São Paulo, São Bernardo, Itatiba, Osasco, Guarulhos, São Roque, Itapevi, Campinas e Araraquara.

Agradecemos imensamente o apoio do Empório Motoneta (Santos), da The Firm Records (Santo André), da Free Willy Moto Peças (São Paulo), Trackers (São Paulo), Santos Hostel e Jenny Woo Oi! Project (Canadá).

Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Karla Jales e Fidelis.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

V RADUNO DA PRIMAVERA - PARTE 1 DE 2

Nesse final de semana vivemos aquele que talvez tenha sido o mais divertido Raduno da Primavera. Foi a quinta edição, a primeira de dois dias. Ao todo reuniram-se 50 motonetas e seus destemidos condutores, das cidades de Santos, São Paulo, São Bernardo do Campo, Itapevi, São Roque, Itatiba, Campinas, Osasco, Guarulhos e Araraquara. A invasão na "Brighton brasileira" aconteceu nesse final de semana. Contaremos aqui em dois tempos.



Sábado de sol com chuva. Amanheceu no Posto Frango Assado a boa-nova do céu azul; quilômetros abaixo não seria tão assim. Não queremos chuva na estrada, e São Pedro Lambreteiro costuma aliviar pra geral, mas o Raduno ele não perdoa, ele cisma. Às 10h45 saímos do Frango Assado. (Tive contra-tempos com uma roda que parecia soltar, mexi nela em casa, troquei ela na concentração. Não mudou, fui assim mesmo. O atraso foi minha culpa, sorry). Descemos a Serra em 32 motonetas, outros desceriam horas depois, outros no dia seguinte. Era admirável ver aquela "formação de comboio" tão insistida e discutida em outros Radunos. No km 25 eu olhava para trás e via todos em suas posições, deixando o centro do comboio livre. Uma pintura! Deixei a ponta do grupo voltei para o meio, para auxiliar na comunicação e no que fosse preciso. Passamos o pedágio e inclinamos as rodas na descida da Serra. Vieram os túneis, suas luzes, e toda aquela acústica lúdica: o som do Raduno. E lá no fim deles, a chuva, e com ela, o trânsito. Encostamos embaixo da Ponte da Imigrantes sentido capital. Era preciso represar o grupo, botar capas e repensar o comboio naquele trecho final. Teríamos mais vinte minutos de água até Santos. Nossas roupas secariam lá na mesa do almoço.


Santos estava ótima, até que calma, visto que era sábado de feriado (Proclamação da República). Delacorte conseguiu uma vaga a 200 metros da orla, na Conselheiro Nébias, e por lá ficamos. Era um bar que servia almoço, ou vice-versa. Coubemos ali e ficamos assim, combinado para as 15h a saída para um giro. Nisso foi chegando gente, de Santos, o Eric, Maturino e pai, Breno, Ilídio; de Araraquara, Os Intocáveis; e mais de São Paulo, Alex e a Free Willy. Devido a atrasos por problemas mecânicos numa PX, estendemos a saída em uma hora.


Tocamos para o Valongo/Museu Pelé, e região portuária, acompanhando assim parte da frota que subiria a Imigrantes: Koré, Guilherme Rocha, Poló, Dario, Roberto, Fiilizola, Álvaro, Daniel, Robson, Alex, e alguns que vou lembrando. Dos clubes, estavam ali o Motonetas Clássicas Campinas, os Vespeiros e o São Roque Vespa Clube. Aliás, desse último, um ficou, o Ed Purga; sua PX teve os prisioneiros da roda traseira comprometidos durante o passeio, e quase rolou um chão por causa disso. A pick-up do Empório Motoneta foi ao seu socorro, já nós, para a hospedagem. Depois do check-in a turma foi para o banho ou para o bar. Vitor Hugo "Ernest", Rafael Piera "Itatiba" e eu improvisamos um palco até que decente, com os amplificadores da casa - um deles do Much -, com os pedestais do Itatiba, a logística e apoio primal da The Firm Records. Tocamos os trabalhos por uma hora e meia de tentativas até acertarmos o palco, e repararmos as condições elétricas do espaço. Improviso e estilo.


JENNY WOO (Canadá)

Jenny Woo (Canadá)
21h e vinha um cheiro de chuva no ar. Jenny Woo, a skinhead girl canadense pegou o seu violão e deu início a um concerto que valeu por uma banda toda. Voz e violão, e uma performance que muita gente ali nunca viu, nem no rock. Jenny Woo consegue, ela atrai o público, qualquer público. Tocou as suas, novas e antigas, tocou Cock Sparrer, Last Resort, Perkele. A crucificada transformou água em vinho, chamou o público para o côro e tirou bis e mais bis dos dois-tempitas. E tinha bem umas 50 pessoas ali. Começou a chuva, e ela não parava, e suava. Metade ficou à frente, outra metade atrás da chuva, dois metros depois. Na rua as Vespas, dos dois lados, sob a luz do poste, espelhando na água do chão. Foi mesmo divertido, Deni e Evlyn tinham chegado da Praia Grande, o Diego e a Cintia curtiam inclusive a amizade que rolou. Combinações inusitadas, como a Lambretta do Macruz fazendo o fundo do palco de um projeto Oi!, ou o Buzolli num cumprimento inusitado com Jenny, ou mesmo a própria tocando Drinking and Driving, do Business, em pleno Raduno. No fim do show ela presenteou a turma com um CD para cada participante, agradecendo a todos muito, até ficávamos sem jeito. Jenny me pediu uma dedicatória no cartaz do Raduno - me chamava de "the presidente" -, e me pediu um passeio de Vespa. Yeah!!! Do jeito que a gente gosta!!! Reunimos o grupo e saímos então, em vinte motonetas pela cidade até a orla, até a Praça das Bandeiras, aonde faríamos uma foto tremida, e a sua despedida. E Jenny e a Firm se foram, subiriam de carro até o ABC, pois no dia seguinte faria um show no Rio de Janeiro. Foi incrível a sua passagem por aqui, inclusive na sexta-feira em São Caetano do Sul, quando tocamos com ela, nossas bandas: W.A.C.K., Beber's Operário e Oskarface. Nas últimas cervejas da noite parecíamos ter visto um cometa passar no Raduno. Foi um dia difícil, para a organização sobretudo, compensado pelo sucesso que na madrugada dormia na consciência da gente. E ainda tem o domingo...




Relato por Marcio Fidelis
Fotos por Delacorte, Tuca, Eric Augusto e Cintia.

domingo, 16 de novembro de 2014

XV DE NOVEMBRO DE 196?


Esse desfile da Proclamação da República aconteceu há cinquenta e alguns anos. E as Lambrettas estavam lá, inclusive o modelo Lambro, todos pela Rua XV de Novembro.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

MOTOBALL COM LAMBRETTAS #2 (SANTOS)


Durante os anos 70 uma geração de lambrettistas superaqueciam o calendário paulista e nacional com diversas atividades. Lá em Santos um dos agitadores, tanto para o lazer como para o esporte, era o Chicão Velasco. Ele puxava corridas, passeios, as customizações da baixada; e além de todo um estilo de vida, o mito caiçara também começou por lá (e algumas cidades de SP) o Motoball, um futebol de areia jogado sobre rodas. (Fonte: Blog Lambretta Brasil.)


Para te lembrar do V Raduno da Primavera, que acontece no próximo final de semana. Siga as instruções do link e se guarde a data.

*Somente motonetas clássicas: Vespa, Lambretta, Bajaj, Star, Cezeta...
Em caso de dúvida entre em contato com a gente: scooteriapaulista@gmail.com